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sábado, 2 de janeiro de 2016

CINEASTAS: LARS VON TRIER


Lars Von Trier nasceu em 30 de abril de 1956 em Copenhague, Dinamarca.



FILMOGRAFIA:

- Elemento de um crime - 1984
- Epidemia - 1987
- Medéia - 1988 - postado no blog.
- Europa - 1991
- Ondas do destino - 1996 - postado no blog
- Os Idiotas - 1998
- Dançando no escuro - 2000
- As cinco obstruções - 2003
- Dogville - 2003
- Manderlay - 2005
- O grande chefe - 2006
- Anticristo - 2009
- Melancholia - 2011 - postado no blog
- Ninfomaníaca - 2013
- Ninfomaníaca II - 2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

FILME: MEDEIA - 1988


Direção: Lars Von Trier - 1988
Duração: 76 min 
Título original: Medea 
Roteiro: Lars von Trier - Preben Thomsen 
País: Dinamarca 

Baseado na adaptação de Medea de Carl Theodor Dreyer. 

Medea (Kirsten Olesen) , sua história é conhecida, Eurípedes foi seu autor. Uma mulher traída e a que ponto chega sua vingança, seu ódio, sua dor. Ela mata os filhos por ser a única coisa que poderia atingir Jasão (Udo Kier) , lhe tirar algo também.



Lars Von Trier nos apresenta uma Medea terrível, atormentada. Quando Medea puxa a padiola com seus filhos e atravessa um túnel com seres loucos o que Von Trier nos mostra é a loucura, seu interior, toda a dor e ódio que ela carrega junto ali, e ela sofre para puxar a padiola, como pesa, avança com todo este peso da loucura.

Ela é uma mãe carinhosa, amorosa, lambe a ferida do joelho de seu filho, mas a mulher ferida e traída sobrepõe-se à mãe. Ela mata a rival, o pai dela que havia decidido pelo casamento de Jasão e pelo seu exílio com os filhos, e mata seus filhos partindo em seguida.



Terrível, mas não inacreditável. Quantas vezes vemos isto? pai ou mãe que matam seus filhos?

Assustador, mas não estranho nem impossível.  No final do filme ele diz que há coisas que Deus pode fazer e são inacreditáveis, um tremendo soco no estômago.

Lars Von Trier 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

FILME: ONDAS DO DESTINO - 1996


Direção: Lars Von Trier - 1996
Duração: 159 min 
Título original: Breaking the waves 
Roteiro: Lars von Trier - Peter Asmussen - David Pirie
País: Dinamarca 

Ganhou o César de Melhor filme estrangeiro 

Uma comunidade pesqueira num país nórdico (norte da Escócia) , uma plataforma de petróleo com outsiders.

Bess (Emily Watson) cresceu nesta comunidade extremamente religiosa e onde seu avô é um dos anciões que governam as regras no local. Ela vivia dedicada à Igreja, uma igreja sem sinos, após ter sido internada quando seu irmão morreu. Os anciões são os guardadores da moral e dos costumes, tudo passa por eles. As mulheres não podem assistir aos enterros, somente os homens, e o ancião quando julga o morto um pecador manda para o inferno todos que não vivem segundo suas regras.

Bess se apaixona por Jan ( Stellan Skarsgard) um dinamarquês que trabalha na plataforma de petróleo e se casa com ele. A comunidade não gosta, prefere os casamentos entre si, tem medo do diferente e não o aprovam.

O filme é dividido em partes e no início de cada parte toca uma música alegre que destoa até da vila e tem uma paisagem com tons sempre ocres e verde escuro predominando. A sensação que tive é que há algo que incomoda ali, não é natural e então me pareceu que era um mundo pintado, colorido por nós, cores que nós escolhemos para colocar na vida e no mundo onde sempre sobra um pedaço sem cores e um outro muito ilusório.

No dia do casamento uma demora da chegada do  helicóptero que traz o noivo da plataforma desencadeia uma crise histérica de Bess. O médico dirá que ela quer tudo, mas por outro lado ela é totalmente submissa ao Outro, seja Deus, seja o amor na figura de Jan. Ela fica entre a obediência e o sarcasmo.



Na festa do casamento ela leva Jan para o banheiro e quer ser possuída ali mesmo, nada de romantismo, de lua de mel. E temos depois uma cena linda onde ela descobre o corpo do outro.



Bess fala com Deus, mas ela mesma é Deus, que responde engrossando sua própria voz e usando uma voz infantil para ser ela mesma. Neste delírio Deus atende seus desejos e como ela não suporta a ausência de Jan quando está na plataforma trabalhando ela pede a Deus que o traga para casa, mesmo percebendo seu egoísmo ela não consegue agir de outra forma.



E justo aí é que acontece o acidente na plataforma que o traz para casa. Ela fica feliz, o que importa é que está vivo e vai ficar ali, não o estado dele que não pode mais se movimentar. Para aliviar sua culpa pois acredita que foi ela quem causou tudo isto pois desejou que ele ficasse ali, ela passa a acreditar que o salvaria. Deus o salvaria, aquele Deus que era ela mesma. Acreditou que tinha o poder sobre a vida e a morte.



