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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

FILME: OS 33 - 2015


Direção: Patricia Riggen - 2015
Duração: 120 mim
Título Original: The 33
País de Origem: Chile - Estados Unidos

O filme retrata a angústia dos 33 mineiros que ficaram durante 69 dias presos a mais de 700 metros embaixo da terra  em Capiapó, Chile após uma explosão na mina onde trabalhavam em 05 de agosto de 2010. Abrigaram-se num lugar chamado refúgio que deveria estar preparado para emergências, mas o rádio nem estava instalado e um baú com comida continha muito pouco o que fez com que tivessem que racionar o alimento.Mario Sepúlveda (Antonio Banderas) assume a liderança para manter o precário equilíbrio mental e coordenar a distribuição do alimento. 

Na superfície a mineradora faz uma ligeira busca e decide que não há sobreviventes, porém, para sorte dos mineiros, Laurence Golborne (Rodrigo Santoro), o jovem Ministro da Energia resolve agir e graças a sua insistência junto ao Presidente do Chile consegue que a procura continue. Andre Sougarret (Gabriel Byrne) é o engenheiro encarregado da operação. 

Paralelamente vemos o drama das famílias dos mineiros que tem a frente María Segovia (Juliette Binoche) cujo irmão está lá embaixo e não desiste em momento algum de exigir que se faça algo. O filme inicia antes do acidente e nos introduz ligeiramente na vida de cada mineiro, suas famílias, ou sua solidão como o do boliviano que era seu primeiro dia na mina. Um deles era casado e tinha uma amante, (Paulina García e Adriana Barraza). 

Acompanhamos o drama que eles viveram e que na época foi acompanhado pelo mundo todo. Os momentos de desânimo, desespero, a coragem, a determinação. O filme também retrata bem a indiferença de uma empresa que considera como custo alto demais agir para o resgate, principalmente porque os considera mortos. 

Todos foram salvos, porém nunca receberam sequer uma indenização da empresa. O cruel lado do capitalismo que considera os trabalhadores como objetos para uso e exploração. Não precisa ir longe, atualmente vemos a Samarco no Brasil atuando da mesma forma com o povo de Mariana e toda região atingida pela lama e detritos de sua barragem.

No filme podemos ver como reage o ser humano em situações extremas. Soterrados, há momentos de união, porém é necessário um líder para impedir que um devore o outro, coma toda a comida em detrimento do outro, mas até mesmo este líder é humano e em determinado momento se acha superior aos outros, e pensa em tirar alguma vantagem do que está ocorrendo, até mesmo dando entrevistas e escrever um livro sobre o que ocorreu, sem envolver os outros, ficando desta forma com a fama. Tudo absolutamente humano. Do lado de fora vemos as famílias, as questões de cada uma, e a frieza do governo e das empresas, pois não fosse a juventude e a posição moral do ministro das energias, provavelmente estes mineiros teriam morrido ali embaixo de inanição, isto se não se matassem ou matassem ao outro.


Patrícia Riggen nasceu em 1970 em Guadalajara, México

terça-feira, 21 de julho de 2015

FILME: JE VOUS SALUE, MARIE - 1985


Direção: Jean-Luc Godard - 1985
Duração: 102 min
Roteiro: Jean-Luc Godard 
País: França - Suíça

Filme que causou tanta polêmica e escândalo e que eu não havia assistido. No entanto o que encontro neste filme é pura arte. Uma nova maneira de contar a história de Maria e José, mas dentro de um contexto moderno, mesmo que em vários momentos do filme apareça escrito Naquele tempo.. , mas o que justamente o filme nos lembra a da contemporaneidade da história que não se perdeu lá atrás e que é possível trazer este mistério para o mundo atual com um casal jovem que nunca transou e justamente por isto deixa José (Thierry Rode) incrédulo  no começo sobre Maria (Myriem Roussel) ser virgem e estar grávida. 

Paralelamente temos a história de um professor de ciência (Johan Leysen) que estuda a origem da vida e tem um caso com uma de suas alunas, Eva (Anne Gautier), não à toa chamada de Eva, e que come uma maçã. 

