sexta-feira, 10 de julho de 2015

FILME: AS PALAVRAS DE MAX - 1978


Direção: Emilio Martínez Lázaro - 1978
Duração: 92 min
Título Original: Las palabras de Max
País: Espanha

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1978

É um filme antigo, mas que tem muito a nos dizer sobre a maturidade e a solidão. Logo no início vemos Max sozinho ao telefone, ele tenta seguidamente falar com alguém para driblar sua solidão, mas não consegue, liga até mesmo para seu dentista e para um padre que foi seu professor há muitos anos atrás e que nunca mais viu. Só este início valeu o filme, pois retrata o que é solidão e o mundo atual, onde não encontramos mais ninguém para conversar, trocar uma ideia, todos estão ocupados, ou em busca de uma conversa boba que não o faça pensar. 

Max é um sociólogo, aliás interpretado por Ignacio Fernandez de Castro que foi um sociólogo e jurista espanhol , está separado de Clara e tem uma filha (Gracia Querejeta). Ele conhece uma mulher e tenta se relacionar com ela, mas as relações não são fáceis. 

Max sempre seguro de suas opiniões começa a se questionar de como é visto pelos outros, sua filha e a amante lhe dizem algumas coisas, mas é interessante pensar como sempre temos que estar de acordo com o que os outros desejam que sejamos, ou então, a solidão.... 

Emilio Martínez Lázaro nasceu em 1945 em Madri, Espanha

LIVRO: TENHO ALGO A TE DIZER - HANIF KUREISHI



Kureishi, Hanif. Companhia das Letras, 2009
501 páginas
Tradução: Celso Nogueira
Título Original: Something to tell you

Jamal Khan é quem narra a história. Ele é um psicanalista londrino, filho de um paquistanês e de uma inglesa e tem uma irmã Mirian. Está divorciado e tem um filho. 

O livro aborda o mundo atual, a mistura cultural, a depressão, o desejo, o medo de terroristas, um filho na adolescência, a separação, a solidão, os desajustes. Transita em todos os níveis sociais e percebemos que em todos eles a situação humana se repete, mesmo que o cenário seja outro. 

Lembrou-me um pouco o relato de Theodore Dalrymple sobre a periferia de Londres, mas vai além. Jamal carrega uma imensa culpa e um amor frustrado na adolescência. Precisou fazer análise e depois ele mesmo vira um psicanalista. Mas o livro não foca apenas a psicanálise, vai muito além narrando a família atual e a vida de Jamal longe de seus pacientes, de seu amigo Henry, um artista frustrado que se apaixona pela irmã de Jamal, que é depressiva, faz uso de drogas, e abusa do sexo. 

Uma visão cinza do mundo ocidental e todo seu vazio existencial e das consequências disto. A tentativa de preencher este vazio e driblar suas dores através de drogas ou sexo. O submundo aparece, mas não apenas na periferia, também nas mansões luxuosas. 

O livro preferido de Jamal é o Mal Estar da Civilização de Freud, não à toa, pois o livro todo é como revisitar este texto escrito há tantos anos, mas totalmente atual. 

Hanif Kureishi nasceu em 1954 em Bromley, Reino Unido

segunda-feira, 6 de julho de 2015

FILME: STARTING OUT IN THE EVENING - 2007


Direção: Andrew Wagner - 2007
Duração: 111 min
País: Estados Unidos

Adaptação do livro homônimo de Brian Morton

Leonard Schiller (Frank Langella) é um velho escritor que tenta escrever um último romance. Ele já fez muito sucesso, mas foi esquecido. Uma jovem acadêmica, Heather (Lauren Ambrose), deseja escrever uma tese sobre ele e o procura. Inicialmente ele resiste pois não tem muito tempo e quer continuar escrevendo, mas ela é insistente e ele acaba aceitando responder suas perguntas. 



