sexta-feira, 22 de agosto de 2014

LIVRO: PRÓXIMA ESTAÇÃO, PARIS - Uma viagem histórica pelas estações do metrô parisiense - LORÀNT DEUTSCH


Deutsch, Lorànt. Paz e Terra, 2011
343 páginas
Tradução: Alcida Brant
Título Original: Métronome: l'histoire de France au rythme du métro parisien

Um relato fascinante sobre a história da França através das estações de metrô de Paris. São 21 estações e em cada uma delas Lorànt irá em busca da história da França e de Paris. Muitos vestígios foram apagados, principalmente com as reformas efetuadas na cidade pelo barão Haussmann, na segunda metade do século XIX, mas também devido as guerras e confrontos ocorridos na cidade.

Lorànt não desiste facilmente, ele busca os sinais,os vestígios e os encontra em jardins particulares, uma parede aqui, um porão ali, ainda é possível encontrá-los desde que se seja persistente e procure. Ele também nos falará dos prédios, praças e monumentos que ainda estão lá.

Ele inicia sua história quando Paris ainda era Lutécia, dos gauleses aos romanos e irá percorrendo todos os séculos, passando pelas guerras, revoluções, os reis, a República, Napoleão até os dias de hoje. Um belo mergulho na história da França e Paris e também do parisiense que sempre foi um povo meio colérico, insatisfeito e que quando isto acontece não fica quieto e parte para a briga.

A história é repleta de guerras e confrontos movidos pela ganância e conquista de territórios, muitas vezes o rio Sena se tingiu de vermelho. Mas em todas as épocas algo a mais se agregou a esta bela cidade que hoje podemos encontrar em seus museus, palácios, residências e também nos vestígios deixados em suas ruas, praças, casas.

Uma forma interessante de contar a história de um lugar. Irei postar o roteiro de leitura com as fotos e locais percorridos pelo autor.

Lorànt Deutsch nasceu em 1975 em Alençon, Orne, França 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FILME: A VINGANÇA DE MANON - 1986


Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 113 min
Título Original: Manon des sources 

2ª Parte - continuação de Jean de Florette 

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

Os anos se passaram, Ugolin (Daniel Auteuil) agora é o proprietário da fazenda que foi de Jean, pai de Manon e cuida de seus cravos. César (Yves Montand) deseja que ele se case, pois são os únicos dois que sobraram da família Soubeyran, para ter um herdeiro de tudo que acumularam.

Ugolin vê Manon (Emmanuelle Béart) que agora é uma jovem muito bonita e cuida dos cabritos no campo. Sua mãe voltou para a cidade. Ele se apaixona perdidamente por ela e irá fazer de tudo para conquistá-la, mas o que ele não sabe é que Manon quer vingança pela morte de seu pai.

As revelações finais serão surpreendentes, vale assistir aos dois filmes. Limito-me a falar sobre o filme para não tirar o prazer de assisti-lo.

Claude Berri 

FILME: JEAN DE FLORETTE - 1986



Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 120 min

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

1ª Parte

Meados de 1920 na região da Provence. Ugolin (Daniel Auteuil) retorna para suas terras onde vive seu padrinho César (Yves Montand) com o sonho de plantar cravos, mas há um problema, a água para regar esta plantação. Seu vizinho tem uma nascente no terreno, mas não se dá bem com os Saubeyran, mas mesmo assim eles o procuram para fazer uma oferta pelo terreno com a nascente. Brigam e o vizinho morre. 

O herdeiro é Jean de Florette (Gérard Depardieu) que é um coletor de impostos. Os Sabeyran pensam que ele vai vender, mas não, Jean resolve tomar posse da propriedade e chega ao local cheio de ideias sonhando com uma vida no campo. Ele chega com sua esposa (Elisabeth Depardieu) e sua filha pequena Manon. Sabendo disto Ugolin e Cesar resolvem bloquear a saída da fonte para forçá-lo a vender. 

Não é possível falar mais do filme sem tirar o prazer de quem quer vê-lo. É um retrato da vida rural da França na Provence em 1920 e de como são os comportamentos numa pequena vila, onde um não se envolve nos negócios do outro, mesmo diante de algo que está errado. Mas os segredos que envolvem estas famílias só virão a tona na segunda parte do filme: A vingança de Manon. 

