sexta-feira, 26 de junho de 2015

FILME: UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA - 2015



Direção: Roy Andersson - 2015
Duração: 100 min
Título Original: En duva satt pa en gren och funderade pa tillvaron
País: Suécia, Noruega, Alemanha e França 

Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza em 2014 

Um filme para refletir muito. Qual o sentido da vida, se é que tem? ou será que cada um deve construir este sentido, o que é mais provável? O filme é um soco no estômago. 

Logo no início vemos um casal num Museu de história Natural. O homem observa pássaros empalhados e se detém em frente a um pombo pousado num galho. 

O filme é melancólico, poucas cores, tépido, mas é justamente assim que é a vida de dois vendedores Sam (Nisse Vestblom) e Jonathan (Holger Andersson)  de artigos para divertir os outros, sacos de risadas, dentaduras de vampiro e a máscara do tio banguela. Os dois estão sem ânimo e cansados. Vivem num condomínio extremamente controlado por um porteiro que exige que todas as regras sejam cumpridas. 

Vamos vendo as pessoas em seu dia a dia, sem graça, sem novidades, tudo se repete, a vida passa. Mas se prestarmos bem atenção nos veremos refletidos ali também. Se pararmos para pensar no quanto nossos dias são tão repetitivos também, no quanto nos falta de vivacidade, alegria, capacidade de ouvir o outro ou mudar algo. Onde está o prazer. Jonathan tem um pensamento: é correto usar as pessoas para seu próprio prazer? Nesta pergunta se reflete muito do filme, onde as pessoas subjugam as outras, seja pela autoridade, pelo desprezo, pela indiferença, pelo sadismo ou pelo poder gerando um gozo com isto. Mas quem se deixa levar por isto também gosta sem o saber, também retira um gozo disto e pode justificar a vida e suas mazelas colocando sempre no outro a culpa como em determinado momento que Jonathan diz a Sam que foi ele quem teve a ideia, e o repete várias vezes. 

O filme vai mais fundo em uma crítica ao Homo Sapiens, mostrando um laboratório onde um macaco sofre choques enquanto a pesquisadora fala ao celular. 

E mais quando nos mostra uma cena onde pessoas são queimadas vivas dentro de um tubo com o nome da mineradora Sueca - Boliden AB, em uma referência ao desastre ocorrido no Chile nos anos 80 com esta empresa. As pessoas assistem vestidas em roupas de gala a este evento. Mas isto também remete ao holocausto e muitos outros atos bárbaros dos quais o ser humano, o homo sapiens é capaz. 


Ao final vemos as pessoas aguardando o ônibus e duas pessoas comentam que é mais uma quarta-feira, igual a todas as outras. Uma das pessoas que aguarda pensa que é quinta. Não, é quarta! e existe alguma diferença? Alguém explica que se não for assim o caos se instaura. Se não seguir as regras, a sociedade, o caos se instaura. 

O filme nos leva a refletir a existência, em vários momentos ouvimos o pombo arrulhando, mas ele não aparece, ele observa, e me coloco como um pombo assistindo a este filme. A vida passa, os dias da semana se repetem, mas se repetem por serem nomeados, no real é um dia após o outro, uma noite após a outra, tudo igual, quem nomeia, quem da cor a vida somos nós. Ao perceber o quanto somos parecidos com estes vendedores de várias maneiras, seja nas queixas, seja na falta de ânimo, seja na repetição, seja na falta de sentido ou no cansaço, é bom parar e pousar num galho para refletir. Refletir sobre como vivemos a vida, se não há algo para mudar e ser mais feliz, menos melancólico, menos repetitivo, e assumir a responsabilidade por esta vida. 

O filme é o último da trilogia sobre a humanidade, cujas obras anteriores são Canção do Segundo Andar (2000) e Vocês, os vivos (2007). 


Roy Andersson nasceu em 1943 em Gotemburgo, Suécia

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