quarta-feira, 22 de julho de 2015

LIVRO: ROSA CANDIDA - AUDUR AVA ÓLAFSDÓTTIR



Ólafsdóttir, Audur Ava. 1ª ed. Objetiva, 2015
299 páginas
Tradução: André Telles
Título Original: Afleggjarinn 

País: Islândia. 

Penso que criei uma expectativa sobre o livro que acabou não condizendo com que li. Não é fácil então falar do livro quando isto acontece e receio ser injusta. 

Esperava algo mais profundo de um romance de iniciação de um jovem, e também mais detalhes sobre o jardim e as rosas. 

O jovem Lobbi mora com seu pai na Islândia e cuida das plantas em uma estufa que era de sua mãe que faleceu em um acidente de carro. Ele tem um irmão gêmeo que é autista e vive num Centro Especial, vindo para casa nos fins de semana. Em um encontro de uma única vez com Anna ela engravida. Diante de tudo isto e suas interrogações sobre o que fazer com sua vida ele aceita ir cuidar de um famoso porém, abandonado, jardim de rosas que fica num mosteiro e com isto ter tempo para si mesmo. 

Lá ele conhece Frei Tomáz, um cinéfilo que acaba lhe indicando vários filmes para ver diante das questões que lhe surgem, porém não teremos acesso a análise que ele faz destes filmes, o que ele aprende com eles, o que é uma pena. O jardim também logo fica de lado uma vez que Anna o procura e pede que cuide da filha para ela poder estudar para seu mestrado. 

Ao final realmente ocorre uma modificação em Lobbi que cresce diante da vida e das circunstâncias, mas seria mais interessante se durante a leitura pudéssemos ter acesso as suas reflexões, o que acaba empobrecendo a leitura. Há muitas informações sobre suas compras, e tentativas de cozinhar, mas poucas sobre o que realmente ele sente. Percebemos seus medos e receios, suas dúvidas, seus desejos, mas fica o vazio do crescimento que temos que tentar preencher para acompanhá-lo. O livro acaba focando mais o externo que o interno, como se o que ocorre fora é o que pudesse mudar o interior, e não o contrário, apesar de que não posso discordar que experiências e vivências nos amadurecem, porém é preciso sentir e refletir. 

Como eu disse no começo, talvez minha expectativa tenha sido alta, mas o livro não deixa de ser interessante e gostoso de ler. 

Audur Ava Ólafsdóttir nasceu em 1958 em Reykjavík, Islândia

LIVRO: O FRÁGIL TOQUE DOS MUTILADOS - ALEX SENS



Sens, Alex. 1ª ed. Autêntica Editora,2015
415 páginas

Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2012

É gratificante encontrar um escritor brasileiro que surpreende de várias maneiras. Primeiramente um jovem que eu diria que tem uma alma velha, tem profundidade e toca em assuntos dolorosos com sabedoria, e em segundo por sairmos da literatura regionalista que foca o Brasil entrando num mundo contemporâneo que pode estar localizado em qualquer lugar do mundo. O cenário onde se passa a história, uma pequena cidade à beira de uma praia, o mar que está constantemente presente ao longo da história e que também tem seu papel, não sabemos onde fica e somente no final somos informados que se trata do Brasil. 

Três irmãos, Magnólia, Orlando e Elisa se encontram após muitos anos para passar as férias na casa do irmão que fica de frente para o mar. Será um momento de reencontro mas que traz toda a carga de culpas, mágoas, desencontros que toda família tem e que quase sempre é varrido para baixo do tapete. Incrível a dificuldade de falar, de expor os sentimentos ao outro, mesmo sendo seu irmão ou irmã, o que acaba se traduzindo em atos ou palavras, provocações, críticas que ao invés de aliviar só pioram a situação. 

Orlando perdeu sua esposa Sara que morreu afogada ali em frente à casa, tem dois filhos - Muriel e Tomás. Após a morte da esposa passou a beber, deixou seu trabalho na rádio e tenta pintar quadros. Ele é o irmão do meio. Magnólia é a mais velha, está casada com Herbert, um apaixonado por Virginia Woolf e que tenta escrever um ensaio sobre ela e quer aproveitar as férias para isto, mas sua esposa tem um transtorno psíquico denominado Borderline, ela tem altos e baixos, se automutila se cortando, ou segurando durante um tempo uma pedra de gelo em sua mão, durante as férias abandona os remédios e passa a tomar muito vinho, aliás, os vinhos fazem parte de sua profissão. Elisa optou por uma vida zen, quer manter uma energia positiva a sua volta para não sofrer as interferências disto em seu equilíbrio, diz que todos temos escolhas, o que irrita e muito Magnólia. 

