quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FILME: MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA - 2015


Direção: Justin Kurzel - 2015
Duração: 118 min
País de Origem: Reino Unido - França - Estados Unidos

Macbeth (Michael Fassbender) e Banquo (Paddy Considine) são generais do exército do Rei Ducan (David Thewlis) da Escócia. Eles vencem uma revolta chefiada por Macdonwald e pelo Barão de Cawdor o que muito agrada ao rei. No caminho de volta os dois encontram-se com as três feiticeiras que lhes fazem profecias, saudando Macbeth como Barão de Glamis, Barão de Cawdor. Elas então dizem: Salve Macbeth, ainda serás rei! Menor do que Macbeth e maior! Nem tão feliz, entretanto muito mais feliz! E para Banquo - Tu engendrarás reis, embora nunca o sejas. 

A primeira profecia logo se realiza quando chegam os emissários do rei e saúdam Macbeth como Barão de Cawdor. Lady Macbeth (Marion Cotillard) que sofre por não poder dar um herdeiro à Macbeth incitará o marido para que haja e seja rei, matando o Rei Ducan durante seu pernoite na vila onde moram. A partir deste feito o medo e a culpa irá atormentar Macbeth que passará a agir para eliminar qualquer um que possa se intrometer em seu caminho, a começar por Banquo. Aos poucos todos estes atos de morte, o sangue em suas mãos que ele nunca mais limpará o leva cada vez a atos mais infames, movido pelo medo, pela ambição e pela ganância. 

Chega o momento onde Lady Macbeth já não suporta mais, o marido enlouquece, tem visões de todos que assassinou. Ele procura as feiticeiras e novamente ouve previsões, desta vez vindo de fantasmas de mortos: Cuidado com Macduff! Ninguém nascido de mulher poderá vencê-lo! Macbeth só será vencido quando o grande bosque de Birnam, subindo a alta colina de Dunsinane, marchar contra ele. 

Macbeth então decide atacar Macduff (Sean Harris), mas este fugiu. Ele então mata toda sua família, esposa e filhos. Lady Macbeth já não suporta. Ela morre. Macduff retorna para se vingar. Cerca o castelo, o bosque de Birman é incendiado, e sobe ao castelo em fumaça. Chega o momento do confronto entre Macbeth e Macduff, que vence ao dizer que nasceu de uma cesariana, retirado de dentro de sua mãe, não tendo nascido pelas vias normais. 

Macbeth era um homem bom, honrado, mas ao ouvir as profecias ele se deixa levar pela ganância e desejo de poder. Sua esposa o confronta ao seu desejo e ao dela, que também deseja ser rainha. Eles cometem o primeiro crime hediondo, com barbaridade. Mas a crença de que farei isto somente para atingir o poder e depois viveremos em paz não funciona, a culpa e os fantasmas os perseguem. O medo de que outro se apodere do trono fazendo com que este ato criminoso se torne vão o leva a cometer outros na ilusão de desta forma ficar livre. Lady Macbeth é perseguida pelas manchas de sangue que não consegue limpar. Ele aos poucos enlouquece. 

Após vencerem a batalha ambos, Macbeth e Banquo, podem estar desejando a recompensa do feito, eles lutaram e venceram para que o reino da Escócia seja livre, então provavelmente inconscientemente desejavam a coroa. Isto se projeta nas feiticeiras que verbalizam o desejo. A questão é que um será rei e o outro pai de reis. Há um descompasso entre os dois que desejam a mesma coisa, mas se por um lado Banquo se ressente por nunca ser rei, Macbeth se angustia por não ter descendência, levando seu ato criminoso a um final, sem continuidade e que vai perdendo a razão de ser. O homem deseja a imortalidade. 