Claude Berri nasceu em 1934 em Paris, França e faleceu em 2009 na mesma cidade. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FILME: UM BOM ANO - 2006


Direção: Ridley Scott - 2006 
Duração: 118 min 
Título Original: A good year 

Max Skinner (Freddie Highmore/ Russell Crowe) passava férias  na Provença e foi educado pelo seu Tio Henry (Albert Finney) dono de uma grande propriedade com vinhedos, para conhecer os vinhos, mas também para saber como lidar com a vida diante de seus sucessos e fracassos. Max gosta muito de ganhar, e muitos anos depois vive em Londres e trabalha com ações, o que não lhe deixa tempo para nada, é um mundo extremamente competitivo, não tem fim de semana, não tem férias, apenas ganhar dinheiro e gozar o prazer da vitória quando se supera o outro. Ele não tem sensibilidade, as pessoas o detestam, mas admiram sua frieza com os negócios e o invejam. Até o dia em que recebe a notícia que seu Tio Henry morreu e que ele é o herdeiro da propriedade na Provença.



Pensando que pode ser um negócio bem rentável a venda da propriedade ele se permite um dia para ir até lá e ver de perto como está tudo. Entre muitas trapalhadas e correrias ele chega e encontra o local um tanto abandonado. Lá está o vinheteiro Duflot (Didier Bourdon) e sua esposa Ludivine (Isabelle Candelier) que conhece desde criança, mas agora ele e Duflot não se entendem por que este último não quer que ele venda a propriedade onde viveu a vida toda produzindo vinho para seu Tio.

Enquanto isto em Londres o chefe de Max convoca uma reunião à qual Max não consegue chegar devido ocorrências na Provença. Então é colocado em suspensão por uma semana pelo chefe e aproveita para ficar na casa de seu Tio, revivendo lembranças de sua infância e tentando colocar ordem para vendê-la. Uma surpresa o espera, a chegada de Christie (Abbie Cornish) que se diz filha de seu tio e pode querer a herança. Mas ele a acolhe e instruído pela advogada a trata muito bem.


Ele também reencontra uma conhecida de infância (não lembra dela no primeiro momento), Fanny (Marion Cottilard) que quase atropelou na estrada e que o deixa em apuros dentro da piscina onde caiu e da qual não consegue sair. Ele irá atrás dela em seu restaurante.



Aos poucos Max vai sendo reeducado na arte de viver e de ser educado, ético e sensível pelos habitantes da Provença. Ele começa a reencontrar os encantos deste lugar e suas lembranças mexem com ele através de cheiros, sabores e recordações dele com seu tio. Quando retorna à Londres para encontrar Sir Nigel (Kenneth Cranham), o diretor-executivo da empresa onde trabalha, este lhe oferece a sociedade da empresa ou uma boa soma em dinheiro para não ir para a concorrência, pois está ciente da capacidade de Max. Na sala da reunião há um belo quadro de Van Gogh, mas é uma cópia, pois o original está guardado no cofre. Max então lhe pergunta se para apreciá-lo ele entra no cofre à noite, ou ele se contenta em olhar para apenas para a cópia?

Um belo filme sobre o que realmente importa na vida e sobre quais valores são mais importantes. E você dará boas risadas também, além de poder apreciar o local com sua beleza natural.

Ridley Scott nasceu em 1937 em South Shields, no Reino Unido. 


Trilha Sonora de Marc Streitenfeld 

Marc Streitenfeld nasceu em 1974 em Munique, Alemanha

FILME: 50% - 2011


Direção: Jonathan Levine - 2011 
Duração: 100 min
Título Original: 50/50 

Inspirado em fatos reais

Adam (Joseph Gordon-Levitt) tem 27 anos e mantém uma vida saudável, não fuma, não bebe, e corre para manter a forma. Aparentemente tem um certo receio de tudo que ofereça riscos e por isto nunca tirou sua habilitação para dirigir, apesar de possuir um carro, porque o índice de acidentes é muito alto. Tem uma namorada que não parece muito apaixonada, o que seu melhor amigo Kyle (Seth Rogen) já notou.

Como vinha sentindo dores em sua coluna procura um médico e faz uma descoberta terrível, está com um câncer raro que oferece 50% de chances de cura. Ele fica estupefato já que não faz nada que é considerado como fator desencadeante de câncer. Ele não consegue entender por quê?