O livro começa com uma cena onde algo grave ocorreu no último dia das férias para depois entrar na história deste mês e do encontro dos irmãos. Cena esta que só iremos compreender ao final do livro, o que também nos mantém interessados e curiosos, como em um romance policial. Acompanhamos então todo este mês, dia a dia. Magnólia não se importa com o outro, quer atender a seus desejos e é tremendamente crítica e provocadora com tudo que não condiz com o que ela pensa, mas tem pavor de ser abandonada. Orlando vive colocando panos quentes em tudo, sente muita culpa e escapa pela bebida, já Elisa apesar de toda sua aparência zen também tem questões sérias. 

Gostei muito do livro, mesmo que ele não se aprofunde muito nas causas destes problemas dos três irmãos, como sua infância, dando apenas pinceladas, é extremamente válido no sentido de ver como agem e repetem em sua vida adulta questões que nunca foram resolvidas e das quais se foge ao invés de enfrentar, o que aliás, infelizmente, ocorre na maioria das famílias, até porque somos todos esfacelados, ou mutilados e nosso toque ou tentativa de tocar o outro é frágil. 

Alex Sens nasceu em 1988 em Florianópolis SC e se radicou em Minas Gerais 

terça-feira, 21 de julho de 2015

FILME: LE LIVRE DE MARIE - 1984


Direção: Anne-Marie Miéville - 1984 
Duração: 35 min
País: França - Suíça 

O filme vem antes de Je vous Salue Marie. Trata-se da história de Marie, uma menina de onze anos que vive momentos difíceis, pois seus pais (Bruno Cremer e Aurore Clément)  estão se separando e tudo irá mudar para ela. 

Marie tenta se consolar ouvindo Réssurection de Gustav Mahler, mas não obtém êxito. A dificuldade para qualquer criança ou jovem diante da separação dos pais que rompe com o imaginário infantil dos pais perfeitos e ao mesmo tempo abala a segurança da criança. 

A diretora Anne-Marie Miéville é a terceira esposa de Jean-Luc Godard e o curta foi escrito como um complemento para o filme Je vous Salue Marie.



Anne-Marie Miéville nasceu em 1945 em Lausane, Suíça 

FILME: JE VOUS SALUE, MARIE - 1985


Direção: Jean-Luc Godard - 1985
Duração: 102 min
Roteiro: Jean-Luc Godard 
País: França - Suíça

Filme que causou tanta polêmica e escândalo e que eu não havia assistido. No entanto o que encontro neste filme é pura arte. Uma nova maneira de contar a história de Maria e José, mas dentro de um contexto moderno, mesmo que em vários momentos do filme apareça escrito Naquele tempo.. , mas o que justamente o filme nos lembra a da contemporaneidade da história que não se perdeu lá atrás e que é possível trazer este mistério para o mundo atual com um casal jovem que nunca transou e justamente por isto deixa José (Thierry Rode) incrédulo  no começo sobre Maria (Myriem Roussel) ser virgem e estar grávida. 

Paralelamente temos a história de um professor de ciência (Johan Leysen) que estuda a origem da vida e tem um caso com uma de suas alunas, Eva (Anne Gautier), não à toa chamada de Eva, e que come uma maçã. 

José trabalha como taxista e está sempre com seu cachorro e Maria estuda, joga basquete e ajuda seu pai no posto de gasolina. Vemos um avião sobrevoando para aterrissar e depois vemos Gabriel acompanhado de uma menina maliciosa. Gabriel não se pode dizer que seja um primor de delicadeza, nem um pouco angelical digamos, mas é ele, o anjo Gabriel que vem até Maria e que depois irá de maneira um tanto grosseira e bruta abrir os olhos de José para que ele acredite, para que creia, para que confie, o que no final acabará ocorrendo, mas não sem antes ele se debater muito e inclusive se aproximar de Juliette (Juliette Binoche), mas que não conseguirá conquistá-lo. 

Como estamos na modernidade o que Maria enfrentará é o ceticismo, até mesmo do médico que a viu nascer que ao constatar sua virgindade e ao mesmo tempo a gravidez, não consegue conceber que ela não tenha tido algum contato com José. Não há escândalo, há indiferença, ok!, então que assim seja. Ela também irá duvidar do amor de José ao saber de seus encontros com Juliette. 

