O PAÍS DAS MULHERES
VERUS – 1ª ED. – 2011
Tradução: Ana Resende
220 páginas
Título Original: El país de las mujeres
Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo. Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
VERUS – 1ª ED. – 2011
Tradução: Ana Resende
220 páginas
Título Original: El país de las mujeres
EU MATEI SHERAZADE: CONFISSÕES DE UMA ÁRABE ENFURECIDA
JOUMANA HADDAD
RECORD – 1ª ED. - 2011
Tradução: Dinah Azevedo
144 páginas
PAÍS - LÍBANO
Eu Matei Sherazade, de
Joumana Haddad, aborda questões de gênero, liberdade e representação da mulher
na sociedade árabe. O livro combina memórias pessoais com reflexões políticas e
sociais, e o título simboliza a ruptura com o estereótipo da mulher submissa e
silenciosa presente na cultura árabe. Haddad escreve com paixão e honestidade
sobre sua própria trajetória, revelando os desafios que enfrentou como mulher e
escritora em uma sociedade patriarcal. A obra é inspiradora e instiga a
reflexão sobre gênero, autonomia e liberdade de expressão, oferecendo uma
perspectiva única e corajosa sobre as tensões entre tradição e emancipação
feminina.
Joumana Haddad nasceu em Beirute, Líbano, em 1970. É uma
escritora, palestrante, ativista de direitos humanos e jornalista libanesa.
CIVILICAÇÃO BRASILEIRA – 1ª ED. - 2011
Tradução: Marcelo Jacques de Morais
Este livro do historiador Jean Bottéro me ensinou muito — e, sobretudo, desmontou várias ideias que eu tinha como dadas. Com foco na Mesopotâmia, a obra é composta por uma série de artigos nos quais Bottéro reconstrói aspectos centrais do pensamento, da religião e da vida cotidiana mesopotâmica.
Um dos textos que mais me
impactou, talvez pela minha própria ignorância anterior, é o dedicado ao
chamado “Código de Hamurabi”. Bottéro demonstra que ele não deve ser entendido
como um código de leis no sentido moderno, como eu acreditava, mas algo muito
mais próximo do que hoje chamaríamos de jurisprudência. Trata-se de uma
compilação de decisões tomadas por Hamurabi diante de situações concretas,
reunidas como modelos para julgamentos futuros — o que altera profundamente a
forma como compreendemos o direito nesse contexto histórico.
Outro ensaio particularmente
marcante é o que trata da moral e do pecado, ao evidenciar as diferenças
profundas entre as crenças mesopotâmicas e a tradição judaico-cristã. Bottéro
mostra como conceitos que hoje consideramos universais são, na verdade, construções
históricas específicas, e como outras civilizações pensaram a relação entre
deuses, humanos, culpa e responsabilidade de maneira muito distinta.
O livro aborda ainda temas
variados, como a culinária, o amor, o direito das mulheres e a figura das
prostitutas — aspecto que, no meu caso, foi especialmente relevante. Bottéro
escapa de leituras moralizantes e restitui a complexidade social dessas figuras,
situando-as em seu tempo e em suas funções simbólicas e práticas.
A obra traz também a tradução do
Poema do Supersábio, um mito fundador mesopotâmico
que eu desconhecia, acompanhada de uma análise brilhante. Esse texto, em
particular, amplia o entendimento da cosmovisão mesopotâmica e de sua maneira
de pensar a origem do mundo, o saber e a relação com o divino.
No começo eram os
deuses é um livro que abre horizontes. Trouxe-me muitas informações
até então desconhecidas e obrigou a rever certezas sedimentadas. Por isso, a
leitura vale e muito a pena.vro do historiador Jean
Bottéro me ensinou muito — e, sobretudo, desmontou várias ideias que eu tinha
como dadas. Com foco na Mesopotâmia, a obra é composta por uma série de artigos
nos quais Bottéro reconstrói aspectos centrais do pensamento, da religião e da
vida cotidiana mesopotâmica.
Um dos textos que mais me
impactou, talvez pela minha própria ignorância anterior, é o dedicado ao
chamado “Código de Hamurabi”. Bottéro demonstra que ele não deve ser entendido
como um código de leis no sentido moderno, como eu acreditava, mas algo muito
mais próximo do que hoje chamaríamos de jurisprudência. Trata-se de uma
compilação de decisões tomadas por Hamurabi diante de situações concretas,
reunidas como modelos para julgamentos futuros — o que altera profundamente a
forma como compreendemos o direito nesse contexto histórico.
Outro ensaio particularmente
marcante é o que trata da moral e do pecado, ao evidenciar as diferenças
profundas entre as crenças mesopotâmicas e a tradição judaico-cristã. Bottéro
mostra como conceitos que hoje consideramos universais são, na verdade, construções
históricas específicas, e como outras civilizações pensaram a relação entre
deuses, humanos, culpa e responsabilidade de maneira muito distinta.
