terça-feira, 28 de julho de 2015

LIVRO: QUE FIM LEVOU JULIANA KLEIN? - MARCOS PERES



Peres, Marcos. 1ªed. Record, 2015
347 páginas

Um livro que traz como cenário Curitiba tanto a de Dalton Trevisan como a do Batel. 

Um delegado de polícia de Maringá é chamado para ajudar num caso em Curitiba. Irineu chega no aeroporto Afonso Pena e se dirige para o casarão do Batel para encontrar Gabriela Klein, a filha de Juliana que está traumatizada com o último episódio sangrento da família. Aos poucos Irineu vai nos contando esta história que começa na Alemanha, a briga filosófica entre os Klein defensores da filosofia de Nietzsche e os Koch, que agora são professores da Universidade Federal do Paraná e da Puc.

O desaparecimento trágico de Juliana Klein foi precedido por outros assassinatos como o de Teresa Koch, professora da Puc, assassinada no teatro Guaíra pelo marido de Juliana após uma conferência onde ela defende que o destino não existe.

Irineu foi o responsável pela prisão de Salvador, o marido de Juliana, e se apaixonou por ela lhe prometendo proteger sua filha Gabriela. Agora diante de mais um assassinato,desta vez de Mirna Klein, a irmã de Juliana, ele volta a se envolver nesta eterna briga de famílias.

Ao longo das páginas somos informados do passado e acompanhamos as novas ocorrências trágicas que envolvem estas família e de sua briga dita filosófica. Juliana sempre dizia que tudo se repete, tudo retorna, e explicava para Irineu o pensamento do Eterno Retorno de Nietzsche, que tudo se repetiria.

Um romance policial filosófico onde a resposta para o mistério se encontra na filosofia de Nietzsche. Não quero me adiantar mais para não tirar o prazer de quem for ler o livro, mas me permito ter um enfoque por outro viés, ou seja, pela psicanálise. Aliás, sempre encontro um paralelo muito grande entre Nietzsche e Freud.

O Eterno Retorno de Nietzsche e a herança psíquica são muito próximos, e é o que veremos no decorrer do livro. A repetição de tudo, com a diferença que  podemos romper o círculo da repetição ou o tempo cíclico de Nietzsche, desde que conheçamos o que move o inconsciente e que nos faz sempre repetir e que acabamos passando aos nossos filhos. E no livro percebemos isto, o quanto tudo se repete e volta, e retorna, só que a ruptura não ocorre.

O autor também se utiliza da Divina Comédia de Dante, com a inscrição da porta do inferno onde contém uma aviso sobre deixar toda esperança do lado de fora, e na porta do quarto de Gabriela tem uma placa que diz que ali tem esperança. Associando a filosofia de Nietzsche o que realmente isto quer dizer é que a esperança é algo que se projeta, algo que se espera, e com o eterno retorno ela deixa de existir.A questão é um tanto religiosa, ou seja, não há vida após a morte, não há esperança que algo mude, exceto no aqui e agora. O inferno é o aqui, o presente, o único lugar onde se pode fazer algo de bom que então irá se repetir.

Ao final do livro teremos três versões para o que aconteceu, mas eu não deixo de fazer uma pergunta em relação à uma das pessoas assassinadas e que é: como o corpo foi retirado da mansão? O que deixa em aberto mais uma possibilidade que foi levantada pelo delegado Irineu já no final da história.

Marcos Peres nasceu em Maringá - PR.