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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

UMA MULHER INTELECTUAL NA INGLATERRA VITORIANA

 


GEORGE ELIOT: A VOZ DE UM SÉCULO

FREDERICK R. KARL

RECORD – 1998

884 páginas 

Como parte da pesquisa sobre o feminino no século XIX, a leitura da biografia de George Eliot se impõe quase como um gesto preliminar. Antes dos romances, antes da obra literária, há uma vida marcada por escolhas intelectuais, afetivas e políticas que ajudam a compreender a singularidade de seu pensamento.

Frederick R. Karl constrói uma biografia extensa, que acompanha Mary Ann Evans da infância à morte, passando por toda a sua produção literária, bem como pelos comentários críticos que seus livros suscitaram ao longo do tempo. Trata-se de um trabalho minucioso, por vezes exaustivo — especialmente quando se detém longamente nas negociações com editoras, contratos e rendimentos financeiros, trechos que tendem a quebrar o ritmo da leitura. Ainda assim, o livro se sustenta como uma fonte importante para entender o percurso intelectual de Eliot.

Um de seus méritos está em situar a autora no interior da Inglaterra vitoriana, fazendo do contexto histórico e cultural um pano de fundo constante. Karl insere George Eliot em diálogo com figuras centrais da época, como Dickens, Charlotte Brontë e John Stuart Mill, revelando um ambiente intelectual vibrante, atravessado por debates morais, religiosos e políticos que ecoam diretamente em sua obra.

Mary Ann Evans era uma mulher profundamente intelectualizada, pertencente a uma elite cultural e integrada ao meio literário de seu tempo. Ainda assim, enfrentou forte preconceito, sobretudo quando decide viver com George Henry Lewes, um homem casado. Essa escolha, escandalosa para os padrões morais da época, contribui decisivamente para a adoção de um nom de plume masculino, estratégia que lhe permitiu circular com maior liberdade no campo literário.

George Eliot raramente se pronunciava publicamente. É nos romances que seu pensamento se revela com maior clareza: suas reflexões éticas, suas críticas sociais, suas posições sobre religião, moralidade e vida privada. A ficção torna-se, assim, o espaço onde ela elabora não apenas ideias abstratas, mas também justificativas implícitas para suas próprias escolhas.

Nesse sentido, a biografia de Karl cumpre um papel fundamental: mostrar que conhecer a vida de George Eliot não significa reduzir sua obra a dados biográficos, mas compreender melhor as tensões que atravessam seus romances. Antes da leitura da ficção, há uma mulher que pensa, escolhe, transgride, e é dessa fricção entre vida e escrita que emerge a força duradoura de sua obra.



Frederick R. Karl nasceu em Nova Iorque em 1927 e faleceu na mesma cidade em 2004. Foi um biógrafo literário. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A LÓGICA BURGUESA DA DESUMANIZAÇÃO

 


A METAMORFOSE

FRANZ KAFKA

COMPANHIA DAS LETRAS – 1ª ED. 1997

96 páginas 

Em A Metamorfose, Kafka lança mão de uma imagem extrema: a transformação de um homem em inseto. Não se trata de um artifício fantástico gratuito, mas de uma metáfora radical daquilo que acontece quando um sujeito é privado de qualquer possibilidade de desejar, escolher ou existir para além das exigências que lhe são impostas.

Gregor Samsa é um homem que não pode atender aos próprios desejos. Sua vida é regida pela ordem burguesa, familiar e econômica. Trabalhar, sustentar a família, cumprir horários — eis o imperativo absoluto. Mesmo o quarto, último reduto de sua singularidade e de sua alteridade, não lhe pertence verdadeiramente. A porta nunca é respeitada. Batem, chamam, exigem. Ele vai perder a hora do trabalho. É isso que importa.

A narrativa revela, com precisão cruel, a inexistência de espaço para a singularidade. Quando o sujeito não corresponde às expectativas de produtividade e normalidade, torna-se algo outro — algo abjeto. A metamorfose não é apenas corporal; é social. Ao deixar de funcionar, Gregor deixa de ser reconhecido como humano. Igualado a um inseto, ele é progressivamente isolado, esquecido, descartado.

A morte de Gregor não provoca luto verdadeiro. Ela funciona, antes, como liberação. Com sua ausência, a família pode finalmente reorganizar a vida. Os olhares se voltam para a filha, agora percebida como promessa de futuro: ela poderá fazer um “bom casamento” e, assim, garantir a continuidade da ordem familiar.

Kafka expõe, sem concessões, a violência silenciosa de um mundo que reduz o valor da vida à utilidade econômica e à adequação social. A Metamorfose não fala apenas de um homem que se transforma em inseto, mas de uma sociedade que transforma sujeitos em coisas — e que segue adiante sem hesitação quando eles deixam de servir.

