Milan, Betty. Record, 2009
165 páginas
Laura vive em Paris com seu filho e o marido Jacques que vive a agonia terminal de um câncer, levando-o a reviver os fantasmas da segunda guerra mundial, dentro de uma semi-consciência.
Após a morte de Jacques ela retorna ao Brasil, sua terra natal, mas ao chegar ao aeroporto não se dirige de imediato para sua família, mas antes ela vai para o centro de São Paulo e ao cemitério Consolação.
O título consolação adquire a ambivalência do nome do cemitério como também a significação do consolo, da aceitação, da consolação não apenas pela morte do marido, mas pelas misérias da vida.
Caminha pelo cemitério e conversa com os mortos, depois segue o conselho de seu pai, e vagueia pelas ruas, conversa com moradores de rua. É uma errância, um perder-se para se reencontrar. Ao ouvir os mortos e os que nunca são ouvidos se dá conta de que ninguém deixa realmente de existir porque morre.
A pessoa que partiu continua viva, ela vive em nós, nas nossas lembranças, memórias, nas coisas que deixou, que fez, ela continua sendo o que foi. É esta a consolação para a perda, e isto é o saber viver.
Betty Milan
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