Para enfrentar tudo isto ele terá o apoio incondicional de seu amigo e também a ajuda de uma analista Katherine (Anna Kendrick), além de Esqueleto, o cachorro que sua namorada lhe deu como forma de ajudá-lo neste momento.

Aos poucos Adam percebe que se morrer ficarão muitas coisas que ele nunca fez como por exemplo dizer que ama uma mulher. Na vida nunca faremos tudo, mas a mensagem é que devemos pelo menos fazer o máximo que pudermos e sem se bloquear ou boicotar em função de crenças que adquirimos.

Ele se confronta com a morte quando um dos que fazem quimioterapia com ele morre e isto o faz pensar muito sobre tudo.

É interessante como o ser humano precisa de situações drásticas para enxergar algo diferente, novas possibilidades, e perceber o quanto se boicota a si mesmo e deixa de viver coisas boas em função dos outros, das crenças ou das aparências. Adam passa a experimentar e viver mais justamente quando tem apenas 50% de chances de viver.

Por outro lado vemos claramente no filme a imensa dificuldade que as pessoas tem de lidar com estas situações. O que dizer ao que está doente? como lidar com isto? O medo de falar sobre a realidade leva as pessoas a usar frases educadas e politicamente corretas como : isto vai passar, você vai se curar, quando não acreditam nisto, e o efeito disto na pessoa é pior do que a verdade. Ele se sente meio otário, sendo consolado como uma criança.

O filme não tem grandes novidades sobre o tema, é mais um filme sobre alguém com câncer e que luta pela sua vida, mas ele não é apenas o trágico, tem uma veia cômica também.

Jonathan Levine nasceu em 1976 em New York, EUA. 

domingo, 17 de agosto de 2014

ROTEIRO DE LEITURA - O LIVRO DE PRAGA - SÉRGIO SANT'ANNA

Retomo os roteiros de leitura acompanhando o autor em suas andanças por Praga


Começamos pelo museu Kampa onde nosso personagem visitou a exposição de Andy Warhol e irá ouvir um concerto privado com Béatrice.


ANDY WARHOL nasceu em 1928 em Pitssburgh, Pensilvania, EUA e faleceu em 1987 em New York. Seus pais eram imigrantes do norte da Eslováquia. É um artista gráfico. 



Será também neste rio que margeia o museu que o corpo da suicida Giorgya será encontrado. 



Antonio foi assistir um concerto no Smetana Hall onde se executou o poema sinfônico O Moldávia de Bedrich Smetana , onde se descreve o curso do Rio Moldávia, também conhecido como Vltava, que tem 430 km de extensão.


Smetana Hall 


Ouça: O Moldávia-Bedrich Smetana 

Após assistir a este concerto...



Antonio Fernandes atravessará a Ponte Carlos com suas estátuas e será aí que ele viverá um delírio com a estátua de  Francisca.




Aqui estamos no Ta Fantastika Black Light Theatre - teatro de luzes e sombras onde Antonio assistiu ao espetáculo Aspects of Alice que leva a comprar a boneca Gertrudes com quem terá uma experiência única durante a noite em seu quarto no Hotel.


Não poderia faltar Kafka no livro de Sant'Anna, então ele vive algo inusitado sendo levado para ver o corpo tatuado de uma mulher com um texto inédito do grande escritor.

FILME: MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES - 2011



Direção:David Fincher - 2012 
Duração: 158 min 
Título original: The Girl with the dragon tattoo 

Adaptação do romance Mäm som hatar Kvinnor de Stieg Larsson. 

Mikael (Daniel Craig) é um jornalista investigativo que está passando por um processo onde é acusado de calúnia e de publicar matérias sobre as quais não tem provas. É chamado após uma criteriosa investigação sobre ele feita por Lisbeth (Rooney Mara) uma investigadora particular, hacker e anti-social, para descobrir o que aconteceu há 36 anos atrás com Harriet Vanger (Moa Garpendal) que desapareceu numa ilha no norte da Suécia sem deixar vestígios. Todos acreditam que ela está morta, mas seu corpo nunca foi encontrado e seu tio Henrik (Christopher Plummer) não se conforma. A revista para a qual Mikael trabalha com cuja diretora tem um caso não está passando por um bom momento também, então ele resolve aceitar a proposta feita por Henrik e se muda para uma cabana na ilha para tentar solucionar o mistério. Irá contar mais adiante com a ajuda de Lisbeth.