Há, no entanto, um deslocamento decisivo no final da narrativa que merece atenção: após a morte de Gregor, o olhar da família se volta para a irmã. Se ele foi descartado por não cumprir mais sua função produtiva, ela passa a ser investida como promessa de futuro. Mas esse futuro não é autonomia, nem desejo próprio — é casamento. A solução para a crise familiar não é a redistribuição justa do cuidado ou do trabalho, mas a reinscrição da filha em um destino socialmente aceito.

Kafka expõe, com frieza quase clínica, a lógica que organiza essa passagem: o corpo masculino vale enquanto trabalha; quando falha, torna-se descartável. O corpo feminino, por sua vez, é preservado como capital simbólico. Não para existir por si, mas para ser oferecido — ao matrimônio, à reprodução da ordem, à manutenção da família. A irmã não é libertada com a morte de Gregor; ela é convocada.

Nesse sentido, A Metamorfose revela que a violência não termina com a eliminação do sujeito improdutivo. Ela apenas muda de forma. O sacrifício do filho abre caminho para a captura da filha. O destino feminino surge como resposta silenciosa à crise: casar-se, assegurar continuidade, sustentar o que resta. Kafka não romantiza esse desfecho. Ele o expõe como parte da mesma engrenagem que transformou Gregor em inseto — uma engrenagem que exige, sempre, um corpo disponível para garantir a normalidade.



Franz Kafka nasceu em Praga, Tchéquia em 1883 e faleceu em Kierling, Klosterneuburg, Áustria. Foi um escritor de língua alemã. 


terça-feira, 24 de maio de 2016

LIVRO: NISE DA SILVEIRA Uma psiquiatra rebelde - FERREIRA GULLAR



Gullar, Ferreira. Relume-Dumará, 1996
98 páginas

Após assistir ao filme sobre Nise, postado aqui no blog, interessei-me por saber mais sobre sua vida e fui a minha biblioteca onde este livro estava aguardando para ser lido. 

O filme trata de um momento, quando ela volta ao Hospital após seu afastamento por ter sido presa ao ser considerada comunista. Já este livro que também fala muito sobre todo o período tratado no filme, temos uma visão mais ampla de sua vida desde sua infância em Alagoas, sua formação intelectual, a ida para Salvador onde estudou medicina, sua vinda para o Rio de Janeiro, amigos, seu envolvimento com defensores do comunismo que lhe emprestam livros sobre Marx e que fazem com que uma enfermeira a denuncie.

Sua experiência como presa política lhe ensinou muito sobre a questão de estar preso em um lugar, ter sua liberdade cerceada e ser tratado com desprezo e desdém. Nise defende um tratamento humano para os doentes mentais, com atenção, carinho. Diz que precisam ter alguém ao seu lado, dando apoio, sentir segurança.

A escuridão onde estão submersos dá sinais de tentativas de manter contato com a realidade através dos desenhos, das pinturas, da escultura, já que lhes faltam palavras. O psiquismo sempre procura se reequilibrar.

Quando percebe que muitos que deixam o hospital psiquiátrico acabam retornando, se dá conta que é necessário uma fase de transição, para que possam se readaptar ao mundo. Ela criou então a Casa das Palmeiras onde podem fazer esta transição.

O livro também traz uma entrevista com ela.

Ferreira Gullar nasceu em 1930 em São Luís, Maranhão. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

LIVRO: A LOUCA E O SANTO - CATHERINE CLÉMENT E SUDHIR KAKAR



Clément, Catherine; Kakar, Sudhir. Relume-Dumará, 1997
272 páginas
Tradução: Renato Aguiar
Título Original: La folle et le saint

Catherine é uma filósofa, historiadora, escritora francesa e Sudhir um psicanalista indiano que resolvem estudar e comparar uma louca internada em Paris no Salpêtrière sob os cuidados do psiquiatra Pierre Janet e o grande místico indiano Ramakrishna

Ambos viveram no século XIX, porém o fato de estarem em lugares diferentes e inseridos em culturas diferentes acaba por fazer com que um seja um santo e a outra uma louca.

Em Paris, Madeleine após ser presas várias vezes pelo que era considerado vadiagem, e tendo acrescido a sua ficha na polícia outros delitos, inclusive prostituição, pelo simples motivo destes delitos se enquadrarem no motivo, acaba sendo internada no Hospital Psiquiátrico Salpêtrière. Pode-se dizer que sua sorte foi ter tido como médico Pierre Janet que cuidou dela, mas por outro lado, o fato dela ser uma mística como foram outras mulheres na Idade Média como Santa Teresa D'Ávila, consideradas santas pela igreja, apesar do médico até o perceber e chegar a dizer que ela nasceu no lugar errado e na época errado, não é levado em conta, Janet quer curá-la e devolvê-la ao mundo como uma pessoa normal, normal mas infeliz, e ele o consegue.

Já na Índia temos Ramakrishna que mesmo tendo os mesmos "sintomas" que Madeleine, por viver num país com uma cultura muito diferente, vira um santo, guru.

