domingo, 3 de janeiro de 2016

CINEASTAS: ROMAN POLANSKI


Rajmund Roman Liebling  nasceu em 18 de agosto de 1933 em Paris é diretor, produtor, roteirista e ator. Filho de emigrantes judeus poloneses, na Segunda Guerra mundial seus pais voltaram para Polônia e foram morar em Cracóvia, acreditando estarem seguros lá. Sua mãe e outros familiares morreram em Auschwitz. Seu pai também foi para um campo de concentração, mas sobreviveu. Polanski sobreviveu ao gueto de Cracóvia, viveu como mendigo, foi espancado sofrendo um traumatismo craniano que quase foi fatal. Somente no fim da guerra reuniu-se novamente com o pai. 

Foi para os Estados Unidos, mas após o brutal assassinato de sua esposa Sharon Tate pela gangue Manson em 1969 decide retornar para a Europa. Foi acusado de estupro de uma menor, caso até hoje inconcluso, o que não permite que entre em território Norte Americano sob pena de ser preso. 

FILMOGRAFIA: citarei os que tem títulos brasileiros

- A faca da água - 1962
- Repulsa ao sexo - 1965
- Armadilha do destino - 1966
- A Dança dos vampiros - 1967
- O Bebê de Rosemary - 1968
- Macbeth - 1971
- Que? - 1972
- Jackie Stewart - o fim de semana de um campeão - 1972
- Chinatown - 1974
- O Inquilino - 1976
- Tess - Uma lição de vida - 1979
- Piratas - 1986
- Busca Frenética - 1988
- Lua de Fel - 1992
- A morte e a donzela - 1994
- O último portal - 1999
- O Pianista - 2002 - postado no blog
- Oliver Twist - 2005
- O escritor fantasma - 2010
- Deus da carnificina - 2011
- A Theraphy - 2012
- D - 2012
- A pele de Vênus - 2013 - postado no blog.
- The Dreyfus affair - 2016 






sábado, 2 de janeiro de 2016

CINEASTAS: INGMAR BERGMAN


Ingmar Bergman nasceu em 14 de Julho de 1918 em Uppsala, e faleceu em 30 de julho de 2007 em Farö, Suécia. Um dos diretores de cinema mais aclamados no mundo. Seu tema principal é o lado psicológico das pessoas e a questão da influência da religião na vida das pessoas.

FILMOGRAFIA

- Crise - 1945
- Chove sobre nosso amor - 1946
- Um barco para Índia - 1947
- Música na noite - 1948
- Porto - 1948
- Prisão - 1949
- Sede de Paixões - 1949
- Rumo à felicidade - 1949
- Isto não aconteceria aqui - 1950
- Juventude, Divino tesouro - 1951
- Quando as mulheres esperam - 1952
- Monika e o desejo - 1952
- Noites de Circo - 1953
- Uma lição de amor - 1954
- Sonhos de mulheres - 1955
- Sorrisos de uma noite de amor - 1955
- O Sétimo selo - 1956
- Morangos Silvestres - 1957
- No limiar da vida - 1957
- O rosto - 1958
- A fonte da donzela - 1959
- O olho do diabo - 1960
- O jardim do prazer - 1961
- Através de um espelho - 1961
- Luz de inverno - 1962
- O Silêncio - 1963
- Para não falar de todas essas mulheres - 1964
- Persona - Quando duas mulheres pecam - 1966
- Stimulantia - 1967
- A hora do lobo - 1968
- Vergonha - 1968
- A paixão de Ana - 1969
- O Rito - 1969
- Documentário sobre a ilha de Faro - 1969
- A hora do amor - 1971
- Gritos e Sussurros - 1972
- Cenas de um casamento - 1973
- A Flauta mágica - 1974
- Face a face - 1976
- O ovo da serpente - 1977
- Sonata de Outono - 1978 - postado no blog
- Da vida das marionetes - 1980
- Fanny e Alexander - 1982
- O rosto de Karin - 1983
- Depois do ensaio - 1984
- A Marquesa de Sade - 1992
- O último suspiro - 1995
- Na presença de um palhaço - 1997
- Os construtores de imagens - 2000
- Saraband - 2003

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ingmar_Bergman



CINEASTAS: FRANÇOIS TRUFFAUT


François Truffaut nasceu em 06 de fevereiro de 1932 em Neuilly-sur-Seine, França e faleceu no dia 21 de outubro de 1984 na mesma cidade. 

