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terça-feira, 28 de abril de 2015

FILME: VA, VIS ET DEVIENS - 2005


Direção: Radu Mihaileanu - 2005 
Duração: 143 min 
Título em português: Um herói do nosso tempo
País: Israel - França 

Ganhador de nove prêmios e teve outras seis indicações. No Festival de Berlim ganhou três prêmios. Na França ganhou o César de melhor roteiro. 

Filme em co-produção - França, Bélgica, Israel e Itália. 

Um dos mais belos filmes que assisti nos últimos tempos. Chorei, ri e torci. 

O título em português não é ruim, mas a tradução do título seria: Vá, viva e venha a ser. 

O filme inicia com um narrador que nos fala sobre acontecimentos recentes mas que poucos conhecem. Vemos fotos reais ao fundo enquanto ele introduz a história dos judeus etíopes negros, os falashas que segundo a tradição são descendentes do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Milhares saíram da Etiópia a pé e buscaram refugio no Sudão, um país muçulmano apegado as regras rígidas da sharia. No trajeto até ali morreram em torno de 4 mil pessoas de fome, doenças, assassinados, torturados. Em 1985 o governo de Israel com a ajuda dos Estados Unidos organizou uma operação para retirá-los que foi efetuada pelo Mossad, a polícia secreta de Israel com aviões. Eles conseguiram retirar em torno de 8 mil pessoas levando-os para Jerusalém. Tudo isto nos lembra o êxodo dos judeus do Egito até a terra santa, e a operação recebeu o nome de Moisés.



Após a contextualização histórica o filme começa num campo de refugiados. Uma mulher acaba de perder seu filho de 09 anos, é Hana (Mimi Abonesh Kebede), ele morre em seus braços de fome. Naquela noite há um avião, e Hana é uma das escolhidas para ir. Vemos então uma mãe (Meskie Shibru Sivan) que acorda seu filho e ordena que ele vá. Ele não quer ir, não quer deixar sua mãe, mas ela é taxativa - Vá, viva e venha a ser!


Ele então vai com Hana. Na hora do embarque eles perguntam que garoto é aquele se seu filho morreu naquela manhã, mas o médico a socorre e diz que não, que ele conseguiu salvar a criança. Ele embaca com Hana rumo a Jerusalém. A questão é que este menino não é judeu, é cristão, mas terá que se passar por um judeu. Adota o nome do filho morto de Hana, Salomão - Schlomo (Moshe Agazai). O filme irá acompanhar a vida dele até a vida adulta, já nos anos 2000.


É tocante, é belo, é triste, mas é um hino à vida, exatamente o que sua mãe lhe desejou - Vá, viva e venha a ser!, mas ele nunca esquecerá sua mãe, e sempre olhará para a lua, sempre se direciona para o sul onde fica o Sudão, tem um olhar profundamente triste, de dor. Um dia ele sai do lugar onde está acolhido e se encaminha em direção ao Sul, e todos decidem que ele não pode ficar ali, mas é o psicólogo que diz: ele vai para o Sul, onde está sua mãe. Resolvem então que ele tem que ir para adoção. 

Ele será adotado por um casal Yaël (Yaël Abecassis) e Yoram (Roschdy Zem) que já tem dois filhos. Há uma cena onde Yaël é comunicada pela escola que terá que encontrar outra para o menino porque os pais tem medo que Schlomo transmita doenças aos seus filhos. Ela reage, fala o que precisa ser dito e beija, abraça, lambe o menino mostrando que é um ser humano, uma criança e que não oferece nenhum perigo.

Se apaixonará por Sara (Roni Hadar) e ela por ele e ambos terão que enfrentar o preconceito da família dela.



O filme além de mostrar a vida de Schlomo tem como pano de fundo a história de Israel também, como atentados suicidas em Jerusalém, o medo dos ataques com bombas venenosas, a assinatura dos Acordos de Oslo com Bill Clinton entre Yasser Araft e Yitzhak Rabin em 1993, e o assassinato deste último. 

O final do filme é extremamente emocionante, dolorido e belíssimo. 

Schlomo teve que viver sua vida carregando o segredo de sua origem, de sua família, usando o nome de um garoto morto com 09 anos no campo de refugiados. Ele terá que mentir, aprender sobre o judaísmo, tudo isto para viver. Enfrentará o preconceito racista entre os judeus. Até o dia que vai se abrir e dizer a verdade, então saberemos mais sobre sua história e da culpa que ele também carregava, achando que havia sido castigado pela mãe. Somente então ele vai perceber que ela o mandou embora por amor, para lhe salvar a vida. Mas apesar da dor, da separação, das lembranças traumáticas Schlomo irá aos poucos vivendo e finalmente ele poderá vir a ser, ele mesmo. 

É triste vermos que o preconceito, o racismo está no humano, inclusive no meio de um povo que foi um dos mais vitimados por isto, que também teve que fugir, adotar nomes falsos, teve que se converter forçosamente ao cristianismo para salvar a vida, e infelizmente o que vemos é que tudo se repete, mesmo entre aqueles que sofreram a mesma coisa. 

A trilha sonora é belíssima. 


