segunda-feira, 22 de junho de 2015

DOCUMENTÁRIO: ANGANO... ANGANO... CONTOS DE MADAGASCAR - 1989


Direção: César Paes e Marie-Clémence Paes Blanc - 1989
Duração: 63 min 
Título Original: Angano... Angano...
País: Madagascar 

Recebeu o Grand Prix 30º Festival dei Popoli Florence - 1989 e o Prix des Bibliotheques - 11º Cinema du réel - Paris - 1989

Angano... significa história, contos.
Contos... Contos...
nada além de um conto
Não sou eu quem conta mentiras
mas os ancestrais
...  e é assim que eles ouviram também. 

O filme documentário mostra a cultura viva do povo Malgaxe que resistiu desde a independência formal em 1960, a regime neocolonialista, um governo autárquico de esquerda e dificuldades econômicas que se mesclam com depredação ecológica. 
A colonização francesa tentou suplantar a cultura local, mas a história oral é que é a verdadeira história deste povo, e esta resistiu e sobreviveu. 
Através de vários narradores as histórias são contadas, a tradição, os rituais, o parentesco, os rituais fúnebres, festas e a divisão social entre homens e mulheres. 


Seu principal alimento é o arroz. A Ilha sofre com a situação econômica, e com a crise ecológica provocada pela remoção de suas florestas para plantio, uma prática que se generalizou durante a ocupação francesa. 



Os contos são para educar as crianças e explicam as origens das coisas. O arroz surge devido um rapaz que pede a Deus uma companheira, como ela não gosta da terra e sente fome decide voltar para o céu levando ele junto. Deus se recusa a fornecer o arroz, eles então dão arroz para várias aves e partem com elas, matando-as para recuperar os grãos que estão nas aves e plantá-los. O conto sobre o sacrifício dos zebus é um alerta sobre a ganância e falta de reverência. A questão da divisão social é explicada por um casal que o marido dormia sempre e um dia a esposa muito zangada joga um balde de pedras em cima dele que se transforma em dinheiro. Como ambos queriam o dinheiro Deus interviu e disse que cada um poderia levar o que conseguisse carregar da forma tradicional. Ocorre que a mulher carrega tudo na cabeça, e o homem nos ombros com o auxílio de uma vara, o que resultou que o homem pode carregar o dobro da mulher. Então a divisão ficou sendo 2/3 para o homem e 1/3 para a mulher. 



Além disto os malgaxes devem ser enterrados junto aos seus ancestrais, diferente dos ocidentais que não dão importância á isto, enterrando normalmente na cidade onde a pessoa morreu. Mas o que mais me chamou a atenção é o ritual de desenterrar os mortos. Eles fazem isto na estação do frio, retiram os mortos da sepultura em esteiras, e o envolvem numa mortalha de seda. Antes passeiam com ele por entre a multidão dançando, e todos estão muito alegres. 

Um dos narradores nos diz que o homem é um estrangeiro de passagem, e que por isto pertencer a uma nação é uma ilusão. Interessante e que nos faz pensar sobre a questão atual do racismo. Somos todos estrangeiros.

Madagascar - República de Madagascar, anteriormente conhecida por República Malgaxe é um país insular no Oceano Índico que ocupa a maior ilha do continente Africano. 

Marie-Clémence Paes Blanc nasceu em Madagascar de mãe Malgaxe e pai francês e César Paes nasceu em 1955 no Rio de Janeiro, Brasil. São casados