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segunda-feira, 20 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: GUERNICA - 1950


Direção: Alain Resnais e Robert Hessens - 1950
Duração: 13 min
País: França

Um documentário curto de 13 min sobre Guernica. Logo no início temos uma breve narração por Jacques Pruvost sobre a atrocidade de Guernica em abril de 1937. María Casares recista um poema de Paul Eluard sobre o assunto ilustrando com pinturas e desenhos de Pablo Picasso.



Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937, medindo 350 por 782 cm é uma tela pintada a óleo representativa do bombardeio sofrido pela cidade Espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães apoiando o ditador Francisco Franco.







O quadro encontra-se atualmente no Museu Nacional centro de Arte Reina Sofia em Madrid na Espanha. Foi feita com as cores preto e branco, como repúdio ao bombardeio, em estilo cubista.




Alain Resnais nasceu em 1922 em Vannes e faleceu em 2014 em Paris, França 

DOCUMENTÁRIO: FRANÇOIS TRUFFAUT, UNE AUTOBIOGRAPHIE - 2004



Direção: Anne Andreu - 2004
Duração: 78 min
País: França

Um documentário que retrata a carreira de François Truffaut através de seus filmes e de depoimentos de seus colaboradores e admiradores, além dele mesmo falando de suas obsessões, suas escolhas, do cinema, da vida. 

Através de 22 filmes se compõe uma espécie de autobiografia. Tudo que ele escreveu, realizou, filmou, imaginou passava pelo filtro de suas emoções. Seu amor pelas mulheres e pelos livros. Através de outras vozes como Catherine Deneuve, Woody Allen, Jean-François  Stévenin, Fanny Ardant, Arnaud Desplechin e Jeanne Moreau que falam do Truffaut que conheceram vamos apreendendo um pouco mais sobre este grande cineasta. 




François Truffaut nasceu no dia 06 de fevereiro de 1932 em Paris  e faleceu em 21 de Outubro de 1984 em em Neuilly-sur-Seine, França. Ele nunca conheceu seu pai biológico e foi criado pelos avós maternos, uma vez que sua mãe o rejeitou. Foi sua avó que despertou nele sua paixão pela literatura e pela música. Aos 10 anos, após a morte de sua avó ele volta a morar com a mãe que estava casada com Roland Truffaut que acabou registrando o garoto e lhe deu seu nome. Foi um período muito difícil, pois era rechaçado tanto pelo pai adotivo como pela mãe e isto o levou a cometer alguns atos de delinquência como pequenos furtos. Será esta fase de sua vida que inspira seu primeiro longa-metragem, o autobiográfico Os incompreendidos/os 400 golpes. Truffaut morreu jovem, de um câncer no cérebro.

Anne Andreu nasceu em 1939 em Paris, França 

FILME: ARTEMISIA - 1997



Direção: Agnès Merlet - 1997
Duração: 95 min
Título Original: Artemisia passione estrema 
Roteiro: Agnès Merlet - Christine Miller e Patrick Amos 
País: França - Itália - Alemanha

Uma cinebiografia romanceada da pintora Artemisia Gentileschi 

Itália, 1610. Artemisia (Valentina Cervi) é uma jovem talentosa de 17 anos filha do pintor Orazio (Michel Serrault) apaixonada pela pintura, só que naquela época uma mulher não pode entrar para a Academia e menos ainda pintar corpos nus, principalmente um homem nu. Na falta de modelos ela se retrata a si própria através de espelhos. 



Seu pai então pede ao pintor Agostino Tassi (Miki Manojlovic) que dê aulas a sua filha. Artemisia aprenderá então a pintar paisagens ao ar livre o que naquela época era uma novidade e principalmente ele lhe ensinará a perspectiva.



O filme irá deformar a partir daí o que realmente aconteceu com a jovem pintora. No filme vemos surgir uma relação entre Artemisia e Agostino que acabará deflorando a jovem, mas ela o deseja. Seu pai ao descobrir o que está ocorrendo procura a polícia, Agostino será preso e julgado por estupro. O filme retrata estes dois anos da vida da pintora de 1610 à 1612, com o fim do processo. 