O livro faz o percurso de análise de ambos os comparando e os diferenciando, demonstrando que loucura é algo que tem a ver com o lugar e o tempo, com a cultura. Clément nos faz o relato de Madeleine e Kakar de Ramakrishna, depois eles unirão seus comentários e análises e levando em conta a psicanálise poderão nos mostrar um quadro diferente do que normalmente teríamos ao ler a vida de ambos, mas separadamente e sem juntá-los. Há pontos comuns na infância de ambos, relação com a natureza e principalmente Clément e Kakar falam da bissexualidade envolvida no misticismo, que não tem nenhuma relação com a sexualidade genital, mas é psíquica. Na infância o psicanalista Winnicott fala do espaço transicional, que ocorre quando a criança após ser "afastada" da mãe, saindo da fusão inicial, busca o substituto através da ilusão, seja com um pano, um ursinho, um objeto que ela elege, até conseguir se separar e ter seu eu.

O êxtase místico ocorre neste mesmo espaço,  espaço este que ainda é bissexual, uma vez que a criança ainda não tem noção de seu sexo, nem fez a escolha, mesmo que já seja determinado biologicamente, mas em psicanálise a sexualidade não é isto, mas sim a escolha que fazemos por um sexo, feminino ou masculino, a constituição deste sexo. É um espaço de vazio que se preenche com o êxtase. Madeleine atinge o êxtase espontaneamente, enquanto que Ramakrishna o faz quando o deseja, ele se preparou para isto, apesar de que no início sua primeira visão também foi espontânea.

Há diferenças entre o que chamam de visão e alucinação, apesar de ser muito próximo, mas os místicos tem visões. Apesar de ser um surto psicótico, não é o mesmo, eles não são loucos, nem doentes mentais. O êxtase é vivido com todo o coração, com a alma e com toda força, há um gozo, volúpia, ao contrário da loucura que na sua pobreza precisa criar alucinações e delírios para preencher o vazio, para restituir algo.

Ao final do livro também temos uma análise da transferência e do papel do médico, do psicanalista e do guru.

 Catherine Clément é filosofa,  historiadora e escritora de ficção. Nasceu em 1939 em Boulogne-Billancourt, na França. Irei falar mais dela pois é uma das mulheres do meu projeto. 

Sudhir Kakar é um psicologo e psicanalista. Nasceu em 1938 em Nainital, Índia. Começou sua formação psicanalítica no Instituto Sigmund Freud em Frankfurt, Alemanha. Atua como psicanalista na Índia e estuda a psicologia cultural e psicologia das religiões

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LIVRO: A ÚLTIMA GRANDE LIÇÃO - O sentido da vida - Mitch Albom



Albom, Mitch. Sextante, 1998
159 páginas
Tradução: José J. Veiga
Título Original: Tuesday with Morrie

Mitch Albom teve um professor que foi um mestre em sua vida, Morrie Schwartz, mas apesar da promessa de ir visitá-lo nunca mais o fez até o dia que Morrie estava a beira da morte. Foram 14 encontros, sempre as terças-feiras, que mudaram a vida de Mitch. Este livro é o relato destes encontros e das mudanças que ocorreram para Mitch, mas que também podem mudar as nossas vidas. Morrie sofria de ELA (esclerose lateral amiotrófica), uma doença degenerativa e fatal. Em seus encontros com o antigo professor que ele chama de treinador Morrie irá falar de amizade, família, medo, perdão, morte.

Infelizmente na maioria das vezes nós só nos damos conta de que nossa vida não foi o que sonhamos e desejamos quando estamos envelhecendo e temos a percepção da morte que se aproxima ou diante de uma doença fatal que nos dá pouco tempo de vida. Não poderia ser diferente?

Deixamos de lado o que realmente é importante na vida para cuidarmos de coisas pequenas e materiais, como status, sucesso, dinheiro, consumo, bens. E para isto sacrificamos nossos amigos, nossa família, nosso lar e as pequenas alegrias e satisfações da vida.

O sentido da vida não é algo que se encontra ou que exista, a vida é a vida, o sentido cabe a cada um de nós construir. Mas as pessoas acabam enclausuradas no sistema competitivo e materialista e se esquecem que viver não é isto, isto é um sistema que nos enreda e ilude, não tem compaixão, e se você bobear perde tudo que pensa ter construído com tanto esforço e sacrifício. Vale a pena?

Somos dominados pelo Ego e pela competição e perdemos o sentido da solidariedade, compaixão, e hospitalidade. O narcisismo sempre fala mais alto, e queremos sempre ser o melhor e vencer, mas como diz Morrie: qual o problema de ser o segundo?

Todos nós de certa maneira sabemos que vamos morrer, mas deletamos isto. Não levamos isto em conta durante nossa vida.Por um lado isto é bom, pois poderíamos sofrer muito com este sentimento sendo constante, mas por outro, ao esquecer que vamos morrer como todos e que não levamos nada de material daqui, levamos uma vida que foca coisas que não tem importância nenhuma ao invés de nos preocuparmos com o que realmente conta.

