quarta-feira, 22 de outubro de 2014

FILME: AS INVASÕES BÁRBARAS - 2003


Direção: Denys Arcand - 2003 
Duração: 94 min 
Título Original: Les invasions barbares 

Rémy (Rémy Girard) está com câncer terminal. Encontra-se num hospital público no Canadá e vemos um cenário com corredores repletos de macas com pacientes. Sua ex-mulher liga para os filhos para dizer que é o fim, e pede ajuda a Sébastien (Stéphane Rousseau) que vive em Londres.

Sébastien vem com sua namorada. Num primeiro momento tem um desentendimento com o pai por querer levá-lo para os Estados Unidos onde poderia ter mais conforto e privacidade, seu pai lhe diz que ele lutou pela estatização e que agora tem que aguentar as consequências. Sébastien resolve ir embora, mas sua mãe lhe pede e recorda o quanto seu pai sempre lhe foi dedicado quando criança. Ele fica, mas resolve agir. Seu pai está só, e ele irá ligar para todos seus amigos. Também irá subornar a direção do hospital para que possa utilizar o segundo andar que está vazio e sem uso para poder acomodar seu pai ali onde seus amigos poderiam estar presentes. Para isto também terá que subornar o sindicato. Até aqui temos uma crítica a estatização onde as coisas continuam funcionando como sempre, mas sob outra máscara. Também vemos um homem que não está em boas relações com sua família, sua ex-mulher o deixou por suas traições e os filhos foram embora, cada um para seu lado. A filha também está longe, num barco no Pacífico.

Mas o filme não se prende à uma crítica social, muito pelo contrário. Os amigos virão e será neste convívio que veremos como a vida de Rémy foi boa. Ele ama a vida. O grupo se recorda de suas vidas, de todos os livros e intelectuais que leram, nos quais acreditaram, e como cada um foi passando, todas as ideologias nas quais acreditaram e que depois se mostraram tão ruins quanto o que havia antes, senão pior. Também lembrarão da revolução sexual e da vida livre que levavam buscando orgasmos e prazer no sexo. Mas será Rémy quem dirá que toda sua vida por um tempo ele dormia e sonhava que estava com uma atriz que ele tinha visto em algum filme ou na TV até o dia que ele acordou e percebeu que havia sonhado com o mar do Caribe. A velhice havia chegado.

Sébastien irá atrás de uma amiga de infância que é drogada para conseguir heroína para seu pai, pois isto o ajudaria a enfrentar a dor. A relação dela com Rémy a fará ver a vida de outra forma, pois ela não via sentindo nenhum na vida, viver para quê?

Rémy opta pela eutanásia e é um dos momentos mais tristes do filme, a despedida, mas como lhe disseram, no momento em que ele fechar os olhos outros milhões no mundo também estarão morrendo. A morte faz parte da vida.

Mas o que há de mais forte no filme é que apesar de toda esta aparente futilidade da vida, onde tudo aquilo em que acreditamos de repente de mostra horrível, onde não há sentido em nada, e no caso de Sébastien que vive no mundo atual pragmático, onde se corre a todo instante sem parar, e não se consegue desligar, até que sua amiga joga seu celular na fogueira, o que há de mais belo e válido são os laços afetivos, a família, os filhos e os amigos, aqueles com quem podemos contar na hora que precisamos. Rémy estava só e de repente se viu rodeado de pessoas. No filme isto ocorre num momento difícil, mas é bom prestar atenção e levar isto a sério, na vida o que é mais importante são os laços que nos unem uns aos outros.

Quanto ao título do filme o que penso é que todos estavam vivendo uma vida insignificante e de repente houve uma intrusão, uma invasão em suas vidas, e eles tiveram que se mexer e ir ao encontro de Rémy, e este por sua vez sofreu uma invasão em seu corpo com o câncer.

Denys Arcand nasceu em 1941 no Canadá