José trabalha como taxista e está sempre com seu cachorro e Maria estuda, joga basquete e ajuda seu pai no posto de gasolina. Vemos um avião sobrevoando para aterrissar e depois vemos Gabriel acompanhado de uma menina maliciosa. Gabriel não se pode dizer que seja um primor de delicadeza, nem um pouco angelical digamos, mas é ele, o anjo Gabriel que vem até Maria e que depois irá de maneira um tanto grosseira e bruta abrir os olhos de José para que ele acredite, para que creia, para que confie, o que no final acabará ocorrendo, mas não sem antes ele se debater muito e inclusive se aproximar de Juliette (Juliette Binoche), mas que não conseguirá conquistá-lo. 

Como estamos na modernidade o que Maria enfrentará é o ceticismo, até mesmo do médico que a viu nascer que ao constatar sua virgindade e ao mesmo tempo a gravidez, não consegue conceber que ela não tenha tido algum contato com José. Não há escândalo, há indiferença, ok!, então que assim seja. Ela também irá duvidar do amor de José ao saber de seus encontros com Juliette. 

Finalmente eles se acertam e passam a viver junto, a criança nasce. Mas Maria não é diferente das outras mulheres, ela gosta de se vestir bem, não é uma santa, e a castidade que lhe é imposta pesa, ela tem desejos e tem que lutar contra esta tentação. É um percurso espiritual, onde ela quer que a alma seja corpo. Não se trata de uma Maria passiva, ela tem que alcançar algo, se superar, estar acima dos outros, é este seu percurso e que não é fácil, ela é humana. Com isto ela se encontra na solidão, aquela de todos que são diferentes, mas a dela é maior. 

O professor de ciências não consegue afinal explicar a origem da vida, há um ponto onde ele não consegue mais e tem que admitir que há algo maior. José também quer compreender, quer saber tudo, é cego, não consegue ver além da ciência, do materialismo. Para ele é o corpo que age sobre o espírito e terá que percorrer seu caminho de crescimento também até encontrar o amor. 



No final vemos um casal banal, o filho parte, Maria sabe que tem que ser assim, mas ela volta a ser uma mulher como qualquer outra, perde sua pureza. 

Há algo na mulher que é mistério, mas na modernidade atual isto se perdeu, nem mesmo Maria o mantém, nem mesmo quando o anjo Gabriel a saúda, ele por um momento faz com que ela lembre, vem algo, mas ela retoma a vida cotidiana e banal. 


Jean-Luc Godard nasceu em 1930 em Paris, França 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

FILME: MIL VEZES BOA NOITE - 2013


Direção: Erik Poppe - 2013
Duração: 112 min
Título Original: Tusen ganger got natt

Filme belíssimo. Rebecca (Juliette Binoche) é uma fotógrafa de guerra. Ela está no Afeganistão tirando fotos de mulheres bombas quando é atingida por uma explosão. Seu marido (Nikolaj Coster-Waldau) lhe dá um ultimato pois nem ele, nem suas filhas aguentam viver sob a tensão de nunca saber se ela está viva ou morta, que é impossível viver assim. Rebecca acaba aceitando e desiste de sua profissão. No entanto sua filha mais velha parece lhe seguir os passos participando de um projeto sobre a África e quando surge a oportunidade de ir ao Quênia tirar fotos de um campo de refugiados que é considerado um local seguro ela pede a mãe que aceite e que a leve junto.





Elas partirão, mas enquanto estão no acampamento há um ataque e elas precisam sair imediatamente, porém Rebecca não parte, pede que levem sua filha para um local seguro e fica para fotografar tudo. Com suas fotos consegue que a ONU mande reforços. Sua filha lhe pede que não conte nada para o pai, mas ela fica traumatizada pelo que ocorreu. Numa conversa com a mãe ela mostra que filmou tudo, o momento em que ela fica e pede para a levarem. O medo, estar sozinha num país estranho, não saber o que iria acontecer, tudo isto foi forte para a jovem adolescente. É então que o pai descobre a filmagem e é a gota d'água. Eles se separam, e Rebecca pensa em retomar sua vida, porém desiste no aeroporto e volta. Vai à apresentação da filha sobre a África e a ouve falar do seu orgulho da mãe e que o mundo e as crianças que sofrem precisam dela e dos fotógrafos para denunciar o que está acontecendo.







