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sábado, 25 de abril de 2015

FILME: TRACKS - 2013


Direção: John Curran - 2013
Duração:  112 min

Baseado na biografia homônima de Robyn Davidson

Em 1995 Robyn Davidson (Mia Wasikowska) decide atravessar o deserto da Austrália por 2700 quilômetros partindo de Alice Springs. Para conseguir o dinheiro para a travessia ela aceita ser patrocinada pela National Geographic, mas para isto terá que ir acompanhada do fotógrafo Rick Smolan (Adam Driver) que irá documentar a viagem para a revista. Ela parte em 1997 com sua cachorra e mais quatro camelos em direção ao Oceano Índico.



Robyn é uma pessoa solitária que prefere mesmo se manter afastada e ao longo do filme vemos algumas lembranças de sua infância traumática com o suicídio da mãe, sua cachorra que teve que ser sacrificada por não terem onde deixá-la, a Tia que vai buscá-la para ficar com ela após a morte de sua mãe. Compreendemos que esta vida se arriscando, indo as vezes à exaustão nas caminhadas, passando por obstáculos, mas ao mesmo tempo podendo estar consigo mesma, em contato com a natureza é uma maneira de lidar com esta infância difícil.



As paisagens são belas, o deserto é sempre algo que me cativa. 

Roby Davidson nasceu em 1950 em Miles, Austrália 

Roby Davidson e sua cachorra e Mia Wasikowska com a cachorra do filme.

 Capa da National Geographic

Roby Davidson e Rick Smolan 


John Curran nasceu em 1960 em Utica, Nova Yorque, EUA.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

FILME: VIAGEM SOLITÁRIA - 2013


Direção: Maria Sole Tognazzi - 2013
Duração: 85 min
Título Original: Viaggio sola


Irene (Margheritta Buy) trabalha como inspetora de hotéis de luxo viajando sempre sozinha e em segredo. O filme me remeteu aos meus anos de hotelaria e todas as questões que ela vai se colocando ao chegar a um hotel eu mesma o fiz muitas vezes em minha vida profissional. Sim é um trabalho fascinante que nos proporciona viagens e a ilusão de uma vida requintada e luxuosa, porém esta já é uma primeira questão que se coloca, esta não é nossa vida, não podemos nos hospedar nestes hotéis com a freqüência que Irene faz, ou eu mesma o fiz a trabalho, e temos que voltar para nossa realidade que no caso do filme é um apartamento grande, bem localizado, mas vazio, com poucos móveis e onde ela acumula coisas que traz dos hotéis, como sabonetes, cremes etc. É o momento que o filme confronta a vida pessoal dela com a vida profissional, porque o apartamento não corresponde as questões que ela coloca sobre os hotéis. 

Ela tem um irmão casado com Silvia (Fabrizia Sacchi) e que tem duas filhas que de alguma maneira completam um pouco a vida de Irene que não é casada nem tem filhos, mas ela está sempre viajando e tem pouco tempo para eles. Um antigo namorado Andrea (Stefano Accorsi) é seu melhor amigo e único, só que ele está envolvido com outra mulher que espera um filho dele. Apesar de ambos ainda se sentirem atraídos um pelo outro e se procurarem a cada problema que surge, não conseguem ficar juntos porque ela nunca está ali, está sempre em algum lugar do mundo. 

Em um momento Irene irá dizer a verdade, que este trabalho que oferece a ilusão da liberdade para quem o faz e para quem não o faz, na realidade é uma escolha para a solidão. Pessoas solitárias podem optar por um trabalho assim para camuflar esta solidão que sentem. É uma fuga, mas também pode ser a alternativa para uma vida onde não se consegue ficar num único lugar, ser gregário e manter uma família com tudo que isto envolve. E há pessoas assim, porque nem sempre devemos atender ao padrão social onde devemos formar uma família. 

