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segunda-feira, 20 de julho de 2015

FILME: ARTEMISIA - 1997



Direção: Agnès Merlet - 1997
Duração: 95 min
Título Original: Artemisia passione estrema 
Roteiro: Agnès Merlet - Christine Miller e Patrick Amos 
País: França - Itália - Alemanha

Uma cinebiografia romanceada da pintora Artemisia Gentileschi 

Itália, 1610. Artemisia (Valentina Cervi) é uma jovem talentosa de 17 anos filha do pintor Orazio (Michel Serrault) apaixonada pela pintura, só que naquela época uma mulher não pode entrar para a Academia e menos ainda pintar corpos nus, principalmente um homem nu. Na falta de modelos ela se retrata a si própria através de espelhos. 



Seu pai então pede ao pintor Agostino Tassi (Miki Manojlovic) que dê aulas a sua filha. Artemisia aprenderá então a pintar paisagens ao ar livre o que naquela época era uma novidade e principalmente ele lhe ensinará a perspectiva.



O filme irá deformar a partir daí o que realmente aconteceu com a jovem pintora. No filme vemos surgir uma relação entre Artemisia e Agostino que acabará deflorando a jovem, mas ela o deseja. Seu pai ao descobrir o que está ocorrendo procura a polícia, Agostino será preso e julgado por estupro. O filme retrata estes dois anos da vida da pintora de 1610 à 1612, com o fim do processo. 



Ao contrário do que o filme mostra quando Artemisia é torturada como vemos ela irá manter as acusações de estupro conforme consta nos arquivos do processo, e com isto o filme não faz jus ao verdadeiro sofrimento pelo qual passou a jovem. 

Na realidade Artemisia foi estuprada por Agostino. Ele a acusa de ser uma mulher fácil, mas a diretora do filme optou por deformar a realidade transformando a relação dos dois em uma história de amor, o que não foi na realidade. A tortura foi bem retratada, é o suplício dos "sibilli" e se trata de passar uma corda entre os dedos e apertar, o que poderia tê-la impedido de pintar para sempre. 




Agnès Merlet nasceu em 1959 na França 




Artemisia Gentileschi nasceu em Roma no dia 08 de Julho de 1593, filha do pintor Orazio Gentileschi, que era amigo pessoal de Caravaggio e de Prudentia Montone que morreu quando ela tinha doze anos. Teve uma grande reputação na Europa e levou uma vida independente, trabalhou em várias cidades da Europa e acabou fixando-se em Nápoles em 1630. O julgamento do estupro durou sete meses quando Artemisia foi humilhada e severamente torturada, enquanto Agostino, apesar de ter sido condenado ao exílio por cinco anos, nunca cumpriu a pena, tendo retornado a Roma quatro meses depois.

Seus quadros ferozes de decapitação talvez sejam reflexos deste episódio. Ela se casou com um pintor desconhecido, numa casamento arranjado por seu pai.

terça-feira, 8 de julho de 2014

FILME: A VIDA É BELA - 1997


Direção: Roberto Benigni - 1997
Duração: 116 min
Título original: La vita è bella 

Ganhou três Oscar de melhor ator, melhor filme estrangeiro e melhor trilha sonora

O Filme é dedicado à memória do pai de Roberto Benigni que foi para um campo de concentração e ao relatar sua experiência procurava amenizar as coisas para que os filhos não sentissem o que ele passou.

Anos 30/40, Guido (Roberto Benigni) é um judeu que se muda do campo para a cidade. Apaixona-se por Dora (Nicoletta Braschi)  e se casam tendo um filho chamado Josué Guido. Esta primeira parte do filme é leve, gostosa, cômica. Guido é alegre e brincalhão e diverte a todos. Porém a segunda guerra começa.

Guido e seu filho são capturados e levados para um campo de concentração, a mãe decide ir junto, mas será separada deles. Guido então decide amenizar esta dura realidade para seu filho e lhe diz que é tudo um jogo e que quem fizer 1000 pontos levará para casa um tanque de guerra.