Finalmente eles se acertam e passam a viver junto, a criança nasce. Mas Maria não é diferente das outras mulheres, ela gosta de se vestir bem, não é uma santa, e a castidade que lhe é imposta pesa, ela tem desejos e tem que lutar contra esta tentação. É um percurso espiritual, onde ela quer que a alma seja corpo. Não se trata de uma Maria passiva, ela tem que alcançar algo, se superar, estar acima dos outros, é este seu percurso e que não é fácil, ela é humana. Com isto ela se encontra na solidão, aquela de todos que são diferentes, mas a dela é maior. 

O professor de ciências não consegue afinal explicar a origem da vida, há um ponto onde ele não consegue mais e tem que admitir que há algo maior. José também quer compreender, quer saber tudo, é cego, não consegue ver além da ciência, do materialismo. Para ele é o corpo que age sobre o espírito e terá que percorrer seu caminho de crescimento também até encontrar o amor. 



No final vemos um casal banal, o filho parte, Maria sabe que tem que ser assim, mas ela volta a ser uma mulher como qualquer outra, perde sua pureza. 

Há algo na mulher que é mistério, mas na modernidade atual isto se perdeu, nem mesmo Maria o mantém, nem mesmo quando o anjo Gabriel a saúda, ele por um momento faz com que ela lembre, vem algo, mas ela retoma a vida cotidiana e banal. 


Jean-Luc Godard nasceu em 1930 em Paris, França 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: GUERNICA - 1950


Direção: Alain Resnais e Robert Hessens - 1950
Duração: 13 min
País: França

Um documentário curto de 13 min sobre Guernica. Logo no início temos uma breve narração por Jacques Pruvost sobre a atrocidade de Guernica em abril de 1937. María Casares recista um poema de Paul Eluard sobre o assunto ilustrando com pinturas e desenhos de Pablo Picasso.



Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937, medindo 350 por 782 cm é uma tela pintada a óleo representativa do bombardeio sofrido pela cidade Espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães apoiando o ditador Francisco Franco.







O quadro encontra-se atualmente no Museu Nacional centro de Arte Reina Sofia em Madrid na Espanha. Foi feita com as cores preto e branco, como repúdio ao bombardeio, em estilo cubista.




Alain Resnais nasceu em 1922 em Vannes e faleceu em 2014 em Paris, França 

DOCUMENTÁRIO: FRANÇOIS TRUFFAUT, UNE AUTOBIOGRAPHIE - 2004



Direção: Anne Andreu - 2004
Duração: 78 min
País: França

Um documentário que retrata a carreira de François Truffaut através de seus filmes e de depoimentos de seus colaboradores e admiradores, além dele mesmo falando de suas obsessões, suas escolhas, do cinema, da vida. 

Através de 22 filmes se compõe uma espécie de autobiografia. Tudo que ele escreveu, realizou, filmou, imaginou passava pelo filtro de suas emoções. Seu amor pelas mulheres e pelos livros. Através de outras vozes como Catherine Deneuve, Woody Allen, Jean-François  Stévenin, Fanny Ardant, Arnaud Desplechin e Jeanne Moreau que falam do Truffaut que conheceram vamos apreendendo um pouco mais sobre este grande cineasta. 




François Truffaut nasceu no dia 06 de fevereiro de 1932 em Paris  e faleceu em 21 de Outubro de 1984 em em Neuilly-sur-Seine, França. Ele nunca conheceu seu pai biológico e foi criado pelos avós maternos, uma vez que sua mãe o rejeitou. Foi sua avó que despertou nele sua paixão pela literatura e pela música. Aos 10 anos, após a morte de sua avó ele volta a morar com a mãe que estava casada com Roland Truffaut que acabou registrando o garoto e lhe deu seu nome. Foi um período muito difícil, pois era rechaçado tanto pelo pai adotivo como pela mãe e isto o levou a cometer alguns atos de delinquência como pequenos furtos. Será esta fase de sua vida que inspira seu primeiro longa-metragem, o autobiográfico Os incompreendidos/os 400 golpes. Truffaut morreu jovem, de um câncer no cérebro.

Anne Andreu nasceu em 1939 em Paris, França 

FILME: ARTEMISIA - 1997



Direção: Agnès Merlet - 1997
Duração: 95 min
Título Original: Artemisia passione estrema 
Roteiro: Agnès Merlet - Christine Miller e Patrick Amos 
País: França - Itália - Alemanha

Uma cinebiografia romanceada da pintora Artemisia Gentileschi 

Itália, 1610. Artemisia (Valentina Cervi) é uma jovem talentosa de 17 anos filha do pintor Orazio (Michel Serrault) apaixonada pela pintura, só que naquela época uma mulher não pode entrar para a Academia e menos ainda pintar corpos nus, principalmente um homem nu. Na falta de modelos ela se retrata a si própria através de espelhos. 



