GENGIS
KHAN E A FORMAÇÃO DO MUNDO MODERNO
Bertrand
Brasil – 2ª ed. 2010
462 páginas
Quando li Nada será como antes, do cientista Miguel Nicolelis, ele se
referia ao profundo céu azul dos mongóis — o que me levou até minha biblioteca,
onde estava este livro sobre Gêngis Khan, comprado há alguns anos. Ainda bem,
pois seu preço hoje está inviável.
Comecei
a leitura e fui capturada pela história dos mongóis, sobre os quais, exceto
pela ideia de que Gêngis Khan teria sido um guerreiro sanguinário — imagem que
prevalece no Ocidente —, eu praticamente nada sabia. E fui absolutamente
surpreendida, não apenas por esse povo e pelo império que formaram, mas,
sobretudo, por seus feitos e por sua forma de pensar.
Sim,
houve guerras de conquista. Mas, sinceramente, nada que os diferencie
radicalmente de outros povos em luta: Roma em suas expansões, as guerras da
Idade Média, os godos, os celtas, entre tantos outros. Há diferenças, sim — na
estratégia e até mesmo na forma como lidavam com prisioneiros e povos
conquistados. Apesar de matarem muitos, aos que sobreviviam ofereciam certa
autonomia e, em vários casos, incentivos.
A
grande diferença está no fato de que esse povo sabia administrar e levava em
consideração sua própria população — e, de modo decisivo, suas mulheres. Foram
eles que unificaram a China e ali implementaram um sistema de governo
participativo, escolas públicas, incentivo às tecnologias da época e às artes.
Foram também fundadores da Cidade Proibida e de Pequim.
A
leitura foi revelando surpresa após surpresa, desmontando imagens que eu jamais
havia questionado. O império acabou sendo desmantelado pela peste bubônica e,
aos poucos, foi se reduzindo até ficar confinado à Mongólia atual. O último
descendente direto de Gêngis Khan morreu em 1943, no Afeganistão.
Mas
o livro também mostra algo ainda mais perturbador: como esse império e esse
povo, com feitos tão extraordinários, foram deliberadamente apagados da
história e transformados em símbolo de barbárie. E adivinhem quando isso
acontece. No Iluminismo — com sua filosofia e sua ciência que deram sustentação
às colonizações, à escravidão negra e às conquistas de exploração. Postei
alguns trechos do livro e incluí comentários de Montesquieu, Voltaire, entre
outros.


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