A MULHER NO CORPO DE XAMÃ: O feminino na religião e na
medicina
BARBARA TEDLOCK
ROCCO – 1ª ED. – 2008
350 páginas
Barbara Tedlock resgata o papel
central das mulheres no xamanismo. Ela própria neta de uma parteira e
herborista ojibwe e antropóloga, procurou responder algumas perguntas que fazia
a si mesma, principalmente: “Existem mulheres xamãs?”.
Iniciada no xamanismo pelos maias
K’iche’ do planalto da Guatemala, procura resgatar o papel das mulheres no
xamanismo, frequentemente desconsiderado por muitos pesquisadores homens. Durante
muito tempo, os estudos sobre o xamanismo foram conduzidos majoritariamente por
homens, que associavam essa prática quase exclusivamente ao universo masculino.
Em 1924, em um sítio arqueológico
localizado na atual República Tcheca, conhecido como Doní Vestonice, foi
encontrado um túmulo que continha o corpo de uma mulher de aproximadamente 40
anos, deitada em posição fetal sobre o lado direito. O corpo fora pintado de
vermelho (ocre) e coberto por duas escápulas de mamute. Havia a presença de uma
lança de sílex junto à cabeça e o corpo de uma raposa em uma das mãos. Com
esses elementos identificou-se indícios claros que se tratava de uma xamã.
Segundo Tedlock, “o registro
escrito mais antigo de uma mulher xamã real na América é de Ix Balam K’ab’al
Xook, ou lady do Jaguar Shark Lineage. Essa mulher da nobreza maia viveu na
antiga cidade de Yaxchilán, onde hoje é Chiapas, no México.”
A autora também demonstra como
homens pesquisadores desconsideraram as mulheres como xamãs. Eram vistas como
curandeiras ou parteiras, mas jamais como xamãs, o que ela demonstra ser um
erro. A maioria dos xamãs foram e são mulheres.
Por fim, a autora propõe uma
reflexão sobre a necessidade de a humanidade melhorar sua relação consigo mesma
e com o planeta. O Xamanismo não é apenas uma forma de cura, mas um saber que
entrelaça história, medicina, espiritualidade e psicologia, convidando o leitor
a repensar o papel das mulheres nessas tradições e a própria relação entre ser
humano e natureza.
Barbara Tedlock nasceu em Battle
Creek, Michigan, EUA, em 1942 e faleceu em Rio Rancho, Novo México, EUA, em
2003. Foi uma antropóloga cultural e onirologista (estudo dos sonhos) estadunidense.