O livro aborda ainda temas
variados, como a culinária, o amor, o direito das mulheres e a figura das
prostitutas — aspecto que, no meu caso, foi especialmente relevante. Bottéro
escapa de leituras moralizantes e restitui a complexidade social dessas figuras,
situando-as em seu tempo e em suas funções simbólicas e práticas.
A obra traz também a tradução do
Poema do Supersábio, um mito fundador mesopotâmico
que eu desconhecia, acompanhada de uma análise brilhante. Esse texto, em
particular, amplia o entendimento da cosmovisão mesopotâmica e de sua maneira
de pensar a origem do mundo, o saber e a relação com o divino.
No começo eram os
deuses é um livro que abre horizontes. Trouxe-me muitas informações
até então desconhecidas e obrigou a rever certezas sedimentadas. Por isso, a
leitura vale e muito a pena.
Jean Bottéro nasceu em Vallauris em 1914 e faleceu em Gif-sur-Yvette,
França. Foi um historiador francês, assiriólogo, especialista no Antigo
Oriente.
DE BIZÂNCIO PARA O MUNDO: A saga de um império milenar
DIFEL – 11ª - 2011
Tradução: Pedro Jorgensen
320 páginas
Para quem deseja conhecer melhor
a fascinante história de Bizâncio, este livro é uma excelente porta de entrada.
Colin Wells constrói aquilo que define como “a narrativa de uma aventura
intelectual que conduz o leitor pelos desertos da Arábia até as florestas
sombrias da Rússia setentrional, pelas pitorescas cidades da Itália
renascentista até os momentos finais de uma cidade milenar”.
A
partir desse percurso, o autor mostra como Bizâncio não foi um império isolado
ou meramente decadente, mas um centro irradiador de ideias, formas políticas,
artísticas e religiosas que moldaram profundamente o mundo europeu e oriental.
Para começar a compreender a formação da Rússia — e inclusive as questões
históricas que envolvem a Ucrânia e Kiev —, este livro é imprescindível.
Wells
aborda também o Monte Athos, na Grécia, com seus mosteiros e a longa tradição
da iconografia cristã. Um espaço marcado por forte espiritualidade, mas também
por exclusões: até hoje, trata-se de um território onde a entrada de mulheres é
proibida, o que revela tensões persistentes entre religião, poder e gênero.
Ao
longo do livro, o autor acompanha missionários, filósofos e artistas que,
contra todas as probabilidades, propagaram os ideais gregos nas sociedades
italiana, islâmica e eslava. Assim, Bizâncio surge não apenas como herdeiro da
Antiguidade, mas como mediador fundamental entre mundos, tempos e culturas.
Um
livro que amplia o olhar sobre a história europeia e desmonta leituras
simplificadas sobre o passado — mostrando como muitos dos conflitos e heranças
do presente passam, inevitavelmente, por Bizâncio.
Collins Wells nasceu em
West Bridgford, Reino Unido, em 1933 e faleceu em North Wales, País de Gales.
Foi um historiador britânico especializado em Roma Antiga, arqueólogo e
acadêmico.
COMPANHIA DAS LETRAS – 1ª ED. 2011
472 páginas
Comprei este livro para ler a
versão de Claude Lanzmann sobre sua vida com Simone de Beauvoir, mas fui
surpreendida pela amplitude de seu conteúdo. A
Lebre da Patagônia é um livro de memórias que atravessa o século XX a
partir de uma experiência singular, intensa e profundamente política.
Lanzmann
revisita sua participação na Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, suas
impressões, enquanto judeu, sobre Israel, e suas viagens à Coreia do Norte e à
China. Nessas passagens, apresenta uma visão crítica e realista, bastante
distinta daquela que, à época, levou muitos intelectuais a louvar o comunismo e
o maoísmo sem maiores questionamentos.
O
livro aborda também sua relação com Simone de Beauvoir, mas não se reduz a ela.
Entrelaçam-se a essa narrativa o processo de realização de Shoah, seu filme monumental sobre o extermínio dos judeus,
revelando não apenas os bastidores das filmagens, mas o peso ético e
existencial que atravessou toda a sua feitura.
A
leitura vale muito a pena, inclusive por sua estrutura: o livro não segue uma
ordem cronológica linear, mas avança conforme as lembranças emergem. Esse
movimento fragmentado constrói, pouco a pouco, um panorama complexo e
perturbador do século XX, visto por alguém que o viveu intensamente — sem
ilusões e sem concessões.
Claude Lanzmann nasceu em Bois-Colombe, França, em 1925 e
faleceu em Paris em 2018. Foi um cineasta conhecido pelo documentário Shoah
(1985).