Um dos fundadores da Nouvelle Vague, dirigiu 26 filmes sendo um ícone do cinema. Foi roteirista, produtor e ator. Seus principais temas são as mulheres, a paixão e a infância. 

Jamais conheceu o pai e foi abandonado pela mãe, sendo criado pelos avós maternos. Mais tarde, após a morte da avó vai morar com a mãe que está casada com Roland Truffaut que o adota e o registra com seu nome. Foi um período muito difícil, pois a mãe continua a rejeitá-lo e o padrasto também levando-o a uma vida de delinquência que ele retratara no filme autobiográfico Os incompreendidos/ os 400 golpes.



FILMOGRAFIA:

- Uma visita - 1955
- Os pivetes - 1957
- Paris nos pertence - 1958 - produtor
- Os incompreendidos/os 400 golpes - 1959
- Atirem no pianista - 1960
- Jules et Jim - Uma mulher para dois - 1962
- O amor aos 20 anos - 1962
- Um só pecado - 1964
- Fahrenheit 451 - 1966
- Infância Nua - 1968 - produtor
- A noiva estava de preto - 1968
- Beijos proibidos - 1968
- A sereia do Mississipi - 1969
- O garoto selvagem - 1970
- Domicilio conjugal - 1970
- Duas inglesas e o amor - 1971
- Uma jovem tão bela como eu - 1972
- A noite americana - 1973
- A história de Adèle H. - 1975 - postado no blog
- Na idade da inocência - 1976
- O homem que amava as mulheres - 1977
- O quarto verde - 1978
- Amor em fuga - 1979
- O último metrô - 1980
- A mulher do lado - 1981
- De repente, num domingo - 1983

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Truffaut

CINEASTAS: ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU



Alejandro González Iñárritu nasceu em 15 de agosto de 1963 na Cidade do México. É um cineasta, produtor, argumentista e roteirista mexicano.

FILMOGRAFIA:

- Amores Brutos - 2000
- 11 de Setembro - 2002
- 21 Gramas - 2003 - postado no blog.
- Babel - 2006 - postado no blog
- Biutiful - 2010 - postado no blog
- Birdman ou a inesperada virtude da ignorância - 2014
- O Regresso - 2015 - postado no blog.

CINEASTAS: DENIS VILLENEUVE


Denis Villeneuve nasceu em 03 de outubro de 1967 em Gentilly, Quebec, Canadá. É diretor e escritor.

FILMOGRAFIA:

- Cosmos - 1996
- Un 32 août sur terre - 1998 - postado no blog
 - Redemoinho - 2000
- Polytechnique - 2009
- Incêndios - 2010 - postado no blog
- Os suspeitos - 2013
- O homem duplicado 2013 - postado no blog
- Sicario: Terra de ninguém - 2015
- Story of your life - 2016 - filmando


CINEASTAS: LARS VON TRIER


Lars Von Trier nasceu em 30 de abril de 1956 em Copenhague, Dinamarca.



FILMOGRAFIA:

- Elemento de um crime - 1984
- Epidemia - 1987
- Medéia - 1988 - postado no blog.
- Europa - 1991
- Ondas do destino - 1996 - postado no blog
- Os Idiotas - 1998
- Dançando no escuro - 2000
- As cinco obstruções - 2003
- Dogville - 2003
- Manderlay - 2005
- O grande chefe - 2006
- Anticristo - 2009
- Melancholia - 2011 - postado no blog
- Ninfomaníaca - 2013
- Ninfomaníaca II - 2014

CINEASTAS: MICHAEL HANEKE


Michael Haneke nasceu em 23 de março de 1942 em Munique, Alemanha. Estudou psicologia, filosofia e teatro na Universidade de Viena. É diretor, roteirista e ator.

FILMOGRAFIA:

- O Sétimo continente - 1988
- O Vídeo de Benny - 1992
- 71  fragmentos de uma cronologia do acaso - 1994
- O Castelo - 1997
- Jogos perigosos - 1997
- Código Desconhecido - 2000
- A Professora de piano - 2000
- O Tempo do lobo - 2002
- Caché - 2005
- Violência Gratuita - 2007
- A Fita branca - 2009 - postado no blog.
- Amor - 2012 - postado no blog
- Happy End - 2016 - a ser lançado

CINEASTAS: WOODY ALLEN



Allan Stewart Königsberg - conhecido como Woody Allen nasceu em Nova Iorque em 01 de dezembro de 1935. É cineasta, roteirista, escritor, ator e músico.