Heather lhe diz que deseja reintroduzi-lo no mundo literário e para isto sua tese é importante, mas precisa poder adentrar em seus pensamentos e na maneira como ele escreve seus romances o que leva Leonard a recordar seu passado, mas há coisas que ele prefere não falar e a implacável jovem não se intimida, seu único objetivo é sua tese e para isto usa de formas abusadas, chegando mesmo a tentar seduzi-lo, o que obviamente mexe com este homem, que apesar de idoso, está vivo. Ela irá descobrir coisas de sua vida e lhe dirá cruamente. Ela leva em conta apenas seus primeiros romances que a agradaram porque a ajudaram em um momento de sua vida, e quer compreender porque ele mudou seu estilo, o que ela não aceita, e em sua soberba juvenil não percebe que as coisas mudam e que estes outros romances podem agradar a outras pessoas, como de fato agradam. 

Ariel (Lili Taylor) é a filha de Leonard que mora sozinha e que ligeiramente desconfia desta jovem impetuosa, mas ela está envolvida também em suas questões amorosas e no desejo de ser mãe e ter uma família. Ela termina seu romance com Vitor quando ele decide pedi-la em casamento, pois o que deseja é ter um filho sozinha e não se casar com ele, mas é justamente neste momento que retorna a cidade após 05 anos seu antigo namorado Casey Davis (Adrian Lester) por quem ela ainda é apaixonada. 

Aos poucos todos eles irão se confrontar com suas questões e ter que tomar decisões sobre ceder ou não às demandas do outro, ao desejo do outro ao invés de ao seu próprio. 

Será após sofrer um AVC que Leonard irá repensar sua vida e ter uma atitude para com Heather que aplaudi. 

O filme faz um retrato também do que é ser um escritor independente, que não se dobra à mídia ou ao que as editoras compram, como vemos num momento do filme em que um amigo de Leonard lhe diz que o respeita muito para enganá-lo, que sua editora só se interessa por livros de auto-ajuda e outros assim. Infelizmente percebemos no mundo atual o desaparecimento de grandes escritores que não são mais editados, que encontramos apenas nos sebos, mas alguns novos ainda conseguem se manter sem cair neste mercado de consumo. 

Heather no fundo não está interessada no sucesso de Leonard, ela quer se projetar como crítica, mas sem levar nada em consideração, nem o ser humano que está diante dela, e nem mesmo o gosto dos outros, pois quer moldar a escrita dele de acordo com o que ela deseja ler e lhe agrada, e no fundo me pergunto se muitos críticos não fazem isto, desapreciando excelentes livros porque não lhes interessam. A questão é que cada leitor tem um mundo próprio e costuma se projetar no livro. Independente das normas técnicas, para mim a grande literatura é aquele que consegue ser um espelho do mundo, refletir o que se passa na alma do ser humano, e não posso desconsiderar neste caso livros que refletem vidas que eu não gostaria de ter ou não conheço. 

Heather quer saborear o sucesso de relançar um escritor de acordo com o que ela acha que ele deve escrever, e para isto não se abstém de feri-lo, magoá-lo, cutucá-lo, acreditando que com isto ele voltaria a ser o escritor que foi quando jovem, aquele que ela quer. 


Andrew Wagner é um diretor de cinema americano

FILME: THE SEARCH - 2014


Direção: Michel Hazanavicius - 2014
Duração: 134 min
País: França e Georgia

Indicado ao Festival de Cannes 2014 como longa-metragem

Um filme que nos toca profundamente. 

A Segunda Guerra da Chechênia começou em 1999 após vários ataques terroristas dos rebeldes chechênios à Rússia. A questão é que o novo primeiro-ministro Vladimir Putin que liderou a ofensiva apresentou esta guerra ao mundo como uma represália contra terroristas, mas o que realmente ocorreu foi um massacre da população civil. 

O filme nos mostra por um lado este massacre, a fuga da população, as mortes, destruição de suas casas, o desespero e de outro como a Rússia instigava o ódio em seus jovens soldados para que acabassem se tornando máquinas mortíferas contra o ser humano. Ao final do filme tudo se cruza. 