AUTOR – OYA BAYDAR
ORIGEM – TURCA
EDITORA – SÁ EDITORA - 2011
Tradução: Marco Syarayama de Pinto e Marina Mariz
464 páginas
PROJETO LER UMA MULHER POR PAÍS: TURQUIA
Palavra Perdida, de Oya Baydar, é menos um romance sobre um escritor em crise do que uma investigação sobre as condições históricas, políticas e afetivas que tornam a palavra impossível. A perda da palavra não aparece como um bloqueio individual ou psicológico, mas como efeito de um mundo em que a linguagem foi capturada: pelo mercado editorial, pelo nacionalismo, pela violência de Estado e pelas expectativas normativas que atravessam a família.
O escritor protagonista perde sua palavra
quando passa a escrever aquilo que se espera dele. A literatura deixa de ser
espaço de escuta da própria voz e se transforma em produto. A pergunta que
atravessa o romance — se a palavra morre quando a voz interior se cala ou
quando o sentido desaparece — desloca a crise da escrita para uma dimensão
ética e política: escrever torna-se impossível quando já não se pode dizer a
verdade do mundo que se habita.
Essa crise atravessa também a família. A
esposa, cientista reconhecida, carrega o ressentimento de uma modernidade
sempre suspeita aos olhos do Ocidente: mesmo premiada, precisa reiteradamente
provar que a Turquia pode produzir ciência “avançada”. O filho, por sua vez, é
esmagado pelo imperativo do sucesso. Incapaz de corresponder às expectativas
parentais, ele se lança à guerra como fotógrafo, expondo o corpo e o olhar à
violência extrema. Aqui, o romance sugere que a falha na transmissão da palavra
entre gerações abre espaço para outras formas de inscrição no mundo —
frequentemente autodestrutivas.
Ao deslocar a narrativa para o leste da
Turquia, Baydar torna explícito aquilo que já estava latente: a palavra perdida
é inseparável da violência política. A questão curda não aparece como pano de
fundo, mas como núcleo ético do romance. Onde a palavra é proibida, silenciada
ou criminalizada, resta o grito — “Mataram a criança!” — que atravessa a
narrativa como um chamado irrecusável. A criança morta funciona como figura
limite: quando o futuro é destruído, a linguagem entra em colapso.
O exílio final, na Noruega, não oferece uma
solução redentora. A tentativa de escapar da violência revela seus limites: não
há refúgio absoluto enquanto o mundo continuar organizado pela guerra, pela
exclusão e pela negação da alteridade. O romance recusa tanto a reconciliação
fácil quanto a nostalgia. O que resta é uma pergunta insistente sobre a
possibilidade de recuperar a palavra sem negar o real que a destruiu.
Nesse sentido, Palavra Perdida é um
romance profundamente contemporâneo. Fala da Turquia, mas também do mundo
globalizado, onde modernidade e tradição coexistem em tensão permanente, e onde
a palavra — literária, política, afetiva — está sempre ameaçada de
esvaziamento. Baydar escreve contra o silêncio, não para oferecer respostas,
mas para expor o custo humano de um mundo que prefere calar a escutar.
UMA VOZ FEMININA CALADA PELA INQUISIÇÃO
A religiosidade no final da Idade Média, as Beguinas e
Margarida Porete
RUTE SALVIANO ALMEIDA
HAGNOS – 2011
218 páginas
ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: O SENHOR DO LABIRINTO
LUCIANA HIDALGO
ROCCO – 2ª ED. (revista e ampliada) – 2011
208 páginas
PRÓXIMA ESTAÇÃO, PARIS
Uma viagem histórica pelas estações do metrô parisiense
LORÀNT DEUTSCH
PAZ E TERRA – 2011
Tradução: Alcida Brant
343 páginas
O LIVRO DE PRAGA – Narrativas de Amor e Arte
SÉRGIO SANT’ANNA
COMPANHIA DAS LETRAS – 2011
136 páginas
ESTADO – RIO DE JANEIRO
OS LADRÕES DE CISNE
ELIZABETH KOSTOVA
INTRÍNSECA – 2011
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
536 páginas
PAÍS – ESTADOS UNIDOS
A MULHER TRÊMULA ou uma história dos meus nervos
COMPANHIA DAS LETRAS – 2011
Tradução: Celso Nogueira
204 páginas
PAÍS – ESTADOS UNIDOS
A LEBRE COM OLHOS DE ÂMBAR
EDMUND DE WALL
INTRÍNSECA – 2011
Tradução: Alexandre Barbosa
318 páginas
O ANO DA LEITURA MÁGICA
NINA SANKOVITCH
LEYA – 2011
Tradução: Paulo Polzonoff
232 páginas