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domingo, 15 de fevereiro de 2026

A FILOSOFIA DAS MULHERES NOS ESCRITOS DE SI


 

HISTÓRIA DA MINHA VIDA

GEORGE SAND . Compilado por Magali Oliveira Fernandes

EDITORA UNESP – 1ª ED. 2017

650 páginas

Neste livro, George Sand narra a própria vida desde a infância até a idade adulta, relatando experiências, desafios, afetos e escolhas que marcaram sua trajetória pessoal e intelectual.

A narrativa se inicia com a infância passada na propriedade rural da família, onde viveu até a adolescência. Sand descreve com riqueza de detalhes a paisagem e a atmosfera do campo, bem como sua paixão precoce pela leitura e pela escrita, já apontando para uma sensibilidade atenta ao mundo e às palavras.

À medida que o relato avança para a juventude, a narrativa ganha densidade. Surgem os primeiros amores e o casamento arranjado com o barão Casimir Dudevant, que se revela uma união infeliz. George Sand relata então a decisão corajosa de abandonar o marido e mudar-se para Paris, gesto radical para uma mulher de seu tempo. É nesse contexto que se envolve plenamente com a literatura e se consolida como uma escritora reconhecida.

Ao longo do livro, Sand fala de suas amizades com figuras centrais da vida literária francesa, como Gustave Flaubert, Victor Hugo e Alfred de Musset, além de abordar sua luta pelos direitos das mulheres e sua participação nos acontecimentos da Revolução de 1848.

A leitura de História da minha vida me levou a refletir sobre como a filosofia das mulheres muitas vezes se encontra menos nos sistemas formais e mais nos relatos, diários, memórias e autobiografias. É nesses escritos que emergem reflexões profundas sobre liberdade, amor, injustiça, criação e existência — pensamentos que, por muito tempo, foram desconsiderados como filosofia justamente por terem sido escritos por mulheres.


George Sand, pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin, nasceu em Paris em 1804 e faleceu em Nohant-Vic, França, em 1876. Foi uma romancista e memorialista francesa. 


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

NOVAS LEITURAS PARA UM PERÍODO MAL COMPREENDIDO

 

HISTÓRIA DA IDADE MÉDIA: Mil anos de esplendores e misérias.

GEORGES MINOIS

EDITORA UNESP – 1ª ED. - 2023

578 páginas 

Depois do ensino médio e de algumas leituras marcantes — como o magistral O Nome da Rosa, de Umberto Eco — percebi que, para escrever a história das mulheres na Idade Média, seria necessário retomar o estudo desse período. Inclusive porque, a cada ano, novas descobertas são feitas: arquivos são abertos, documentos são finalmente liberados para consulta ou simplesmente encontrados. Paralelamente, a historiografia também se transforma. Hoje, ela já não é tão rígida e passa a considerar outras fontes, como biografias, memórias, cartas, diários, obras de arte e até mesmo a literatura da época.

Com isso, muitos historiadores passaram a incluir em seus estudos aqueles que antes eram tratados como “os outros”: mulheres, camponeses, pobres e também regiões fora do eixo estritamente europeu. Esse deslocamento do olhar altera profundamente a maneira como compreendemos a Idade Média.

O livro de Georges Minois tem o mérito de apresentar mil anos de história de forma sintetizada, sem perder a complexidade do período. Além disso, inclui o Oriente e sua influência sobre a Europa — e vice-versa — rompendo com a visão eurocêntrica que marcou por muito tempo o ensino da Idade Média. Não se trata mais da Idade Média exclusivamente europeia que aprendi na escola.

Outro ponto fundamental é que a narrativa histórica aqui não se limita a fatos, heróis ou vencedores. Minois se detém na mentalidade da época, explora a tensão entre fé e razão e examina as crises que atravessaram esse longo período. Epidemias, secas severas e fome aparecem como elementos estruturantes da vida medieval, e não como simples episódios marginais.

Essas informações foram particularmente importantes para complementar a leitura de Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici, sobretudo em aspectos que não são abordados por ela. O livro também inclui, ainda que de forma pontual, a presença de mulheres em seu relato — algo que até pouco tempo atrás era difícil de encontrar em obras de síntese sobre a Idade Média. Nesse sentido, a obra se mostra uma ferramenta valiosa tanto para estudos históricos quanto para reflexões críticas sobre gênero, poder e sociedade.


Georges Minois nasceu em Athis-Mons, França, em 1946. É um historiador francês.