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sábado, 25 de janeiro de 2014

LIVRO: A MÃO DO AMO - TOMÁS ELOY MARTÍNEZ


                                     


Martínez, Tomás Eloy. Companhia das Letras, 2008
Tradução: Sérgio Molina e Lucas Itarambi
160 páginas
Título original: La mano del amo

Arrepiante, a história de Carmona incomoda, tira do lugar. Uma mãe - Mãe, voraz, castradora, que devora tudo e a todos, que visa exclusivamente ao seu desejo. Sua força é tão grande que mesmo depois de morta ela é introjetada pelo filho e é vista nos gatos que deixou de herança. Ela é uma coleira no pescoço do filho.

O livro descreve como somos surrupiados da vida pela força do outro, seja pelo desejo de ser amado, seja pelo medo, seja por desejar ser como este outro. Um redemoinho que nos engole, raízes de uma planta que nos suga para o fundo presos nas suas teias. Não conseguimos romper por medo de morrer, de perder o que nunca tivemos. No fundo o que queremos é atender ao desejo deste outro, desta Mãe. Carmona queria fazê-la feliz.

A história começa com a morte de "Mãe", é assim mesmo, Carmona nunca nomeia ou a chama de a mãe, mamãe, é Mãe, Pai e gêmeas, suas irmãs. Ele inicia um mergulho em si mesmo, contando e recuperando o pouco que pode na primeira pessoa ou na terceira pessoa, como se fosse um outro que fala dentro dele, talvez aquele que ele gostaria de ter sido e não pode.

Mãe, que poderia equivaler a um ditador, e como na política e no social, são poucos os que fazem parte da resistência correndo todos os riscos que isto impõe, inclusive morrer. Outros partem para o exílio, talvez voltem, ou não. Poucos são os que se libertam de Mãe.

Mães que precisam ser derrotadas, castradas, mas raramente o são porque não permitem que quem possa fazê-lo se aproxime. Geralmente Pai é fraco e não tem coragem de enfrentá-la, assim como os filhos. A história de Carmona é a psicose, ele tem delírios, ouve vozes, conversa com os gatos como se fossem humanos e os escuta.

 Ele tem um dom excepcional, uma voz magnífica, que segundo Mãe deve à ela, que chega inclusive a querer se apoderar dela - ele poderia gravar e colocariam no nome dela como a cantora. A única tentativa de se afastar é interrompida porque Mãe apesar de dizer que ele pode fazer o que quer, sofre um ataque do coração e seu primo cancela o recital e lhe diz que tem que voltar, o que ele faz, para encontrar Mãe já recuperada.

O espaço onde se conta a história é pequeno, como é a vida de Carmona, restrita, fechada. Nem mesmo a vala que vai até o mar poderia ser usada, ela está oculta agora, não há mais trilhas que levam até lá. Uma vez no deserto ele pensa em ficar ali, mas morreria. A presença dos gatos, as alucinações, o delírio, o desejo de matá-los, ele bem que tenta, mas não consegue, não consegue matar Mãe, e se verá frente aos seus recalques, a tudo que reprimiu dentro de si. Tenta domá-los e ensaiá-los para uma apresentação, como se estivesse domando Mãe, mas também não consegue. Como poderia? como pode se afastar? ter sua própria vida de acordo com seu desejo, ele não pode desobedecer aos pais, está preso na coleira amarrado à uma árvore, e terá que lamber a mão do amo para sempre.

 Tomás Eloy Martínez nasceu em 1934 em Tucumán, Argentina e faleceu em 2010 em Buenos Aires. Formado em Literatura Espanhola e Latino-americana, foi jornalista e escritor.

sábado, 28 de dezembro de 2013

LIVRO: CARTA AO MEU FILHO - Ninguém ensina a ser mãe - BETTY MILAN



Milan, Betty .Record, 2013
160 páginas

SER MÃE É APRENDER A CADA DIA QUE PASSA.

Milan é corajosa, expõe a mulher e a mãe como ser humano. Mesmo sendo uma psicanalista, isto não implica que ela saiba tudo, e como agir. Pelo contrário, é tão humana quanto qualquer um. Ela percebe, mas no aprés-coup.
Milan nos fala de sua vida, de seus ancestrais, origem e de seu filho. Sobre ser mãe e da separação necessária. Um filho não é algo que nos pertença. Saramago diz que são emprestados por um tempo.E ela precisou aprender isto, a lidar com isto, deixar o filho ir e atender ao seu próprio desejo. E é aí que se mostra que mesmo sendo psicanalista e a análise sendo uma via de se chegar ao desejo e saber mantê-lo e suportá-lo, somos todos aprendizes, e quando se trata de um filho, queremos o melhor para ele, mas segundo o que nós achamos, e não o que este filho acha e deseja. Caminho difícil porém necessário.