Se as feiticeiras não surgissem, o desejo inconsciente de ambos teria ficado adormecido, em sonhos, mas ao serem simbolizados pela palavra passam ao consciente, e daí para a ação. Por outro lado o rei Ducan é uma figura paternal, era um velho de barba branca. Aqui então temos o parricídio. Outro ponto é que no inicio do filme vemos um Macbeth temeroso, em dúvida, que quer desistir. É lady Macbeth quem o instiga, como uma mãe ao filho, mas depois ocorre a inversão, é ele quem comanda e ela aos poucos definha. 


Justin Kurzel nasceu em 1974 em Gawler, Austrália

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FILME: VINCERE - 2009



Direção: Marco Bellocchio - 2009
Duração: 118 min
País de Origem: França - Itália

O filme relata a relação de Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno) com Benito Mussolini (Filippo Timi) quando este era um jovem militante socialista radical. Ida apaixona-se perdidamente por ele, absolutamente fascinada por este homem, ela se desfaz de tudo que possui para ajudá-lo a fundar o jornal Il Poppolo d'Italia, o início do Partido Fascista. Ela engravida e nasce um menino. 

Durante a 1ª Guerra Mundial, Benito se alista no exército e fica um tempo sem dar notícias. Ela irá reencontrá-lo num hospital onde também encontrará a nova esposa dele, Rachele (Michela Cescon). 

Trata-se de uma história real pouco conhecida. Ida morreu em 1937 num manicômio psiquiátrico, sozinha, devastada, após sua imensa luta para ser reconhecida como esposa  do Duce, antes do casamento com Rachele que permaneceu sua esposa oficial até o fim de sua vida, e ter seu filho reconhecido como primogênito. Ao longo do filme vemos flashes de mulheres internadas em hospícios e trechos de documentários sobre a época e a ascensão de Mussolini ao poder. 

Logo no início do filme, estamos em 1910 e Benito desafia os cristãos dizendo que irá provar a inexistência de Deus: " se Deus não me fulminar em 05 minutos será demonstrado que ele não existe." Ida está fascinada por este homem, como em breve estará o povo italiano, que será, como Ida, traído e subjugado. 

Ida após ter sido abandonada por Benito não consegue ultrapassar isto, irá destruir sua vida na tentativa de ser reconhecida. Era uma mulher independente, bonita, inteligente, com posses, dona de uma casa de moda feminina em Milão. Abre mão de sua vida por ele. As cenas de amor dos dois no começo do filme mostram seu olhar vidrado nele, e o dele distante, em outro lugar. Há uma falta de limites dela em relação à ele, lhe entrega tudo, corpo, alma, posses. Apesar de dar tudo como ela mesma diz com alegria, como se isto fosse uma felicidade para ela de poder ajudar, no fundo o que ela deseja é ser única para ele, é ser A mulher. 

Ela se fixará nisto por toda sua vida, neste lugar que deseja acima de tudo, sendo incapaz de aceitar o fato que ele a deixou e trocou por outra mulher. Abrirá mão de qualquer possibilidade de reinício de uma vida com seu filho (Filippo Timi), com isto levando a ambos para o trágico. Lembra Antígona, uma vez que também vai contra o Estado e sua lei. Sua obstinação em afirmar que era a esposa e que o filho foi reconhecido, o que nunca foi comprovado oficialmente. 

Ida não é louca, ela sabe onde está, quem é, mas se fixa na loucura deste amor, me lembrando Camille Claudel com Rodin, que também se fixa nele. Acaba sendo internada após gritar para todos ouvirem que já escreveu ao papa, ao primeiro-ministro, ao presidente do tribunal de Milão para que ele vá preso. Depois vai viver com sua irmã e seu cunhado tem a guarda de seu filho. O indício da erotomania, ela diz que só ela o compreende e que está convencida que ele também a ama. É um certeza delirante e que a impede de fazer algo diferente com sua vida. Acabara sendo subjugada pela polícia fascista, seu filho será afastado dela e entregue para outra pessoa criá-lo o que trará um grande sofrimento para ele. E ela dirá que ele está fazendo isto para testá-la, que quer ter certeza de que pode sacrificar tudo por ele, e que quando ele tiver esta certeza irá buscá-la e a apresentará à Itália como sua legítima esposa. 

