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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

LIVRO: A MULHER PERDIDA - TIM WINTON


Winton, Tim. Paz e Terra, 2009
439 páginas
Tradução: Juliana Lemos
Título original: The Riders

País: Austrália

Um livro que nos leva para as profundezas da alma, daquilo que desconhecemos de nós mesmos. Sempre achamos que conhecemos o outro que vive conosco, e mais ainda, temos certeza de nos conhecer, e de repente tudo isto muda.

Scully é um australiano que tem um bom coração, se contenta com pouco, e se esforça ao máximo para ver sua esposa Jennifer feliz. Ele não é bonito, tem uma cicatriz no rosto, é grandão, já sua esposa é muito bonita. A filha de ambos Billie compara seu pai a Quasímodo, o corcunda de Notre Dame. Ele faz todas as vontades de sua esposa, e por isto deixaram sua casa na Austrália para viver em vários lugares como Grécia, Paris, onde ele sempre trabalhava em trabalho braçais por ser ilegal e desta forma sustentar a família. Enquanto isto Jennifer tentava atingir seu ideal de eu, sonhando em ser uma artista aplaudida.

Quando finalmente decidem retornar à Austrália resolvem antes de ir embora fazer uma viagem à Irlanda, e lá Jennifer tem um pressentimento diante de um casebre de camponês e diz que é ali que serão felizes. Mais uma vez Scully atende ao seu desejo, e enquanto ela vai à Austrália com Billie para vender a casa , ele fica para reformar a casa, esperando a chegada delas para o Natal. No dia marcado ele está lá no aeroporto, feliz, mas quem surge é Billie com uma etiqueta escrita: criança desacompanhada, Jennifer não veio.

A partir daí Scully começará uma busca por vários locais para encontrá-la. Billie não dirá nada, e ele desesperado tenta encontrar sua esposa.

Scully não consegue enfrentar a realidade, e começa dando mil razões para sua mulher ter feito o que fez, nem mesmo os pequenos indícios que aparecem ao longo do livro o fazem pensar que foi abandonado. Ele fica tão obcecado que pensa que todos estão lhe escondendo algo, me lembrando aqui do médico no livro A origem do mundo, que postei recentemente.

Ele vai mergulhar no inferno. E eis que surge um Scully que também ninguém conhece, nem ele mesmo, ele vai fazer coisas que jamais se imaginaria fazendo. Será sua filha Billie de sete anos que terá que amadurecer precocemente e trazer seu pai de volta à realidade. Mas ela só o conseguirá depois que ele tiver passado por uma descida ao fundo do poço.

Jennifer não aparece ela mesma em nenhum momento no livro e vamos montando uma ideia dela através do que dizem os outros, mas é bom ficar atento, pois alguém pode realmente conhecer alguém? E o autor nos deixa sem saber qual foi realmente o motivo dela ter abandonado seu marido e sua filha.

É difícil aceitar a perda e as escolhas que o outro faz, aqui temos pai e filha tendo que aceitar o abandono por parte da esposa e da mãe, mas Billie dirá ao seu pai: você me basta! Ela aceita o real, lida com ele, apesar de também ter ficado traumatizada com isto o que se evidencia principalmente pelo seu silêncio e algumas passagens no livro onde ela pensa.

Scully em momento algum vai tratar o desaparecimento de sua mulher como um fato, o real, até mesmo procurando ajuda da polícia para encontrá-la, uma vez que ele fica sem saber nada sobre o que aconteceu.

O livro leva ambos por vários lugares como a Grécia, Itália, Paris, Holanda, mas esta descida ao inferno que Scully enfrentou poderia muito bem se passar dentro dele sem sair de onde estava.

Recomendo!

Tim Winton nasceu em 1960 em Karrinyup, Austrália. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

LIVRO: A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS - MARKUS ZUSAK



Zusak, Markus. Intrínseca, 2007
Tradução: Vera Ribeiro
500 páginas

"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler."

Li este livro quando foi lançado, e é um dos que mais aprecio.

A morte sofre com o fato das pessoas não gostarem dela, ainda mais que há um pequeno fato: você vai morrer! e não tem como não encontrar com ela que ressalta que não é preciso fugir, ela só vai ao encontro de alguém quando é a hora, exceto, uma única vez em que ela esteve ao lado de uma pessoa: Liesel Meminger, por três vezes, e justamente este fato a impressiona e ela resolve então nos contar a história da menina que roubava livros.

Segunda Guerra mundial, a mãe de Liesel está a caminho para entregar os filhos para adoção, ela é comunista e perseguida pelos nazistas. No caminho o irmão de Liesel morre. O primeiro livro que ela irá roubar é o Manual do Coveiro, através do qual aprenderá a ler. Liesel é entregue a um casal alemão, Rosa e Hans Hubermann.

Será através do livros que ela roubava, ou melhor, emprestava, que Liesel dará sentido a sua vida, através das palavras e do que podem significar, palavras que irão possibilitar ao judeu Max, escondido no porão dos Hubermann a ver com seus olhos como está o dia lá fora. Será contando histórias que ela irá diminuir o medo dos que estão abrigados no porão enquanto a cidade é bombardeada.

O livro nos retrata a Alemanha durante a guerra, onde nem todos eram nazistas. Aos poucos Liesel irá se sentindo amada, e terá um melhor amigo Rudy, além de Max que está escondido dos nazistas.

Somente a morte poderia nos relatar esta história com tanta simplicidade e singeleza. Ela se espanta com o ser humano, e com a capacidade de ser bom e cruel ao mesmo tempo. Finalmente no quarto encontro com Liesel irá para buscá-la. Ela estará com 90 anos.

Markus Zusak nasceu em 1975 em Sidney, Austrália. Ele cresceu ouvindo histórias de sua mãe que era alemã sobre os nazistas, os bombardeios e os judeus e sabia que era esta história que teria que contar.