Rebecca retoma sua vida de fotógrafa e volta ao Afeganistão. Só que desta vez quem está sendo preparado para explodir é uma criança. O final do filme é um soco no estômago, quando ficam a mãe da criança que se foi ajoelhada no chão e Rebecca que também cai ali ajoelhada. 

Durante o filme acabamos julgando Rebecca como mãe, por ter uma profissão de alto risco e com isto deixar suas filhas sempre num estado de tensão e sofrendo com sua ausência, e mais ainda a julgamos quando ela fica no acampamento e manda levar sua filha para um lugar seguro. Mas e agora? diante desta outra mãe que acaba de entregar seu filho para explodir, uma criança bomba? Ambas agiram de acordo com o que acreditam, de acordo com uma fé, de acordo com aquilo que as move. Só que uma pela paixão de seu trabalho e do que pode conseguir com isto, salvando pessoas, ajudando, e a outra pelo o que acredita ser correto para salvar seu povo, mesmo que seja através de atos terroristas. Ambas são fanáticas de alguma maneira. E ambas são mães. 

Não me arrisco a julgar pelos padrões ocidentais. Obvio que não concordo de forma alguma com a violência, com o ato de matar, mas o que não julgo é a crença delas e que as levam a certas ações. Fiquei aturdida no final do filme, sem saber o que pensar, sentindo uma angustia forte. Que força é esta que move estas duas mães? estas duas mulheres? Sim, eu considero um crime fazer de uma criança um objeto que vai explodir com as bombas, a criança não tem opção de escolha, ela está sob o jugo dos adultos. Notamos o quanto o ser humano tem em si mesmo a vida e a morte. Eros que nos leva ao desejo e à vida e Tânatos que nos leva à morte, a destruição. Rebecca é movida por Eros, pelo desejo, mesmo que seja fotografando a morte, a destruição, a miséria, a guerra. O que ela quer é chocar o mundo, sacudir, tentar fazer com que as pessoas acordem. A outra mãe está movida por Tânatos, pela morte. Mas segundo suas ideias é uma morte necessária para se atingir algo. Como encarar isto? Para mim é um crime, um absurdo, inconcebível, mas não para ela. A criança bomba vai morrer e com ela outros. 

Rebecca fica com um sentimento de culpa após a primeira explosão por ter descido do carro e atraído a atenção da polícia levando a mulher a detonar a bomba ali mesmo, onde havia crianças, mulheres, velhos. E esta mãe do menino? tem culpa? qual o tamanho da dor dela ali ajoelhada e rezando?

Erik Poppe nasceu em 1960 em Oslo, Noruega. Ele foi fotógrafo de guerra antes de ser cineasta.

quarta-feira, 4 de março de 2015

FILME - SILS MARIA - ACIMA DAS NUVENS - 2014


Direção: Olivier Assayas - 2014
Duração: 124 min
Título Original: Clouds of Sils Maria
País: Estados Unidos - França 

Indicado para o Festival de Cannes 2014 como longa-metragem

Para os que não assistiram ainda recomendo não ler, pois pode ser considerado spoiler. 

O filme trata de uma atriz que está no auge de sua carreira, Maria Enders (Juliette Binoche) que iniciou sua carreira representando Sigrid, uma jovem que leva ao suicídio sua chefe Helena. Agora ela é convidada a fazer o papel inverso. Após relutar ela acaba aceitando, irá contracenar com Joan (Chloë Moretz) que fará Sigrid, e isto a deixa perturbada. Maria vai para Sils Maria com sua assistente Valentine (Kristen Stewart) para ensaiar o papel o que a leva a confrontar seu passado. O filme tem uma reviravolta no final que surpreende, mas não tenho como falar do que senti e percebi sem tocar neste ponto. 

Durante os ensaios nos Alpes em determinados momentos já não sabemos se elas estão ensaiando ou se são Maria e Valentine. Um outro ponto é que vemos no início do filme uma Maria muito feminina que aos poucos parece ir se masculinizando, em seus gestos, no corte de cabelo, nas roupas que passa a usar, no tom de voz, na expressão. É sutil o processo.

A história de Sigrid é que ela é contratada como assistente de Helena, uma empresária, que acaba se apaixonando por ela o que a leva ao suicídio. Valentine também é a assistente de Maria, e é uma mulher forte, determinada e que tem seus próprios pontos de vista, que diferem de Maria sobre a história de Sigrid e Helena. 