Seu pai então pede ao pintor Agostino Tassi (Miki Manojlovic) que dê aulas a sua filha. Artemisia aprenderá então a pintar paisagens ao ar livre o que naquela época era uma novidade e principalmente ele lhe ensinará a perspectiva.



O filme irá deformar a partir daí o que realmente aconteceu com a jovem pintora. No filme vemos surgir uma relação entre Artemisia e Agostino que acabará deflorando a jovem, mas ela o deseja. Seu pai ao descobrir o que está ocorrendo procura a polícia, Agostino será preso e julgado por estupro. O filme retrata estes dois anos da vida da pintora de 1610 à 1612, com o fim do processo. 



Ao contrário do que o filme mostra quando Artemisia é torturada como vemos ela irá manter as acusações de estupro conforme consta nos arquivos do processo, e com isto o filme não faz jus ao verdadeiro sofrimento pelo qual passou a jovem. 

Na realidade Artemisia foi estuprada por Agostino. Ele a acusa de ser uma mulher fácil, mas a diretora do filme optou por deformar a realidade transformando a relação dos dois em uma história de amor, o que não foi na realidade. A tortura foi bem retratada, é o suplício dos "sibilli" e se trata de passar uma corda entre os dedos e apertar, o que poderia tê-la impedido de pintar para sempre. 




Agnès Merlet nasceu em 1959 na França 




Artemisia Gentileschi nasceu em Roma no dia 08 de Julho de 1593, filha do pintor Orazio Gentileschi, que era amigo pessoal de Caravaggio e de Prudentia Montone que morreu quando ela tinha doze anos. Teve uma grande reputação na Europa e levou uma vida independente, trabalhou em várias cidades da Europa e acabou fixando-se em Nápoles em 1630. O julgamento do estupro durou sete meses quando Artemisia foi humilhada e severamente torturada, enquanto Agostino, apesar de ter sido condenado ao exílio por cinco anos, nunca cumpriu a pena, tendo retornado a Roma quatro meses depois.

Seus quadros ferozes de decapitação talvez sejam reflexos deste episódio. Ela se casou com um pintor desconhecido, numa casamento arranjado por seu pai.

terça-feira, 14 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: VERSAILLES, O SONHO DE UM REI - 2008


Direção: Thierry Binisti -  2008
Duração: 90 min
Título Original: Versailles, le rêve d'un roi
País: França

Este documentário narra através de um filme a história da construção do Palácio de Versailles pelo rei Luís XIV, o Rei Sol conhecido por sua frase: O Estado sou eu!

Em sua infância Luís XIV teve que fugir para não ser morto, e isto ficou marcado. Ele jurou que nunca mais se repetiria, e para isto ele tinha que ter o domínio total sobre seus súditos. Para tanto ele constrói Versailles como símbolo de seu poder, mas também para levar a corte e os nobres para lá, para ficarem sob seus olhos. Ao contrário do que se pode imaginar, este rei tinha um lado muito democrático ao dar liberdade aos seus súditos de lhe falarem, e quando a Galeria dos Espelhos ficou pronta ele mandou que fosse aberta ao público, ela foi feita para os outros, não para ele. Ele queria que todos admirassem seu poder. Por outro lado era impiedoso com quem o ameaçasse, e não poupou nada nem ninguém para a construção do palácio. O que vemos é o que normalmente acontece em grandes construções, mesmo nas atuais como a construção de hidrelétricas, onde morrem muitas pessoas, e a exploração da mão de obra é sempre uma realidade. 





Luís XIV (Samuel Theis) fez da residência de caça de seu pai o mais sumptuoso palácio real da Europa e para isto gastou somas imensas o que deixava Colbert (Jérôme Pouly) seu ministro das finanças, angustiado. Em volta do palácio o que havia eram pântanos que foram transformados nos famosos jardins de Versailles. Faltava água para tantas fontes e cada vez se gastava mais para trazer a água. O palácio levou 30 anos para ser construído. 





O Rei Sol também tinha um enorme gosto pelas artes e tinha a seus serviços os maiores talentos da época como La Fontaine (Eric Franquelin), Racine (Laurent Vernick), Molière (Thierry  Garet), Charles Perrault (Stéphane Roux). 




