MARTIN CLARET – 1ª ED.
2018
513 páginas
Paraíso Perdido
é um poema épico do Século XVII, publicado originalmente em 1667, no qual John
Milton reconta, a partir do Gênesis, a queda de Satã, a criação do mundo e a
expulsão de Adão e Eva do Paraíso. A epopeia narra a luta entre Deus e Satã,
que culmina com a expulsão deste e de suas hordas do Céu. Movido pela vingança,
Satã decide destruir a obra recém-criada por Deus: a Terra e seus dois
primeiros humanos.
Após perder o direito de
permanecer no Céu, Satã e seus seguidores - todos anjos decaídos - encontram-se
em um abismo profundo, árido e em chamas: o inferno, cercado por nove muralhas.
O castigo não apazigua sua ira. Dominado pela cobiça, pela inveja e pelo ódio,
Satã descobre que Deus criou um novo Paraíso, no qual uma nova humanidade
poderia, caso permanecesse fiel, serem alçados ao céu e ocupar os lugares
deixados vagos pelos anjos destituídos. É esse conhecimento que o impulsiona a
agir.
Satã parte em busca do Paraíso
e, para isso, alia-se à Culpa e à Morte, que lhe abrem as portas do inferno. Deus,
que tudo vê e tudo sabe, acompanha seus movimentos e anuncia ao Filho que Satã
alcançará seu objetivo: Adão e Eva cairão, e a culpa e a morte recairão sobre
eles. O Filho, então, oferece a própria vida para redimir a humanidade,
proposta aceita por Deus.
Os anjos tentam proteger
o Paraíso. O Arcanjo Rafael vai até Adão e lhe relata os acontecimentos do Céu,
a guerra entre os anjos e a astúcia do inimigo que agora ronda o Éden.
Adverte-o a obedecer ao único mandamento divino: não comer do fruto da árvore
do conhecimento do bem e do mal, do contrário estariam perdidos, assim como
toda a sua descendência.
Adão demonstra fé
absoluta e acredita que jamais desobedecerá, assim como Eva, sua amada esposa.
Satã, porém, descobre a proibição e decide agir por meio da sedução. Sabendo
que Adão seria mais difícil de convencer, escolhe Eva como alvo. Disfarça-se de
serpente – o animal mais astuto – e se aproxima dela enquanto ela cuida do
jardim sozinha. Eva havia sugerido a separação para que o trabalho fosse feito
mais rapidamente. Adão, lembrando-se dos avisos de Rafael, tenta dissuadi-la,
mas acaba cedendo diante da tristeza dela, que interpreta sua preocupação como desconfiança.
Sozinha, Eva encontra a
serpente, que fala com eloquência e persuasão. Assustada, ela questiona como um
animal pode falar, ao que a serpente responde que foi graças ao fruto de uma árvore
que adquiriu tal capacidade. Afirma ainda que o fruto, além de delicioso,
concederia a Eva maior inteligência e a tornaria semelhante a uma deusa. Eva pede
então que lhe mostre a árvore e, ao reconhecê-la como a árvore proibida,
hesita. A serpente a tranquiliza, dizendo estar viva, feliz e saudável. Diante
disso, Eva começa a duvidar da gravidade da proibição e, por fim, come o fruto.
Encantada com o sabor e
com a sensação que experimenta, Eva retorna até Adão e lhe oferece o fruto.
Adão, horrorizado ao perceber o que ocorreu, decide comer também, movido pelo
amor que sente por ela e pela recusa em ter um destino diferente do de sua companheira.
Com esse gesto, consuma-se a queda.
Após o ato, tudo se
transforma. Surge a animosidade entre eles, o amor deixa de ser puro e a
harmonia do mundo natural se rompe. Animais antes pacíficos passam a se perseguir,
alguns se tornam predadores, outros presas. Criaturas que antes lhes obedeciam
tornam-se ferozes. O Paraíso chega ao fim.
Adão e Eva percebem então
sua nudez, e a vergonha – inexistente até então – surge. Cobrem-se com folhas
de figueira, enquanto a culpa e a morte, conforme o pacto com Satã, entram no
mundo. Embora não morram imediatamente, sentem o peso da transgressão. A
esperança persiste, pois Deus, apiedado pelo arrependimento humano, poupa-lhes
a morte imediata graças ao acordo feito previamente com o Filho.
Ainda assim, o castigo
precisa ser cumprido. Deus anuncia que Eva dará à luz com dor, que a serpente
será sua inimiga até ter a cabeça esmagada por uma mulher, e que Adão deverá
trabalhar e suar para obter o sustento. A serpente passa a rastejar. O Arcanjo
Miguel conduz o casal para fora do Paraíso, fecha suas portas e coloca anjos
como guardiões. Antes, porém, mostra a Adão, do alto de um monte, o futuro da
humanidade, desde a queda até o nascimento de Jesus, fruto de uma virgem –
aquela que esmagará a cabeça da serpente.
Quanto a Satã e seus
companheiros, ao retornarem ao Inferno esperando glória por sua façanha, são
transformados em serpentes. Algum tempo depois, retomam suas antigas formas,
perpetuando o ciclo de orgulho, punição e queda.
John
Milton nasceu em Londres em 1608 e faleceu na mesma localidade em 1674. Foi um
poeta, polemista, intelectual e funcionário público inglês.


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