O que precisamos é aprender a viver dentro deste sistema, mas sem se deixar afetar por ele a ponto de perdemos o que a vida tem de melhor.

Mitch Albom e Morrie Schwartz

Assista ao filme no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=8j6k_I7nlKw

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

LIVRO: A ARTE DA PEREGRINAÇÃO - Para o viajante em busca do que lhe é sagrado - PHIL COUSINEAU



Cousineau, Phil. Ágora, 1999
259 páginas
Tradução: Luiz Carlos Lisboa

Para quem gosta de viajar em busca de algo transformador este livro é recomendado. Cousineau não nos fala de peregrinações religiosas, apesar de citá-las também, mas principalmente do que ele chama de jornada em busca do sagrado que pode ser uma viagem, uma caminhada perto de casa, uma ida à uma livraria, ou qualquer outra forma que possa nos levar ao que consideramos e sentimos como sagrado.

A viagem é como a vida, tem o antes, o começo, o meio e o retorno. São rituais de passagens como diria o antropólogo Victor Turner. Ele faz uma diferenciação entre o turismo e a peregrinação considerando que o primeiro é uma viagem segura e com conforto que acaba não trazendo grandes transformações interiores, ao contrário da peregrinação, ou como eu chamaria, uma viagem de flaneur, de viver o local, de perceber.

A peregrinação requer um preparo não apenas prático, mas também espiritual ou pela imaginação. Haverá obstáculos a enfrentar e superar, dificuldades, mas também haverá autoconhecimento e inspiração, momentos sagrados. O importante é retornar ao lar trazendo algo de novo em si mesmo, porque a viagem não é externa, mas interior, e por isto mesmo pode inclusive ser feita onde se está. É uma viagem da alma, não do ego.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

LIVRO: HISTÓRIAS QUE CURAM - Conversas sábias ao pé do fogão - RACHEL NAOMI REMEN



Remen, Rachel Naomi. Ágora, 1998
277 páginas
Tradução: Laura Teixeira Motta
Título original: Kitchen table wisdom.

Rachel é médica, ela trabalha com pacientes com câncer, principalmente os terminais, através de uma terapia que os ajuda a enfrentar este momento. Mas o livro nos proporciona um ensinamento que é sábio sobre a vida, sobre como viver e não apenas sobreviver.

Um dos pontos do livro é a questão do treinamento que os médicos recebem de serem profissionais e não se envolverem emocionalmente com os pacientes. Acontece que o médico é um ser humano e ter que se conter pode levá-lo ao que a autora chama de embotamento, ou seja, ficar insensível a dor, o que não quer dizer que ele não sinta, mas justamente porque sente e tem que reprimir ele acaba assim.

A autora defende o ponto que cada doença é única para aquela pessoa e que a cura também é única. Para a medicina a doença é uma só e tem seus recursos para lidar com ela, mas as coisas são muito mais profundas do que isto, pois a doença já é um sintoma de algo que afetou aquele ser humano.

Cada um que ler o livro encontrará algo que lhe fale. Eu pessoalmente me atentei muito à questão do quanto ficamos presos ao outro e com isto deixamos de ser nós mesmos e fazer o que desejamos. Ela nos lembra que um elogio também é uma forma do outro nos julgar e não apenas a crítica como costumamos ver. E do quanto nos dedicamos a atender aos padrões que nos foram impostos na infância ou pela sociedade e o quanto isto gera infelicidade.

Rachel também nos fala sobre o sagrado, aquele lugar interno ou até mesmo externo que nos traz paz, e do quanto precisamos disto.

A força, a determinação, a integridade das pessoas que estão com câncer é algo que nos comove e nos leva a refletir muito sobre a vida.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

LIVRO: A VIAGEM DE THÉO - Romance das Religiões - Catherine Clément


Clément, Catherine. Companhia das Letras, 1998
625 páginas
Tradução: Eduardo Brandão
Título Original: Le voyage de Théo

Théo sofre de uma doença grave e sua tia Marthe se propõe a levá-lo em uma viagem que pode se transformar em sua cura. Esta viagem será pelos locais sagrados de todas as religiões e seus rituais, além de Théo ter que descobrir sempre qual será a nova etapa da viagem através de pistas, como num jogo.

Marthe e Théo viajarão pelo mundo passando pelos locais sagrados do catolicismo, hinduísmo, judaísmo, protestantismo, budismo, islamismo entre outras. Ele sempre gostou muito de livros e lia muito sobre religião, se perguntava como os homens criaram deuses e como estes podem influenciar na história dos homens. Então, é a oportunidade de ir aos locais que ele só conhecia pelos livros e vivenciar o sagrado.

Um romance sobre as religiões, sua história, fundamentos, crenças, rituais.