FILMOGRAFIA:

- O que é que há, gatinha? - 1965
- O que há, tigresa? - 1966
- Cassino Royale - 1967
- Quase um sequestro. - 1969
- Um assaltante bem trapalhão - 1969
- Bananas - 1971
- Sonhos de um sedutor - 1972
- Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar- 1972
- O Dorminhoco - 1973
- A última noite de Boris Grushenko - 1975
- Testa de ferro por acaso - 1976
- Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - 1977
- Interiores - 1978
- Manhattan - 1979
- Memórias - 1980
- Sonhos eróticos numa noite de verão - 1982
- Zelig - 1983 - postado no blog.
- Broadway Danny Rose - 1984
- A Rosa púrpura do Cairo - 1985
- Hannah e suas irmãs - 1986
- Setembro - 1987
- Rei Lear - 1987
- A Era do rádio - 1987
- A outra - 1988 - postado no blog.
- Contos de Nova Iorque - 1989
- Crimes e Pecados - 1990
- Simplesmente Alice - 1990
- Cenas de um Shopping - 1991
- Neblina e Sombras - 1991
- Maridos e esposas - 1992
- Um misterioso assassinato em Manhattan - 1993
- Tiros na Broadway - 1994
- Poderosa Afrodite - 1995
- Todos dizem eu te amo - 1996
- Desconstruindo Harry - 1997
- Celebridades - 1998
- FormiguinhaZ - 1998
- Poucas e boas - 1999
- Trapaceiros - 2000
- O escorpião de jade - 2001
- Dirigindo no escuro - 2002
- Igual a tudo na vida - 2003
- Melinda e Melinda - 2004
- Ponto final - Match Point - 2005
- Scoop - o grande furo - 2006
- O sonho de Cassandra - 2007
- Vicky Cristina Barcelona - 2008 - postado no blog
- Tudo pode dar certo - 2009
- Você vai conhecer o homem dos seus sonhos - 2010
- Meia Noite em Paris - 2011 - postado no blog
- Para Roma com amor - 2012
- Blue Jasmine - 2013 - postado no blog
- Amante a domicílio - 2013
- Magia ao luar - 2014
- O homem irracional - 2015 - postado no blog.

CINEASTAS: PEDRO ALMODÓVAR



Pedro Almodóvar Caballero nasceu em 24 de Setembro de 1949* em Calzada de Calatrava, Ciudad Real, Espanha. É diretor, produtor, ator e roteirista. Produziu vários curtas antes dos filmes pelos quais é reconhecido. 
* o ano de nascimento de Almodóvar é incerto, alguns informam 1951. 
Estudou com os salesianos e os franciscanos, o que o levou a perder sua fé em Deus. 
O cinema de Almodóvar enfoca o psiquismo e o interno das pessoas e as relações entre os personagens em intensas trocas afetivas seja de amor ou de ódio, há sempre o enfoque no desejo, no inconsciente, na infância. Ele também enfoca a homossexualidade que é uma projeção, experiência própria do diretor. 
É a vida e a morte, a sexualidade que se apresenta em todas suas formas, a identidade, o trágico da vida, que ele nos apresenta via a comédia e o burlesco. 

O meu preferido é A pele que habito e o brilhante Relatos Selvagens que ele produziu. 





FILMOGRAFIA: 

- Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão - 1980
- Labirinto de paixões - 1982
- Maus hábitos - 1983
- O que fiz eu para merecer isto? -1984
- Matador - 1986
- A lei do desejo- 1987
- Mulheres à beira de um ataque de nervos - 1988
- Ata-me - 1990
- De salto alto - 1991
- Kika - 1993
- A flor do meu segredo - 1995
- Carne Trêmula - 1997
- Tudo sobre minha mãe - 1999
- Fale com ela - 2002
- Má educação - 2004 - postado no blog.
- Volver - 2006 - postado no blog.
- A vereadora antropófaga - 2009
- Abraços Partidos - 2009
- A pele que habito - 2011 - postado no blog.
- Amantes passageiros - 2013 
- Julieta - 2016 - ainda não lançado. 

