domingo, 14 de junho de 2015

FILME: CET AMOUR-LÀ - 2001


Direção: Josèe Dayan - 2001
Duração: 94 min
País de Origem: França 

Adaptação livre do romance Cet Amour-là de Yann Andréa de 1999, editora Pauvert. 

Yann Andréa (Aymeric Demarigny) leu os livros de Marguerite Duras (Jeanne Moreau) e passou a ter uma admiração incondicional por ela. Durante cinco anos ele escreveu para ela todos os dias. Ela não lhe respondia, e ele não esperava, mas esperava uma carta, até que um dia houve uma resposta. Em julho de 1980 ele decide ir vê-la em Trouville, onde ela vive sozinha, uma solidão feliz como ela diz, e reclusa. Ela o conquista com seu charme e ele se encanta por esta velha mulher caprichosa e tirânica que é alcoólica, bebendo cada vez mais para afogar suas angústias. 
Yann se transforma em seu secretário, datilografa seus escritos, passam a viver juntos. A relação que irá durar até a morte de Duras é de amor e ódio, veneração e repulsa. Yann deseja partir, volta. 



Este filme mexeu muito comigo. Duras tem a capacidade de se mostrar de um lado frágil, apaixonada e entregue como uma mulher, mas de outro é o real que ela fala, não mede palavras para expressar o que realmente é. Luta para se libertar e não consegue. Há um momento onde ela diz à ele- são meus livros que você ama, é a escritora que você ama, não eu. 

Ela é cruel. Será? ou absolutamente real? Uma mulher que viveu muito, teve muitos amantes, que conhece seu corpo, mas também tem consciência de sua idade, da velhice, e da idade do jovem. O contraste. Sua música preferida é Capri c'est fini de Hervé Villard, cuja letra diz que é acabado, que não volta. O que não volta é sua juventude, sua vida que se passou. 


Em um momento Duras é internada, sofre de alucinações. Retorna para sua casa. Quando Yann encontrou Duras ela vivia um momento de total falta de inspiração para a escrita, fazia apenas pequenos textos, mas a relação despertou novamente nela o desejo da escrita. Yann se viu frente a mulher que ele fantasiou durante anos, mas ficou, e sem ambições, ele foi o companheiro que Duras precisava nesta época de sua vida. E desta relação nasceram "filhos", ou seja, a criação literária, livros. 




Marguerite Duras e Yann Andréa

Josèe Dayan nasceu em 1943 em Toulouse, França