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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FILME: VINCERE - 2009



Direção: Marco Bellocchio - 2009
Duração: 118 min
País de Origem: França - Itália

O filme relata a relação de Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno) com Benito Mussolini (Filippo Timi) quando este era um jovem militante socialista radical. Ida apaixona-se perdidamente por ele, absolutamente fascinada por este homem, ela se desfaz de tudo que possui para ajudá-lo a fundar o jornal Il Poppolo d'Italia, o início do Partido Fascista. Ela engravida e nasce um menino. 

Durante a 1ª Guerra Mundial, Benito se alista no exército e fica um tempo sem dar notícias. Ela irá reencontrá-lo num hospital onde também encontrará a nova esposa dele, Rachele (Michela Cescon). 

Trata-se de uma história real pouco conhecida. Ida morreu em 1937 num manicômio psiquiátrico, sozinha, devastada, após sua imensa luta para ser reconhecida como esposa  do Duce, antes do casamento com Rachele que permaneceu sua esposa oficial até o fim de sua vida, e ter seu filho reconhecido como primogênito. Ao longo do filme vemos flashes de mulheres internadas em hospícios e trechos de documentários sobre a época e a ascensão de Mussolini ao poder. 

Logo no início do filme, estamos em 1910 e Benito desafia os cristãos dizendo que irá provar a inexistência de Deus: " se Deus não me fulminar em 05 minutos será demonstrado que ele não existe." Ida está fascinada por este homem, como em breve estará o povo italiano, que será, como Ida, traído e subjugado. 

Ida após ter sido abandonada por Benito não consegue ultrapassar isto, irá destruir sua vida na tentativa de ser reconhecida. Era uma mulher independente, bonita, inteligente, com posses, dona de uma casa de moda feminina em Milão. Abre mão de sua vida por ele. As cenas de amor dos dois no começo do filme mostram seu olhar vidrado nele, e o dele distante, em outro lugar. Há uma falta de limites dela em relação à ele, lhe entrega tudo, corpo, alma, posses. Apesar de dar tudo como ela mesma diz com alegria, como se isto fosse uma felicidade para ela de poder ajudar, no fundo o que ela deseja é ser única para ele, é ser A mulher. 

Ela se fixará nisto por toda sua vida, neste lugar que deseja acima de tudo, sendo incapaz de aceitar o fato que ele a deixou e trocou por outra mulher. Abrirá mão de qualquer possibilidade de reinício de uma vida com seu filho (Filippo Timi), com isto levando a ambos para o trágico. Lembra Antígona, uma vez que também vai contra o Estado e sua lei. Sua obstinação em afirmar que era a esposa e que o filho foi reconhecido, o que nunca foi comprovado oficialmente. 

Ida não é louca, ela sabe onde está, quem é, mas se fixa na loucura deste amor, me lembrando Camille Claudel com Rodin, que também se fixa nele. Acaba sendo internada após gritar para todos ouvirem que já escreveu ao papa, ao primeiro-ministro, ao presidente do tribunal de Milão para que ele vá preso. Depois vai viver com sua irmã e seu cunhado tem a guarda de seu filho. O indício da erotomania, ela diz que só ela o compreende e que está convencida que ele também a ama. É um certeza delirante e que a impede de fazer algo diferente com sua vida. Acabara sendo subjugada pela polícia fascista, seu filho será afastado dela e entregue para outra pessoa criá-lo o que trará um grande sofrimento para ele. E ela dirá que ele está fazendo isto para testá-la, que quer ter certeza de que pode sacrificar tudo por ele, e que quando ele tiver esta certeza irá buscá-la e a apresentará à Itália como sua legítima esposa. 

Ela não pode dar uma outra vida a seu filho, uma nova família. Ele acabou internado em um manicômio e morreu aos 26 anos abandonado. 

