O EU SOBERANO: ENSAIO SOBRE AS DERIVAS IDENTITÁRIAS
ZAHAR – 1ª ED. – 2022
304 páginas
Confesso que estou tendo
dificuldades em fazer uma resenha para este livro. Sempre fui fã de Roudinesco,
mas este livro me desagradou. Não sei se sou eu, ou é isto mesmo, mas o fato é
que senti um eurocentrismo muito forte nela, uma defesa constante de
intelectuais franceses e desprezo por intelectuais de outros lugares como
Índia, África. Ela comete erros, como quando se refere a miscigenação no Brasil
baseada em Gilberto Freyre e parece acreditar na democracia racial brasileira,
o que é uma falácia. Critica Gayatri Spivak e o livro Pode o subalterno
falar? o que discordo, mesmo com algumas críticas que também faço ao livro.
Mas há pontos com os quais
concordo, uma vez que há diferenças entre movimentos sociais e política
identitária, que leva a uma defesa de uma identidade única e a ataques aos
outros ou a qualquer crítica que se faça. Estas políticas identitárias
funcionam da mesma forma do que eles combatem e a intenção é calar o outro.
Mas penso que a defesa de
Roudinesco é em função da psicanálise, onde o Eu se constitui pelo
outro, e a política identitária se fecha a isto, porém a pergunta que me fica é
quem é o outro para Roudinesco?
Mas como disse, não sei dizer se
estou certa em minhas percepções, mas senti isto ao ler o livro, principalmente
quando ela se refere a "generosidade" da França em relação a Frantz Fanon,
Aimé Césaire e outros negros intelectuais, e quando defende que a França teve anticolonialistas
como Sartre e Derrida, porém se eles foram anticoloniais isto não exime a
França do colonialismo que perpetrou e ainda o faz.
Após a leitura encontrei uma
crítica feita por Vladimir Safatle que venho de encontro com minhas impressões
e foi publicado no jornal Valor Econômico.
Elisabeth Roudinesco nasceu em Paris, em 1944. É historiadora e psicanalista francesa.



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