domingo, 12 de outubro de 2014

FILME: SAMSARA - 2001


Direção: Pan Nalin - 2001 
Duração: 145 min 

Primeiro filme do meu projeto um tour pelo Mundo.
País: Índia 

Tashi (Shawn Ku) é um jovem monge tibetano que retorna ao mosteiro após passar mais de 03 anos em meditação numa gruta. No caminho de volta ele lê numa pedra: "como impedir que uma gota d'água seque ao sol?".
Tashi retoma sua vida no mosteiro onde está seu cão que o aguardou. A vida destes monges é meditativa, mas eles tem muita alegria, falam, riem, e tem seus rituais que são belíssimos. Numa destas apresentações Tashi vê o seio de uma mulher que amamenta e isto o desnorteia. O Rinpochey pede que o levem à cerimônia da colheita para que respire um pouco de ar. Muitas crianças são levadas para lá pelos pais aos cinco anos de idade para se tornarem monges, mas vê-se que comportam-se como crianças, com toda alegria.




Na cerimônia da colheita ele vê Pema (Christy Chung) por quem se apaixona. Retornando ao mosteiro ele começa a sentir o desejo, se masturba, e Apo (Sherab Sangey) lhe dirá que é preciso escolher. Tashi argumenta que ele foi uma das crianças que desde os 5 anos está na vida de monge, que ele não conhece a outra, e que Sidarta viveu uma vida mundana até os 29 anos, e que talvez ele tenha alcançado a iluminação por ter vivido esta vida antes. Ele parte.

Se casa com Pema e eles tem um filho. Tashi passa a viver como um homem comum, trabalha na colheita, mas aos poucos ele vai descobrir que o mundo tem trapaças, que os pobres são os mais fracos, que os ricos dominam e fazem o que querem, descobrirá a vingança, a violência, e que o desejo é algo que não se sacia. É um aprendizado, "tudo que você contatar é um lugar para praticar o caminho.".

Mas Tashi não vai suportar o real, e então parte de noite para voltar ao Mosteiro após receber uma carta de Apo que acaba de morrer lhe dizendo que numa próxima vida quem sabe ele poderá lhe responder se o que vale mais são mil desejos satisfeitos ou apenas um conquistado. No rio onde se banha ele olhará no espelho que está quebrado, numa alegoria de que somos cindidos, e não absolutos, há muitas opções, e ele agora experimentou a vida no mosteiro e a vida mundana, e isto não se apaga mais.

Pema irá atrás dele e lhe contará a história da esposa de Sidarta e de seu filho, porém Tashi não recua, e ela parte, mas antes lhe entrega o amuleto da boa viagem. Neste momento Tashi descobre a dor, o sentir a dor. Neste momento ele encontra a pedra que viu quando retornava ao mosteiro após sua reclusão na gruta e a virará e terá a resposta à pergunta.

Esta cena com Pema lhe falando é brilhante, ela nos fala do homem e da mulher de uma maneira que todos nós podemos compreender. A resposta da pedra, Pema a havia dado antes num ensinamento para as crianças. Um galho na água do rio onde irá parar? impossível de saber, mas há várias possibilidades, mas para alcançar o fim do rio terá que passar pelas pedras, a correnteza, o redemoinho, a cachoeira, um oceano de obstáculos e a incerteza de chegar lá.

O filme tem paisagens belíssimas e fico fascinada pela diversidade de culturas. Há passagens como o casamento tibetano, o ritual no mosteiro, as músicas, que me encantaram. Antes de abandonar a vida no mosteiro, Tashi irá até um local nas montanhas e verá desenhos eróticos, de uma estética da vida e morte que fiquei impressionada. Sim, o sexo é o antídoto da morte, é vida, dá a vida.



Samsara significa para o budismo tibetano a repetição do nascimento/morte até que se adquira a sabedoria e se torne iluminado.
Pan Nalin nasceu em Gujarate, Índia. Vive entre a França e a Índia.