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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

DEFINIÇÃO DE NÃO-LUGAR

 


NÃO-LUGARES: INTRODUÇÃO A UMA ANTROPOLOGIA DA SUPERMORDENIDADE

MARC AUGÉ

PAPIRUS – 1994

112 páginas

Em Não-lugares, Marc Augé propõe uma reflexão antropológica sobre as transformações do espaço naquilo que ele chama de supermodernidade. O autor parte da ideia de que a intensificação da mobilidade, do consumo e da circulação de informações produziu espaços radicalmente distintos daqueles tradicionalmente estudados pela antropologia clássica, centrada em comunidades estáveis, identidades compartilhadas e memórias coletivas.

Augé define como “não-lugares” os espaços de passagem, transitórios e funcionais, como aeroportos, rodovias, shoppings, hotéis, supermercados e estações de metrô. Diferentemente dos “lugares antropológicos”, esses espaços não produzem identidade, não criam vínculos duradouros nem se ancoram em uma história comum. Neles, o indivíduo permanece anônimo, reduzido à condição de usuário, consumidor ou passageiro, identificado apenas por documentos, cartões, bilhetes ou senhas.

O livro não afirma que os não-lugares sejam necessariamente negativos, mas destaca seu caráter ambíguo. Eles são produtos de uma modernidade que valoriza a eficiência, a rapidez e a padronização, ao mesmo tempo em que enfraquece experiências de pertencimento e de memória. Nos não-lugares, a comunicação ocorre sobretudo por meio de textos normativos — placas, avisos, instruções — e não pela interação humana direta. Trata-se de um espaço regulado, previsível e impessoal.

Augé também ressalta que lugar e não-lugar não são categorias fixas ou absolutas. Um mesmo espaço pode ser vivido como lugar por alguns e como não-lugar por outros, dependendo da experiência subjetiva, do tempo de permanência e da relação estabelecida com ele. Assim, a distinção funciona mais como uma ferramenta analítica do que como uma classificação rígida da realidade.

Não-lugares é uma obra breve, porém decisiva, que oferece uma chave de leitura para compreender a vida contemporânea, marcada pelo deslocamento constante e pela fragilização dos laços simbólicos. Ao deslocar o olhar antropológico para esses espaços cotidianos e aparentemente banais, Marc Augé nos convida a refletir sobre como habitamos o mundo atual e sobre o que se perde, e se transforma, quando a experiência humana se organiza cada vez mais em territórios de passagem.


Marc Augé nasceu em Poitiers, França, em 1935 e faleceu na mesma localidade em 2023. Foi um etnólogo e antropólogo francês. 


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DIREITOS, PODER E PRESENÇA FEMININA NO EGITO DOS FARAÓS


 

A MULHER NO TEMPO DOS FARAÓS

CHRISTIANE DESROCHES NOBLECOURT

PAPIRUS - 2007

422 páginas 


Li outros livros sobre as mulheres egípcias e também sobre a história do Egito depois deste, mas sempre retorno a A Mulher no Tempo dos Faraós por considerá-lo o mais completo que encontrei sobre o tema.

Para quem se interessa pela história das mulheres no Antigo Egito, este é um livro fundamental. A arqueóloga Christiane Desroches Noblecourt foi especialista em Egito, dirigiu durante anos o setor egípcio do Museu do Louvre e participou de diversas escavações no país, o que confere ao livro um rigor e uma riqueza de detalhes notáveis.

A obra reúne informações sobre a mitologia egípcia com foco nas figuras femininas, aborda as esposas reais e as rainhas, as concubinas, as mulheres faraós e a complexa relação entre o faraó e a esposa real. Mas vai além: apresenta também dados preciosos sobre a vida cotidiana das mulheres, as leis e os direitos, o casamento, a educação, além de temas como a condição das viúvas e das prostitutas.


Christiane Desroches Noblecourt nasceu em Paris em 1913 e faleceu na mesma cidade em 2011. Foi uma egiptóloga.