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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O IMPÉRIO AFRICANO QUE A HISTÓRIA TENTOU APAGAR

 


GRANDIOSOS ETÍOPES DO ANTIGO IMPÉRIO CUXITA

DRUSILLA DUNJEE HOUSTON

EDITORA ANANSE – 1ª - 2022

194 páginas 

Foi por este livro que iniciei meus estudos sobre o Império Cuxita. A partir dele, aprofundei-me em pesquisas mais extensas, recorrendo a teses e outras obras, o que se revelou extremamente instigante — sobretudo no que diz respeito à matrilinearidade, ao matrifocal e ao matriarcado, bem como às rainhas Candaces, um título que significava “rainha-mãe” e que não exigia, necessariamente, a maternidade biológica.

Drusilla Dunjee Houston foi autodidata e dedicou cerca de 25 anos de sua vida ao estudo dos etíopes antigos. Reuniu referências dispersas em inúmeros livros que mencionavam esse povo, ainda que apenas em uma frase, com o objetivo de demonstrar a existência de um vasto império que precedeu os gregos, persas, romanos e sumérios, integrou-se ao mundo egípcio e chegou até a Índia. Um império formado por povos africanos e negros.

Houston demonstra que muitas realizações tradicionalmente atribuídas às civilizações posteriores tiveram, na verdade, origem cuxita. Importante ressaltar que não se trata da Etiópia atual, mas de um reino cuja localização principal era a Núbia, território que hoje corresponde a partes do Egito e do Sudão.

Drusilla Dunjee Houston nasceu em Harpers Ferry, Virgínia Ocidental, EUA e faleceu em Phoenix, Arizona, EUA. Foi escritora, historiadora, jornalista, educadora estadunidense. 




MATRIARCADO, MATRILINEARIDADE E A CRÍTICA AO EVOLUCIONISMO OCIDENTAL


 

A UNIDADE CULTURAL DA ÁFRICA NEGRA

Esferas do patriarcado e do matriarcado na Antiguidade Clássica

CHEIKH ANTA DIOP

EDITORA ANANSE – 2023.

238 páginas 


Cheikh Anta Diop foi um antropólogo e historiador senegalês. Cheguei a este livro a partir de meus estudos sobre as mulheres do Império Cuxe, buscando compreender as noções de matriarcado, matrilinearidade e matrifocalidade no continente africano.

Antes de tudo, é fundamental esclarecer que o conceito de matriarcado, tal como trabalhado por Diop, não corresponde à ideia ocidental de um sistema simplesmente inverso ao patriarcado, no qual haveria o domínio feminino e a subjugação do masculino. Diop demonstra a existência de dois polos culturais — dois reinos, um setentrional e outro meridional, norte e sul — sendo um de estrutura patriarcal e o outro de estrutura matriarcal. Nesse esquema, a África se insere majoritariamente no polo matriarcal.

O autor realiza uma análise crítica dos conceitos de matriarcado em Bachofen, Lewis Morgan e Engels. Os dois primeiros, segundo Diop, tratam o matriarcado como uma fase primitiva da humanidade, destinada a ser superada pelo patriarcado, visto como estágio civilizatório superior. Trata-se de uma visão claramente evolucionista. Engels, por sua vez, apropria-se dessas ideias para sustentar a possibilidade de que a família burguesa também possa evoluir para uma forma diferente e mais justa.

Diop rompe com essa leitura ao defender o matriarcado africano não como um estágio arcaico, mas como uma forma de organização social superior ao patriarcado, este último associado historicamente à guerra, à violência e às conquistas territoriais.

Com esse estudo, Diop se contrapõe frontalmente às concepções ocidentais que se pretendem universais e civilizatórias, mas que historicamente classificaram a África como inferior e selvagem. Ao contrário, ele demonstra o alto grau de civilização das sociedades africanas e aponta para um modelo social mais humano, relacional e sustentável. O autor apresenta ainda sua hipótese para explicar por que o norte se organizou de forma patriarcal e o sul de forma matriarcal, aprofundando uma leitura estrutural e histórica dessas diferenças.


Cheikh Anta Diop nasceu em Tiahitou, Senegal, em 1923 e faleceu em Dacar, Senegal, em 1986. Foi um historiador, antropólogo, físico e político senegalês.