Maria vê Sigrid como ela mesma era quando jovem e a revê no espelho de Valentina, uma projeção de si mesma jovem, mas agora ela não é mais esta jovem, amadureceu, é famosa, ou seja, está no lugar de Helena em sua vida também e tem que enfrentar que ela também se encanta com Sigrid, seja como Joan ou Valentine. 

A passagem de Sigrid para Helena é para Maria o que lhe ocorre em sua vida e ela precisa se confrontar com isto. Precisa se confrontar com seus fantasmas e desejos. O final surpreendente é justamente quando ela fica acima das nuvens. Em Sils Maria há um fenômeno climático chamado de Serpente de Maloja. Nuvens entram no vale cedo de manhã serpenteando causando um belo efeito e cobrindo o vale, porém abaixo delas o tempo fica ruim com chuvas e intempéries, como a própria vida de Maria. É no momento que ela está acima da Serpente, que ela faz a passagem e ultrapassa seus fantasmas e pode se assumir e ser a Helena. 

Vejo duas questões, a primeira é a dificuldade de aceitar que se cresceu, amadureceu e que lhe cabe agora interpretar a mulher mais velha e abrir mão do papel que lhe deu o estrelato, mas a outra na minha opinião é a mais importante, é o desprezo que Maria sente por Helena e isto é uma projeção que ela tem que enfrentar. Sempre odiamos no outro o que trazemos em nós mesmos e nos desagrada, não aceitamos ou não sabemos como lidar com isto. É disto que se trata, lidar com este outro lado do espelho. Ao longo do filme Valentine mostrará outra faceta de Helena, outra possibilidade para esta mulher. É Maria quem encarna ela mesma, Sigrid e Helena, as três são ela mesma, até o momento onde se faz a passagem e ela consegue lidar com estas três facetas de si mesma. 

É a jornada do crescimento e amadurecimento de Maria, da aceitação que a vida anda, se movimenta e muda, mas sempre trazendo os traços de antes. 

Olivier Assayas nasceu em 1955 em Paris, França

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

FILME: CHOCOLATE - 2000


Direção: Lasse Hallström - 2000
Duração: 121 min
Título Original: Chocolat

Vianne Rocher (Juliette Binoche) e sua filha de seis anos Anouk chegam a uma pequena cidade da França onde o povo segue os desejos do Conde Reynaud (Alfred Molina) que preza a moralidade e a igreja fazendo com que todos ali se comportem de forma prevista e que não destoe disto.

Vianne aluga uma antiga confeitaria de Armande (Judi Dench) e abre uma chocolateria na quaresma o que deixa a todos indignados. Mas ela também é mãe solteira e o Conde se aproveita disto tudo para desmoraliza-la e fazer com que vá embora.




Os chocolates que Vianne prepara são especiais, ela conhece segredos e se utiliza de uma roda onde pede às pessoas para dizer o que vêem quando ela gira para então baseada no imaginário de cada um saber qual o chocolate preferido daquela pessoa.



Desta forma ela conquista algumas amizades, mas principalmente de Josephine (Lena Olin) que é considerada louca por todos na cidade que já não suporta o marido Serge (Peter Stormare)que a agride. Ela foge e pede refúgio à Vianne que a acolhe o que irá mudar sua vida. Outros também se encantam com os chocolates e pelas transformações que isto lhes traz em suas vidas, mas o Conde não desiste e como detém o poder na cidade obriga o padre a fazer sermões inflamados contra a chocolateira.

Mas mal sabe ele que ainda estava por vir o pior, chega à cidade que fica a beira de um rio vários nômades que viajam em seus barcos, cujo líder é Roux (Johnny Deep). O conde então lança uma campanha para que eles partam deixando claro que não são bem vindos.



O que ele não esperava é que aos poucos Vianne irá conquistando as pessoas, inclusive as mais próximas a ele, e isto trará grandes mudanças na cidade.