Com isto ele muda a realidade vivenciada para seu filho do horror para a fantasia, da realidade para um jogo. Mas para Guido é o confronto com o Real indizível e que ele leva para a fantasia dentro de um quadro de horror e total desamparo, para que tanto ele quanto seu filho possam ainda de alguma maneira viver, o que ele conseguirá para seu filho.

Fico pensando no que ocorre a um sujeito em uma situação extrema como um campo de concentração, onde tudo que ele tinha antes, onde se sentia seguro, onde havia o familiar, desaparece. Ele não tem mais nenhum poder sobre si mesmo, está totalmente à merce do outro e de sua vontade. A realidade que se transforma num real terrível. Ele perde toda a ilusão que possuía e que dá colorido à vida e se vê diante do total desamparo. Como proteger seu psiquismo disto? a si mesmo e aos que ama?

E Josué? que viveu uma fantasia, onde ao final do filme ele se ilude achando que o tanque dos aliados que libertam o campo é seu prêmio? Mas por outro lado, qual seria o efeito devastador da crueza e o real do campo para uma criança? e quantas passaram por isto.

A questão é que Josué ao crescer irá se defrontar com a história e os relatos dos campos e irá perceber que viveu uma fantasia e pensará em seu pai. Há como escapar apesar de tudo a esta herança psíquica? principalmente quando se viveu ali? Mas ele poderá transformar esta fantasia em uma maneira de dar sentido ao que não tem sentido, ou seja, a vida. Quando se escolhe viver é preciso construir esta vida, é o desejo, e não o por que?.

Podemos tirar uma lição importante do filme, de como tentar sempre construir algo simbólico em torno do real, por pior que seja.

A atriz Marisa Paredes faz o papel de mãe da Dora.

Roberto Benigni nasceu em 1952 em Castiglion, Fiorentino, Itália. 


Trilha sonora de Nicola Piovani 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DOCUMENTÁRIO: O LONGO CAMINHO PARA CASA - 1997


Direção: Mark Jonathan Harris - 1997 
Duração: 120 min 
Título original: The Long way home. 

Narração de Morgan Freeman 

Oscar de melhor documentário de 1977. 

Examina o período após a Segunda Guerra Mundial de 1945 à 1948, o drama de milhares de sobreviventes do Holocausto que foram abandonados à sua própria sorte. 

Um documentário doloroso. Apesar dos aspectos guerra, política, cultura estarem ali, quero falar do lado humano, psicológico, pois a guerra é feita por pessoas.

Do início do século XX até sua metade tivemos a Primeira Grande Guerra, a Revolução Russa, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. Mas, nem o mundo, nem a história começam aí. A história dos judeus e do anti-semitismo é antiquíssimo. Povos oprimidos, explorados e subjugados faz parte da história humana.

A política do pós-guerra visava reconstruir e recuperar o poder. A Palestina existe há séculos, antes mesmo da Europa. Judeu não é uma nacionalidade, o judeu é francês, polonês, alemão, inglês etc. O muçulmano é árabe, iraniano, africano, e o católico também está presente em quantas nacionalidades. O ódio ao judeu está disseminado pela cultura, pelo social e pela palavra.

No filme um judeu diz: " é melhor ser um alemão derrotado do que um judeu libertado." E era verdade.

Os deslocados de guerra, quem tinha família, uma casa, aos poucos iam voltando, mas os judeus não tinham mais nada, nem casa, nem lugar, nem família. Só tinham a Palestina, com os árabes lá e sob domínio Britânico.

Quando os aliados entraram nos campos ficaram em choque, não estava preparados para o que viram. Mesmo tendo visto os horrores da guerra, mortes, mutilados, doenças, tendo que matar e morrer, não era pior que aquilo. Sentem repulsa, nojo, vomitam. Os judeus percebem e se afastam. Neste momento eles tomam consciência de seu estado. É sempre através do outro que nos vemos.