Iniciamos com alguém filmando uma cidade que havia acabado de ser massacrada. Os soldados russos estão provocando um casal alegando que são terroristas, e acabam matando-os sorrindo para a câmera dizendo que foi uma operação anti-terrorista bem sucedida. A filha mais velha sobrevive, e dentro da casa está Hadji (Abdul-Khalim Mamatsuevi) um garoto de 09 anos que tem nos braços seu irmãozinho, um bebê. O soldado russo ouve o choro e caminha para lá. Inicia-se o filme com ele entrando na casa, mas o garoto se escondeu e ele não matou o bebê. O menino viu pela janela quando seus pais foram mortos. Ao ficar sozinho na casa e na cidade ele pega o bebê e parte. No caminho ele deixará o bebê na frente de uma casa e se esconderá até que ele seja recolhido. Ele não tinha como alimentar ou cuidar de seu irmão. Mais a frente ele será recolhido por um caminhão que leva refugiados e desta forma chegará a uma cidade na fronteira. 



Em outro local bem longe dali um jovem (Maxim Emelianov) com um violão nas costas aguarda seu amigo que está comprando uma coca-cola. A polícia chega, o jovem joga seu baseado no chão, mas eles viram e acabam encontrando fumo em seu bolso. É preso e o delegado prefere enviá-lo para o exército ao invés da cadeia. Começa a odisseia do ódio deste jovem. 


Carole (Bérénice Bejo) trabalha para  a União Europeia para os direitos humanos e está no local para fazer um relatório. Helen (Annette Bening) trabalha no centro de refugiados atendendo principalmente as crianças que perderam sua família e pais. É para onde levam Hadji, mas ao ver os guardas armados ele se apavora e foge. Carol irá encontrá-lo mais tarde e lhe oferecerá algo para comer, ele irá aceitar ir com ela. A criança está traumatizada, não fala. O seu olhar é de uma dor profunda.Aos poucos Carol conseguirá vencer um pouco esta barreira até o dia em que ele contará para ela o que aconteceu. Enquanto isso Raissa, a irmã de Hadji os procura desesperadamente. Ela irá encontrar primeiramente o bebê e depois irá trabalhar com Helen, mas ela não sabe que Hadji está com Carol. 

A tristeza da guerra vista pelo lado da população civil com todas as atrocidades que se comete, e no caso do lado Russo também visto o que fizeram com o jovem preso, de como um jovem que tocava violão acaba se transformando naqueles que cometem as atrocidades contra a população com crueldade e prazer. O interessante do filme é que justamente se mostra os dois lados, de como as coisas acontecem e quais suas consequências. 


Michel Hazanavinicius nasceu em 1967 em Paris, França 

FILME: TESTAMENT OF YOUTH - 2015


Direção: James Kent - 2015
Duração: 128 min
Título Original:
País: Reino Unido

Baseado no livro autobiográfico homônimo de Vera Brittain 

Não conhecia nada sobre ela e ao procurar pelo livro também não encontrei nada traduzido no Brasil escrito por ela. Infelizmente ainda carecemos de muitas traduções. 

Trata-se da história da vida de Vera Brittain (Alicia Vikander) quando jovem até logo depois da Primeira Guerra. Seu maior desejo era entrar em Oxford, porém naquela época isto não era exatamente o que os pais sonhavam para suas filhas, queriam que elas se casassem, mas Vera dizia que não iria se casar. Precisou contar com a ajuda de seu irmão Edward (Taron Egerton)  para conseguir convencer seu pai a deixá-la tentar.

O filme inicia-se em sua juventude onde costumava nadar num lago com seu irmão e o amigo deste Victor (Colin Morgan) que se apaixonou por Vera. Roland (Kit Harington) também chega e justo num momento em que ela está enfrentando seu pai devido os estudos, pois ele havia comprado um piano, o que ela não desejava. Vera e Roland se apaixonarão. Ela é admitida em Oxford contras as expectativas, mas seu sonho de ir para lá com os rapazes é desfeito pela guerra. Ela irá sozinha.