Ao contrário do que o filme mostra quando Artemisia é torturada como vemos ela irá manter as acusações de estupro conforme consta nos arquivos do processo, e com isto o filme não faz jus ao verdadeiro sofrimento pelo qual passou a jovem. 

Na realidade Artemisia foi estuprada por Agostino. Ele a acusa de ser uma mulher fácil, mas a diretora do filme optou por deformar a realidade transformando a relação dos dois em uma história de amor, o que não foi na realidade. A tortura foi bem retratada, é o suplício dos "sibilli" e se trata de passar uma corda entre os dedos e apertar, o que poderia tê-la impedido de pintar para sempre. 




Agnès Merlet nasceu em 1959 na França 




Artemisia Gentileschi nasceu em Roma no dia 08 de Julho de 1593, filha do pintor Orazio Gentileschi, que era amigo pessoal de Caravaggio e de Prudentia Montone que morreu quando ela tinha doze anos. Teve uma grande reputação na Europa e levou uma vida independente, trabalhou em várias cidades da Europa e acabou fixando-se em Nápoles em 1630. O julgamento do estupro durou sete meses quando Artemisia foi humilhada e severamente torturada, enquanto Agostino, apesar de ter sido condenado ao exílio por cinco anos, nunca cumpriu a pena, tendo retornado a Roma quatro meses depois.

Seus quadros ferozes de decapitação talvez sejam reflexos deste episódio. Ela se casou com um pintor desconhecido, numa casamento arranjado por seu pai.

terça-feira, 14 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: VERSAILLES, O SONHO DE UM REI - 2008


Direção: Thierry Binisti -  2008
Duração: 90 min
Título Original: Versailles, le rêve d'un roi
País: França

Este documentário narra através de um filme a história da construção do Palácio de Versailles pelo rei Luís XIV, o Rei Sol conhecido por sua frase: O Estado sou eu!

Em sua infância Luís XIV teve que fugir para não ser morto, e isto ficou marcado. Ele jurou que nunca mais se repetiria, e para isto ele tinha que ter o domínio total sobre seus súditos. Para tanto ele constrói Versailles como símbolo de seu poder, mas também para levar a corte e os nobres para lá, para ficarem sob seus olhos. Ao contrário do que se pode imaginar, este rei tinha um lado muito democrático ao dar liberdade aos seus súditos de lhe falarem, e quando a Galeria dos Espelhos ficou pronta ele mandou que fosse aberta ao público, ela foi feita para os outros, não para ele. Ele queria que todos admirassem seu poder. Por outro lado era impiedoso com quem o ameaçasse, e não poupou nada nem ninguém para a construção do palácio. O que vemos é o que normalmente acontece em grandes construções, mesmo nas atuais como a construção de hidrelétricas, onde morrem muitas pessoas, e a exploração da mão de obra é sempre uma realidade. 





Luís XIV (Samuel Theis) fez da residência de caça de seu pai o mais sumptuoso palácio real da Europa e para isto gastou somas imensas o que deixava Colbert (Jérôme Pouly) seu ministro das finanças, angustiado. Em volta do palácio o que havia eram pântanos que foram transformados nos famosos jardins de Versailles. Faltava água para tantas fontes e cada vez se gastava mais para trazer a água. O palácio levou 30 anos para ser construído. 





O Rei Sol também tinha um enorme gosto pelas artes e tinha a seus serviços os maiores talentos da época como La Fontaine (Eric Franquelin), Racine (Laurent Vernick), Molière (Thierry  Garet), Charles Perrault (Stéphane Roux). 




O filme retrata toda a época e a corte de Luís XIV, seu casamento, suas amantes. No final ele está só no palácio que se transformou num túmulo, a corte pouco a pouco retornou para Paris, e os problemas econômicos gerados pela construção e pelas guerras culminou com a Revolução de 1789.