Um filme de suspense, com alguns clichês, mas que traz um outro lado que é justamente a questão do título do filme, homens que abusam de mulheres estuprando-as e matando, além da questão do incesto e nazismo. 

Lisbeth é uma mulher jovem mas que é anti-social, gótica, estranha, que tem um tutor do Estado por ser considerada incapaz de gerir a própria vida devido um ato quando tinha 12 anos, porém será que os tutores são sempre bons? ou eles também abusam de seus tutelados? Famílias com questões vergonhosas, que se odeiam, não falam um com o outro, abusos. Tudo isto faz parte do enredo do filme. 

Martin (Stellan Skarsgard) é irmão de Harriet e também mora na ilha, o pai deles morreu afogado no rio, temos também outro irmão de Henrik que é um nazista e mantém em sua casa fotos da época. 

Aos poucos Mikael irá juntar os pedaços deste mistério. 

David Fincher nasceu em 1962 em Denver, Colorado, EUA. 

sábado, 16 de agosto de 2014

FILME: QUARTETO - 2012


Direção: Dustin Hoffman - 2012 
Duração: 98 min 
Título Original: Quartet 

Em uma grande casa no meio de um parque belíssimo vivem vários idosos que são músicos e cantores aposentados. Eles passam o tempo lembrando os bons tempos, mas também continuam tocando e cantando. Todos os anos eles realizam uma festa com apresentações para arrecadar fundos para manter a casa. Cissy (Pauline Collins), Reggie (Tom Courtenay) e Wilfred (Billy Connolly) vivem lá e estão ensaiando para a apresentação. 

É quando chega uma nova moradora que ninguém sabe quem é. Trata-se de Jean (Maggie Smith), ex-esposa de Reggie que de início não fica nada satisfeito em vê-la ali. Mas logo os três pensam em reviver o quarteto que interpretou Rigoletto, porém Jean se recusa. 

O filme toca em temas da velhice, a perda da memória, as doenças, o corpo que já não é o mesmo. Novamente vemos pessoas mais jovens tratando idosos como se fossem débeis, o que não são, mas ali, os moradores tem respostas na ponta da língua. Chega a ser deprimente ver Wil ter que pedir a médica que cuida do local para poder ir jantar fora com os outros três afim de convencer Jean a cantar, ela impõe até horário que só é estendido após uma pequena chantagem feita por Wil. Este tipo de comportamento tão comum em nossa sociedade é algo que precisa mudar, idosos não são dementes, eles tem limitações naturais de sua idade, mas muitos ali são lúcidos e portanto capazes de escolhas. 

O encontro de Reggie e Jean trará a tona também velhas mágoas e será uma oportunidade de mudar isto. No fim ela aceita cantar, principalmente quando vê que sua concorrente na ópera irá cantar, como bom ser humano e como uma prima-dona, ela não irá permitir que ela brilhe mais do que ela. 

Um filme bonito, uma comédia dramática. 

Dustin Hoffman nasceu em 1937 em Los Angeles, Califórnia, EUA. 

FILME: PÃO DA FELICIDADE - 2012


Direção: Yukiko Mishima - 2012
Duração: 114 min
Título original: Shiawase no pan 

Um dos mais belos filmes que assisti nos últimos tempos. De uma delicadeza, sensibilidade e de uma beleza estética ímpar, onde o cuidado com os mínimos detalhes, cores, visuais é extremo ao ponto de quase se sentir o cheiro e o sabor do pão.

Rie (Harada Tomoyo) e Sang (Oizumi Yo) mudam-se de Tóquio para o Lago Toya em Hokkaido e abrem um café com pousada. Ele faz pães com muito amor e um mais bonito e aparentemente saboroso que o outro, ela prepara o café moendo os grãos num moedor manual e cozinha as refeições. As estações passam, e a cada uma alguém vem para ficar na pousada e temos sua história e de como o prazer de comer um simples pão com um café maravilhoso pode fazer a diferença.