Ela escreve este livro para dizer ao filho o que não pode dizer antes, e ele sai de casa para seguir sua vida. Um relato belo, delicado, mas também aberto, na tentativa de dizer que ser mãe é algo que aprendemos, e ser filho também.

Recomendo a todas as mães e a todos os filhos.

Betty Milan nasceu em 1944 em São Paulo. Formou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo e fez sua formação em psicanálise com Jacques Lacan na França. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LIVRO: A RELAÇÃO MÃE E FILHA - MALVINE ZALCBERG



Zalcberg, Malvine. Editora Campus, 2003
216 páginas

A CONSTRUÇÃO DO SER FEMININO.

Um livro importante escrito pela psicanalista Malvine Zalcberg sobre as relações entre mãe e filha, que todas as mulheres deveriam ler, seja por elas mesmas, seja por suas filhas ou por suas mães.

A construção da identidade feminina, o ser mulher que cada uma tem que alcançar, construir. Simone de Beauvoir nos disse: não se nasce mulher, torna-se mulher! 

Nos espelhamos na mãe, e ela precisa ter construído seu ser mulher para poder nos oferecer isto. É ela quem será nosso modelo de como nos construirmos como mulher. 



Malvine Zalcberg é psicóloga, psicanalista e doutora em psicanálise. 

LIVRO: GENITRIX - FRANÇOIS MAURIAC



Mauriac, François. Editora Globo, 1987
Tradução: Célia Gambini
94 páginas

MÃE

O eterno conflito mãe-filho-filha. Quando uma mãe se apossa do desejo do filho e lhe impõe o que deve ser sua vida, o que vemos do outro lado é uma vida destruída, sem rumo, sem vigor, sem desejo.Mas o que pode doer mais do que ter um vislumbre do que poderia ter sido a vida se não fosse assim?


François Mauriac nasceu em 1885 na cidade de Bordeaux, França e faleceu em 1970 em Paris. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1952. É o maior representante do romance psicológico na França. 



LIVRO: DEIXE-ME IR, MÃE - HELGA SCHNEIDER



Schneider, Helga. Editora Berlendis & Vertecchia, 2001
Tradução: Liliana Laganá
136 páginas.



Quando se tem uma mãe que foi uma das que esteve nos campos de concentração como supervisora, e que acredita no fundo do coração que estava certa, e não se arrepende em momento algum do que fez, e do outro lado, uma filha que acredita na humanidade e não aceita que uma pessoa possa fazer o que a sua mãe fez, não há outro jeito do que pedir que a mãe a deixe ir, porque, apesar de tudo, de todas as monstruosidades que a mãe cometeu, ela ainda vacila, deseja estar com a mãe, chega a ter vontade de perdoar, mas ela não pode, não pode porque a mãe não se arrepende e acredita no que fez.

Um livro corajoso, de uma filha que foi abandonada junto com o irmão e seu pai por uma mãe que acreditava mais em sua missão e dever junto ao III Reich.

Helga Schneider nasceu em 1937 em Steimberg, na época território Alemão, tendo se naturalizado Italiana. Sua mãe foi primeiramente para Ravensbrück como recruta da SS e depois para Auschwitz-Birkenau, abandonando a seu marido e dois filhos. Além deste livro sobre o reencontro com sua mãe escreveu outros livros. 

LIVRO: SONATA DE OUTONO - ROTEIRO DO FILME DE INGMAR BERGMAN



Bergman, Ingmar. Nórdica, 2ª ed. 1978
127 páginas

MÃE E FILHA

Belíssimo relato sobre o confronto entre uma mãe e uma filha, onde se diz tudo que nunca se pensaria dizer. Ambos os lados, surgem a nossa frente a mãe que também é uma mulher e teve uma mãe, e a filha, que presa à mãe, não consegue viver sua vida. É cruel, mas necessário.

Recomendo assistir ao filme também. No filme as expressões faciais são irreproduzíveis no livro, porém, as falar no livro podem ser melhor assimiladas.


Ingmar Bergman