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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A MEMÓRIA VIVA DE UMA INFÂNCIA AFRICANA


 

AMKOULLEL, O MENINO FULA

AMADOU HAMPÂTÉ BÂ

PALAS ATHENA – 3ª ED. - 2003

376 páginas

Amadou Hampâté Bâ foi um griot, isto é, um contador de histórias e guardião das tradições africanas. Ser griot é uma função social, uma profissão, parte constitutiva das culturas africanas. Hampâté Bâ foi um grande intelectual da oralidade, aquilo que ele próprio definia como uma “biblioteca viva”.

Neste livro, ele narra sua vida da infância à adolescência no Mali, onde nasceu em 1900. Viveu principalmente em Bandiagara, entre os fulas, povo de pastores. A narrativa é extremamente rica em detalhes e experiências: o universo da infância, a passagem para a juventude, o lugar da mulher, especialmente da mãe, o impacto do colonialismo francês, bem como o sincretismo entre as tradições africanas, suas crenças e o Islã.

Desde criança, Hampâté Bâ foi treinado para a oralidade, para a escuta atenta, a memorização e a transmissão das histórias. Mais tarde, ele próprio se dedicará a coletar esses relatos, compondo um amplo panorama da história e das tradições de seu povo.

Ao ler Amkoullel, o menino fula, mergulhamos profundamente no universo de Hampâté Bâ. E confesso: quando cheguei ao final, queria mais, muito mais.


Amadou Hampâté Bâ nasceu em Bandiagara, Mali, em 1901 e faleceu em Abidjã, Costa do Marfim, em 1991. Foi um griot e escritor malinês. 


domingo, 15 de fevereiro de 2026

O DIVINO FEMININO NAS MITOLOGIAS DO MUNDO

 

DEUSAS: OS MISTÉRIOS DO DIVINO FEMININO

JOSEPH CAMPBELL

EDITADA POR SAFRON ROSSI

PALAS ATHENA – 1ª ED. – 2023

352 páginas

Deusas: Os Mistérios do Divino Feminino, de Joseph Campbell, explora a presença e o significado das deusas nas diversas culturas ao longo da história, destacando seu papel central nas tradições religiosas, mitológicas e espirituais. O livro analisa como o divino feminino foi representado, celebrado e, em muitos casos, reprimido ao longo do tempo, oferecendo uma perspectiva sobre o poder simbólico e social das figuras femininas sagradas.

Campbell investiga mitologias de diferentes partes do mundo, revelando padrões recorrentes e arquétipos femininos que refletem sabedoria, criatividade, força e transformação. O autor discute como a perda de reverência ao divino feminino, com a ascensão do patriarcado, impactou a cultura, a moral e as relações sociais, e sugere que recuperar o entendimento dessas forças pode enriquecer a vida pessoal e coletiva.

O livro convida o leitor a refletir sobre a relação entre mito, espiritualidade e gênero, mostrando que as deusas não são apenas figuras históricas ou religiosas, mas arquétipos vivos que inspiram identidade, poder e autonomia feminina. Campbell combina erudição, sensibilidade e insight mitológico, oferecendo uma obra acessível e profunda sobre a dimensão simbólica e cultural do feminino sagrado.


Joseph Campbell nasceu em White Plains, Nova Iorque, EUA, em 1904 e faleceu em 1987. Foi um mitólogo, conferencista, escritor e professor. 


SOCIEDADES DE PARCERIA E SOCIEDADES DE DOMINAÇÃO

 

O CÁLICE E A ESPADA

RIANE EISLER

PALAS ATHENA – 1ª ED. 2007

362 páginas

O Cálice e a Espada, de Riane Eisler, apresenta uma reflexão profunda sobre a história da humanidade a partir de duas lentes simbólicas: o modelo do “cálice”, representando sociedades baseadas na parceria, cooperação e respeito, e o modelo da “espada”, associado à dominação, guerra e hierarquia opressiva. Eisler analisa como a humanidade transitou entre essas formas de organização social, propondo que muitas culturas antigas, especialmente pré-patriarcais, valorizavam a complementaridade, a igualdade de gênero e a vida comunitária.

O livro explora as raízes históricas do patriarcado, demonstrando como a dominação e a violência foram naturalizadas ao longo do tempo, transformando relações sociais, econômicas e de gênero. Eisler argumenta que os valores da “cultura do cálice” – empatia, cooperação e cuidado – foram suprimidos, mas permanecem como um modelo alternativo para a construção de sociedades mais justas e igualitárias.

Combinando pesquisa histórica, antropologia e teoria social, O Cálice e a Espada nos convida a refletir sobre como a violência estrutural, a desigualdade de gênero e a dominação moldaram a civilização moderna, ao mesmo tempo em que oferece um caminho de inspiração para reimaginar a convivência humana baseada na parceria e no respeito mútuo.


Riane Eisler nasceu em Viena, Áustria, em 1937. É uma acadêmica, escritora e ativista social.