A falta de preparo, de médicos, ao serem libertados eles comem muito, desesperados, e morrem. O estômago explode. Sua imagem é terrível, são pele e ossos, olhos fundos, olheiras profundas e roxas. Quem presenciou disse que nunca mais eles poderiam ser normais, ter uma mente sadia.

Porém, sua luta ainda não tinha acabado, eles precisam de um lugar. Tentam ir para a Palestina, são impedidos, há cotas, o governo Britânico controla, não quer desagradar aos árabes que detém o petróleo. Muitos países também colocam cotas para a entrada de judeus. Eles são colocados novamente em campos. Fogem, tentativas de ir pelas montanhas, mulheres, crianças, velhos. Tentativas de ir pelo mar. Navios são bombardeados, levados de volta.

Estavam vivos, "livres" mas não tinham para onde ir ou o que fazer. Ficam apáticos, não recebem ajuda.

Quando chegavam aos EUA os americanos eram incapazes de compreender. Diziam que também sofreram, tiveram que entrar em filas para comprar cigarros. Ninguém quer ouvir e eles queriam falar. Aos poucos o silêncio se impôs, e o trauma ficou dentro de cada um, para ser transmitido aos descendentes.

Eles casam entre si para não ficarem sozinhos, querem filhos para dar continuidade e valer ter sobrevivido e renascido, é uma dívida.

No documentário a violência, a guerra, o sexo, e todas as emoções humanas de egoísmo, repulsa, inveja, mas também de bondade, generosidade e amor á vida aparecem. Os judeus sabiam que a vida não tinha sentido, era preciso construir um. O problema foi construí-lo sobre um trauma silenciado. O horror! A sensação de que o outro não quer ouvir, não acredita é terrível para o traumatizado. Ele mesmo não consegue acreditar que sobreviveu, não sabe nem por que sobreviveu.

Acho que até hoje não se compreende, nem os sobreviventes judeus, nem os alemães, só que ambos demonstram o real, o ser humano no que ele tem de pior e de melhor, do que é capaz. Nos depoimentos no filme percebe-se a força da voz, a entonação, daquele que quer falar, mas será que somos capazes de ouvir? Temos medo, horror e não conseguimos captar, então banalizamos e deletamos e com isto não aprendemos nada, nem podemos ajudar. Resta ignorar, criticar, julgar, apartar.

Talvez por isto que agora estão surgindo tantos livros e relatos de sobreviventes, eles precisaram deste tempo para conseguir falar e os outros para poder ouvir.


Mark Jonathan Harris nasceu em 1941 e é americano. 


FILME: TEMPESTADE DE GELO - 1997


Direção: Ang Lee - 1997
Duração: 112 min
Título original: The Ice Storm
Roteiro: James Schamus 
País: Estados Unidos 

Baseado no livro de Ricky Moody 

Anos 70, Nixon, Watergate, anos da liberação sexual, feminismo, drogas. A sociedade se desintegra, muda, é a fase das experimentações, do novo, o conhecido e tradicional se esvai, e com isto as pessoas não sabem como agir, não tem referências. Tudo é permitido socialmente, mas será que isto é bom? será que conseguimos mudar assim tão rapidamente e de forma tão radical?
Não sei quem está mais perdido em sua sexualidade, se os adolescentes, que vivem a descoberta dentro deste caos, ou se os adultos que revolucionam tudo. E todos se perdem. Tédio!
O filme retrata esta época, muitos divórcios, filhos podendo fazer o que desejam, pais querendo ser modernos. Mas, será que há um bem estar com tudo isto? Há algum sentido?



Atores: Kevin Kline, Joan Allen, Sigourney Weaver, Henry Czerny
Trilha sonora: Mychael Danna

Assista ao filme: http://tocadoscinefilos.net.br/tempestade-de-gelo-1997/

Veja uma crítica e trechos do filme



Ang Lee