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sexta-feira, 10 de julho de 2015

LIVRO: TENHO ALGO A TE DIZER - HANIF KUREISHI



Kureishi, Hanif. Companhia das Letras, 2009
501 páginas
Tradução: Celso Nogueira
Título Original: Something to tell you

Jamal Khan é quem narra a história. Ele é um psicanalista londrino, filho de um paquistanês e de uma inglesa e tem uma irmã Mirian. Está divorciado e tem um filho. 

O livro aborda o mundo atual, a mistura cultural, a depressão, o desejo, o medo de terroristas, um filho na adolescência, a separação, a solidão, os desajustes. Transita em todos os níveis sociais e percebemos que em todos eles a situação humana se repete, mesmo que o cenário seja outro. 

Lembrou-me um pouco o relato de Theodore Dalrymple sobre a periferia de Londres, mas vai além. Jamal carrega uma imensa culpa e um amor frustrado na adolescência. Precisou fazer análise e depois ele mesmo vira um psicanalista. Mas o livro não foca apenas a psicanálise, vai muito além narrando a família atual e a vida de Jamal longe de seus pacientes, de seu amigo Henry, um artista frustrado que se apaixona pela irmã de Jamal, que é depressiva, faz uso de drogas, e abusa do sexo. 

Uma visão cinza do mundo ocidental e todo seu vazio existencial e das consequências disto. A tentativa de preencher este vazio e driblar suas dores através de drogas ou sexo. O submundo aparece, mas não apenas na periferia, também nas mansões luxuosas. 

O livro preferido de Jamal é o Mal Estar da Civilização de Freud, não à toa, pois o livro todo é como revisitar este texto escrito há tantos anos, mas totalmente atual. 

Hanif Kureishi nasceu em 1954 em Bromley, Reino Unido

segunda-feira, 3 de março de 2014

LIVRO: A MULHER TRÊMULA ou uma história dos meus nervos - SIRI HUSTVEDT



Hustvedt, Siri. Companhia das Letras, 2011
Tradução: Celso Nogueira
204 páginas
Título original: The Shaking woman - Or a history of my nerves

Dois anos e meio após a morte de seu pai a escritora Siri Hustvedt discursou em homenagem à seu pai em sua cidade natal no campus da Faculdade St. Olaf em Minnesota. Durante seu discurso ela sofreu uma crise, começou a tremer, do pescoço para baixo, mas sua fala permaneceu inalterada o que lhe permitiu terminar o pronunciamento.

Este episódio não será o único, vindo a se repetir o que fará com que Siri inicie uma busca para tentar compreender o que lhe ocorria. Compreendo-a bem, esta necessidade intelectual de entender, se não levar à cura pelo menos sei o que se passa comigo. Isto a leva a um percurso tanto em médicos, psiquiatras e psicanalistas como também uma busca intelectual através de livros e pesquisas sobre o tema.

É sobre este percurso que ela nos fala no livro e sobre tudo que aprendeu. Ela irá buscar tanto nas teorias psicanalíticas como também na neurociência uma explicação, indo além, levantando questões sobre a mente/cérebro, estudando casos de outros doentes, participando de encontros e palestras, e sendo voluntária num hospital psiquiátrico dando aulas de redação para os internados.

Ela sofria há anos de enxaqueca e apesar do receio busca uma resposta para o caso de ser epiléptica, mas também estuda a histeria. Ao final ela acabará aceitando que as enxaquecas como as tremedeiras são ela mesma, ela é a mulher trêmula, ou seja, a tremedeira não é algo externo que a acomete, como uma invasão.

Siri não se deixará convencer por apenas uma explicação como se fosse a verdade, ela sempre será crítica, avaliando e não se deixando levar por um conformismo.

O mais importante é a percepção de que não podemos separar o corpo da mente, nem nos ater apenas a uma ciência ou explicação, somos muito mais do que isto.

Siri Hustvedt nasceu em 1955 em Northfield no Minnesota, Estados Unidos. De família norueguesa, licenciou-se em História na Faculdade de Olaf e é doutora em Literatura Inglesa pela Universidade de Columbia. É casada com o também escritor Paul Auster.