O filme nos mostra uma globalização do Japão, mas também nos traz o antigo, tudo preservado junto neste local acolhedor. Vemos um japonês tocando acordeon, uma mulher que tem uma loja e que tem um ouvido muito bom, pois sempre está pronto e embrulhado o que a pessoa pensa comprar em sua loja, o pão é assado no forno a lenha, o café moído em um moedor manual, as panelas são lindas, os detalhes da louça, dos enfeites, tudo de um extremo bom gosto, mas simples.





A generosidade e o que é feito com paixão é o que acolhe e transmite calor humano aos que buscam um pouco de aconchego. O pão é um alimento básico e simples, mas é justamente sua simplicidade que oferece às pessoas a possibilidade de perceber que é nas coisas simples que está o prazer.

Recomendo.


Yukiko Mishima 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

FILME: AMOROSA SOLEDAD - 2008



Direção: Martin Carranza e Victoria Galardi - 2008
Duração: 82 min

Soledad (Inés Efron) acaba de ser deixada pelo noivo e está sofrendo com isto. Ela toma uma decisão de passar pelo menos três anos sozinha sem se envolver novamente, tem medo de sofrer e diz que precisa deste tempo, mas logo logo ela vai descobrir que viver sozinho e estar sozinho não é a mesma coisa e não é tão simples assim, ainda mais para uma mulher instável, um tanto neurótica e principalmente hipocondríaca, pois ela está sempre sentindo dor no peito, dor no ombro, enjoos, ou seja, remete para seu corpo o que sua alma sente. 

Ela é toda atrapalhada vivendo sozinha, o vaso sanitário entope e ela ao invés de chamar um encanador após tentar desentupi-lo sem sucesso opta por transformar o vaso numa mesinha com um cactus e uma vela em cima. Fecha a porta e esquece a chave dentro, não consegue abrir o fecho do vestido e dorme com ele até poder pedir ajuda ao porteiro no dia seguinte. 

Ela chora a toa em momentos onde não deveria e tenta ser forte na questão da perda de seu noivo. Tem outras manias, como pedir para colocar o tomate do sanduíche separado num saco plástico que tira da bolsa e entrega a garçonete. 

Mas mesmo assim o filme é gostosinho, principalmente se o olharmos por este lado desta mania por doença da Soledad. Ela compra um aparelho de pressão e diz que é bonito (para usar no pulso como se falasse de uma pulseira) e acha o termômetro na vitrine mais bonito que o que ela comprou uma semana antes. Vive indo ao plantão médico por alguma coisa que sente, fica apavorada quando sua mãe vai colocar silicone nos seios em um local que ela acha impróprio e sem estrutura, afinal não tem ambulância nenhuma ali, quando cuida da filha da vizinha inventa um jogo com sintomas de doenças que a menina tem que adivinhar.  E finalmente parece que aprova seu novo namorado por ele morar bem ao lado de um belo hospital. 

Ricardo Darín faz uma aparição relâmpago como o pai de Soledad, nada que se possa incluir seu nome no elenco. 



Martin Carranza e Victoria Galardi 

FILME: SOB O SOL DA TOSCANA - 2003



Direção: Audrey Wells - 2003 
Duração: 112 min
Título original: Under the Tuscan Sun 


Baseado no livro homônimo de Frances Mayes 

Frances Mayes ( Diane Lane) é uma escritora que acaba de se divorciar após descobrir que seu marido tem outra e passa por toda a dor que isto provoca. Suas duas melhores amigas lhe dão de presente uma viagem para a Toscana que ambas iam fazer com um grupo gay porque uma delas, Patti (Sandra Oh) está grávida. 

Frances após relutar acaba aceitando e viaja. Ela acaba se encantando com a Toscana e num impulso compra uma casa antiga em Cortona na província de Arezzo, chamada de Bramasole. A casa está quase que abandonada e ela então resolve reformá-la. Mas continua triste apesar de viver num lugar onde as pessoas parecem preferir a alegria do que a tristeza,mesmo diante da dor. Seu sonho é ter uma família, ter para quem cozinhar. 

Aos poucos seus desejos se realizarão, não da forma como ela imaginava, mas ela volta a sorrir e no final encontrará sua joaninha, ou seja, um novo amor. 

