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sexta-feira, 23 de maio de 2014

FILME: A FITA BRANCA - 2009


Direção; Michael Haneke - 2009 
Duração: 144 min. 
Título original: Das Weisse Band 
Roteiro: Michael Haneke
País: Alemanha - França 

Venceu o Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009 e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. 

1913 - uma aldeia no norte da Alemanha um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. O filme é em preto e branco. Começam a ocorrer estranhos eventos no local, acidentes que não são explicados e nem se descobre o autor ou autores. O primeiro que sofre uma acidente é o doutor (Rainer Bock) que cai de seu cavalo devido um fio de arame estendido por onde ele passava. Depois temos a horta do barão (Ulrich Tukur) que é destruída durante a comemoração da colheita. Uma mulher morre ao cair num buraco numa sessaria do barão. A próxima vítima é o filho do Barão que é torturado. Um incêndio num celeiro e novamente uma criança com problemas mentais é torturada. Em todos estes episódios temos sempre um grupo de crianças por perto que parecem se preocupar e querer ajudar.

O professor (Christian Friedel) forma um coral com estas crianças. O pastor (Burghart KlaBner) as prepara para a crisma.



Aos poucos vamos tendo a noção de como estas crianças são educadas, e de como se comportam estes pais e mestres. A rigidez, a moral, a disciplina, a frieza. Vemos pouca alegria nas crianças, elas não brincam alegremente, não sorriem, não podem gritar, cantar, correr. Duas cenas são tocantes. A primeira é quando um pequeno menino filho do doutor pergunta à sua irmã sobre a morte e finalmente compreende que sua mãe não foi viajar, mas morreu. A segunda é quando o filho do pastor lhe pede para cuidar de um pequeno pássaro machucado e tem que enfrentar um interrogatório seco sobre a responsabilidade deste ato até que consegue permissão para isto, e depois, como o passarinho de seu pai foi morto pela sua irmã como vingança, ele o oferece ao pai. Há tanta singeleza em seu ato, seu olhar, e o pai apenas o agradece, sem nenhuma demonstração de afeto ou amor.



A sexualidade reprimida. O garoto, filho do pastor que se masturba e tem as mãos atadas a noite para poder controlar seu corpo e não acabar morto como outro pobre garoto que fez isto. As traições e escapadas sexuais dos adultos, o desprezo, a crueldade do doutor ao dizer à parteira que não a quer mais como parceira sexual, dizendo-lhe que ela o enoja. O mesmo doutor que obriga sua filha Ana a relações incestuosas com ele. Enquanto que o professor tem que esperar um ano para poder se casar com Eva, e a timidez dela com ele, até para pegar em sua mão.

O menino deficiente filho da parteira que é desprezado pelas outras crianças, mas porque então quando ele sofre a tortura elas se preocupam com ele? As surras, castigos, os preconceitos, as diferenças sociais. Mas, por baixo de tudo isto os adultos contradizem tudo agindo de outra forma.

A fita branca que é utilizada pelo pastor para lembrar aos seus filhos de não pecar, almejando a pureza. As surras que são consideras uma purificação. O efeito é o oposto, aos poucos as crianças que não podem ser crianças, inocentes, alegres, brincalhonas, que não recebem respostas para suas perguntas, vão se moldando ao que vêem, e se tornam frias e cruéis. Em uma cena o pequeno filho do barão tem uma flauta, o outro tenta fazer uma com um galho de árvore, não consegue, então ele pega a do menino que não quer lhe dar, acaba por empurrá-lo na água do rio, ele não volta à tona, ele não se mexe para ajudar, é preciso que o outro pule na água para pegar o menino. Isto não é nada parecido com brigas comuns entre crianças que desejam o que o outro tem, há maldade, há indiferença, há crueldade. Brigar, empurrar ainda é comum, mas deixar a criança se afogar olhando sem se mover, é outra história.

As crianças julgam seus pais e mestres que os castigam, obrigam a uma obediência e disciplina sádica, perversa, mas se comportam de maneira totalmente diferente. A cena onde o pequeno abre a porta e vê seu pai e sua irmã, o olhar dele....

De um lado a obediência, a honra, a moral, do outro a agressão e repressão. O pai diz que dói mais nele bater nos filhos do que doerá neles. Mas em momento algum este pai demonstra amor, afeto, carinho.



As bases que se criam numa sociedade para que se possa vir um totalitarismo, uma ideologia que leva a atos cruéis, como ocorreu com o fascismo, o nazismo, ou até mesmo as religiões extremistas e fanáticas.


Assista ao trailer:


Michael Haneke 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: BARBARA - 2012


Direção: Christian Petzold - 2012
Duração: 105 min 
Roteiro: Christian Petzold e Harun Farocki
País: Alemanha

Barbara (Nina Hoss) é uma cirurgiã pediátrica em um hospital a leste de Berlim que em 1980 estava dividida pelo murro, sendo que seu namorado está do lado oeste. Ela é transferida para uma pequena clínica no interior por suspeita pelas autoridades de que está se preparando para fugir e ir ao encontro do namorado. Na clínica conhece André (Ronald Zehrfeld) que é seu chefe e responsável por sua permanência ali. Será que ela pode confiar nele?

O filme mostra o outro lado do murro, de como os suspeitos de desejarem fugir são tratados de forma humilhante pelas autoridades. Senti um incomodo forte ao ver as revistas em seu corpo feitas sem o menor escrúpulo para ver se ela escondia algo e a sua sujeição obrigatória a isto. Também há campos de reeducação, e uma das detentas é levada para a clínica e Barbara se afeiçoa à ela.

Ela se arriscará e muito, indo de bicicleta a todos os lugares, e se encontrando clandestinamente com seu namorado até que a fuga esteja planejada e marcada.

Um retrato da paranoia da Alemanha Oriental e comunista. Barbara fica obcecada pelo medo de estar sendo vigiada o que a impede de aceitar a amizade de André, pois desconfia que ele a está vigiando. O filme é seco, cru, sem muitas cores e nos transmite realmente a sensação de mal estar, de estar constantemente sob o olhar do outro.



Christian Petzold nasceu em 1960 em Hilden, Alemanha.