terça-feira, 24 de novembro de 2015

FILME: PHOENIX - 2014


Direção: Christian Petzold - 2014
Duração: 98 min
País de Origem: Alemanha

Nelly Lenz (Nina Hoss) é uma sobrevivente de um campo de concentração nazista. Ajudada por sua única parente viva, Lene (Nina Kunzendorf) ela passa por uma cirurgia, pois seu rosto está desfigurado. Após retirar as bandagens ela não se reconhece no espelho o que a angustia. 

Com a morte de seus parentes Nelly é herdeira de uma grande quantia de dinheiro, e foi isto que possibilitou a cirurgia de reconstrução de seu rosto. Lene quer ir embora, ir para Israel e tenta convencer Nelly a ir também, porém esta deseja reencontrar seu marido Johnny (Ronald Zehrfeld) ao que Lene se opõe alegando que ele esteve envolvido em sua captura pelos nazistas. 

Porém Nelly não se convence e parte em busca do marido, encontrando-o trabalhando na boate Phoenix. Ele não a reconhece, mas percebe uma semelhança com sua esposa e faz um proposta de transformá-la em Nelly para poder ter acesso a herança que ela tem direito, mas para isto tem que estar viva o que Johnny pensa não ser possível. 

Nelly era uma cantora, e agora em meio aos escombros e diante de um marido que não a reconhece e do qual se suspeita a tenha entregue aos nazistas para se safar quando foi preso, ela tem que reconstruir sua identidade. É o se recriar, e se recuperar diante do trauma. 

O que ela tenta é voltar ao passado, é recuperar sua vida, ao contrário do que Lene lhe fala, em criar uma nova vida, em outro lugar, ela quer de volta o que era. O filme trata de traumas, de não se saber mais quem se é, de perceber de que se está morta para aqueles que se ama, que não tem mais identidade, de que não é mais quem era. 

Sobreviver a um campo de concentração, ter vivido o horror, e se encontrar com a desolação, com um não-lugar, com a destruição, e ainda ter que construir algo novo para si mesmo, ao invés de ser acolhido após tantos traumas. Aos poucos vamos assistindo ao mergulho de Nelly em seus medos enquanto tenta mentir para si mesma. É difícil enfrentar o real que se impõe, estar ao lado do homem que foi seu marido, e que agora é um estranho que não a reconhece, até chegarmos ao momento final do filme, de sua libertação, a partir do momento em que ela desce do trem, de uma beleza sensível e indescritível. 


Christian Petzold nasceu em 1960 em Hilden, Alemanha