As paisagens são muito bonitas e a casa é belíssima com seu jardim, pelo menos eu gosto muito. Só me pergunto se estes contos de fadas realmente acontecem, ou se acontecem somente para algumas pessoas. Uma coisa é certa, é justamente quando ela desiste de procurar um amor é que ele aparece. Mas a vida nem sempre é assim, pelo menos não para todos, mas ter a coragem de mudar de país, comprar uma casa num lugar onde não se conhece ninguém e não se fala a língua, talvez já seja o que faz a diferença para algumas pessoas que acabam tendo recomeços de vidas após uma dor forte tão bonitas assim. 

De qualquer maneira a vida de Frances é um exemplo de como viver, sem ficar remoendo as dores do passado e encontrando prazer em pequenas coisas como cozinhar, arrumar uma casa e decorá-la, cuidar de um jardim. 


Audrey Wells nasceu em 1960 em San Francisco, Califórnia, USA 

Frances Mayes e Diane Lane 

Bramasole 


Detalhes da casa que encantam 


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

FILME: VICKY CRISTINA BARCELONA - 2008


Direção: Woody Allen - 2008
Duração: 96 min

Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas amigas íntimas americanas que viajam para Barcelona para passar três meses de férias em casa de amigos de Vicky. Apesar do forte elo de amizade elas tem visões opostas sobre a vida e o amor. Vicky estuda a cultura catalã para seu mestrado e Cristina busca algo na vida, ela só sabe o que não quer. Enquanto Vicky está prestes a se casar, Cristina busca o amor e acaba de rodar um curta sobre como é difícil definir o amor. 

Numa exposição de pintura elas avistam o pintor Juan Antonio (Javier Barden) e Cristina o acha interessante. Logo ficam sabendo que ele acaba se se separar de sua mulher Maria Elena (Penélope Cruz) de forma meio violenta, ela tentou matá-lo. Mais tarde reencontram o pintor num restaurante que as convida para um fim de semana em Oviedo. Cristina se empolga de imediato, mas Vicky tenta ser racional, principalmente depois que ele inclui no convite fazer amor, mas acaba indo. A partir deste momento muitas coisas acontecerão que irão mudar estas férias e farão as duas pensar muito sobre a vida e sobre o que desejam. 

Vemos várias pessoas que tem uma vida boa, com possibilidades de viagens, prazeres, luxo, belas casas, decorações bonitas, lugares belíssimos, e ainda assim a cada uma delas falta algo. Também percebemos a questão da sexualidade, o convite inicial do pintor que inclui sexo com as duas, a amiga de Vicky que tem um amante, mas tem medo de se separar, o pai de Juan Antonio que confessa que ainda tem sonhos eróticos com a ex-mulher do filho, e por aí vai. 

Fica notório a diferença entre a América e a Espanha, e nos parece bem mais saboroso, mais quente, mais viva a Espanha, pelo menos foi o que eu senti, uma vez que entre uma vida cheia de normas, enquadrada, com casas bonitas com quadras de tênis, computadores, tecnologia e uma vida com a música que toca o corpo, vinho, belezas naturais, pintura, e casas diga-se de passagem, maravilhosas, as ruas alegres e coloridas, é claro que o filme nos passa uma Espanha bem mais colorida do que a América. Mas mesmo assim as pessoas que ali vivem estão em busca de algo que Vicky descobre também sentir. 

No fundo o que eles não sabem é viver com a falta, e isto aparece quando Maria Elena diz que ama Juan Antonio e esta a ela, mas não conseguem viver juntos porque falta algo para o equilíbrio do amor e considera Cristina como este algo. Tamponando a falta tudo funciona. Será? será que Cristina conseguirá ser a falta do outro? e ela mesma? suas faltas? 

Juan Antonio não consegue lidar com a perda, de certa maneira ele está enroscado na relação neurótica com Maria Elena, ela é impulsiva, passa ao ato de imediato, não consegue parar para pensar ou analisar algo,e ele se considera o elo entre ela e o real. Mas sem ela quem se perde é ele, precisa de alguém com ele. 

Um filme muito bom, que propõe muitas interpretações, a cada um sua maneira de ver o filme e o compreender e sentir. 

Woody Allen 

BELÍSSIMA TRILHA SONORA 


Giulia y los Tellarini - Barcelona

Paco de Lucia - Entre dos aguas

Juan Serrano - Entre Olas

Juan Serrano - Gorrion

Juan Quesada - Asturias 

FILME: BISTRÔ ROMANTIQUE - 2012


Direção: Joël Vanhoebrouck- 2012
Duração: 102 min
Título Original: Brasserie Romantiek

Pascaline (Sara De Roo) tem 40 anos e é proprietária de um pequeno restaurante mais conhecido como Brasserie na Bélgica que mantém junto ao seu irmão Angelo (Axel Daeseleire) que é o chef de cozinha. Eles possuem uma estrela no guia gastronômico. Além disto ela tem sua sobrinha que mora com ela, pois a mãe não lhe dá atenção.