Catherine Clément nasceu em 1939 em Boulogne-Billancourt, França. É autora de obras de filosofia, psicanálise e antropologia. Amiga de Claude-Levi Strauss que sempre lia seus romances antes que ela os publicasse. 

LIVRO: AMOR PARA SEMPRE - IAN McEWAN


McEwan, Ian. Rocco, 1999
259 páginas
Tradução: Paulo Reis
Título Original: Enduring Love

O que era para ser um belo momento de reencontro, amor de Joe com sua mulher que acabava de retornar de uma viagem acaba transformando para sempre a vida dos dois.

No momento em que está abrindo uma garrafa de vinho nas colinas de Chiltern onde estavam fazendo um piquenique eles ouvem um grito desesperado. Joe sai correndo e não ouve sua mulher alertando-o para ser cauteloso. Um balão a deriva, um homem e uma criança estão nele. Outros homens que estão por perto também correm. O homem se solta, mas a criança permanece no balão que começa a subir, todos ficam pendurados tentando segurá-lo até o instante que um deles o solta e os outros também, exceto um que permanece e terá um final trágico.

Um dos homens que segurou era Jed Parry, e no instante que eles cruzam o olhar a vida de Joe irá mudar. Jed se apaixona por Joe, é algo imediato, instantâneo, e se transforma numa obsessão que leva a loucura e perseguição.

O que fazer quando alguém se apaixona de uma forma patológica e encontra desculpas para toda e qualquer recusa do outro alegando que não é porque o outro não o ama, mas porque está sendo impedido, não pode? E como agir com sua esposa que não acredita em toda esta loucura?

A vida de Joe se transforma num inferno, uma loucura, ao ponto dele já não saber se está louco ou não. Se o que ele vê e percebe é real ou não. Nem nós leitores sabemos.

A história se desenvolve segundo os estágios da erotomania: a esperança, o despeito e o rancor.

Joe inicialmente se sente atraído pelo que está acontecendo, mas também sente repulsa. Como lidar com estes sentimentos? Quando Jed se torna violento é a vida de Joe e sua esposa que estão em risco, mas a polícia não acredita nele, nem sua esposa.

Como a vida pode mudar em questões de minutos, as contingências, algo não previsto, e o que fazer então?

O amor patológico, a obsessão, a incapacidade de agir na realidade, a erotomania, onde se cria um mundo e razões para tudo e não se escuta o outro. McEwan consegue nos levar junto, vamos vivendo o que se passa ao ponto de também não sabermos mais quem está dentro da realidade.


Ian McEwan nasceu em 1948 em Aldershot, Inglaterra

segunda-feira, 16 de junho de 2014

LIVRO: HITLER A TIRANIA E A PSICANÁLISE - Ensaio sobre a destruição da civilização - JEAN-GÉRARD BURSZTEIN



Bursztein, Jean-Gérard. Companhia de Freud, 1998
96 páginas
Tradução: Dulce Duque Estrada
Título Original: Hitler, la tyrannie et la psychanalyse - Essai sur la destruction de la civilisation

Um livro muito interessante com a análise sobre o nazismo e Hitler pelo viés da psicanálise nos oferecendo uma resposta ao Por que? por que o povo alemão aderiu à Hitler? por que Hitler conseguiu fazer o que fez?

Bursztein parte do laço social, o que nos une aos outros, agrupando-nos através da cultura numa civilização. Pelo viés da psicanálise somos introduzidos na Lei pelo pai que interfere na relação fusional entre mãe e filho levando-o a se separar e desistir de seu desejo pela mãe voltando-se para o mundo, para outros, e fazendo desta falta seu desejo de se mover. É a aceitação inconsciente da diferença homem e mulher e da interdição do incesto. Recalcamos então o ódio ao pai, este que impõe a lei e o transformamos no pai simbólico, o que nos rege em nossos valores, princípios e moral.

Os judeus são um povo que não se referem à um país ou uma língua, mas sim à lei, a Torá, e por isto mesmo representam este pai. A Alemanha no pós Primeira Guerra estava deprimida, e Hitler encarna o ideal de eu que o povo busca, utiliza-se do mito nacional, do povo ariano, da cultura germânica resolvendo para todos o problema que enfrentavam, nada como um pai que vem socorrer e acaba com os outros que são a ameaça.

Quando se rompe o laço social, ou seja, a lei que une os seres humanos, instala-se o que Bursztein chama de psicose social. As pessoas passam a não se importar mais com o outro, e buscam um bode expiatório para ser o responsável por todos seus problemas.

Por outro lado, Hitler é um psicótico, delira, tem visões, megalomaníaco. Ele hipnotiza o povo, fala e eles aderem, e como a psicose social elimina toda e qualquer moral, não irão contra ele. Hitler está acima da lei, está foracluído, só faz o que quer, e tudo gira em torno dele. Não há mais a lei, a civilização, apenas ele e o povo alemão.