É triste ver o entusiasmo que se apodera dos jovens diante de uma guerra, e se não for assim é devido uma questão do social, o que dizer aos amigos se você também não for, os três rapazes acabam indo para a guerra e Vera pelo desejo de também ser útil se torna enfermeira. Roland é o primeiro a morrer, seguido de Victor. Então Vera pede para ir para o front na França onde ela consegue salvar seu irmão já considerado morto, mas a guerra irá pegá-lo novamente. Os três morreram. Vera retoma seus estudos e inicia sua vida de pacifista, vindo a se tornar uma escritora mais tarde.

A guerra é algo que modifica totalmente a vida das pessoas, a juventude que se perde, a alegria de viver, é preciso se recuperar depois quando é possível. Algumas pessoas não conseguem aceitar, como a mãe de Vera (Emily Watson) que entra em crise porque a cozinheira foi embora, pela falta de alimentos para comprar, o que diante do horror do front não é nada.

O interessante é a vida desta mulher, que soube fazer da guerra uma causa, o pacifismo, e também de seu feminismo, a busca da liberdade da mulher, que naquela época era destinada ao casamento. Quando prestou os exames em Oxford para os quais estudou sozinha foi surpreendida por uma prova de latim, não sabia nada, mas não desistiu e acabou escrevendo em alemão. A coordenadora (Miranda Richardson) inicialmente a desprezou como uma filha mimada, mas acabou aprovando-a por verificar sua capacidade e originalidade. Vera novamente enfrentará esta questão com a chefe das enfermeiras que a julgava intelectual demais para isto, e conseguirá mostrar de que era capaz.

Vera Brittain 

Edward , Roland e Victor 

Vera Brittain 

Vera Brittain e Alicia Vikander 


James Kent 

domingo, 5 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: A FOTOGRAFIA OCULTA DE VIVIAN MAIER - 2013



Direção: John Maloof e Charlie Siskel - 2013
Duração: 84 min
Título Original: Finding Vivian Maier
País: Estados Unidos

Ganhou o Oscar de melhor documentário de 2015 

Vivian Maier passou a maior parte de sua vida adulta trabalhando como babá em um bairro rico de Chicago, mas sua grande paixão foi a fotografia, tirou milhares de fotos principalmente do cotidiano, de peculiaridades, de coisas bizarras, do humano, demasiadamente humano e também filmava, porém tudo isto ficou em segredo, ninguém sabia nada disto até que em 2007  John Maloof arrematou por 400 dólares 30 mil negativos e 1600 rolos de filmes não revelados. Ele não sabia o que iria encontrar, buscava fotos de Chicago para sua pesquisa e acabou encontrando Vivian Maier. 



Ele logo percebeu que tinha em mãos algo inusitado e de excelente qualidade. Procurou no google sobre ela e nada encontrou, o que o deixou ainda mais curioso. Numa nova pesquisa encontrou sobre o falecimento dela. Mallof iniciou uma busca obsessiva e acabou descobrindo muitas coisas sobre esta estranha mulher que tirava fotos fantásticas, mas nunca as mostrou a ninguém. 





Ao contrário do que a maioria busca que é ser reconhecido, Vivian não se interessava por isto, ela queria tirar fotos, apenas isto. Com o pouco que se sabe sobre sua vida através das descobertas de Maloof e do que relatam as pessoas que com ela conviveram, percebemos que possivelmente houve coisas difíceis em sua vida, talvez até mesmo um trauma, que acabou exacerbando uma sensibilidade aguçada para captar o ser humano pelo seu lado cômico, cruel, feio, banal, cotidiano, mas sem que isto retire a beleza de suas fotos. É impressionante. 

Vale conferir!








Charlie Siskel e John Maloof 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

FILME: A DAMA DOURADA - 2015



Direção: Simon Curtis - 2015
Duração: 109 min
Título Original: Woman in Gold
País: Reino Unido e Estados Unidos

Adaptação do livro homônimo de Anne-Marie O'Connor 

Li o livro há um tempo e está postado aqui no Blog. Trata-se da história da obra-prima de Gustav Klimt, o retrato de Adele Bloch-Bauer, da história de sua família na Segunda Guerra quando os nazistas entraram na Áustria, e do roubo de obras de arte. 


