Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo. Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
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sábado, 2 de janeiro de 2016
CINEASTAS: MICHAEL HANEKE
Michael Haneke nasceu em 23 de março de 1942 em Munique, Alemanha. Estudou psicologia, filosofia e teatro na Universidade de Viena. É diretor, roteirista e ator.
FILMOGRAFIA:
- O Sétimo continente - 1988
- O Vídeo de Benny - 1992
- 71 fragmentos de uma cronologia do acaso - 1994
- O Castelo - 1997
- Jogos perigosos - 1997
- Código Desconhecido - 2000
- A Professora de piano - 2000
- O Tempo do lobo - 2002
- Caché - 2005
- Violência Gratuita - 2007
- A Fita branca - 2009 - postado no blog.
- Amor - 2012 - postado no blog
- Happy End - 2016 - a ser lançado
sexta-feira, 23 de maio de 2014
FILME: A FITA BRANCA - 2009
Direção; Michael Haneke - 2009
Duração: 144 min.
Título original: Das Weisse Band
Roteiro: Michael Haneke
País: Alemanha - França
Venceu o Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009 e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.
1913 - uma aldeia no norte da Alemanha um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. O filme é em preto e branco. Começam a ocorrer estranhos eventos no local, acidentes que não são explicados e nem se descobre o autor ou autores. O primeiro que sofre uma acidente é o doutor (Rainer Bock) que cai de seu cavalo devido um fio de arame estendido por onde ele passava. Depois temos a horta do barão (Ulrich Tukur) que é destruída durante a comemoração da colheita. Uma mulher morre ao cair num buraco numa sessaria do barão. A próxima vítima é o filho do Barão que é torturado. Um incêndio num celeiro e novamente uma criança com problemas mentais é torturada. Em todos estes episódios temos sempre um grupo de crianças por perto que parecem se preocupar e querer ajudar.
O professor (Christian Friedel) forma um coral com estas crianças. O pastor (Burghart KlaBner) as prepara para a crisma.
Aos poucos vamos tendo a noção de como estas crianças são educadas, e de como se comportam estes pais e mestres. A rigidez, a moral, a disciplina, a frieza. Vemos pouca alegria nas crianças, elas não brincam alegremente, não sorriem, não podem gritar, cantar, correr. Duas cenas são tocantes. A primeira é quando um pequeno menino filho do doutor pergunta à sua irmã sobre a morte e finalmente compreende que sua mãe não foi viajar, mas morreu. A segunda é quando o filho do pastor lhe pede para cuidar de um pequeno pássaro machucado e tem que enfrentar um interrogatório seco sobre a responsabilidade deste ato até que consegue permissão para isto, e depois, como o passarinho de seu pai foi morto pela sua irmã como vingança, ele o oferece ao pai. Há tanta singeleza em seu ato, seu olhar, e o pai apenas o agradece, sem nenhuma demonstração de afeto ou amor.
A sexualidade reprimida. O garoto, filho do pastor que se masturba e tem as mãos atadas a noite para poder controlar seu corpo e não acabar morto como outro pobre garoto que fez isto. As traições e escapadas sexuais dos adultos, o desprezo, a crueldade do doutor ao dizer à parteira que não a quer mais como parceira sexual, dizendo-lhe que ela o enoja. O mesmo doutor que obriga sua filha Ana a relações incestuosas com ele. Enquanto que o professor tem que esperar um ano para poder se casar com Eva, e a timidez dela com ele, até para pegar em sua mão.
A sexualidade reprimida. O garoto, filho do pastor que se masturba e tem as mãos atadas a noite para poder controlar seu corpo e não acabar morto como outro pobre garoto que fez isto. As traições e escapadas sexuais dos adultos, o desprezo, a crueldade do doutor ao dizer à parteira que não a quer mais como parceira sexual, dizendo-lhe que ela o enoja. O mesmo doutor que obriga sua filha Ana a relações incestuosas com ele. Enquanto que o professor tem que esperar um ano para poder se casar com Eva, e a timidez dela com ele, até para pegar em sua mão.
O menino deficiente filho da parteira que é desprezado pelas outras crianças, mas porque então quando ele sofre a tortura elas se preocupam com ele? As surras, castigos, os preconceitos, as diferenças sociais. Mas, por baixo de tudo isto os adultos contradizem tudo agindo de outra forma.
A fita branca que é utilizada pelo pastor para lembrar aos seus filhos de não pecar, almejando a pureza. As surras que são consideras uma purificação. O efeito é o oposto, aos poucos as crianças que não podem ser crianças, inocentes, alegres, brincalhonas, que não recebem respostas para suas perguntas, vão se moldando ao que vêem, e se tornam frias e cruéis. Em uma cena o pequeno filho do barão tem uma flauta, o outro tenta fazer uma com um galho de árvore, não consegue, então ele pega a do menino que não quer lhe dar, acaba por empurrá-lo na água do rio, ele não volta à tona, ele não se mexe para ajudar, é preciso que o outro pule na água para pegar o menino. Isto não é nada parecido com brigas comuns entre crianças que desejam o que o outro tem, há maldade, há indiferença, há crueldade. Brigar, empurrar ainda é comum, mas deixar a criança se afogar olhando sem se mover, é outra história.