Foi filmado nos locais documentados. 


Thierry Binisti nasceu em 1964 em Créteil, França 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

FILME: REMBRANDT - 1999


Direção: Charles Matton - 1999
Duração: 99 min
País: França - Alemanha - Holanda

Uma cinebiografia do pintor Rembrandt van Rijn desde sua chegada quando jovem à Amsterdam até sua queda e morte. 

Rembrandt (Klaus Maria Brandauer) chega à Amsterdam em 1631 e já é um pintor célebre, que pinta retratos e gravuras com seu talento reconhecido. Ele se casa com Saskia Uylenburg (Johanna ter Steege) que tenta lhe dar um filho, dos seis que nasceram apenas Titus irá sobreviver. Em seu último parto Saskia morre e o luto e o sofrimento por que passaram com a perda dos filhos atinge Rembrandt. Ao invés dos quadros com cores fortes passa a pintar com um misticismo que os nobres irão condenar, principalmente devido a religião e ao puritanismo. 

Retrato de Saskia Uylenburg 

Rembrandt pintou a Lição de anatomia do doutor Nicolaes Tulp (Jean Rochefort), uma de seus quadros mais famosos. O corpo que aparece no quadro é de um homem que havia sido condenado à morte no dia anterior por assalto a mão armada. 


O doutor Nicolaes Tulp será um dos mais aguerridos perseguidores do pintor quando após a morte de sua esposa ele se envolve com as criadas da casa além de mudar seu estilo de pintura para o misticismo. 

Durante a enfermidade de Saskia, Geertje Dircx foi contratada para cuidar de Titus e se torna amante de Rembrandt. Como ele não se casou com ela, acabou por processá-lo, mas ao descobrir que ela havia penhorado jóias de Saskia, Rembrandt conseguiu que ela fosse internada por doze anos em um asilo. Ele então iniciou um romance com Hendrickje Stoffels (Romane Bohringer) e em 1654 tiveram uma filha, Cornelia, o que provocou a intimação da mãe pela Igreja Reformada Holandesa para responder a acusação de que cometera atos de uma prostituta com o pintor. Como ela confessou a verdade foi excomungada, já ele não passou por isto pois não fazia parte de nenhuma igreja. 

Tulp conseguirá que a hipoteca de sua casa seja cobrada e Rembrandt terá que sair de lá, foi feito um leilão com todas as suas coisas que rendeu uma miséria. Mas ele nunca se dobrou a esta sociedade puritana e continuou a pintar. Hendrickje morrerá e depois será a vez de Titus, o que abalará profundamente Rembrandt, que morrerá um ano depois. 

O filme termina com a frase de Van Gogh diante da obra de Rembrandt - "É preciso estar morto várias vezes para poder pintar assim". 



É um belo retrato da sociedade dos países baixos desta época, com sua opulência de um lado e a miséria de outro. Rembrandt sempre se manteve livre, nunca se curvou aos desejos dos poderosos e pagou o preço por isto. Como vemos até hoje as pessoas não aceitam que o outro seja como quer, desejam que sigam o que elas querem. Rembrandt em uma cena do filme desenha uma gravura de dois negros numa taverna, e responde ao homem que está ao lado que critica com racismo os dois homens. Em agradecimento eles lhe dão um macaco que se torna o animal de estimação, até que o matam. 




Charles Matton nasceu em 1931 em Paris e faleceu em 2008 na mesma cidade, França

Rembrandt nasceu em 1606 em Leida e faleceu em 1669 em Amsterdam,  Países Baixos 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

FILME: BRUEGEL O MOINHO E A CRUZ - 2011


Direção: Lech Majewski - 2011
Duração: 96 min
Título Original: Bruegel  The Mill and the cross
País: Polônia e Suécia

Bruegel, o velho (Rutger Hauer) pintou "A procissão para o calvário" em 1564. O filme é uma recriação em movimento da criação deste quadro. É algo diferente e impressionante. O fundo do filme é o quadro, mas os personagens estão ali vivendo seu dia a dia como foi na época. É de onde Bruegel tira seu quadro.



