segunda-feira, 18 de maio de 2015

FILME: AS QUATRO VOLTAS - 2010


Direção: Michelangelo Frammartino - 2010
Duração: 88 min
Título Original: Le Quattro volte
País: Itália - Alemanha - Suíça 

Uma vila medieval na Calábria, Itália onde as tradições são mantidas e há o pastoreio das cabras. Também produzem carvão de forma artesanal. 

Um filme para se sentir, pois não há falas, mas os sons da vila, das pessoas, dos animais e da natureza. É uma experiência única e para cada um é diferente.


Começa com um velho (Giuseppe Fuda) que pastoreia suas cabras junto com um cachorro. O dia a dia monótono dele, repetitivo, mas é um momento em que nos damos conta que também fazemos isto, em outro lugar, em outro tempo e contexto, mas repetimos diariamente as mesmas coisas da mesma forma. E o tempo passa, as estações mudam, os anos avançam, a vida se vai. O velho morre sozinho e somente o cachorro pode avisar a todos e o faz de forma brilhante e inteligente no dia da encenação da Paixão de Cristo. O enterro e a pedra que fecha o túmulo, ficamos do lado de dentro do túmulo, escuridão, alguns míseros sons.


As cabras, e no ritmo da vida se um  morre outro nasce, e nasce um cabritinho. Acompanhamos as cabras, o crescimento dos pequenos, até o dia em que este que nasceu se perde, e acaba se abrigando embaixo de uma imensa árvore. Novamente a escuridão e os sons.


Árvore imensa, majestosa. As estações passam, e quis que ela fosse a escolhida para a festa daquele ano,  assistimos sua derrubada, é levada para a vila, sobem nela, quem consegue ganha o prêmio. É derrubada, em seu topo vários presentes. Fim de festa, ela é serrada e levada para a carvoaria.





Vemos como se produz carvão artesanalmente. E a árvore imensa, agora tocos de madeira, é colocada por primeiro, e finalmente a escuridão novamente. Fim de mais um ciclo.



E tudo se repete na vila, o pequeno caminhão que já passava no tempo do velho sobe novamente a rua, carregado de carvão para vender ao povo. Vemos a fumaça saindo da chaminé. 

Tudo sempre se reorganiza, nada para, morrem uns mas a vida continua, nascem outros, e a vida continua. Voltas e mais voltas e tudo recomeça e tudo termina, e recomeça. O que vemos é a natureza, incluindo o ser humano, o que vemos é a vida como ela é, sem enfeites ou eufemismos, ela segue. Mesmo que a religião se faça presente, ela se faz como ritual, como parte da vida, esta vida que segue, e não como ordenadora da vida. E o homem também é formado de sais, é um mineral, que retorna à terra. O filme homenageia o ciclo da vida em suas quatro manifestações: humana, animal, vegetal e animal, e estão todos interligados. 

Belíssimo!

Veja o trailer: 




Michelangelo Frammartino nasceu em 1968 em Milão, Itália