Em uma de suas viagens Irene conhece uma antropóloga que fala de intimidade. Isto mexe com ela. Sim, o que mais falta no mundo é isto, intimidade. Quantas relações superficiais temos? ninguém quer se envolver a este ponto. Parece que há medo disto. A nova namorada de Andrea declara que deseja um filho, mas que ele não precisa se preocupar com isto, que ela vai criá-lo. Só que ele se envolve, e deseja também este bebê que está a caminho, e ela também deseja que ele se envolva, mas como é difícil assumir isto. 

Esta antropóloga também diz algo muito interessante, que todos os cirurgiões plásticos são em sua enorme maioria homens, que parece que inconscientemente desejam que as mulheres se pareçam, moldá-las, e poder talvez com isto responder ao grande mistério do que quer uma mulher? o que é uma mulher? o que é impossível, pois cada uma é uma. E é isto que Irene percebe, ao finalmente assumir que gosta de sua vida e de viajar, inclusive por si mesma, não apenas profissionalmente, mas que ao mesmo tempo ela pode ter mais intimidade com os que ama. 

Maria Sole Tognazzi nasceu em 1971 em Roma, ItáliaI

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FILME: EM BUSCA DE UM CAMINHO - THE WAY - 2010



Direção: Emilio Estevez - 2010
Duração: 116 Min
Título Original: The Way 

O filme é uma homenagem ao avô do diretor. Ele é o filho mais velho de Martin Sheen.

Tom (Martin Sheen) é um oftalmologista que não tem uma boa relação com seu filho que está viajando. Ele recebe um telefonema avisando sobre a morte de Daniel (Emilio Estevez) na França no primeiro dia de sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela num acidente por causa de uma tempestade nos Pirineus. Tom então parte para buscar o corpo de seu filho.

Chegando lá Tom começa a se recordar do filho e de quando o levou para o embarque, sobre ele dizendo que devia viajar mais, ao que seu pai responde que foi a vida que ele escolheu. Daniel então lhe diz: a vida não se escolhe, a vida se vive.

Algum motivo leva Tom a mudar de ideia de levar o corpo e pede para que seja cremado e parte para fazer o caminho interrompido pela morte. Ao longo da caminhada vai deixando punhados de cinzas de seu filho e pensa em deixar o restante aos pés de São Thiago. Durante o trajeto ele vai conhecendo pessoas diferentes e ao fim fazem o percurso em quatro, cada um deles de um lugar com uma história diferente, três homens e uma mulher. Durante o percurso Tom irá vivenciando o outro, cada um com sua questão e sua busca, o que leva cada pessoa a fazer este caminho, um fuga? um reencontro? uma busca de resposta para algo? um bloqueio? , mas também perceberá que a amizade existe e que o outro também pode fazer muito por ele.

Tom sempre vê o filho, ele está indo junto, mas isto precisa terminar. E por ocasião do roubo de sua mochila onde estavam as cinzas por um garoto cigano, ele pensa em voltar imediatamente para casa, mas o pai do garoto chega e faz o menino devolver a mochila. Dali segue que este homem lhe dirá que ele deve ir além de Santiago e jogar as cinzas no mar, não por uma questão religiosa, mas para o bem dos dois. E assim Tom fará.

Pode-se pensar em vários motivos para Tom ter tomado esta decisão de levar o filho nesta caminhada, ele pode ter desejado compreender porque seu filho tinha esta sede de conhecer o mundo, ele pode estar querendo homenagear o filho, pode estar atendendo ao desejo de seu filho, mas independente disto, este percurso mudará Tom, que irá ver o que é viver e compreenderá talvez o que o cigano lhe disse: filhos são o nosso pior e o nosso melhor.

Tom está vivenciando o luto pela perda do filho e o faz de uma maneira que o aproxime dele, uma tentativa de recuperar o que se perdeu em vida. O luto é sempre uma separação, é em prol de quem está vivo e continua para poder lidar com isto. O final do filme nos confirma que o que o pai tanto reprovava no filho estava nele mesmo e fazer o caminho de Santiago o levou a descobrir isto.




Além disto podemos acompanhar o caminho com suas paisagens, as pousadas, as igrejas, as trilhas.


Emilio Estevez com seu pai Martin Sheen, nasceu em 1962 em Staten Island, New York , EUA