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domingo, 15 de fevereiro de 2026

PENSAR FORA DO CÂNONE OCIDENTAL

 


AS MENTIRAS DO OCIDENTE

DAGOBERTO JOSÉ FONSECA (ORG.)

SELO NEGRO EDIÇÕES – 1ª ED. - 2022

192 páginas


O livro é composto por capítulos escritos por diversos autores que demonstram aquilo que foi ocultado, apropriado e desprezado pelo Ocidente. A obra começa questionando a narrativa consagrada de que a filosofia teria nascido exclusivamente na Grécia, mostrando que suas origens estão também no Egito.

Ao longo dos textos, os autores evidenciam que a filosofia não se reduz a um único modo de pensar, nem à razão cartesiana como única forma legítima de racionalidade. Existem várias lógicas possíveis, e muitas delas foram sistematicamente silenciadas. Nesse sentido, o livro apresenta filosofias africanas e demonstra como elas constituem verdadeiras cosmovisões, formas completas de compreender o mundo, a vida e as relações humanas.

Trata-se de uma leitura fundamental para quem deseja deslocar certezas, conhecer outros pensamentos e romper com o monopólio epistemológico ocidental. Um livro que amplia horizontes e convida a pensar para além do cânone.


Dagoberto José Fonseca tem graduação, mestrado e doutorado em Ciências Sociais


INTELECTUALIDADE NEGRA E INVENÇÃO DE CONCEITOS


 

LÉLIA GONZALEZ – RETRATOS DO BRASIL NEGRO

ALEX RATTSFLÁVIA M. RIOS

SELO NEGRO EDIÇÕES – 1ª ED. – 2010

176 páginas

Os autores apresentam neste livro não uma biografia nos moldes tradicionais, centrada na cronologia da vida privada, mas sobretudo o percurso intelectual, político e militante de Lélia Gonzalez. Embora aspectos de sua vida pessoal apareçam, o foco está na construção de seu pensamento e em sua atuação decisiva no enfrentamento ao racismo e ao sexismo no Brasil.

Lélia nasce em uma família muito pobre, com muitos filhos, em Belo Horizonte. A possibilidade de mudança para o Rio de Janeiro surge graças a um dos irmãos, jogador de futebol, que consegue trazer a família. É no Rio que a jovem Lélia estuda, trabalha e começa, gradualmente, a perceber o racismo estrutural que organiza a sociedade brasileira, o sexismo e as profundas desigualdades sociais.

Num primeiro momento, no entanto, ela se submete a essas normas. Forma-se professora, alisa o cabelo, adapta-se às expectativas sociais impostas às mulheres negras. A virada ocorre quando seu marido, um homem branco, chama sua atenção para o fato de que ela ainda não havia analisado criticamente a própria negritude. Esse questionamento marca o início de um processo profundo de conscientização e elaboração teórica.

Lélia Gonzalez se tornaria uma das maiores intelectuais do pensamento negro no Brasil. Criou conceitos fundamentais como amefricanidade e pretoguês, antecipando debates que hoje reconhecemos como decoloniais, embora o termo ainda não estivesse em circulação. Seu pensamento articula raça, gênero e classe de forma pioneira, denunciando os limites do feminismo branco e do movimento negro quando ambos ignoram a especificidade da mulher negra.

Ser mulher e ser negra foi o eixo central de sua luta. Lélia batalhou para que a questão da mulher negra entrasse nas pautas políticas e acadêmicas, mas também para desmascarar o mito da democracia racial em um país que construiu sua identidade nacional sobre o apagamento do racismo. Sua obra permanece atual, incisiva e indispensável para compreender o Brasil e suas desigualdades.


Alex Ratts nasceu em Fortaleza em 1964. É geógrafo e antropólogo.

Flávia M. Rios é doutora em Ciências Sociais.