Ela não pode dar uma outra vida a seu filho, uma nova família. Ele acabou internado em um manicômio e morreu aos 26 anos abandonado. 

Marco Bellocchio nasceu em 1939 em Bobbio, Itália.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

FILME: CAROL - 2015


Direção: Todd Haynes - 2015
Duração: 118 min
País de Origem: Reino Unido - Estados Unidos


Este filme é de uma delicadeza ímpar, e a parte o amor homossexual, o que mais me chamou a atenção foi o enfoque no amor feminino. Therese Belivet (Rooney Mara) trabalha numa loja de departamentos na sessão de brinquedos infantis, vive sozinha e tem um namorado. É época de natal, e Carol (Cate Blanchett), uma mulher elegante e refinada vai até a loja em busca de uma boneca para sua filha e é atendida por Therese. 

Carol é casada com Harge (Kyle Chandler) de quem está se divorciando. Há uma troca de olhares entre ela e Therese logo no início do filme, mas a aproximação das duas se dará pela solidão de ambas, pela insatisfação com suas vidas, pelas restrições que a sociedade impõe e pelo que espera da mulher, o que nem sempre está de acordo com ela deseja. 

Quando o marido de Carol a impede de passar o natal com sua filha, exigindo que ela vá junto passar com sua aristocrática família que condena o comportamento de Carol e sua amizade com Abby, madrinha da menina, ela se revolta e decide convidar Therese para fazer uma viagem com ela.

Carol está passando pelo processo de divórcio e a questão da guarda da filha, sendo que foi acusada de comportamento imoral devido sua relação com Abby. Esta viagem aproximará de vez ela com Therese, mas elas não sabem que estão sendo seguidas. 

O que toca é o singelo, a delicadeza, a busca de ser feliz, de poder viver sua vida. O que enfrentam, principalmente Carol, numa época onde o homossexualismo era condenado pela sociedade, o que talvez não difira muito de hoje no sentido do moralismo, uma vez que ainda é tabu. Sem apelos ao erótico, apesar de sua presença sutil, sem apelos ao vulgar, o filme nos traz duas mulheres apaixonadas que encontram uma na outra um sentido para suas vidas tão vazias até aquele encontro. O quanto esta relação transforma as duas. 


Todd Haynes nasceu em 1961 em Encino, Los Angeles, Califórnia, EUA. 

LIVRO: PECAR E PERDOAR Deus e o homem na história - LEANDRO KARNAL



Karnal, Leandro. 1ªed. HarperCollins Brasil, 2014
208 páginas

Karnal neste livro nos fala do pecado e do perdão e para tanto se utiliza dos sete pecados capitais fazendo uma análise laica em relação a vida e aos acontecimentos que ocorrem para todos nós. É muito interessante e válido. 

Ele começa nos falando sobre o perdão, quando muitos de nós ou penso que todos nós muitas vezes achamos que é fácil, que perdoamos, que ficamos bravos no momento, mas depois passa, porém Karnal fala de si próprio, de quando realmente se confrontou com uma situação onde era difícil perdoar. 

Um dos pontos que mais me chamou a atenção é a questão do orgulho, ao qual nenhum de nós escapa e que seria o maior pecado, o que está por trás de todos os outros. Ele nos conta a história de Santo Antão que o diabo faz de tudo para fazê-lo pecar, e após muitos anos de tentativas ele finalmente desiste, e ao sair da caverna onde estava o santo este diz: Deus, consegui!, e o diabo volta com um sorriso nos lábios, ele havia vencido, pois aí está o orgulho. Outro exemplo forte que Karnal nos dá é o de uma mãe que deixa de comer para dar ao filho, o que todos nós consideramos um ato de amor, sacrifício, mas no fundo, esta mãe se alimenta do orgulho de seu ato, há algo de egoísmo nisto. 

Para quem conhece Karnal e já assistiu os vídeos com ele, sabe como ele faz uso da palavra e sua forma de falar, e que se percebe também no livro, há pausas, há lucidez, há um choque muitas vezes. 