PRODUÇÃO:

- Labirinto de Paixões - 1982
- Mulheres à beira de um ataque de nervos - 1988
- A espinha do diabo - 2001
- Minha vida sem mim - 2003
- Menina santa  - 2003
- A vida secreta das palavras - 2004 - postado no blog.
- A mulher sem cabeça - 2007
- A pele que habito - 2011
- Relatos Selvagens - 2014 - postado no blog.
- O Clã - 2015

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MELHORES LIVROS DE 2015

Da mesma forma como faço com os filmes elejo os melhores livros que li no ano, não obrigatoriamente que sejam lançados no ano.

Segue a lista de 2015:

- REZE PELAS MULHERES ROUBADAS - Jennifer Clement.

- O TOM AUSENTE DE AZUL - Jennie Erdal.

- JUDAS - Amós Oz.

- SUBMISSÃO - Michel Houellebecq.

- O FRÁGIL TOQUE DOS MUTILADOS - Alex Sens.

- GRANDE SERTÃO: VEREDAS - João Guimarães Rosa.

- ÍRISZ: AS ORQUÍDEAS - Noemi Jaffe.

- A CERIMÔNIA DO ADEUS - Simone de Beauvoir.

- RELATAR A SI MESMO Crítica da violência ética - Judith Butler.

- SANGUE NO OLHO - Lina Meruane.

Todos estão postados no Blog.

MELHORES FILMES DE 2015

A cada final de ano elejo os filmes que mais me tocaram ou ensinaram algo. Escolho entre os que assisti, não se trata dos filmes que estrearam em 2015.

Este ano foram estes meus escolhidos:

-  E Buda desabou de vergonha - 2007 - Direção: Hana Makhmalbaf. Este filme é de uma extrema sensibilidade e ao mesmo tempo nos mostra um mundo cruel onde até os Budas desabam de vergonha. Através de uma menina, Baktai, de apenas 06 anos que deseja muito aprender a ler e fara tudo para realizar seu desejo e de seu percurso para isto vamos vendo uma realidade difícil, onde as ilusões, sonhos, o lado bom vai se desfazendo e caindo em pó, como os Budas gigantes que foram destruídos pelo Taliban em 2001. 

- Relatos Selvagens - 2014 - Direção: Damián Szifron . Um filme impactante! de um refinado humor negro que retrata seis episódios na vida de diversas pessoas sobre algo que ocorre seja no cotidiano, seja de surpresa que as leva ao descontrole, trazendo a tona o desejo incontrolável de se vingar, a pulsão agressiva que atua ao invés de falar ou se voltar contra si próprio no lugar de se transformar em algo mais criativo. Estamos diante do humano, demasiadamente humano como diria Nietzsche. Aqui não há redenção, provações, sacrifícios ou aprendizado, o que vemos surgir é o nosso duplo, o outro que nos habita que muitas vezes nem sequer conhecíamos, o vingador! o desejo de descontar no outro o que sofreu, muitas vezes devido suas próprias fraquezas e erros. 

- Winter Sleep - Sono de Inverno - 2014 - Direção: Nuri Bilge Ceylan. O filme tem 03 horas de duração mas vale todo seu tempo para os que apreciam os diálogos densos sobre as diferenças entre as pessoas e o que pensam sobre um mesmo tema, as diferenças de religião e há um diálogo fantástico sobre o amor e a resistência à violência. Ressentimentos, fragilidades e desejos que vem a tona, mostrando a fragilidade do ser humano e a máscara que usa para aparentar algo que não é. Relações que se constroem sobre o engano, não apenas em relação ao outro, mas sobre nosso auto-engano. Um filme que provoca, desloca e muda. 

- Timbuktu - 2014 - Direção: Abderrahmane Sissako. Nunca um filme me provocou tanta angústia, Sissako é brilhante. Baseando-se em fatos reais, mas não literalmente o filme retrata uma aldeia ao norte de Mali que é ocupada por extremistas religiosos. O que antes era um lugar alegre e colorido torna-se um deserto árido. As pessoas se retraem, algumas fugiram e outras resistem. Não há piedade, nem misericórdia, apenas o desejo do grupo de ser o Outro das pessoas que ali vivem. A angústia surge do que vemos e sentimos com o filme, sentimos este Outro se apoderando de tudo. Sissako consegue através da beleza e da arte criar um impacto muito maior do que se filmasse diretamente o horror e a violência. Ele o faz, mas com cortes entremeados de cenas ontológicas. 

