segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

DOCUMENTÁRIO: IVÁN - 2015


Direção: Guto Pasko - 2015
Duração: 109 min
País de origem: Brasil

Um documentário tocante sobre Iván Bojko, um ucraniano que sobreviveu a Segunda Guerra Mundial, fugiu para o Brasil e veio para Curitiba no Paraná. Nunca mais reviu sua família e seu país, passados 68 anos eis que surge a oportunidade.

O melhor do filme é que é o próprio Iván, e a filmagem ocorre em tempo real, ou seja não se trata de contar a história, mas de vivê-la junto com ele. A emoção, os reencontros, o rever sua terra, a casa dos pais, os amigos, e principalmente o reencontro com sua irmã. 

Eu pessoalmente revivi neste filme o que minha mãe viveu ao retornar para a Bélgica após 30 anos sem ir, a emoção e o tempo que demora para se conscientizar ao ganhar a passagem, o mesmo que ocorre com Iván, um dos momentos de muita emoção do documentário, o reencontro com sua irmã, o não reconhecimento acompanhado da certeza de estar lá, tudo mudou, não é mais como era, mas ao mesmo tempo é. 

O filme traz como pano de fundo o diário de Iván, nos mostra o que ele viveu na guerra, para que possamos acompanhar este percurso de vida deste homem que tem noventa e poucos anos, mas é de uma força inacreditável. Em 1942 ele foi retirado à força de seu país pelos nazistas para realizar trabalhos forçados na Alemanha. Era para ser o filho mais velho, que seria sua irmã, e ele diz que não, que ela não vai, e toma seu lugar. Em 1948 foge para o Brasil. 

É a história de muitos, dos que sobreviveram, tiveram que fugir, ficaram apátridas, foram acolhidos em outros países. O que chama a atenção levando em consideração o mundo atual, é que estes imigrantes foram acolhidos, Iván recebeu inclusive a cidadania brasileira, e também se integraram ao seu novo país. Ele em determinado momento diz que nunca voltou por medo, que é o medo que o segurou no Brasil e que nunca mais pensou que iria voltar, nem em sonhos. Interessante uma vez que meus pais também tinham este medo, e nunca mais desejaram morar na Europa. 

Mesmo com seus noventa e poucos anos, no momento que ele entra na casa dos pais, que está abandonada, ele chora como uma criança, ele se torna uma criança que chama pelo pai. O infantil que fica em nós e que nunca nos abandona. 

O filme é uma lição de vida, de coragem, de determinação, mas também de aceitação da vida como ela é. Vale a pena assistir!

Guto Pasko