As crianças julgam seus pais e mestres que os castigam, obrigam a uma obediência e disciplina sádica, perversa, mas se comportam de maneira totalmente diferente. A cena onde o pequeno abre a porta e vê seu pai e sua irmã, o olhar dele....
De um lado a obediência, a honra, a moral, do outro a agressão e repressão. O pai diz que dói mais nele bater nos filhos do que doerá neles. Mas em momento algum este pai demonstra amor, afeto, carinho.
As bases que se criam numa sociedade para que se possa vir um totalitarismo, uma ideologia que leva a atos cruéis, como ocorreu com o fascismo, o nazismo, ou até mesmo as religiões extremistas e fanáticas.
Assista ao trailer:
Michael Haneke
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domingo, 29 de dezembro de 2013
FILME: AMOR - 2012
Direção: Michael Haneke - 2012
Duração: 124 min
Título original: Amour
País- França - Áustria - Alemanha
Venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2012 e ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2012.
Um dos mais belos filmes que já vi sobre o Amor.
Apesar de ser um filme duro, um soco no estômago como disseram alguns, ele realmente mostra o que é amar, sem os disfarces da ilusão, do erotismo, dos véus. Ele retira os véus e é isto que choca.
Quando se envelhece vem a doença, a deterioração do corpo e em alguns casos da mente da pessoa que você mais ama. Os véus são retirados e você se vê diante de uma pessoa que mostra seu corpo nu, cru, sem fantasias. O que mais pode ser o amor neste momento? um pacto, uma aliança?
Quando Anne (Emmanuelle Riva) adoece Georges (Jean-Louis Trintignant) poderia tê-la internado, como todos sugeriam, inclusive a filha, mas não, ele fica ao seu lado e cumpre com o que lhe prometeu.
Reduzida ao corpo e suas necessidades, comida, mas também evacuar, urinar, voltando a ser uma criança totalmente dependente, um bebê, mas que não tem futuro como este, a cada dia que passa é a deterioração que se acentua e não o crescimento. Ela deixa atrás de si uma vida, uma história, era pianista, dava aulas.
Ele fica no vazio rodeado das lembranças, da música, dos livros, quadros. E são estas lembranças que o mantém, que fazem que aguente. Mas o tempo passa.
Ela havia dito em um momento no início do filme: há uma imensa diferença entre a imaginação e a realidade, e o que ele vivia além da realidade era o real. Aquela mulher que ele amou, onde está ela? o corpo que ele amou, com o qual fez amor, onde está?
A filha Eva (Isabelle Huppert) não compreende, acha que o pai está louco de fazer isto. Não percebe o gesto de amor. Talvez se incomode por sentir culpa por não cuidar ela da mãe, por não estar ali, mas ela não consegue, não consegue olhar para aquela mulher onde não vê sua mãe, a que era. Até ele, seu pai, lhe dizer isto, e ela desistir de tentar interferir.
Já não é mais o amor romântico que desejamos e que é construído, mas o real. E aí temos o amor real. Ambos sofrem muito, e não é o felizes para sempre! São aqueles que atravessam as tempestades juntos com um pacto, que sabem o que é o amor, que pode ver o outro em seus piores momentos e se sustenta ali, pelo amor, sem gritar por um outro, por ajuda que virá se colocar em seu lugar, permitindo fugir. Ele atende ao desejo dela, lhe dá o que não tem, até chegar a exaustão.
Ele a mata, como ela desejaria. A cena do tapa é por desespero e amor, e o rosto dela é de quem tem consciência ainda de sua degradação. É triste, é terrível esta cena, onde o amor se mostra pelo seu lado mais forte, real e terrível. Ele a mata por que não suportava que a vissem assim, ela gritava sem parar dor... dor... dor! Esta dor não era física. Ela teria se matado se pudesse.
A cena do pombo, quando ele captura o pombo com o cobertor para depois soltá-lo, apenas para ter algo a contar em sua carta que escreve. Foi a cena mais bela que vi até hoje sobre a solidão.
Um filme forte, mas belo, belíssimo. O belo nem sempre é o bonito que desejamos, mas faz parte da vida.
Assista ao trailer em francês com legendas em inglês
Michael Haneke nasceu em 1942 em Munique, Alemanha. Estudou psicologia, filosofia e teatro na Universidade de Viena. É considerado um cineasta Austríaco.
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