Os preconceitos e o medo das mudanças, o estranho e o estrangeiro, o pecado, e um conde tirano que gosta de comandar a tudo e a todos, eis os ingredientes, mas quando se acrescenta chocolate, pimenta, nozes e outros itens nesta mistura algo acontece, e o prazer de viver aparece mudando as pessoas, ou melhor, libertando o que há de melhor dentro delas e com isto permitindo que possam sentir prazer sem culpa, possam mudar suas vidas, possam construir algo.
Lasse Hallström nasceu em 1946 em Estocolmo, Suécia. 

domingo, 27 de julho de 2014

FILME: CÓPIA FIEL - 2010


Direção:Abbas Kiarostami - 2010
Duração: 106 min 

Título Original: Copie Conforme 

Prêmio de melhor atriz para Juliette Binoche no Festival de Cannes 2010

James Miller (William Shimell) é um escritor que está na Itália, na Toscana, para uma conferência sobre seu livro "Cópia Fiel" onde ele defende que na arte a cópia pode ser tão boa ou melhor do que o original. A Itália é um país com uma grande número de obras de artes, e não só em museus, mas estão ao ar livre, nas fontes, na arquitetura, nas igrejas, nas ruas. Elle (Juliette Binoche) vai a conferência e compra vários livros que deseja que sejam autografados. Deixa um recado para ele com seu amigo e tradutor para encontrá-la em sua galeria de artes. Ele vai e o os dois saem para dar um passeio pela região.

Durante o trajeto conversam sobre a questão do original e da cópia, com questões como se a Monalisa no quadro já não seria uma representação da Monalisa verdadeira, que deu origem ao quadro. Num determinado momento param para tomar um café e enquanto James sai para atender seu celular a dona do local o confunde como sendo o marido de Elle que conta isto para ele quando retorna, eles então passam a encenar como se fossem um casal.

James defende seu livro partindo da posição da subjetividade de quem olha para uma obra de arte. Se é desta percepção que uma obra depende então a cópia pode ser melhor que a original. E na relação a dois? num casamento? será que vemos o original ou aquilo que desejamos ver? sim, a cópia pode ser melhor, atende nossos anseios, nossa idealização do outro.

Quando eles passam a encenar o casal, como num palco, ficamos na dúvida, o que aconteceu? eles se conhecem? é o marido dela? ou não? Nunca sabemos ao certo o que ocorre com o outro, e quando Elle diz que inveja o casal de velhinhos ela pode não saber o que houve em suas vidas, o que os mantém juntos, e quantas ilusões e auto-enganos enfrentaram.

Um filme para refletir.

Abbas Kiarostami nasceu em 1940 em Teerã, Irã. Está radicado na França desde 2010. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

FILME: PARIS - 2008


Direção: Cédric Klapisch - 2008
Duração: 130 min 
País: França 

Pierre (Romain Duris) um jovem dançarino francês fica sabendo que tem um sério problema no coração, terá que fazer um transplante com 40% de chances de dar certo. Sua irmã Élise (Juliette Binoche) ao saber disto vem morar com ele e traz consigo seus filhos. Enquanto aguarda o transplante do qual não sabe se sairá vivo ele observa a rua e as outras pessoas, passa a viver a vida dos outros.



Estes outros são: dois irmãos que acabam de perder o pai. Um é arquiteto, casado, sua mulher está grávida, chora à qualquer emoção, o irmão é um renomado professor de história que pelo dinheiro acaba fazendo um programa popular de TV apresentando a cidade de Paris. Ele se apaixona por uma de suas alunas que tem uma beleza extraordinária sobre a qual ele acaba percebendo chegar a ser horrível, pois transforma as outras mulheres em banais. Ele acaba no psicanalista.

A dona de uma padaria chatérrima com os funcionários e agradabilíssima com os fregueses. Preconceituosa, racista, não só com os estrangeiros, mas também classifica os franceses em bretões, alsacianos ... e os parisienses.

A feira onde quatro amigos trabalham. Um acaba de se separar e sua ex-mulher também trabalha ali, é atraente e possui um narcisismo exacerbado, imune ao ciúme. Ele a demite de seu trabalho ali e ela tem um caso com um dos feirantes.

Um clandestino que tenta ir de Camarões para Paris numa travessia perigosa. Seu irmão e a mulher já estão lá. Eles passam pela assistência social onde trabalha Élise.

Para Pierre de sua janela nenhum deles tem problemas e pensa como seria bom poder ser assim, um deles. Olhar Paris com calma, receber uma carta. No caminho para o hospital no dia do transplante ele passa por cada um deles imaginando isto, sem saber que todos estavam passando por momentos dolorosos também, mas também de alegrias. Para cada um sua dor é a maior.

