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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FILME: ALÉM DA VIDA - 2010



Direção: Clint Eastwood - 2010
Duração: 129min 
Título original: Hereafter 
Roteiro: Peter Morgan 
País: Estados Unidos 

Ganhou o prêmio David di Donatello de melhor filme estrangeiro 

O tema é a morte, o que não conhecemos e não temos como conhecer. Os três personagens do filme tentam lidar com ela.

A jornalista Marie (Cécile de France), famosa, rica, inteligente que sempre destrincha e desvenda tudo e todos se vê diante de algo que não se explica. Ela se salva de um tsunami, mas enquanto esteve submersa na água após bater com a cabeça tem "visões". Após esta experiência ela não consegue mais retomar seu lugar na vida, ninguém consegue compreendê-la ou acreditar nela. Deixará tudo para ir em busca de explicações e de pessoas que possam acreditar nela. Acaba escrevendo um livro. Perde sua vida anterior o que também não deixa de ser uma morte. Ela acabara encontrando o vidente que vê nela alguém como ele, que também teve contato com a morte.



O vidente George (Matt Damon) que após uma cirurgia no cérebro passa a ter contato com os mortos, tem visões rápidas ao tocar na pessoa ou em um objeto e os escuta. Faz disto um meio de ganhar dinheiro, mas percebe que isto não é um dom e sim uma maldição, que não pode viver lidando com a morte diariamente. Ele para com isto e tenta levar uma vida comum.

O menino  Marcus (Frankie McLaren/ George McLaren) que perde seu irmão gêmeo e quer reencontrá-lo, não consegue viver sem ele. Ele encontra o vidente que acaba por atendê-lo e ouve do irmão que era ele quem tomava decisões e cuidava dele, mas que agora ele vai embora e ele tem que cuidar de si, que está por conta própria a partir de agora.

A questão aqui não é dizer se estas visões e vozes são reais ou delírios, mas sim o que faz o vivo para lidar com a morte. O filme mostra a exploração por pessoas de má fé deste desejo humano de ter contato com os mortos e da crença em uma outra vida após a morte como consolo pelo o que todos nós sabemos, ou seja que vamos morrer um dia. O medo, o não aceitar a perda.

Uma coisa é certa, haja ou não vida após a morte são dois mundos separados e cada um deve ficar e estar no seu, por isto o luto onde tudo que fazemos e sentimos é por nós mesmos, é sobre nós, não sobre os que partiram. É sobre como viver sem eles aqui deste lado onde não estão mais. A aceitação disto, porque a falta nunca se preenche, esta perda não é recuperável, mas é preciso viver e para que isto possa acontecer precisamos viver o luto.

Uma observação sobre o filme: a filmagem do tsunami é incrível, muito bem feita.

Clint Eastwood nasceu em 1930 em São Francisco, Califórnia, EUA. É um ator de cineasta.

Tema do filme. Composição de Clint Eastwood. 

FILME: UM SEGREDO EM FAMÍLIA - 2009


Direção: Claude Miller - 2009 
Duração: 100 min 
Título original: Un secret 
País: França 

Baseado no livro Um Segredo em família de Philippe Grimbert

A história é autobiográfica e ficcional na medida que o autor, o psicanalista Grimbert mescla sua própria experiência com ficção.

Talvez por ser um psicanalista ele relata já dizendo o que ocorre com ele, o que fez, mas se não precisamos perceber isto, o sentimos. É um relato de como os fatos se processam, é uma interpretação.

Um menino, franzino, pais esportistas, filho único, ele sente que não corresponde ao desejo do pai e nos relata sobre seu nascimento, de como era pequeno e do olhar decepcionado do pai que lhe deixa um traço por toda sua vida.
Ele cria para si mesmo um irmão que é o que ele não é, que faz o que ele não consegue fazer, que é forte e esportista. Um duplo, mas que não o espelha, atende ao seu desejo de atender ao desejo do pai, do outro. Foi assim que eu senti. Na realidade ele não quer ser como o pai, mas acha uma maneira de lidar com seu desejo de ser amado pelo pai.
Encontra um cachorrinho de pelúcia no sótão, mas sua mãe Tânia ( Cécile de France)  o proíbe de pegar alegando que tem ácaros, mas ele volta depois e o pega e agindo como seu irmão imaginado ele o joga pela janela e o pai quando o encontra fica muito mal.

O filme intercala o menino franzino, François (Valentin Vigourt) , com ele já adulto, psicanalista, quando seu pai Maxime (Patrick Bruel) desapareceu após ter levado seu cachorro para passear e não quis colocar a guia e com isto ele acaba atropelado e morto. Enquanto procura pelo pai ele vai recordando o passado e nos contando a história.

O interessante é o que o filme retrata o passado em cores e o presente está em preto e branco, mostrando com isto o quanto o passado é vivo, colorido e está presente, mais do que o próprio presente.

Justamente por não saber quase nada do passado dos pais é que François se baseando em uma frase e outra constrói este passado que é segredo. Mas chega um dia que na escola passam um filme sobre o holocausto e o seu colega debocha e ele se irrita e acabam brigando. A partir daí o segredo lhe será revelado por uma vizinha que não irei relatar para não antecipar a quem for assistir o filme.



Apesar de sua análise lacaniana, François nos diz que ter descoberto o segredo, ter simbolizado, nomeado e dado um lugar, não o libertou de seus fantasmas, que hoje o auxiliam a trabalhar com seus pacientes. A partir do momento que o segredo se revela o presente passa a ser filmado em cores, se iluminou, não é mais apagado por um segredo.



Há muitos detalhes no filme, e no que vai se revelando aos poucos e também no presente, quando encontra seu pai.
Os efeitos do silêncio, do segredo que muitos mantém e que de alguma forma se transformam em herança para os descendentes. Um filme sobre o holocausto, a Segunda Guerra e seus traumas e silêncios.

Vale a pena assistir.

Não irei postar sobre o livro que também li, pois é redundante, mas segue a dica:


Grimbert, Philippe. Record, 2009
Tradução: Tatiana Salem Levy
176 páginas

Claude Miller nasceu em 1942 em Paris , França e faleceu na mesma cidade em 2012.

Musica Les Valseuses - Laurent Korcia

Laurent Korcia nasceu em 1964 em Paris. É um violinista francês