É um mergulho diretamente no quadro. Acompanhamos vários personagens na época da ocupação espanhola dos Flandres, uma época de guerra de religiões e em meio a isto temos o pintor, seu amigo colecionador Nicholas Jonghelinck (Michael York)  e a Virgem Maria (Charlotte Rampling). 



O quadro se compõe com os personagens locais, os camponeses, os guardas espanhóis em vermelho, e a paisagem flamenga. O Cristo está no centro da pintura, caído ao lado da cruz. Corvos negros, as rodas levantadas em paus onde suspendiam os condenados para serem ressequidos. No centro os guardas espanhóis. O filme nos mostra as cenas no dia a dia que depois estarão no quadro. 





O grande moinho está no alto de uma rocha. Bruegel diz que nos outros quadros Deus está sempre próximo, aqui não. Ele é representado pelo moinho no Alto. 


É a construção de uma obra de arte. Bruegel observa, desenha, e assim vai compondo este quadro. Ele nos conta a história do quadro.


O quadro encontra-se hoje no Kunsthistorisches Museum, em Viena.

Um filme belíssimo, diferente, que todo amante da arte deve assistir. Não é apenas a história do quadro contada, é vivida nos seus pormenores.

Veja o trailer:


Lech Majewski nasceu em 1953 em Katowice, Polônia

Pieter Bruegel, conhecido como O Velho, para diferenciá-lo do filho, nasceu em 1525 em Breda,  Países Baixos e faleceu em 1569 em Bruxelas, Bélgica. Foi um pintor do Renascimento Flamengo

sexta-feira, 29 de maio de 2015

FILME: UM DOCE OLHAR - 2010


Direção: Semih Kaplanoglu - 2010
Duração: 103 min
Título Original: Bal 
País de origem: Turquia 

Ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 2010.

Yusuf (Bora Altas) vive com seu pai Yakup (Erdal Besikçioglu) e sua mãe Zehra (Tülin Özen) numa região montanhosa da Turquia. Seu pai é apicultor e ensina o filho a ler para que ele possa melhorar na escola. o menino tem dificuldade de pronunciar as palavras, exceto quando fala baixinho com o pai. Com a mãe ele fala muito pouco. É reservado, está sempre sozinho ou com o pai, não brinca com as outras crianças. Mas seu olhar fala, diz tudo. O maior desejo de Yasuf é ganhar a condecoração de boa leitura que o professor oferece aos alunos quando eles lêem. 

Yusuf sempre acompanha o pai e o ajuda, porém quando as abelhas diminuem ele tem que partir para mais longe e ele não pode ir junto. O que era previsto para demorar uns dois dias começa a demorar e mãe e filho ficam sem notícias de Yakup o que os preocupa. Começam a procurar sem sucesso até que a mãe vai a uma delegacia pedir ajuda. 

É um filme de poucas palavras, contemplativo, lento, com as paisagens da floresta, das montanhas, o tempo, o clima, a vida simples destes montanheses. Praticamente não há trilha sonora, apenas os sons da natureza, da chuva, dos passos, do vento.

O ator infantil Bora Altas é excepcional. Sua expressão de sofrimento ao ler, de ciúme ao pensar que o pai deu o veleiro que fez ao primo, de orgulho ao ajudar o pai, e acima de tudo seu olhar. Quando a mãe chora pelo desaparecimento do marido, ele que nunca gostou de leite, bebe o copo todo e olha para a mãe. Singelamente ele deseja que ela fique contente, que pare de chorar. O olhar dele neste momento é maravilhoso. 


Semih Kaplanoglu nasceu em 1963 em Esmirna, Turquia

sábado, 27 de dezembro de 2014

FILME: FRANCISCO O SANTO RELUTANTE - 2003


Direção: Pamela Mason Wagner - 2003 
Duração: 60 min
Título Original: Reluctant Saint, Francis of Assis 

Baseado na biografia de Francisco de Assis de Donald Spoto 

O filme é narrado por Liev Schreiber e nos mostra um lado mais humano de Francisco (Robert Sean Leonard) retirando a áurea mítica que o envolve. 