Um livro para pensar, analisar seus próprios atos e sentimentos em várias situações da vida. 

Leandro Karnal nasceu em 1963 em São Leopoldo, RS. É historiador e professor da Unicamp

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

FILME: 45 ANOS - 2015



Direção: Andrew Haigh - 2015
Duração: 95 min
Título Original: 45 Years
País de Origem: Reino Unido

O que faríamos se ao completar 45 anos de casados nos víssemos frente a um fantasma da juventude e nos confrontando com o real de qualquer relacionamento, por mais antigo que seja, de que nunca conhecemos ao outro. Kate (Charlotte Rampling) está diante desta situação quando seu marido Geoff (Tom Courtenay) recebe uma carta informando que o corpo de sua namorada e primeiro amor foi encontrado congelado nos Alpes Suíços reavivando algo nunca morreu de fato. 

Geoff era apaixonado por Katya e ela morreu ao cair numa fissura nos Alpes num momento onde Geoff se deparava com uma crise de ciúmes em relação ao guia. A carta mexe com Geoff que passa a se comportar de uma forma diferente enquanto Kate se dá conta de apesar de saber da história há muito que não lhe foi contado. 

O filme é belíssimo. Nos mostra o cotidiano deste casal que mora no campo, que estão casados há muitos anos e tem sua rotina estabelecida. Estão prontos para comemorar com uma festa seus 45 anos de casados. Mas esta carta mexe com toda esta estrutura de vida em comum. Kate se dá conta que Katya é um morto insepulto, que durante todos estes anos esteve presente não só na mente e coração de Geoff como em sua casa através de coisas guardadas no sótão ou de um perfume que ele gosta de usar. Ao decidir enfrentar Kate acaba descobrindo muito mais do que sabia e se no início consegue ouvir Geoff falar dela chega um momento em que não pode mais. 

Geoff enfrenta seu luto, sua perda, sua dor. Kate precisa encarar que este fantasma esteve sempre ali e obviamente as dúvidas surgem: quem ele ama? ele ainda a ama? ele me amou? 

Por mais que se fale há coisas que não se explicam, ou não convencem quando uma dúvida surge. A confiança de anos, a certeza de que sabemos tudo do outro, o que é ilusório, mas acreditamos nisto, que conhecemos nosso companheiro, e de repente não é nada disto. As certezas desmoronam, e estamos diante da falta de controle que gostamos de ter, ou imaginamos ter. Afinal, quem é este com quem estou casada há 45 anos? 

Geoff está diante de uma revivência? ou realmente passou todos estes anos se enganando? ou silenciado? A impressão que passa é que cristalizou o momento, o luto não foi feito, não havia corpo para sepultar. Então isto não havia se encerrado, ficou latente. Uma contingência que afeta toda sua vida. E é preciso continuar, fazer outras escolhas. Geoff escolheu Kate, Kate escolheu Geoff. Este é o momento deles, mas o que cada um traz em si permanece, algumas vezes elaborado, outras não. 

Há uma inversão no final do filme, quando talvez Geoff finalmente encerra este momento do passado e assume sua escolha, e Kate talvez passe a viver a dúvida do que tinha como certo. A cada um sua interpretação do final. 

Andrew Haigh nasceu em 1973 em Harrogate, Reino Unido.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

FILME: AS SUFRAGISTAS - 2015



Direção: Sarah Gavron - 2015
Duração: 106 min
Título Original: Suffragette
País de Origem: Reino Unido

1912 - Reino Unido, após 50 anos de luta pacífica para obter o direito de voto para as mulheres um grupo de militantes conhecidas como sufragistas decidem partir para a ação com atos mais violentos como quebrar vidraças de vitrines, explodir caixas de correio para chamarem a atenção sobre suas reivindicações. A líder do movimento é Emmeline Pankhurst (Meryl Streep), mas quem realmente luta são mulheres pobres, trabalhadoras, vítimas da opressão masculina e algumas mulheres que possuem educação como Edith Ellyn (Helena Bonham Carter) que tem o apoio de seu marido. 