O filme foca mais na história do quadro, trazendo apenas através das lembranças de Maria Altmann (Helen Mirren), sobrinha de Adéle e legítima herdeira do quadro, algumas passagens do que ocorreu na Áustria, o suficiente para a compreensão do roubo e de como sua família foi atingida, para que possamos acompanhar a luta pela recuperação do quadro. Para uma história mais completa recomendo a leitura do livro. 



O filme inicia nos Estados Unidos quando Maria decide tentar recuperar o quadro, após encontrar uma foto dele nas coisas de sua falecida irmã. Para isto ela pede ajuda ao filho de uma amiga, um jovem advogado , Randol (Ryan Reynolds), inexperiente ainda mas que após ir à Áustria será tocado pela história de sua família que também eram judeus e viviam lá, e com isto ele abraçará a causa de outra forma do que apenas por dinheiro. 



Será uma luta árdua nos tribunais, uma vez que a Áustria não está disposta a abrir mão do que considera sua "Monalisa" e menos ainda de ter que admitir o que realmente fizeram e de como receberam os nazistas de braços abertos. Mas atualmente há pessoas no país que já não aceitam isto e se envergonham, e para tanto desejam se redimir e limpar a memória de seus antepassados. Maria e Randol terão a ajuda de Hubertus (Daniel Brühl). 

A primeira tentativa na Áustria não surtirá efeitos. Eles iniciaram um processe de restituição de obras de arte roubadas, mas não destas grandes, isto eles não querem fazer. Alegam que Adéle doou em testamento o quadro ao museu, o que porém não é verdade, uma vez que o proprietário do quadro era seu marido que fugiu durante o nazismo e deixou seus bens para suas sobrinhas. E Adéle jamais teria expressado este desejo, porque era isto que era o suposto testamento, se tivesse vivido o suficiente para ver o que aconteceria em seu país. 

Será preciso que surja a brecha para poder entrar com o processo nos Estados Unidos, uma vez que levar aos tribunais na Áustria é impossível pelo valor do custo. É a partir deste momento que as coisas começam a mudar. 

Há filmes e livros sobre o roubo das obras de arte pelos nazistas, mas este livro e filme se diferenciam porque contam a história do quadro e da família. 


Simon Curtis nasceu em 1960 em Londres, Reino Unido

FILME: TIA DANIELLE - 1990


Direção: Étienne Chatiliez - 1990
Duração: 106 min
Título Original: Tatie Danielle
País: França

Se por uma lado vemos muitas vezes os velhos serem desprezados e considerados dementes, sem escolha ou desejos e suas famílias querem controlá-los ou acabam colocando-os em casas de repouso, há também um outro lado onde um idoso pode manipular toda a família em prol de seu prazer perverso e de seu desejo. É o caso de Tia Danielle (Tsilla Chelton). 



Uma idosa de 80 anos, viúva, cujo único prazer que lhe resta, além de comer doces, é o de praticar diariamente perversidades contra os que estão próximo ou lhe cruze o caminho. O filme inicia com ela ainda vivendo em sua casa numa cidade do interior e logo percebemos suas maldades contra a governanta, outra senhora idosa, até o dia que esta acaba morrendo e Danielle nem se comove com isto, ela já voltou o seu olhar perverso para seu sobrinho que vive em Paris. 



Eles a acolhem em sua casa com todo o carinho e cuidado, mas Tatie Danielle como é chamada, não faz conta disto, seu prazer são as maldades e a manipulação das pessoas. Seu sobrinho Jean-Pierre Billard (Eric Prat) acaba percebendo, mas não se sabe porque não o diz a sua esposa Catherine (Catherine Jacob) que sofre por não conseguir agradar a perversa tia. Até mesmo quando chega o momento de saírem de férias para a Grécia ela ainda reluta em deixar a idosa com uma moça contratada para cuidar dela, mas acaba partindo e é agora que as coisas mudam, pois Sandrine é tão perversa ou mais que Tatie e a guerra está declarada e é inacreditável a que ponto se chega. 