- Villa Amalia - 2008 - Direção: Benoît Jacquot. O filme nos mostra os efeitos devastadores em uma mulher ao descobrir a infidelidade de seu companheiro de 15 anos. Ao perder seu amor ela se perde e  vemos em todos seus atos, expressões e sua dor a subjetividade desta mulher. Na modernidade isto pode parecer absurdo, mas o que vemos é a feminilidade, a falta do amor que leva uma mulher a perder a si mesma, e que ao invés de reagir com fugas através do consumismo, ter vários parceiros até chegar a depressão, ela enfrenta, se destrói para se reconstruir como mulher. Ela vive sua perda, inclusive a sua. 

- Vas, vis et deviens - Um herói do nosso tempo - 2005 - Radu Mihaileanu. O filme nos mostra a vida de um menino etíope que é levado para Israel como judeu por uma mulher que acaba de perder seu filho, ele vai no lugar deste menino e deixa sua mãe no campo de refugiados, mas ele não é judeu, é cristão. Terá que adotar o nome do menino morto e se fazer de judeu para sobreviver. Vamos acompanhá-lo até sua vida adulta, exatamente o percurso que sua mãe lhe deseja quando parte: Vá, viva e se torne! e tendo como pano de fundo a história de Israel. Ele terá que ser quem não é, e somente após poder dizer a verdade é que iremos compreender a culpa que ele carregou achando que tinha sido castigado pela mãe, somente neste momento ele irá compreender o ato de amor. Apesar de toda dor e dos traumas veremos que ele irá aos poucos conseguir ser ele mesmo.Chorei, ri, torci, um filme que emociona. 

- Mucize - 2014 - Direção: Mahsun Kirmizigül. Um belíssimo filme, poético,  paisagens deslumbrantes, cômico, triste, em tempos de violência, medo, um filme como este é uma dádiva. Baseado em fatos reais, é a história de Aziz que vive numa aldeia turca onde chega um professor. Aziz tem problemas, não fala, não anda direito, seu corpo é torto, ele baba. É filho do chefe da aldeia. Um filme que retrata a vida, não há tragédias, mas tristezas, não tem violência, mas tem atos criminosos. Fala do amor e do que ele pode fazer pelo ser humano, mas sem esperar nada em troca, sendo apenas doação. 

- M. Butterfly - 1993 - Direção: David Cronenberg.  Um dos melhores filmes que assisti sobre a patologia do amor. Quando idealizamos alguém ficamos cegos ao que este outro é realmente, não o vemos, e esta cegueira pode chegar a extremos como ocorre neste filme. É impressionante! Um lugar de falta que é preenchido pelo outro despertando o que não conhecíamos e o que somos, o que escondíamos de nós mesmos. 

- A história da eternidade - 2014 - Direção: Camilo Cavalcante. O sertão, tantas vezes filmado em sua seca, vida difícil, suas agruras, vem neste filme para nos contar sobre três mulheres e seus desejos. É num lugarejo no meio do árido que vemos os sonhos, os desejos, a dor, a dúvida, a rudeza, mas também a delicadeza, neste pequeno lugar que retrata o mundo, o ser humano, sempre o que é esteja onde estiver. Guimarães Rosa dizia que o sertão é o mundo, e o sertão está dentro de nós, Cavalcante faz um filme disto, e nos mostra este sertão. Um belíssimo filme sobre o trágico do humano. 

- A pele de Vênus - 2013 - Direção: Roman Polanski. Um filme denso, passado dentro de um teatro com duas pessoas. Sobre o amor, o desejo, os traumas da infância, o ideal que buscamos no outro, o sadomasoquismo. O interessante do filme é que a dupla que seria para o sadomasoquismo acaba não ocorrendo, uma vez que a mulher compreende que ao se colocar no papel de sádica é ao gozo dela que ela atende. Também podemos ver o filme sob o viés do poder masculino sobre o feminino e aqui vemos o escravo do amor, uma vez que o poder só pode pertencer a um. O interessante do filme é que a mulher não aceita nenhum destes lugares, e com isto se liberta. O filme nos fala da questão do desejo de ser um objeto para preencher um vazio que se vê no outro. 

Todos os filmes estão postados no Blog. 

FILME: O REGRESSO - 2015


Direção: Alejandro González Iñárritu - 2015
Duração: 158 min
Título Original: The Revenant
País de Origem: Estados Unidos

1822 - Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) está com um grupo de homens no oeste americano caçando para ganhar dinheiro vendendo peles. Será atacado por uma ursa que defende seus filhotes que estão na mira de Glass. Fica num estado miserável, praticamente à morte. 