Vemos um retrato da vida das mulheres na época. Destinadas ao casamento não tinham nenhum direito exceto o de trabalhar e ganhar menos que os homens, cuidar da casa, do marido e dos filhos. Além disto sofriam assédio sexual e não tinham como se defender disto. 

Maud Watts (Carey Mulligan) é uma destas mulheres, casada com Sonny (Ben Whishaw) tem um filho, Georgie, e trabalha numa lavanderia, no mesmo local onde seu marido trabalha, porém os homens tem trabalhos externos enquanto elas sofrem problemas respiratórios e de pulmão, além de ganhar bem menos. Maud não fazia parte das sufragistas até se aperceber do movimento, aos poucos ela começa a participar e pagará um preço alto por isto. Seu marido a expulsará de casa por se sentir desmoralizado, envergonhado com os atos dela, e depois ele irá dar o filho em adoção alegando que não tem como cuidar dele. Mas ao invés de com isto fazer Maud desistir, ela se dá conta do quanto não pode se defender nem ao seu filho, ou seja, que não tem direitos. É a partir deste momento que ela passa a se considerar uma sufragista e irá lutar junto as outras mulheres. 

Há cenas de violência contra as mulheres pela polícia e elas são presas, várias vezes. O inspetor Arthur Steed (Brendan Gleeson) é o responsável por contê-las o que ele tenta de todas as formas, mas apesar de tudo elas são persistentes e ousadas, e chegam ao ponto de chamar a atenção de todos através de um ato de Violet Miller (Anne-Marie Duff) diante do rei, o que acaba lhe causando a morte. Mas foi neste momento que a comoção foi geral e o passo maior está dado, mas o direito ao voto elas só obterão em 1918. 

A grande questão deste filme é que se ele se passa em 1912 ele trata de um assunto que é absolutamente atual. As mulheres conseguiram muitos avanços e conquistaram muitos direitos, mas mesmo nos países ocidentais até hoje elas ganham menos. Isto para não falar dos países onde ainda nem conseguiram o direito ao voto. Na Arábia Saudita somente no ano passado, em 2015, as mulheres votaram pela primeira vez. 

Sarah Gavron nasceu em 1970 no Reino Unido.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

LIVRO: NIETZSCHE EM TURIM o fim do futuro - LESLEY CHAMBERLAIN



Chamberlain, Lesley. Difel. 2000
288 páginas
Tradução: Pedro Jorgensen Jr.
Título Original: Nietzsche in Turin - the end of the future

Este livro é um tipo de biografia que acompanha Nietzsche em seu último ano em Turim, 1888, até o momento em que ele sofre o colapso abraçado a um cavalo em consequência da sífilis. Um ano especialmente produtivo quando ele escreveu vários de seus livros. 

A autora faz uma análise paralela sobre as condições emocionais e psicológicas de Nietzsche, inclusive baseando-se também em Freud em alguns momentos. Ela acompanha o filósofo em suas emoções, ânimos,impressões, fazendo ao mesmo tempo uma descrição dos lugares e de como isto deveria afetá-lo. 

Há uma análise da relação de Nietzsche com Wagner que é brilhante mostrando o quanto ele ficou dependente do músico ao tê-lo colocado no lugar de um pai, pai este que sempre foi idealizado enquanto as mulheres da família o sufocavam, principalmente sua irmã Elisabeth.

Será neste ano de 1888 que Nietzsche escreverá O Caso Wagner como uma tentativa de se curar desta relação tão forte de amor, O anticristo, Ecce Homo e Ditirambos dionisíacos, após concluir em julho Genealogia da Moral

Chamberlain nos mostra a relação da vida familiar, pessoal do filósofo com suas criações - o trágico, o dionisíaco, a vontade de potência, o super-homem, as lacunas entre sua vida e suas reflexões. O quanto toda produção de Nietzsche falava apenas dele, numa tentativa de cura e de auto-superação. Toda a relação com a música, seja a da infância, a de Wagner e a de Bizet com Carmen. 

