sexta-feira, 26 de setembro de 2014

FILME: METEORA - 2012


Direção: Spiros Stathoulopoulos - 2012
Duração: 82 min
País: Grécia 

Metéora é um dos maiores complexos de mosteiros do Cristianismo Oriental. Foram construídos sobre rochas de arenito na Grécia Central. Os monges eremitas fugindo dos otomanos encontraram nas cavernas dos rochedos de Metéora um lugar ideal para se refugiarem. Foram construídos em torno de 20 mosteiros dos quais restam atualmente apenas seis, sendo que cinco são masculinos e um feminino. É neste local que o filme se passa.

Theodoros (Theo Alexander) vive em um destes mosteiros. É um monge do cristianismo ortodoxo. Em frente ao seu mosteiro, separados por um abismo e uma rocha onde há uma árvore vive Urania (Tamila Koulieva), uma freira. Os dois se apaixonam e se vêem frente uma escolha entre a fé e o desejo.



O filme é repleto de simbolismos. O que mais me tocou foi o labirinto que é representado através de desenhos animados lembrando a arte bizantina. O labirinto é extremamente simbólico, como um retorno ao centro para enfim alcançar a liberdade, e no filme quando o Theo animado entra nele levando um bola de lã, numa referência ao fio de Ariadne, alcança o centro ele encontra Cristo na Cruz, e então ele lhe prega as mãos na cruz provocando um mar de sangue que o leva de volta para onde está Urania. Para alguns pode simbolizar o inferno, mas o sangue também é a vida.

O desespero é considero o maior pecado, o único que não tem perdão. Mas também pode levar à liberdade e ao amor. No início do filme vemos um retábulo onde Theo e Urania estão separados por uma imagem dos dois mosteiros e Deus acima. Ao final do filme voltamos a este retábulo, mas já com mudanças.



Os mosteiros parecem estar no céu, muito acima do mundo, da vida que corre abaixo dele. E os dois se encontram neste plano inferior. Quando retornam tentam expiar o pecado, ele com orações e ela queimando sua mão, mas o desejo fala, e há uma bela cena de Urania tocando seu corpo se masturbando. Ela tenta não ver os sinais que Theo lhe envia usando espelhos para que o sol brilhe do outro lado, mas finalmente numa lembrança à Rapunzel ela irá estender seus cabelos que crescerão e irão até o outro lado.

O cenário é belíssimo, e podemos ver detalhes dos costumes do povo e também rituais dos monges. De minha parte apenas não gostei do abate de um cabrito para servir de almoço para Urania, feito por Theo. A cena é muito triste, o animal grita desesperado, também desesperado. O filme nos traz em muitos momentos a questão da natureza com a civilização, da razão com a fé, mas principalmente do desejo, e este, será da natureza ou da cultura? Será o urso que come o figo ou o homem? como vemos na animação?


Veja o trailer:


Spiros Stathoulopoulos  nasceu em 1978 na Grécia. Mudou-se com sua família para a Colômbia.

Assista imagens de Metéora na Grécia