Francisco era filho de um próspero mercador de tecidos que desejava que seu filho o sucedesse nos negócios. Quando jovem era fanfarrão, gostava de se divertir, rir, estar com os amigos, até o dia que a cidade vizinha Perúgia entra em guerra com Assis e Francisco se envolve na batalha sendo preso pelos rivais. Passará um ano numa cadeia fria e sozinho, doente, o que será o início de sua mudança. 

O filme mostra Francisco como um homem que era radical, enfrentava os poderosos e pregava a paz e o amor, mas que nunca desejou a santidade. Ele tem visões, ouve vozes e muitos o consideraram louco, mas muitos também o seguiram e acreditaram nele. Foi fundamental que naquela época a igreja passasse por uma crise de descrédito estando envolvida em devassidão, ganância e poder. Ele foi considerado o protetor dos animais por haver pregado aos pássaros uma vez que o povo não o escutava, mas o retrataram pregando às gralhas e corvos que representavam o povo e isto fez diferença. 

Após sua volta do Egito onde pregou ao Sultão que ao contrário do que pensavam os católicos sobre os muçulmanos, era um homem culto, educado e que também desejava a paz, ele encontrou seus seguidores divididos, sendo que a maioria já optava por construir mosteiros e estavam mudando o ideal de pobreza que Francisco pregava. Desiludido, cansado, ele se retira para uma montanha por 40 dias, é quando o vemos como o místico que foi. 

Dois anos após sua morte a igreja o considerou Santo. E até hoje é mais conhecida a prece que foi feita para ele na Primeira Guerra Mundial do que pelos seus salmos e cânticos que fez enquanto vivia. 

Pamela Mason Wagner 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

DOCUMENTÁRIO BBC - HUMANO, DEMASIADO HUMANO - JEAN-PAUL SARTRE - O CAMINHO PARA A LIBERDADE - 1999



III- JEAN-PAUL SARTRE - O CAMINHO PARA A LIBERDADE

Sartre diz: Nunca fomos tão livres como durante a ocupação alemã. Perdemos todos os direitos, a livre expressão, éramos insultados e tínhamos que nos calar, e é por isto que éramos livres. Enquanto o veneno alemão adoecia nossas mentes éramos constantemente vigiados, cada gesto que fazíamos era um compromisso.

A liberdade para Sartre era um senso fisiológico de liberdade de modo que a liberdade se incorporasse, se tornasse corpo.

Após a Segunda Guerra os valores do passado entraram em colapso. Sartre recusa tudo - casamento - família - filhos - religião e é feliz. Torna-se uma referência para as pessoas que buscavam algo novo naquele momento e já não podiam mais se referenciar nos valores antigos. 

Não é o passado que nos dirige, é o que nós fazemos, temos que assumir a responsabilidade por nossas ações e de um jeito novo. "Você tem não apenas o direito de escolher, mas também a culpa pela escolha."
"O que importa é o que você escolhe ser no futuro."

Tudo isto caia perfeitamente no momento que a Europa vivia após a guerra. Transformou-se numa esperança e possibilidade de reconstruir a vida e um futuro. Todos queriam esquecer a guerra, havia uma negação do que ocorreu, e poder negar o passado dentro desta filosofia da existência era perfeito.

Sartre nasceu em 1905 em uma família de classe média alta. A morte de seu pai e o ódio ao seu padrasto levou a criança precoce a se reinventar com uma personalidade desconectada de tudo ao seu redor. A morte do pai o livrou de ter um modelo e ele teve que inventar um. 
Quando lhe tiraram as roupas de bebê descobriu-se diferente no espelho. Era feio e o pior, descobriu que as pessoas não mais reagiam a ele como antes. Diante disto seu cérebro passa a valer ouro.

Foi estudar na Ecole Normale Supérieure em Paris onde conhece Simone de Beauvoir. 