A doença, a solidão, suas inibições com o amor e o sexo, sua grande paixão por Lou Salomé, a morte de Wagner. Todas as máscaras que usa para enfrentar a vida e a doença. Nos livros tudo o que ele gostaria de ser, na vida o que ele era.

É realmente tocante seguir este ano com Nietzsche e perceber toda sua luta para se manter são, se superar como homem no sentido de ser alguém melhor. Não o super homem perfeito, de raça pura, que infelizmente foi utilizado depois pelo nazismo devido sua irmã que era uma simpatizante, Nietzsche jamais apoiaria o nazismo. Ele é introspectivo, está sempre fazendo uma auto-análise, na tentativa de se livrar dos traços e faltas da infância, principalmente o pai que morreu cedo o deixando em meio a várias mulheres por quem foi criado. É interessante como ele é um precursor da psicanálise, indo tão a fundo em si mesmo ele desvela o ser humano e seu inconsciente, seus dramas e suas tragédias. 

Nietzsche era humano, demasiadamente humano!!!


Lesley Chamberlain nasceu em 1951 em Rochford, Reino Unido. Estudou alemão e russo em Exeter e Oxford, trabalhou como jornalista em Moscou e vive em Londres onde escreve e leciona. 

FILME: CHÁ COM MUSSOLINI - 1999



Direção: Franco Zeffirelli - 1999
Duração:117 min
Título Original: Tea with Mussolini
País de Origem: Itália - Reino Unido

Florença, ali vivem algumas senhoras britânicas - Mary (Joan Plowright), Arrabella (Judi Dench) e Hester (Maggie Smith) conhecidas como escorpiões. Além delas há também duas americanas, Georgie,uma arqueologista (Lily Tomlin) e Elsa (Cher) mulher rica que se dedica a colecionar arte. 

Luca é um garoto que nasceu de uma relação fora do casamento de seu pai. Sua mãe morreu e o pai o colocou num orfanato. Mary é sua secretária e fica indignada com a falta de carinho e amor por parte do pai e as agressões histéricas de sua mulher para com a criança. Luca foge do orfanato e Mary o encontra, é quando toma a decisão de ficar com ele. Ele será em seguida enviado para a Áustria para estudar. O tempo passa e estamos a beira da Segunda Guerra Mundial. 

Hester viúva de um diplomata mantém toda sua arrogância e pompa, vive criticando a todos e devido o fato de haver tomado chá com Mussolini se acha plenamente segura na Itália, o que irá descobrir não ser verdade. A Inglaterra é inimiga do eixo, e portanto logo elas serão todas presas. É quando Luca retorna, já um jovem e entra para a resistência. Todas irão depender de suas ações para atravessarem este difícil período. 

Este filme é semi autobiográfico, pois Zeffirelli é filho ilegítimo de um comerciante de tecidos e de uma costureira. Após a morte de sua mãe quando ele tinha 06 anos foi criado por um grupo de atrizes inglesas conhecidas como "os escorpiões". 

Franco Zeffirelli nasceu em 1923 em Florença, Itália 

domingo, 3 de janeiro de 2016

CINEASTAS: ROMAN POLANSKI


Rajmund Roman Liebling  nasceu em 18 de agosto de 1933 em Paris é diretor, produtor, roteirista e ator. Filho de emigrantes judeus poloneses, na Segunda Guerra mundial seus pais voltaram para Polônia e foram morar em Cracóvia, acreditando estarem seguros lá. Sua mãe e outros familiares morreram em Auschwitz. Seu pai também foi para um campo de concentração, mas sobreviveu. Polanski sobreviveu ao gueto de Cracóvia, viveu como mendigo, foi espancado sofrendo um traumatismo craniano que quase foi fatal. Somente no fim da guerra reuniu-se novamente com o pai. 