Obviamente não foram todos os alemães que aderiram, mas a grande maioria sim, o que permitiu o que aconteceu, por que Hitler sozinho não teria conseguido fazer o que fez. Só foi possível com o apoio do povo em seu ódio ao judeu.

O racismo é sempre um ódio ao diferente. Porém o judeu é um semelhante, ele é assimilado, integrado, e no caso da Alemanha, se consideravam alemães. O que faz a diferença aqui é o significante judeu, e o que ele diz, transformando então os judeus em diferentes.

O que ocorreu com o nazismo é que temos o mito como referência delirante ( o mito do povo ariano, puro, belo e perfeito), a cultura é reduzida à mitologia e o direito é uma ideologia delirante (Hitler acima da lei, fora da lei), e eis que o laço social se rompe. A civilização se reduz à mestria e emerge um tirano. Não há mais espírito crítico, identificação simbólica.

Ao contrário de uma civilização com laço social, onde o mito é uma referência nacional e possui significantes de referência simbólica, a cultura é um discurso (na realidade vários discursos), o direito é uma autoridade legítima e a civilização anda.

Um livro que vale a pena ser lido para melhor compreensão não só do nazismo, mas de todas as tiranias, e das perversões também.


Jean-Gérard Bursztein é um psicanalista francês e doutor em filosofia. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

LIVRO: PAULA - ISABEL ALLENDE


Allende, Isabel. 2ª ed. Bertrand Brasil, 1995
Tradução: Irene Moutinho
472 páginas

Em 1991 Paula, a filha de Isabel Allende adoeceu gravemente e logo entrou em coma. Estavam na Espanha. Isabel vai para lá e sua mãe também, e começam a longa vigília na esperança que Paula acordasse.

Para vencer a angústia do tempo que não passa Isabel começa a escrever para sua filha este livro, onde conta a história da família, pensando que quando ela acordar poderá lhe oferecer estes escritos.

A maior dor de um ser humano é perder um filho. É tão brutal que não nem nomeação para este estado, dizemos que quem perdeu o cônjuge é viúvo, quem perdeu os pais é órfão, mas e quem perdeu um filho, o que é? Já não pode nem dizer sou mãe, teria que dizer fui mãe de ... pois este filho nunca será substituído, mesmo havendo outros.

O livro é o relato da dor desta mãe, das suas esperanças e angústias, medos, mas é também o relato de sua família e da história do Chile. A dedicação do marido de Paula, todo seu amor a sua jovem esposa que nos toca profundamente.

Foram meses, longos meses, enquanto este livro era escrito com a dor, mas também a força desta mãe, que precisava continuar a viver, é uma evocação à vida e uma linda homenagem à sua filha.

Isabel Allende com seus filhos Nicolas e Paula 

Isabel Allende Llona nasceu em 1942 na cidade de Lima - Peru, apesar de ter nascido em Lima é considerada Chilena, e atualmente vive nos Estados Unidos.





LIVRO: AMOR, DE NOVO - DORIS LESSING



Lessing, Doris. Companhia das Letras, 1996
Tradução: José Rubens Siqueira
362 páginas

Li este livro em 2011, mas nunca me esqueço dele por me tocar fundo. O Amor, tema de tantos livros, filmes e da vida. Talvez me seja mais inquietante ainda por eu também estar na meia-idade e sozinha.

Logo no início: Estou amando outra vez,
                       Coisa que nunca quis...

Sarah Durham tem 65 anos, fundou uma companhia de teatro com outros três amigos e dedica sua vida à companhia. Sua família, ou seja, seus filhos, não lhe dão atenção, exceto quando precisam dela, mas Sarah acredita que sabe lidar com isto, apesar de muitas vezes não conseguir se desvencilhar destas demandas, o que a leva a acolher sua sobrinha problemática, Joyce.

Há muito tempo, vinte anos, ela abdicou da vida amorosa e segue trabalhando com afinco e dedicação. Sua companhia resolve montar uma peça sobre uma mulher - Julie Vairon, que era da Martinica, uma pintora e musicista que viveu seus amores proibidos no Sul da França. É escrevendo sobre esta mulher que Sarah se verá novamente diante do amor.

A Companhia parte para a França onde serão encenadas as primeiras apresentações de Julie Varon. Sarah irá se apaixonar, primeiro por Bill, um jovem ator, mas também por Henry, o diretor do espetáculo e apesar deste ser mais maduro que Bill, ambos são mais jovens do que ela.

Lessing se detém sobre a mulher madura que de repente se vê apaixonada, com desejos sexuais, mas que não sabe o que fazer, sua angústia, sua indecisão, os medos, e a moral. Todo amor busca reviver a infância, tem suas raízes ali, nos amores objetais, os primeiros de nossas vidas, e ela irá analisar justamente as privações da infância que se refletem na vida adulta da mulher.

Ao se apaixonar nesta idade Sarah revive sua adolescência, percebe que nada muda, é a mesma loucura, a mesma intensidade, o mesmo desejo. Mas há a experiência passada que a faz temer este sentimento. De qualquer maneira o amor a faz reviver com intensidade, a sentir, a desejar. Seu amor por Bill a fará reviver uma fase mais infantil e por Henry uma fase mais madura.