Como estão sendo atacados pelos índios constantemente que querem as peles para vender aos franceses, precisam ir embora, os amigos o levam até um trecho quando percebem que não é possível continuar neste passo, o deixam ali com seu filho e mais um jovem e John Fitzgeral (Tom Hardy) que se interessa apenas pelos ganhos financeiros. 

Fitzgeral propõe a Glass matá-lo para que possam ir embora e com isto ele salvaria seu filho, o que ele concorda, porém quando está sendo sufocado seu filho chega e briga com Fitzgeral que acaba matando-o. Em seguida diz ao outro jovem que viu os índios e que precisam partir. Glass fica ali, sozinho. 

O filme é uma longa jornada de retorno que é nutrida pelo desejo da vingança. São duas horas e meia de filme com Glass avançando pouco a pouco até o reencontro com Fitzgeral onde ocorre uma verdadeira carnificina. 

O interessante é que no meio destes homens rudes, quase que sem alma, surge a fala sobre Deus por duas vezes. A primeira é Fitzgeral que fala sobre seu pai de quando ele encontrou Deus e a segunda no final quando Glass se dá conta que a vingança é algo para Deus. 

O filme que nos mostra uma cena de horror quando Glass é atacado pela ursa demonstra claramente que o selvagem mesmo é o ser humano, inclusive através de uma placa deixada num índio enforcado com os dizeres: nós também somos selvagens. 

Iñárritu sempre trabalha filmes densos e nos mostra o pior do ser humano mesclado com algo de bom. O ser humano diante da morte, do real, do medo, da vingança, do ódio. A tentativa de ser bom por orgulho e vaidade. DiCaprio está brilhante na atuação, ele passa praticamente o filme todo falando através dos olhos e de expressões faciais. O silêncio impera no filme, a natureza e o homem no meio dela. 

Alejandro González Iñárritu 

FILME: O HOMEM IRRACIONAL - 2015


Direção: Woody Allen - 2015
Duração: 94 min
Título Original: Irrational Man
País de Origem: Estados Unidos

Vou comentar o filme, mas irei retornar à ele.

Um professor de filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) vive uma crise existencial, não encontra nenhum sentido para sua vida, sofre de impotência sexual, acha tudo sem graça, é um pessimista e considera até mesmo a filosofia um monte de palavras que não serve para nada. Ele chega para ser o novo professor em uma pequena cidade dos Estados Unidos. 

Jill (Emma Stone) é sua aluna e se encanta com ele, fica fascinada pelo seu intelecto. A professora Rita (Parker Posey) também se interessa apesar de casada, vê nele a possibilidade de uma nova vida em outro lugar, de preferência na Espanha. 

Será num encontro com Jill em uma lanchonete que atraídos pela conversa da mesa ao lado, Abe irá encontrar algo que dê sentido a sua vida. Compreende que é pelo ato que irá atingir uma completude, ora, nada mais existencialista. Ele mesmo cita durante o filme Kierkegaard, Kant, Heidegger, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. 

Abe planeja o assassinato do juiz que é o obstáculo a uma mulher para ficar com seu filho diante de uma separação conjugal. Ele irá chamar isto de "ato existencial", acredita que isto deixará o mundo melhor, mas quem imediatamente fica melhor é ele mesmo que volta a ter gosto pela vida e recupera sua potência sexual. Mas não existe crime perfeito como ele acredita. Jill desconfiará e o colocará diante da moral e da ética. Novamente vemos termos existencialistas atuarem, será o acaso, a contingência que determinará o final do filme. 

O irracional que se manifesta em um homem que lida com a razão, acredita nela. Desta vez Woody Allen que gosta muito da psicanálise parte para a filosofia existencial neste filme. 

Woody Allen 

LIVRO: O CLAMOR DE ANTÍGONA - Parentesco entre a vida e a morte - JUDITH BUTLER



Butler, Judith. Editora da UFSC, 2014
128 páginas
Tradução: André Cechinel

Através de um diálogo com Hegel e Lacan, referências as leis do parentesco de Lévi-Strauss, Butler recupera Antígona como personagem principal ao invés de Édipo questionando as regras impostas e o desejo.
Butler questiona a estrutura do parentesco que leva a família burguesa, a normatização de que família é um homem, uma mulher e filhos. Outra questão é do quanto o incesto é realmente proibido pela lei universal.
Concordo com ela sobre a questão de que família não é este núcleo normatizante, porém discordo de que a estrutura leva a isto, uma vez que inclusive nos estudos antropológicos há povos onde é o tio materno que ocupa a posição simbólica de pai, e a mulher tem vários homens, muitas vezes nem se sabe quem é o pai da criança.