Foi para os Estados Unidos, mas após o brutal assassinato de sua esposa Sharon Tate pela gangue Manson em 1969 decide retornar para a Europa. Foi acusado de estupro de uma menor, caso até hoje inconcluso, o que não permite que entre em território Norte Americano sob pena de ser preso. 

FILMOGRAFIA: citarei os que tem títulos brasileiros

- A faca da água - 1962
- Repulsa ao sexo - 1965
- Armadilha do destino - 1966
- A Dança dos vampiros - 1967
- O Bebê de Rosemary - 1968
- Macbeth - 1971
- Que? - 1972
- Jackie Stewart - o fim de semana de um campeão - 1972
- Chinatown - 1974
- O Inquilino - 1976
- Tess - Uma lição de vida - 1979
- Piratas - 1986
- Busca Frenética - 1988
- Lua de Fel - 1992
- A morte e a donzela - 1994
- O último portal - 1999
- O Pianista - 2002 - postado no blog
- Oliver Twist - 2005
- O escritor fantasma - 2010
- Deus da carnificina - 2011
- A Theraphy - 2012
- D - 2012
- A pele de Vênus - 2013 - postado no blog.
- The Dreyfus affair - 2016 






sábado, 2 de janeiro de 2016

CINEASTAS: INGMAR BERGMAN


Ingmar Bergman nasceu em 14 de Julho de 1918 em Uppsala, e faleceu em 30 de julho de 2007 em Farö, Suécia. Um dos diretores de cinema mais aclamados no mundo. Seu tema principal é o lado psicológico das pessoas e a questão da influência da religião na vida das pessoas.

FILMOGRAFIA

- Crise - 1945
- Chove sobre nosso amor - 1946
- Um barco para Índia - 1947
- Música na noite - 1948
- Porto - 1948
- Prisão - 1949
- Sede de Paixões - 1949
- Rumo à felicidade - 1949
- Isto não aconteceria aqui - 1950
- Juventude, Divino tesouro - 1951
- Quando as mulheres esperam - 1952
- Monika e o desejo - 1952
- Noites de Circo - 1953
- Uma lição de amor - 1954
- Sonhos de mulheres - 1955
- Sorrisos de uma noite de amor - 1955
- O Sétimo selo - 1956
- Morangos Silvestres - 1957
- No limiar da vida - 1957
- O rosto - 1958
- A fonte da donzela - 1959
- O olho do diabo - 1960
- O jardim do prazer - 1961
- Através de um espelho - 1961
- Luz de inverno - 1962
- O Silêncio - 1963
- Para não falar de todas essas mulheres - 1964
- Persona - Quando duas mulheres pecam - 1966
- Stimulantia - 1967
- A hora do lobo - 1968
- Vergonha - 1968
- A paixão de Ana - 1969
- O Rito - 1969
- Documentário sobre a ilha de Faro - 1969
- A hora do amor - 1971
- Gritos e Sussurros - 1972
- Cenas de um casamento - 1973
- A Flauta mágica - 1974
- Face a face - 1976
- O ovo da serpente - 1977
- Sonata de Outono - 1978 - postado no blog
- Da vida das marionetes - 1980
- Fanny e Alexander - 1982
- O rosto de Karin - 1983
- Depois do ensaio - 1984
- A Marquesa de Sade - 1992
- O último suspiro - 1995
- Na presença de um palhaço - 1997
- Os construtores de imagens - 2000
- Saraband - 2003

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ingmar_Bergman



CINEASTAS: FRANÇOIS TRUFFAUT


François Truffaut nasceu em 06 de fevereiro de 1932 em Neuilly-sur-Seine, França e faleceu no dia 21 de outubro de 1984 na mesma cidade. 

Um dos fundadores da Nouvelle Vague, dirigiu 26 filmes sendo um ícone do cinema. Foi roteirista, produtor e ator. Seus principais temas são as mulheres, a paixão e a infância. 