Marco Bellocchio nasceu em 1939 em Bobbio, Itália.

sábado, 27 de dezembro de 2014

FILME: O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA - 2007



Direção: Mike Newell - 2007
Duração: 138 min
Título Original: Love in the time of cholera 

Baseado no livro homônimo de Gabriel García Márquez 

Estou lendo o livro, mas quando encontrei o filme acabei assistindo antes de finalizar a leitura.

O filme inicia já na velhice quando o Dr. Juvenal Urbino (Benjamin Bratt) morre e Florentino Arizo que esperou por este dia por mais de 50 anos procura a viúva Fermina Daza (Giovanna Mezzogiorno) para lhe dizer que por todo este tempo esperou por este dia. A partir daí o filme retrocede no tempo para contar a história dos três. 

Florentino conheceu Fermina quando era muito jovem e se apaixonou perdidamente por ela que se encantou com ele, e passaram a trocar cartas até o dia que o pai dela descobre tudo e ao perceber que não iria conseguir separá-los envia a filha para o interior da Colômbia. Alguns anos se passam e ela retorna à Cartagena, mas quando Florentino a procura ela lhe diz que foi tudo uma ilusão. Pouco depois ela adoece e chamam o Dr. Juvenal Urbino que passa a cortejá-la e acabam se casando. Florentino não aceita isto, não aceita que foi tudo uma ilusão, e por mais que sua mãe Tránsito (Fernanda Montenegro) tente ajudá-lo, ele irá nutrir este amor pelo resto de sua vida e será incapaz de amar outra mulher.




Mais de 50 anos se passarão, Florentino continuará amando Fermina, mas manterá relações rápidas com outras mulheres, fazendo um caderno numerando-as, chegando a 622 mulheres em determinado momento do filme. Por seu lado Fermina vivera um casamento com tudo que ele possui, e que muitas vezes é feito muito mais de problemas, atritos do que de momentos de felicidade e encanto, como dirá o Dr. Urbino a sua esposa, que a estabilidade de um casamento é muito mais importante do que o amor e a felicidade, ao que responde Fermina perguntando: o amor é mais difícil?

O amor é como o cólera, se apodera da pessoa e pode destruir, é uma doença, mas também é possível a cura. Logo após Fermina dizer a Florentino que descobriu naquele instante que tudo não passou de ilusão, ele passará muito mal, suará, sentirá dores. Sua mãe acredita que ele está com cólera.



Tránsito foi abandonada pelo pai de Florentino cujo irmão a ajuda com dinheiro. Ela se apega ao filho, um excesso de preocupação e zelo, e isto interfere na maneira como ele vive o amor. Viverá ao lado da mãe até sua morte. Fermina representa o além de sua mãe, ela despertou algo nele de que não conseguirá se desapegar tornando este amor obsessivo. Florentino fica paralisado neste sentimento, idealiza a amada, e viverá para estar perto deste objeto de amor e acredita que um dia ficarão juntos, ele anseia por isto. Ela é algo inalcançável, proibida agora que é casada, mas diferente do amor burguês, ele espera que o marido morra e teme que ela morra antes dele.

Fermina diante da situação de impossibilidade colocada por seu pai reage de outra forma. Ela vai reprimir seu amor, se convencer de que foi uma ilusão. Só após a morte do marido ela vai se sentir livre, poderá refletir sobre tudo isto e fazer escolhas por si mesma.

Florentino não consegue fazer o luto da separação, ele se torna melancólico, já Fermina consegue, e com isto abre a possibilidade de sua vida ao lado de Urbino.

Será então na velhice que este amor poderá ser vivido na realidade, deixar de ser um fantasma que esteve presente na vida de ambos. Fermina diz que Florentino parece uma sombra. As cenas do reencontro, ou novo encontro, pois ambos haviam mudado, vivido anos sem se falarem, são belas, a delicadeza, a sensibilidade de Florentino com ela, o cuidado que ele tem. O reconhecimento que está velha em Fermina, que coloca sua feminilidade em um momento frágil é superado pelo amor dele.



Um filme belíssimo sobre o amor.

Mike Newell nasceu em 1942 em St Albans, Reino Unido.