Doris Lessing nasceu em 1919 em kermanshah no Curdistão Iraniano, então parte do Reino da Pérsia e faleceu em 2013 em Londres.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

LIVRO: PEÇAS EM FUGA - ANNE MICHAELS



Michaels, Anne. Companhia das Letras, 1997
Tradução: José Rubens Siqueira
222 páginas

O Romance nos fala de duas biografias, a de Jakob Beer e a de Ben. Ambos tiveram suas vidas modificadas devido à guerra.

"A experiência que um homem tem da guerra jamais termina com a guerra. O trabalho do homem, assim como a sua vida, jamais se completa..."

Até que ponto o tempo pode apagar dores indizíveis? ou ao contrário, ele as perpetua? A guerra terminou em 1945, mas por quanto tempo e espaços tudo que ela significou e provocou irá se perpetuar e continuar como se fossem ondas no espaço e tempo?

Jakob escapa dos nazistas com a ajuda de Athos, que o leva para a Grécia, após ter ficado enterrado para se esconder. Mas mesmo com todo o amor, o cuidado que Athos lhe oferece ele nunca mais se esquecerá de seus pais e principalmente de Bella, sua irmã. Por mais que Athos o distraia com histórias, conhecimentos, e lhe diga para escrever, ele não esquece. Não saber o que realmente aconteceu com  sua irmã, como ela morreu a transforma num fantasma que o persegue.

Ben acaba conhecendo Jakob, e irá se envolver na vida deste ao ir procurar seus cadernos na Grécia após sua morte. Ben é filho de pais que sobreviveram ao holocausto, mas um segredo que se revelará somente após a morte destes o fará compreender melhor a dor e o porque de tanto silêncio. Porém ele irá sofrer as consequências, pois sua mãe por medo terá um excesso de zelo com ele, e seu pai nunca se mostrará totalmente para ele, sendo uma pessoa distante e fechada.

Michaels trabalha com o relato, mas inclui a poesia para falar de coisas dolorosas, e coloca a ciência e o tempo em paralelo com a vida de uma forma brilhante, nos levando a pensar que estamos sempre sujeitos a catástrofes, ao imprevisto. A diferença é que temos a sensação de que as guerras poderiam ser evitadas, ao contrário de um temporal, um ciclone, um rio que transborda devido às chuvas e leva com ele tudo que tem pela frente ou uma avalanche de neve. E o maior imprevisto de todos, mas do qual ninguém escapa, a morte.

Jakob viveu tudo, assistiu ao massacre de seus pais, quando saiu de seu esconderijo sua irmã não estava ali. Fugiu, se escondeu, viveu o terror. Ben nasceu depois da guerra, mas seus pais passaram por ela e também viveram os horrores. E qual a diferença entre os dois? ambos carregam em si os efeitos, ambos sofrem com o que jamais termina com a guerra e que somente a poesia, a linguagem pode vir para reparar, reconstruir, as palavras, faladas ou escritas.

Também achei interessante saber um pouco sobre a Segunda Guerra na Grécia.

Anne Michaels nasceu em 1958 na cidade de Toronto no Canadá.

sábado, 4 de janeiro de 2014

LIVRO: W OU A MEMÓRIA DA INFÂNCIA - GEORGES PEREC


PEREC, George. Companhia das Letras, 1995
Tradução: Paulo Neves
196 paginas
Título original: W, ou , le souvenir d'enfance 

Um livro de memórias, mas memórias que não existem, que precisam ser resgatadas, recuperadas, e que se apresentam sempre misturadas a outros eventos, imaginárias, sem muita confirmação. Perec era criança quando a Segunda Guerra começou, ficou órfão. 
Ele começa nos dizendo que não tem nenhuma memória de infância, e se lança na escrita na tentativa de recuperá-las. Nem sempre é possível ou fácil colocar em palavras o que se viveu, e paralelamente ele escreve uma história, a história de W, uma narrativa fantasiada pelo autor aos doze anos. Mas qual será a mais verdadeira? 
Nossa memória sempre reconstitui um romance, pega pedaços do que vivemos e condensa, formando uma história coesa, mas quando não se tem esta possibilidade de coesão e se está no caos, pode-se também inventar, imaginar, criar uma história. 
Ele irá alternar pedaços de sua vida, do que consegue se lembrar ou pensa ter sido assim, com a história de W. 
W, a terra do esporte, um Estado-máquina. Ao ler estes trechos me vieram duas versões. A primeira seria a maneira de poder falar, contar e ser ouvido sobre o Holocausto, sobre os campos de concentração, pois temos um retrato deles de forma fantasiada, e a outra seria como as pessoas passam a acreditar numa ideologia, mesmo que maléfica, como  seguem as regras e não se rebelam contra. 
Talvez por que no real da guerra haviam inimigos, mas entre eles também havia seres humanos. Ao vencedor cabe os privilégios, e ao perdedor os castigos, a derrota, a humilhação, mas o vencedor de hoje é o perdedor de amanhã. E no dia a dia sempre há os que protegem os mais fracos e mais novos, mesmo entre os que são os vencedores, talvez principalmente entre eles, para que possamos sobreviver. 