Quanto à morte, ele que a espera e sofre com isto, não ficamos sabendo se ele se salva ou não, mas no filme dois morrem, dois que pensavam ter 100% de chances de viver.

A vida é assim, a morte surge de repente, separações, acidentes, doenças acontecem, mas também alegrias, nascimentos, encontros. Não existe uma vida perfeita e os outros não estão melhores ou piores do que nós, podem estar num momento melhor, mas também terão seus desafios, medos, dores. Mas, ao saber que tinha 60% de chances de morrer Pierre passa a olhar o mundo com outros olhos.


Cédric Klapisch nasceu em 1961 em  Neuilly-Sur-Seine, França

Trilha sonora Wax Tailor 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: CAMILLE CLAUDEL, 1915 - 2013


Direção: Bruno Dumont - 2013
Duração: 95 min 
Roteiro: Bruno Dumont
País: França 

Continuação da vida de Camille Claudel, porém produções separadas, diretores e atores.

O filme começa com Camille ( Juliette Binoche) já no hospício. Um detalhe interessante é o que o filme foi rodado num hospício real, onde os internos atuaram.



Ela permanece com a mania de perseguição, acredita que querem envenená-la, roubar suas obras, as que ela mesma destruiu. No mais, era calma e lúcida. O médico chega a dizer ao irmão que ela pode sair e retomar uma vida normal, mas a mãe nunca quis e nem seu irmão Paul Claudel (Jean-Luc Vincent)  que era o único a visitá-la, nem mesmo transferi-la para um local mais próximo de Paris sua mãe aceitou.






Quando ela ia para a consulta com o médico, ele a ouvia, e ela repetia sempre a mesma coisa, ela se fixou no episódio, no que houve com Rodin. Ele nunca falava com ela, só a ouvia.
Era vigiada, sempre havia uma freira que surgia em algum momento em todos os lugares. Não podia escrever cartas, exceto as autorizadas pela família. Não podia escrever a uma amiga. Uma vida de tédio, sem ninguém.



O filme retrata muito bem este tédio, o morno, parado. O dia a dia dela. Sentimos isto ao assistir ao filme.
Ela nunca saiu, morreu interna. Foram 30 anos reclusa.



Se fosse no mundo atual, Camille poderia ser uma grande escultora, reconhecida em vida, mas ainda assim resta uma questão, será que ela conseguiria, com a mãe que teve? ou também sofreria psiquicamente as consequências?

Assista ao trailer



Bruno Dumont nasceu em 1958 em Bailleul, Nord, França. Estudou e lecionou filosofia antes de fazer filmes. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILME: APROXIMAÇÃO - 2007



Direção: Amos Gitai - 2007 
Duração: 115 min 
Título original: Disengagement 
Roteiro: Amos Gitai e Marie-Jose Sanselme
País: França - Israel - Itália - Alemanha 

Sou fã de Juliette Binoche, e não podia perder mais este filme com ela.

Após a morte de seu pai Ana (Binoche) vê segredos de sua vida virem à tona na leitura do testamento. É hora de enfrentar a realidade e acertar as contas com seu passado. Ela terá que ir para Israel, justamente quando está sendo feita a retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza à força pelos soldados israelenses.

Um soldado Israelense, Uli (Liron Levo) vai para a França ao encontro de sua irmã adotiva Ana para velar o corpo do pai.Ela está alegre demais e se insinua para o irmão, mas após a abertura do testamento do pai as coisas mudam e ela tem que ir junto com o irmão para Israel. Na chegada terão que se separar e começa a jornada de Ana ao encontro de seu passado.



Uma cena me marcou, no início do filme, quando se vê o efeito do poder que uma farda, uniforme e cargo pode conferir ao outro. E o reencontro de mãe e filha. Uma criança ainda agarrada ao seu urso, mas que vive como um adulto naquela região em meios aos conflitos.


Françoise (Jeanne Moreau) é quem passará a Ana as informações sobre a relação de seu pai com a neta. A a cantora lírica Barbara Hendricks também faz uma participação cantando.

Veja o trailer



Amos Gitai nasceu em 1950 em Haifa, Israel.