O filme é excelente para que se perceba em que armadilhas muitas vezes caímos ao tentarmos ser bonzinhos, diferente de generosos, e como somos manipulados por outro lado por atos supostamente generosos dos outros, como a Tatie que manipulava as pessoas com dinheiro, mas esperando em troca a submissão e o atendimento de seus desejos. 

Étienne Chatiliez nasceu em Roubaix, França. 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

FILME: SUITE FRANCESA - 2014


Direção: Saul Dibb - 2014
Duração: 102 min
Título Original: Suite Française
País: França - Bélgica e Reino Unido


Adaptação do livro homônimo de Irène Némirovsky.

Tenho o livro, mas ainda não o li. Irène Némirovsky começou a escrever Suite Francesa em 1941 enquanto estava refugiada num povoado francês. O que ela se propõe é levar para a ficção o que vivenciou na França durante a ocupação alemã. É um retrato impiedoso e voltado muito mais para alma humana e de como age o ser humano diante da guerra. O filme inicia com a fuga dos parisienses para o interior da França e a chegada dos alemães nestas regiões. Irène não chegou a terminar o livro, ela foi presa e levada para Auschwitz e morreu no campo de concentração. O manuscrito foi salvo, mas ficou desconhecido durante mais de 60 anos, sendo entregue para ser editado pela sua filha. 






Lucille (Michelle Williams) mora num povoado do interior com sua sogra Madame Angellier (Kristin Scott Thomas), uma mulher soberba e autoritária, que parece ignorar os fatos até que os alemães chegam ali e um deles vai se hospedar em sua casa. Aos poucos vamos vendo que se por um lado ela se interessava pelos lucros, por outro ela se mantém francesa e decidida a ajudar seu país, mas principalmente as pessoas perseguidas pelos nazistas, como Benoit (Sam Riley). Lucille, sua nora, cujo marido está na guerra, acaba se apaixonando pelo alemão que está na casa, Tenente Bruno von Falk ( Matthias Schoenaerts) e ele por ela. Mas este é um amor impossível neste contexto o que Lucille logo descobrirá. 





O que Irène descreve muito bem é como as pessoas agem. Vemos alemães ruins e cruéis, mas também vemos alemães como o Tenente Bruno que sofre com tudo aquilo, mas tem que se manter em seu lugar e agir de acordo. Já por outro lado muitas pessoas se aproveitam da situação para pequenas vinganças, e isto acaba criando situações tristes e doloridas para todos. Já aqueles que antes eram tidos como ruins, são capazes de gestos nobres e belos. A guerra retira as máscaras. 



Um belo filme. 

Saul Dibb nasceu em 1968 em Londres Reino Unido 

Irène Némirovsky nasceu em 1903 em Kiev, Ucrânia e faleceu em 1942 em Auschwitz, Polônia. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DOCUMENTÁRIO: O GRANDE MUSEU - 2014



Direção: Johannes Holzhausen - 2014
Duração: 91 min
Título Original: Das Grobe Museum
País: Áustria

Ganhador do prêmio Caligari no Festival de Berlim

Johannes Holzhausen percorreu durante dois anos com sua equipe os bastidores do Kunsthistorisches Museum, o museu de belas artes de Viena, Áustria. Um filme para quem gosta de museus e de arte, e que impressiona pelo o que são os bastidores de um grande museu. 



Eles acompanham o dia a dia dos restauradores de arte, dos curadores, dos arquivistas, da reforma em alas, e todo o cuidado com o manuseio das obras em sua retirada e novamente a colocação, a disposição dos quadros nas paredes, dos objetos nas vitrines, da iluminação correta, de quais obras irão para as alas. É inacreditável o tamanho dos arquivos, a quantidade de objetos que ficam nos bastidores, sejam para restaurar, para a manutenção, ou que não estão expostos. 



O Kunsthistorisches Museum foi inaugurado em 1891 tendo sido construído por Gottfried Semper e Karl von Hasenauer para guardar a vasta coleção imperial dos Habsburgo, que ao longo dos séculos foram os patronos das artes no país. 



Johannes Holzhausen nasceu em 1960 em Salzburgo, Áustria