Foi professor e interessou-se pela fenomenologia. Em 1933 foi estudar em Berlim com Edmund Husserl. 

Estar consciente de algo é ter relação com algo no mundo, de modo que relacione este algo a uma representação mental. Ele pensou sobre a autoconsciência como uma ideia que temos do mundo. A ideia que nós temos do EU como um caráter essencialmente como de fato é. Não há caráter predeterminado que faz com que você seja quem você é. Você é aquilo que você está tentando fazer. 

Amava o cinema, principalmente filmes de suspense. À diferença dos personagens, lá fora não há roteiro. Escreve o artigo " A contingência da existência" e o romance "A náusea" - a falta de sentido na existência. 

O fato que a vida não tem sentido é o que nos dá a oportunidade de lhe dar um significado. Por não ter significado anterior é que estamos justificados ao criar um. 

Escreve sua principal obra - "O ser e o nada" com influência de Martin Heidegger. 

Foi como prisioneiro de guerra que percebeu que sua filosofia era individualista e precisava relacioná-la ao social. 
Após a guerra fundou a revista Tempos Modernos, deu uma conferência - "Existencialismo é um humanismo". Publicou "Os caminhos da liberdade" e estreou a peça "Entre quatro paredes". 

Foi acusado pela mídia por suas ideias ateístas corromperem os jovens, como um Sócrates. Ele dizia que se Deus existe o homem não é livre. Eu sou a minha liberdade. 

Isolou-se indo morar com a mãe na Rue Bonaparte. 

Da infância em diante era alguém que sofria quando não podia ter o controle da imagem que os outros formavam dele. Isto era para ele o inferno. Era profundamente aflitivo quando pensava sobre o que os outros pensavam quando olhavam para ele. A aprovação. O olhar eterno sobre ele das outras pessoas, sentiu a existência real da vergonha. Parou de pensar no "EU" como um objeto único. Constrói uma ideia de "NÓS" como um outro mundo. Como uma entidade como o "EU" surge? Isto implica que não é possível as pessoas sentirem-se confortáveis umas com a outras. É impossível pensar em vários "EUs" simultanemente. O seu "EU" sempre será um objeto para o outro observador. Todo "EU" está sempre em conflito. Não podemos escapar destes jogos terríveis das pessoas conosco o tempo todo. 

Ao perceber nas pessoas as semelhanças, o uso dos mesmos códigos, isto vai contra o "isto é milha escolha." "EU" prefiro fazer isto. Exagero de liberdade. É a destruição dos outros valores, sob os quais vivemos a maior parte do tempo. 

Um mundo existencialista em que tomamos decisões por nós mesmos seria um mundo socialista em que todos nós nos trataríamos como iguais, mas é difícil ver se este não seria um mundo de maníacos tratando-se da mesma maneira. 

Em 1964 ganhou o prêmio Nobel, mas recusou-o. Não quer ser inserido no sistema. Pensa que se foi escolhido é porque agora o sistema o aceita, e se coloca contra isto. 

Como ele concebe a liberdade sempre fora uma fantasia, mas se tornou claro que a liberdade individual não existe. 

"Eu penso contra eu mesmo. Contra tudo que lhe foi inculcado pela educação. Você tem que criticar tudo o que foi "dado" à você.

Faleceu em 19 de abril de 1980. 

Participaram deste documentário:

- Bernard- Henry Levy - Filósofo
- Annie Cohen-Solal - Biógrafa
- Michele Vian - Amiga
- Jonathan Rée - Filósofo
- Ronald Hayman - Biógrafo
- Baroness Mary Warnock - Filósofa
- Olivier Todd - Escritor
- Patrick Vauday - Filósofo
- Jean Pouillon - Amigo
- Michel Contat - Amigo
- Mary Warnock - Filósofa

Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=jDHnW6U0Tk4
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=ts-fcq6ZNHk
Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=8Hu2mW20pes
Parte 4: https://www.youtube.com/watch?v=rHeUm5W00mY&spfreload=10