segunda-feira, 9 de novembro de 2015

LIVRO: IDENTIDADE E VIOLÊNCIA a ilusão do destino - AMARTYA SEN


Sen, Amartya. 1ª ed. Iluminuras, 2015
208 páginas
Tradução: José Antonio Arantes
Título Original: Identity and violence: the illusion of destiny

Um livro muito atual. O que Amartya defende é que não devemos considerar o outro por uma única identidade aglutinadora, uma vez que as pessoas são muito mais do que uma única identidade. Ao fazer isto, por exemplo, considerar os muçulmanos todos como terroristas, estamos alimentando um discurso de ódio que acaba levando à violência, sendo que a realidade é que alguns terroristas são muçulmanos. 

Um outro ponto extremamente importante é a questão de confusões conceituais que também leva à violência. Ele cita a globalização como um dos exemplos. Há uma ideia generalizada de que a globalização é algo ruim, e que acaba empobrecendo muitas pessoas além de explorá-las. É um fato que realmente isto ocorre, porém a globalização é muito mais do que isto, uma vez que sem ela não haveria a troca de ideias, a troca da ciência, da literatura, do saber. Então a questão não é a globalização em si, mas em como ela opera em diferentes setores. Ele também levanta a questão da ideia falsa de que a democracia seria algo ocidental. Se pensarmos a democracia como a possibilidade de todos participarem não é possível dizer que o Oriente não foi e não pode ser democrático, pelo contrário, é possível ver que a democracia neste sentido surgiu lá muito antes do que na Grécia. 

A questão nisto tudo é que acabamos cristalizando certas ideias e conceitos sem ampliar nosso pensamento o que nos leva infelizmente à pré-conceitos. 

Amartya cita o exemplo da Índia, um país considerado hindu e que tem um número maior de muçulmanos no país. Mas as pessoas são muito mais do que isto, se identificam com sua profissão, com sua situação social, com sua família, com sua língua e muito mais.

Um dos pontos forte do livro é a questão da falsa oposição entre Ocidente e Antiocidente que acaba sendo utilizado para criar ressentimentos que permitem os atos terroristas. É fato que certas atitudes e comportamentos de alguns países ocidentais acabaram criando este ressentimento, porém, é a insistência nesta divisão que alimenta o ódio, e não é apenas do lado do Oriente que isto é utilizado, pois quando os Estados Unidos alega ser difícil ou impossível "impor" a democracia no Iraque está fazendo a mesma coisa. Quando se pensa desta forma, agindo contra o outro, não se está se libertando do outro, pelo contrário, é uma mentalidade de colonizado.

Vale a pena ler o livro, aprendi muito com ele e sacudi um pouco minhas ideias e isto é sempre muito bom.

Amartya Sen nasceu em 1933 em Santiniketan, Índia. É economista e recebeu o Prêmio Nobel de 1998 pelas suas contribuições à teoria da decisão social e do "welfare state".