segunda-feira, 29 de junho de 2026

LIVRO: O EU SOBERANO: ENSAIO SOBRE AS DERIVAS IDENTITÁRIAS

 

O EU SOBERANO: ENSAIO SOBRE AS DERIVAS IDENTITÁRIAS

ELISABETH ROUDINESCO

ZAHAR – 1ª ED. – 2022

304 páginas

Confesso que estou tendo dificuldades em fazer uma resenha para este livro. Sempre fui fã de Roudinesco, mas este livro me desagradou. Não sei se sou eu, ou é isto mesmo, mas o fato é que senti um eurocentrismo muito forte nela, uma defesa constante de intelectuais franceses e desprezo por intelectuais de outros lugares como Índia, África. Ela comete erros, como quando se refere a miscigenação no Brasil baseada em Gilberto Freyre e parece acreditar na democracia racial brasileira, o que é uma falácia. Critica Gayatri Spivak e o livro Pode o subalterno falar? o que discordo, mesmo com algumas críticas que também faço ao livro.

Mas há pontos com os quais concordo, uma vez que há diferenças entre movimentos sociais e política identitária, que leva a uma defesa de uma identidade única e a ataques aos outros ou a qualquer crítica que se faça. Estas políticas identitárias funcionam da mesma forma do que eles combatem e a intenção é calar o outro.

Mas penso que a defesa de Roudinesco é em função da psicanálise, onde o Eu se constitui pelo outro, e a política identitária se fecha a isto, porém a pergunta que me fica é quem é o outro para Roudinesco?

Mas como disse, não sei dizer se estou certa em minhas percepções, mas senti isto ao ler o livro, principalmente quando ela se refere a "generosidade" da França em relação a Frantz Fanon, Aimé Césaire e outros negros intelectuais, e quando defende que a França teve anticolonialistas como Sartre e Derrida, porém se eles foram anticoloniais isto não exime a França do colonialismo que perpetrou e ainda o faz.

Após a leitura encontrei uma crítica feita por Vladimir Safatle que venho de encontro com minhas impressões e foi publicado no jornal Valor Econômico.


Elisabeth Roudinesco nasceu em Paris, em 1944. É historiadora e psicanalista francesa.

A crítica ao livro feita por Vladimir Safatle 

 


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