O pai simbólico da psicanálise é um lugar, não é levado em conta aqui quem é, este no caso é o pai real, o biológico. Pensando sobre isto a estrutura se mantém, mesmo em casos de homossexuais, pois mesmo que a opção seja por um parceiro do mesmo sexo, na maioria das vezes não será seu irmão, irmã, pai ou mãe.

Sobre a questão da proibição ser universal, tenho minhas reservas também, não acredito que haja algo universal. Mas o que a antropologia e a psicanálise dizem com passagem da natureza para a cultura com a proibição do incesto é uma questão também de linguagem, de troca, ou seja, se uma cultura, um povo, se fecha em si mesmo, sem haver casamentos com pessoas de outros povos, outras culturas, a linguagem acaba morrendo, não se enriquece.

Um filme excelente para se pensar sobre esta questão é A Guerra do Fogo de Jeann-Jacques Annaud onde fica bem nítido a passagem da natureza para a cultura, quando o protagonista descobre o riso, o sexo frontal, o amor.

Agora a análise sobre Antígona e Creonte é brilhante, na questão das posições de ambos, da feminilidade e da masculinidade. E considero de extrema importância o avanço, a psicanálise até o momento tem atuado com sua teoria no mundo, mas ela precisa também se rever a si mesma. Ela é um sintoma da modernidade, mas o mundo, os tipos de famílias, a feminilidade, a masculinidade, tudo isto avança, e por mais que se considere a estrutura como um lugar onde se mudam apenas os componentes, ainda assim, há coisas a serem revistas e urgentemente.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

DOCUMENTÁRIO: IVÁN - 2015


Direção: Guto Pasko - 2015
Duração: 109 min
País de origem: Brasil

Um documentário tocante sobre Iván Bojko, um ucraniano que sobreviveu a Segunda Guerra Mundial, fugiu para o Brasil e veio para Curitiba no Paraná. Nunca mais reviu sua família e seu país, passados 68 anos eis que surge a oportunidade.

O melhor do filme é que é o próprio Iván, e a filmagem ocorre em tempo real, ou seja não se trata de contar a história, mas de vivê-la junto com ele. A emoção, os reencontros, o rever sua terra, a casa dos pais, os amigos, e principalmente o reencontro com sua irmã. 

Eu pessoalmente revivi neste filme o que minha mãe viveu ao retornar para a Bélgica após 30 anos sem ir, a emoção e o tempo que demora para se conscientizar ao ganhar a passagem, o mesmo que ocorre com Iván, um dos momentos de muita emoção do documentário, o reencontro com sua irmã, o não reconhecimento acompanhado da certeza de estar lá, tudo mudou, não é mais como era, mas ao mesmo tempo é. 

O filme traz como pano de fundo o diário de Iván, nos mostra o que ele viveu na guerra, para que possamos acompanhar este percurso de vida deste homem que tem noventa e poucos anos, mas é de uma força inacreditável. Em 1942 ele foi retirado à força de seu país pelos nazistas para realizar trabalhos forçados na Alemanha. Era para ser o filho mais velho, que seria sua irmã, e ele diz que não, que ela não vai, e toma seu lugar. Em 1948 foge para o Brasil. 

É a história de muitos, dos que sobreviveram, tiveram que fugir, ficaram apátridas, foram acolhidos em outros países. O que chama a atenção levando em consideração o mundo atual, é que estes imigrantes foram acolhidos, Iván recebeu inclusive a cidadania brasileira, e também se integraram ao seu novo país. Ele em determinado momento diz que nunca voltou por medo, que é o medo que o segurou no Brasil e que nunca mais pensou que iria voltar, nem em sonhos. Interessante uma vez que meus pais também tinham este medo, e nunca mais desejaram morar na Europa. 

Mesmo com seus noventa e poucos anos, no momento que ele entra na casa dos pais, que está abandonada, ele chora como uma criança, ele se torna uma criança que chama pelo pai. O infantil que fica em nós e que nunca nos abandona. 

O filme é uma lição de vida, de coragem, de determinação, mas também de aceitação da vida como ela é. Vale a pena assistir!

Guto Pasko