Jamais conheceu o pai e foi abandonado pela mãe, sendo criado pelos avós maternos. Mais tarde, após a morte da avó vai morar com a mãe que está casada com Roland Truffaut que o adota e o registra com seu nome. Foi um período muito difícil, pois a mãe continua a rejeitá-lo e o padrasto também levando-o a uma vida de delinquência que ele retratara no filme autobiográfico Os incompreendidos/ os 400 golpes.



FILMOGRAFIA:

- Uma visita - 1955
- Os pivetes - 1957
- Paris nos pertence - 1958 - produtor
- Os incompreendidos/os 400 golpes - 1959
- Atirem no pianista - 1960
- Jules et Jim - Uma mulher para dois - 1962
- O amor aos 20 anos - 1962
- Um só pecado - 1964
- Fahrenheit 451 - 1966
- Infância Nua - 1968 - produtor
- A noiva estava de preto - 1968
- Beijos proibidos - 1968
- A sereia do Mississipi - 1969
- O garoto selvagem - 1970
- Domicilio conjugal - 1970
- Duas inglesas e o amor - 1971
- Uma jovem tão bela como eu - 1972
- A noite americana - 1973
- A história de Adèle H. - 1975 - postado no blog
- Na idade da inocência - 1976
- O homem que amava as mulheres - 1977
- O quarto verde - 1978
- Amor em fuga - 1979
- O último metrô - 1980
- A mulher do lado - 1981
- De repente, num domingo - 1983

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Truffaut

CINEASTAS: ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU



Alejandro González Iñárritu nasceu em 15 de agosto de 1963 na Cidade do México. É um cineasta, produtor, argumentista e roteirista mexicano.

FILMOGRAFIA:

- Amores Brutos - 2000
- 11 de Setembro - 2002
- 21 Gramas - 2003 - postado no blog.
- Babel - 2006 - postado no blog
- Biutiful - 2010 - postado no blog
- Birdman ou a inesperada virtude da ignorância - 2014
- O Regresso - 2015 - postado no blog.

CINEASTAS: DENIS VILLENEUVE


Denis Villeneuve nasceu em 03 de outubro de 1967 em Gentilly, Quebec, Canadá. É diretor e escritor.

FILMOGRAFIA:

- Cosmos - 1996
- Un 32 août sur terre - 1998 - postado no blog
 - Redemoinho - 2000
- Polytechnique - 2009
- Incêndios - 2010 - postado no blog
- Os suspeitos - 2013
- O homem duplicado 2013 - postado no blog
- Sicario: Terra de ninguém - 2015
- Story of your life - 2016 - filmando


CINEASTAS: LARS VON TRIER


Lars Von Trier nasceu em 30 de abril de 1956 em Copenhague, Dinamarca.



FILMOGRAFIA:

- Elemento de um crime - 1984
- Epidemia - 1987
- Medéia - 1988 - postado no blog.
- Europa - 1991
- Ondas do destino - 1996 - postado no blog
- Os Idiotas - 1998
- Dançando no escuro - 2000
- As cinco obstruções - 2003
- Dogville - 2003
- Manderlay - 2005
- O grande chefe - 2006
- Anticristo - 2009
- Melancholia - 2011 - postado no blog
- Ninfomaníaca - 2013
- Ninfomaníaca II - 2014

CINEASTAS: MICHAEL HANEKE


Michael Haneke nasceu em 23 de março de 1942 em Munique, Alemanha. Estudou psicologia, filosofia e teatro na Universidade de Viena. É diretor, roteirista e ator.

FILMOGRAFIA:

- O Sétimo continente - 1988
- O Vídeo de Benny - 1992
- 71  fragmentos de uma cronologia do acaso - 1994
- O Castelo - 1997
- Jogos perigosos - 1997
- Código Desconhecido - 2000
- A Professora de piano - 2000
- O Tempo do lobo - 2002
- Caché - 2005
- Violência Gratuita - 2007
- A Fita branca - 2009 - postado no blog.
- Amor - 2012 - postado no blog
- Happy End - 2016 - a ser lançado