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terça-feira, 1 de setembro de 2015

DOCUMENTÁRIO: SARTRE POR ELE MESMO - 1976


Direção: Pierre-André Boutang e Guy Seligmann - 1976
Duração: 187 min
Título Original: Sartre par lui même
País: França

O documentário nos mostra 03 horas de entrevistas com Jean-Paul Sartre respondendo a todas perguntas feitas sobre sua vida, sua obra, e seu percurso intelectual e político. Filmado em seu apartamento ou no de Simone de Beauvoir, estão presentes além dos dois, Jacques-Laurent Bost, André Gorz, Jean Pouillon, Marie Olivier, François Périer e Serge Reggiani. 



Sartre fala de sua infância com seus avôs, sua mãe, o casamento desta em segundas nupcias, sua vinda para Paris onde conhece Paul Nizan e em seguida Simone de Beauvoir, seus primeiros contatos com a filosofia e sua rejeição da psicanálise freudiana e do surrealismo em voga na época. Inicialmente Sartre não se interessa pela política, irá para Berlim em pleno nazismo e estudará a fenomenologia de Hegel. Será quando ficar preso num campo de prisioneiros que despertará para o mundo. Até este momento Sartre havia ignorado o nazismo, a guerra civil da Espanha, dedicando-se totalmente a escrita do "O ser o nada". Também publicou "A Náusea". 

Após escapar do campo de prisioneiros ele começa sua atuação política, inicialmente através do teatro, como a peça "As moscas" falando de forma simbólica sobre o regime de Vichy. Após a guerra sua obra se torna conhecida e célebre, o momento é oportuno, todos querem viver e esquecer a guerra. A França passa a respirar o existencialismo, é algo além da filosofia, se torna social. Sartre e Beuavoir fundam a revista "Temps Modernes", e passam a tomar parte ativa nos acontecimentos políticos, Sartre se torna um intelectual engajado, ativo. Ele fala sobre sua participação no partido comunista e sua saída, sobre a viagem à Cuba, sua militância sobre a questão da Argélia. Recusa o prêmio Nobel de literatura. E nos fala de maio de 1968.

O documentário é o percurso, a trajetória de vida de Jean-Paul Sartre e de todos os acontecimento políticos e sociais vividos por ele. Vale para conhecer além deste grande filósofo e escritor também toda uma época da história.

Pierre-André Boutang nasceu em 1937 em Paris e faleceu em 2008 na Córsega, França

Guy Seligmann 

domingo, 2 de março de 2014

FILME: EU, PIERRE RIVIÈRE, QUE DEGOLEI MINHA MÃE, MINHA IRMÃ E MEU IRMÃO - 1976



Direção: René Allio - 1976 
Duração: 124 min 
Título original: Moi, Pierre Rivière, ayant égorgé ma mère, ma soeur et mon frère. 
País; França 

Baseado no livro de Michael Foucault com o mesmo título

As relações entre a psiquiatria e a justiça penal.

Em 1835 em Aunay no interior da França - Normandie, um jovem camponês, Pierre Rivière assassinou sua mãe grávida de 7 meses, sua irmã de 18 anos e seu irmão de 7 anos a golpes de foice degolando-os. O que o teria levado a cometer tão horrível crime que chocou a França?

A reconstrução do episódio filmado no mesmo local com a participação de camponeses locais, é realista e impactante.

Pierre representando por Claude Hébert,  cometeu o crime e pensa em se entregar e receber a gloria com isto por ter livrado seu pai, mas acaba fugindo pela floresta até ser preso. Na prisão ele pede papel para escrever sua história que começa com Eu, Pierre Rivière, que degolei minhã mãe,minha irmã e meu irmão....

Uma parte do filme vai ser o relato de Pierre, mostrando segundo o que ele escreve o que aconteceu. Paralelamente haverá os interrogatórios e as testemunhas que serão chamadas para falar de Pierre. A história chama a atenção dos principais magistrados e médicos entre eles Esquirol, mas só tomará a dimensão atual após ser encontrado por Michael Foucault este manuscrito escrito pelo jovem que vemos no filme.

O relato de Pierre conta que ele odeia sua mãe por ela humilhar seu pai. É uma mulher briguenta que se desentende muito com a mãe e com o marido, vive comprando e gerando dívidas para serem pagas pelo marido, está sempre num vai e vem da casa que herdou dos pais para a casa do marido, acusa-o de roubá-la, de levar seus filhos, inclusive de um que morreu que ela alega se pudesse estar ao seu lado não teria morrido. O pai é um homem de bem, mas é fraco, acaba sempre fazendo as vontades da mulher e paga todas as suas dívidas. Pierre acredita que todos debocham dele, que estão ao lado da mãe, que a justiça protege as mulheres e que elas sempre ganham mesmo estando erradas. Ele tem dificuldades com as mulheres, e não consegue se relacionar com as moças da vila onde mora. Acaba sendo um solitário. O interessante é que enquanto assistimos ao seu relato ele está de cabeça erguida, acredita estar fazendo o bem e protegendo ao pai.

Os relatos dos moradores falam de um Pierre que olhava sempre para baixo ou de soslaio, pratica maldades horríveis com animais como pássaros e sapos, trata mal o cavalo da família, tem opinião forte e não aceita ser contrariado, se comporta de forma estranha, foge das pessoas, principalmente das mulheres. Não há relatos sobre sua mãe ou seu pai, sobre como eram. Eles haviam acabado de se separar legalmente quando ocorreu o triplo assassinato.

Seria ele um alienado ou teria cometido um assassinato frio? É condenado mas tem sua pena comutada ficando em prisão perpétua. Acabará se matando enforcado.

Foi a primeira vez que a justiça se uniu à medicina, à ciência para tentar desvendar um crime.


Assista um trecho



René Allio nasceu em 1924 em Marseille, França e faleceu em 1995 em Paris.