Jan lhe diz que deve arrumar um amante, que ele não pode mais fazer amor, que isto ficaria entre eles, já que não podiam se divorciar pois a comunidade nunca aceitaria isto. Sua virilidade está em jogo. Ele lhe pede para ter relações sexuais com outro e lhe contar, que seria como eles dois. E o mais perverso é que quando ela inventa ele ao invés de aceitar a desmascara.

Ela atende ao desejo dele se prostituindo, acredita que o está salvando. Quando após sofrer uma violência ela ainda não o curou, resta o sacrifício, resta morrer por ele. E eu me pergunto por quem os sinos dobram no filme.

E ele se recupera. Milagre? por causa do sacrifício? Não! iria se recuperar de qualquer maneira. Ela sentia culpa pelo acidente, mas o amigo não, e se este não tivesse feito uma brincadeira estúpida de se fazer de morto naquele momento, o acidente não teria ocorrido. Mas há culpa? os acidentes acontecem, não temos o poder de detê-los, mesmo que sempre haja uma escolha antes.

Um tribunal. Qual foi o crime? quem é o criminoso? Neurótica? psicótica? o médico diz que ela era boa. Ser bonzinho é ser alienado ao desejo do outro?

Recomendo este filme, o meu preferido de Lars Von Trier.

Lars Von Trier nasceu em 1956 em Kongens Lyngby, Dinamarca.

Trilha sonora de Joachim Holbek 


Joachim Holbek nasceu em 1957 na Dinamarca. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

FILME - MELANCOLIA - 2011


Direção: Lars Von Trier - 2011
Duração: 130 min
Título original: Melancholia 
País: Dinamarca 

Kirsten Dunst ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 2011 e o filme ganhou o prêmio de melhor filme Europeu de 2011 nos Prêmios do Cinema Europeu. 

Inspirado num episódio depressivo do diretor Lars Von Trier. 


Comecei a assistir ao filme e me veio a sensação de algo parado, chato, um tédio, e foi quando tive a percepção que eu estava assim devido a força deste filme, ou seja, me sentindo "melancólica". 

Duas irmãs, Justine(Charlotte Gainsbourg) e Claire (Kirsten Dunst) , e de imediato me lembrei da Justine de Sade. O Prelúdio - Tristão e Isolda de Wagner, cenas em câmara lenta, imensamente lento. Começa a primeira parte - Justine. É seu casamento, uma limusine imensa que não consegue fazer as curvas da estrada que leva à mansão onde os convidados esperam para a festa. 
Permito-me o pensamento de que não conseguir fazer curvas numa estrada é como parar na vida que é repleta de curvas, e você fica ali, tentando, vai para frente, vai para trás, tenta virar um pouco, e não sai do lugar. 
Um casamento e uma festa luxuosa, que o cunhado pagou e fica a todo instante relembrando isto ao mesmo tempo que elogia seu campo de golfe. Um chefe que mesmo no dia da festa só pensa em trabalho, um pai que erra seu nome, a chama de Bety como a todas as outras e não a escuta e lhe pergunta; você está feliz? Uma mãe que não aprecia nada ali e tem horror a casamentos e uma irmã que não desgruda, chamando-a, orientando-a, lendo o cerimonial e Justine oscila entre o sorris e o apagar. 
Que teatro! ela escapa a todo instante, volta com um sorriso forçado, mas ninguém repara. Ela chega a ir tomar um banho durante a festa, talvez para tirar tudo isto, esta pele falsa.


O casamento se desfez ali mesmo. Ao chefe ela fala o que pensa dele, talvez o único momento que ela reage, e ele vai embora furioso. Assistimos a entrada na depressão de Justine.
Segunda parte - Claire. Casada com um milionário - John (Kiefer Sutherland)  que se acha um cientista. Tem um filho. Um planeta se aproxima em rota de colisão com a terra e Claire está apavorada, mas seu marido a acalma. Justine piora e vai para a casa da irmã. Sua comida preferida tem gosto de cinzas, ela não quer tomar banho, está sempre cansada, perdeu o gosto pela vida. 
Claire acompanha pela internet os movimentos do planeta, chega a comprar um veneno para suicídio. Justine parece melhorar, mas não readquire o sabor da vida e Melancolia se aproxima. 
Não há mais colorido, imaginação, a vida é má, para que viver diz Justine. Ela se banha na luz de Melancolia. 
Quando o marido nota que o planeta vai colidir ele se mata, Claire se desespera, luta, tenta fugir com o filho, mas percebe que não adianta. Justine aceita e espera, mas é neste momento que ela surpreende, pois é quem tem a imaginação da caverna mágica que constrói junto com o sobrinho onde os três se juntarão de mãos dadas.




Lars Von Trier nasceu em 1956 em Kongens Lyngby na Dinamarca. É um dos principais cineastas atuais, e seus filmes falam da angústia e depressão, do sofrimento humano, do medo da morte. Talvez um dos motivos deste lado depressivo seja pelo fato de sua mãe ter revelado em seu leito de morte que seu pai não era quem ele pensava, mas outro retirando-lhe desta forma suas referências.


Música - Tristan und Isolde - Richard Wagner