Radu Mhaileanu nasceu em 1958 em Bucareste, Romênia. É judeu e está radicado na França 

Trilha sonora: Armand Amar


Every Time

Toda vez que você diz adeus
Quebra meu coração um pouco
E, para cada vez que eu fiz você chorar
Você sabe que eu morro um pouco
Porque eu te amo...
Eu te amo como o trovão ama o 
relâmpago...
Como o vento ama a chuva

Toda vez que você diz adeus
Eu vejo o amor é...
Eu vejo o amor é uma força e uma 
fraqueza
E, para cada vez que eu fiz você chorar
Eu sinto a ternura
E o amor que há entre nós

Oh quando você andando 
na sombra do vale
Oh eu vou estar andando a seu lado
Para tirar a escuridão longe

domingo, 18 de janeiro de 2015

FILME: PLUS TARD TU COMPRENDRAS - 2008


Direção: Amos Gitaï - 2008
Duração: 89 min
Título em português: Mais tarde, você compreenderá

Cinebiografia sobre a mãe de Catherine Clément

Comecei a ler o livro de Memórias de Catherine Clément e logo nas primeiras páginas ela fala de sua infância e de sua mãe, Rivka, judia, que teve seus pais deportados e mortos na Segunda Guerra. Seu irmão Jérôme Clément escreve sobre a história de sua mãe e é este relato que se transformou neste filme. Interessada procurei o filme, mas só o encontrei na internet em francês, que é minha língua materna. Assisti ao filme. 

No filme logo no início quando Victor visita o memorial em Paris aos judeus mortos na Shoah, vemos ao fundo a própria Catherine Clément e seu irmão Jérôme que fazem esta pequena aparição no filme. 

O filme mudará os nomes dos personagens, sendo que Victor (Hippolyte Girardot) será o irmão, e Tania (Dominique Blanc) é Catherine. 

Jeanne Moreau é Rivka, maravilhosa como sempre. O filme começa com a televisão mostrando o início do processo de Klaus Barbie, Rivka não suporta ouvir. Victor chega para jantar com ela, ele está buscando a história de sua família judia, tenta lhe fazer perguntas, mas Rivka desliza, ela não responde. Ele acaba de encontrar uma carta onde seu pai se declara ariano, assim como à filha Tania, mas a mãe como judia, o que o revolta. Ele ainda não havia nascido nesta época. Tania lhe mostra que seus pais fizeram o que todos fizeram, acreditavam no governo Francês, não imaginavam o que iria acontecer, mas ainda assim ele protegeu a filha declarando-a católica e ariana, e que com certeza Rivka sabia disto e esteve de acordo. 

Rivka está muito doente e em breve vai morrer. Ela nunca falou de sua família judia, do que aconteceu com seus pais, o que ocorreu com a maioria das pessoas após a guerra, a negação, ela acreditava que não contando protegia o filho, que era seu predileto, com o qual tinha maior ligação. Com isto o filme também reflete as relações de mãe-filho. 

Victor ficará indignado ao descobrir que o apartamento onde moravam seus avós paternos era o de seus avós maternos, ele foi lá durante anos e nunca lhe foi dito nada sobre isto. Ao final Rivka fala aos seus netos, filhos de Victor, os leva à Sinagoga e entrega ao garoto a estrela amarela que guardou durante anos e lhe pede para nunca esquecer. 

Quando Rivka morre é o tempo que a França reconhece sua culpa pelo colaboracionismo sob o governo de Vichy e por não ter protegido seus judeus franceses. Victor vai até a comissão onde é feito o levantamento dos bens para uma compensação financeira aos familiares, numa tentativa de reparar, principalmente pelo lado simbólico deste ato é necessário. Não mudará a história, mas simbolicamente há o reconhecimento da culpa e do erro. 

Há muitos detalhes neste filme que também remetem à Catherine Clément, que percebemos de onde vem, como por exemplo, ela gosta de falar das vacas sagradas da Índia, foi viver na Índia, mas sua mãe já era uma Hinduísta e dizia que queria renascer como uma vaca, mas uma vaca indiana, sagrada, pois assim não teria que ter medo de ser morta. 

Também a questão de não falar, de acreditar que assim se protege o outro, mas não é possível, a herança psíquica está ali, e vai vir a tona, o recalcado sempre retorna. 
  


Amos Gitaï nasceu em 1950 em Haifa, Israel. 

Jerome Clément 
Catherine Clément 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILME: APROXIMAÇÃO - 2007



Direção: Amos Gitai - 2007 
Duração: 115 min 
Título original: Disengagement 
Roteiro: Amos Gitai e Marie-Jose Sanselme
País: França - Israel - Itália - Alemanha 

Sou fã de Juliette Binoche, e não podia perder mais este filme com ela.

Após a morte de seu pai Ana (Binoche) vê segredos de sua vida virem à tona na leitura do testamento. É hora de enfrentar a realidade e acertar as contas com seu passado. Ela terá que ir para Israel, justamente quando está sendo feita a retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza à força pelos soldados israelenses.

Um soldado Israelense, Uli (Liron Levo) vai para a França ao encontro de sua irmã adotiva Ana para velar o corpo do pai.Ela está alegre demais e se insinua para o irmão, mas após a abertura do testamento do pai as coisas mudam e ela tem que ir junto com o irmão para Israel. Na chegada terão que se separar e começa a jornada de Ana ao encontro de seu passado.



Uma cena me marcou, no início do filme, quando se vê o efeito do poder que uma farda, uniforme e cargo pode conferir ao outro. E o reencontro de mãe e filha. Uma criança ainda agarrada ao seu urso, mas que vive como um adulto naquela região em meios aos conflitos.


Françoise (Jeanne Moreau) é quem passará a Ana as informações sobre a relação de seu pai com a neta. A a cantora lírica Barbara Hendricks também faz uma participação cantando.

Veja o trailer



Amos Gitai nasceu em 1950 em Haifa, Israel.