É o dia dos namorados e todas as mesas estão reservadas e o cardápio neste dia é fechado e terá 05 pratos entre a entrada e a sobremesa. O filme passará por estas etapas apresentando a cada uma o prato que será servido.

As pessoas começam a chegar, mas o primeiro surpreende Pascaline, ele não está acompanhado como todos os outros, mas vem sozinho e somente para encontrá-la, trata-se de Frank (Koen de Bouw) que é um ex-namorado de Pascaline, por quem ela continua apaixonada depois de tantos anos. Ele lhe faz uma proposta que ela jamais poderia esperar. Após 20 anos sem aparecer ele está de partida para Buenos Aires naquela noite e quer que ela vá com ele.

Roos (Barbara Sarafian) chega e espera seu marido Paul que como sempre está vendendo um carro pelo celular. Durante o jantar Roos contará a ele que tem um amante.

Mia (Ruth Becquart) chega sozinha, ela explica que o marido a deixou pela sua melhor amiga, se é que se pode chamar de amiga, mas que retornou ali pois foi onde tudo começou, ele a pediu em casamento ali. Agora ela come chocolates e os vomita e pensa seriamente em se suicidar. O garçom Lesley (Wouter Hendrickx) se ocupa dela durante o jantar tentando fazer com que ela olhe a vida de outra forma.

Walter (Mathijs Scheepers) também aguarda sua convidada que ele não conhece pessoalmente, foi um contato pela internet e ela está atrasada o que o deixa extremamente tenso.

Outros casais também chegam e ocupam suas mesas, menos uma que fica vazia, não vieram nem justificaram sua ausência.

Durante o jantar iremos ver a história de cada um se desenrolar, as dificuldades no relacionamento, um casamento falido, as tentativas de arrumar alguém, as dúvidas.

Um filme sem grandes novidades, mas que é gostoso de assistir. Eu pessoalmente gostei muito foi de ouvir a língua flamenga sendo falada, pois minha família materna é dos Flandres.

Joël Vanhoebrouck nasceu em 1974 em Vivoorde, na Bélgica

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

FILME: PRAGA - 2006



Direção: Ole Christian Madsen - 2006 
Duração: 92 min
Título Original: Prag 

Christoffer (Mads Mikkelsen) e sua mulher Maja (Stine Stengade) viajam para Praga para buscar o corpo do pai de Christoffer para ser enterrado na Dinamarca onde eles vivem e está o túmulo da família, para que ele fique junto de sua mãe da qual se separação há muitos anos atrás e após isto nunca mais reviu o filho. 

O casamento dos dois está em ruínas, há um distanciamento enorme entre eles, e Maja tem um amante. Mas ele também não é inocente, como aliás sempre ocorre numa relação. A maior parte do filme são diálogos, ou quase monólogos, pois um não consegue mais compreender o outro, sobre esta relação. Paralelamente Christoffer vai descobrir coisas sobre seu pai que ele não sabia e terá que lidar com aspectos culturais sobre o ritual de morte. 

Christoffer parece gozar em se auto-torturar, nenhum dos dois consegue se separar e também não conseguem expressar o que desejam, o que pensam, a raiva fica contida, a dor fica contida. Ele parece transferir para sua infância de filho abandonado todo o abandono que parece sentir no momento, mas não dá um passo para modificar tudo isto, nem aceita compreender seu pai. Ela ainda ama o marido, mas não consegue mais se aproximar dele. Há um momento de explosão de raiva e dor, em uma cena em público, onde também não ocorre um resgate para os dois. 

Aos poucos todos os segredos vem a tona, e cada vez mais se vê a desestruturação do casamento, os cacos que já havia se quebram ainda mais. 

Um filme sobre o quanto duas pessoas que vivem juntas há 14 anos podem se afastar, se desconhecer, mesmo se amando e as consequências disto. 

Ole Christian Madsen nasceu em 1966 na Dinamarca