O filme retrata toda a época e a corte de Luís XIV, seu casamento, suas amantes. No final ele está só no palácio que se transformou num túmulo, a corte pouco a pouco retornou para Paris, e os problemas econômicos gerados pela construção e pelas guerras culminou com a Revolução de 1789.



Foi filmado nos locais documentados. 


Thierry Binisti nasceu em 1964 em Créteil, França 

FILME: VALENTIN - 2003


Direção: Alejandro Agresti  - 2003
Duração: 79 min
País: Argentina

Um belo filme sobre as questões da infância quando se vive a situação de pais separados. 1960, em Buenos Aires, Valentin (Rodrigo Noya) é um menino de 09 anos que vive com sua avó (Carmen Maura), pois seus pais se separaram e seu pai (Alejandro Agresti) vive sozinho e está sempre muitíssimo ocupado, e sua mãe desapareceu, ele nada sabe sobre ela. 

O sonho de Valentin é se tornar um astronauta. Ele está sempre no sótão da casa inventando roupas de astronautas que depois ele testa.

Ele tem uma boa relação com a avó, apesar dos humores dela, e adora quando ela canta tangos para ele. Mas não é o suficiente, ele deseja mesmo é ter uma mãe, e a cada namorada nova de seu pai ele fica esperançoso, mas acaba se decepcionando com a moça ou então seu pai logo termina o relacionamento. 

Mas quando conhece Letícia (Julieta Cardinali) ele se encanta com ela, e ao desejar que ela seja sua mãe acaba falando demais sobre seu pai o que resulta no rompimento dos dois. Mas Valentin não irá desistir de realizar seu sonho de ter uma família, principalmente depois que sua avó morre e ele fica inclusive sem casa, pois seu pai o coloca na casa de amigos e põe a casa à venda.


O ator Rodrigo Noya é fantástico no papel, seu olhar, suas impressões, é encantador. Um menino que apesar de passar por situações difíceis não se abate, e sempre procura alternativas para ser feliz.  Vale a pena assistir.

Alejandro Agresti nasceu em 1961 em Buenos Aires, Argentina

segunda-feira, 13 de julho de 2015

FILME: MR. TURNER - 2014


Direção: Mike Leigh - 2014
Duração: 150 min
País: Reino Unido

Não conhecia o pintor J.M.W. Turner e fiquei literalmente encantada com a luminosidade de seus quadros.

Turner (Timothy Spall) é um pintor inglês impressionista. É fascinado pelas luzes e pelo efeito que produz sobre o mar, as cidades, nas paisagens.
Ele vive com seu pai William Turner (Paul Jesson) em Londres, tem duas filhas, mas não é casado, e está sempre renegando-as. Sua vida é dedicada a pintura. É interessante ver o procedimento de preparo de tintas que seu pai faz ou ele mesmo. Turner está sempre a procura de lugares onde ele possa vislumbrar a iluminação para projetá-la em seus quadros.  Não há muito para falar do filme, é necessário assisti-lo para compreender a beleza de seus quadros, compreender o que ele viu e depois pintou e que muitas vezes ninguém compreendia do que se tratava.


Ele tem uma senhorinha, Hannah Danby (Dorothy Atkinson) que mora na casa dele com a qual mantém relações sexuais, um pouco abusivo de sua parte, mas de qualquer maneira ela aceita, pois é apaixonada por ele, e cuida de tudo para ele.  Quando ele conhecer a Sra. Booth (Marion Bailey) e for morar com ela, apesar de manter seu atelie antigo, ela irá sofrer ao descobrir. A Sra. Booth será uma nova luz na vida de Turner após a morte de seu pai. 


O belo do filme é a maneira como Turner capta a natureza, as paisagens, e principalmente a luz. Como por exemplo, ao se deparar com uma locomotiva a vapor.



Seu atelie era um lugar que sempre precisava de luz, grandes janelas.



Seus últimos anos foram felizes ao lado da Sra. Booth. Ele compra uma casa em Londres onde eles passam a maior parte do tempo e onde ele virá a morrer.


Em uma ocasião lhe fizeram uma oferta milionária por todos seus quadros, ele, porém recusou, pois seu desejo é que sua pintura fosse vista por todos e ficasse exposta e não oculta na coleção de algum milionário. Sorte nossa!



Mike Leigh nasceu em 1943 em Welwyn, Reino Unido

Joseph Mallord William Turner - J.M.W. Turner nasceu em 1775 em Covent Garden, Londres, Reino Unido e faleceu em 1851 na mesma cidade.