Perec escreve, escreve para poder viver. Para lembrar e esquecer, ou esquecer para lembrar. E sua fábula da Terra de W nos serve para compreendermos todos os totalitarismos e por ironia ou uma coincidência que ninguém pode compreender, esta terra está na América Latina, onde tantas ditaduras viraram a Terra de W. 

George Perec nasceu em 1936 em Bordeaux, França e morreu em Paris em 1982. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

LIVRO: CADERNOS DE LANZAROTE - VOL. I - JOSÉ SARAMAGO


Saramago, José. Companhia das Letras, 1997
672 páginas

Gosto muito de Saramago, e quando aprecio um escritor gosto de saber mais sobre ele, como foi sua vida, onde viveu, qual o contexto histórico e social em que esteve inserido.
Cadernos de Lanzarote são como um diário de Saramago, contam seu dia a dia de trabalho, viagens, encontros e suas opiniões políticas, literárias e culturais. Ele não se aprofunda em sua vida pessoal e íntima, apesar de fazer alguns comentários referentes. 
O interessante é ver como nasce um livro, sua trajetória, e ter a percepção que escrever não é fácil, às vezes leva muito tempo para se colocar no papel ou no computador o que depois lemos em tão pouco tempo. 
A vida cansativa, muitas viagens para divulgar os livros, convites que não param de chegar, e ele já tem certa idade, não tem mais o vigor da juventude. 
Estes cadernos são escrito quando ele já vive em Lanzarote nas Ilhas Canárias, de onde vem o título. Estas ilhas possuem uma beleza árida, vulcânica que mudam dia a dia. Uma grande mágoa de Saramago é ter sido melhor acolhido pela Espanha do que por seu país, Portugal
Li este livro lentamente, quase que no ritmo que ele foi escrito, um pouco a cada dia. 

José Saramago nasceu em 1922 em Azinhaga - Portugal e faleceu em 2010 em Tías - Espanha. 
Recebeu o Nobel de Literatura em 1998 e o Prêmio Camões em 1995. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LIVRO: HANNA E SUAS FILHAS - MARIANNE FREDRIKSSON




Objetiva, 1998
Tradução: Myriam Campello
312 páginas



O livro fala sobre três gerações fictícias de mulheres que viveram na Suécia entre o final do Séc.XIX até o final do Séc. XX. São elas: Hanna, a avó, Johanna, a mãe e Anna, a filha e que é quem nos conta a história.

A mãe de Anna está com Alzheimer, e ela encontra na casa dos pais uma foto de sua avó Hanna, vindo a se interessar pela história desta mulher, quem foi ela?

O livro nos mostra a história destas três mulheres, em suas épocas, e como se parecem com as nossas, no mundo de hoje. Os amores, filhos, o trabalho, a luta, a profissão, a família. Levanta a questão de ser mulher e de como isto muitas vezes pode ser difícil, doloroso, mas também prazeroso. Fala das relações entre as mulheres - avó, mãe, filha, neta, mas também mostra a força que é esta teia de ancestrais.

Ao mesmo tempo relata os acontecimentos de cada época, a política, a vida, os costumes, nos mostrando também o caminho percorrido pela mulher em sua busca por liberdade e poder viver de acordo com o que deseja.

Marianne Fredriksson é uma escritora sueca nascida em 1927 em Gotemburgo e que faleceu em 2007 na cidade de Estocolmo. Foi jornalista e somente em 1980 devido uma crise pessoal iniciou sua bem sucedida carreira de escritora. 

LIVRO: DEBAIXO DA MINHA PELE - DORIS LESSING



Lessing, Doris. Companhia das Letras, 1997
Tradução: Beth Vieira
472 páginas


AUTOBIOGRAFIA

Primeiro volume da autobiografia de Doris Lessing que abrange sua infância e juventude na África até sua partida para Londres em 1949.
Confesso que em determinado momento achei entediante tanta informação sobre o movimento comunista da época, mas não posso deixar de levar em consideração de que isto foi sua vida, e que era extremamente importante naquele tempo.
Gostei mesmo do relato sobre a África, sua infância, sua relação conflituosa com a mãe, e principalmente, por ter sido uma mulher que lutou pelo o que desejava enfrentando os preconceitos e a sociedade da época.

Doris Lessing nasceu em 1919 em Kermanshah e faleceu em Londres em 2013. Foi uma escritora britânica com um vasto leque estilístico. Um de seus livros mais famosos é o Carnê Dourado - 1962. Ganhou o nobel de literatura em 2007.