quinta-feira, 4 de setembro de 2014

FILME: GORDOS - 2009


Direção: Daniel Sánchez Arévalo - 2009
Duração: 110 min
Título Original: Gordos


O filme trata de 05 pessoas com suas histórias diferentes e que são gordas. A questão na terapia que fazem não é emagrecer, mas sim, por que são gordos? o que os leva a comer compulsivamente? e mais, caso se sintam bem estando gordos não há motivos para fazer terapia.

Um belo enfoque sobre a obesidade, pois aqui não se trata de peso, mas do corpo, o corpo que somos nós, se nos sentimos bem ou não neste corpo. E geralmente a questão da obesidade está ligada a questões pessoais, como carências, culpas, tédio, contradições que não conseguimos resolver e então colocamos no lugar comer compulsivamente. O reverso da anorexia, da bulimia onde também são questões psíquicas que levam a pessoa a estas doenças.

O filme me atraiu de imediato, pois eu mesma engordei muito durante uma depressão, mas pela primeira vez estou parando para pensar no que me leva a isto. Claro que para emagrecer é preciso reduzir a comida, fazer exercícios, mas não é esta a questão do filme, que aliás nos mostra um homem magro e que faz uma campanha publicitária sobre um remédio para emagrecer e que depois ele mesmo engorda novamente. Quantos não emagrecem e engordam novamente. Por que?

Sempre me pergunto se realmente seria uma constituição física que daria o prazer de poder comer a uns e a outros não, mas algo em mim dizia: Não! Mesmo famílias obesas há algum problema ali e que não é físico, e que se transmite por herança aos descendentes.

As cinco histórias nos mostram exatamente isto, por que eles comem compulsivamente? por que eles são gordos?

O terapeuta Abel (Roberto Enríquez) conduz as sessões, ele é magro, mas isto não o exime da questão, pois justamente é um terapeuta para gordos por ele próprio ter pavor da obesidade e foi sua forma de lidar com isto. Enrique (Antonio de la Torre) é o garoto propaganda que engorda novamente. Temos o casal Sofia (Leticia Herrero) e Alex (Raúl Arévalo) que fazem parte de uma comunidade religiosa e desejam se casar. Um casal gordo com dois filhos, sendo que ela é gorda e o filho é magro e se diverte atormentando a irmã por ser gorda. E uma mulher que engorda por ser a forma que ela encontra para terminar o seu namoro, mas não assume isto.

O filme vale a pena ser visto não só pelo enfoque da obesidade, mas também para outras questões que transferimos para o corpo.

O que você limita, mas adora?
O que adora, mas reprime?
O que reprime, mas te liberta?
O que te liberta, mas você condena?
O que condena, mas ama?
O que ama, mas rejeita?

Daniel Sánchez Arévalo nasceu em 1970 em Madrid, Espanha

terça-feira, 2 de setembro de 2014

FILME: CARTAS PARA JULIETA - 2010


Direção: Gary Winick - 2010 
Duração: 105 Min 
Título Original: Letters to Juliet 

Sophie (Amanda Seyfried) é noiva de Victor (Gael García Bernal) são noivos e ele está prestes a inaugurar seu restaurante em New York. Decidem então fazer uma pré-lua de mel viajando para Verona na Itália, a cidade de Romeu e Julieta.

Porém Victor está empolgadíssimo com seu restaurante e só pensa nisto dedicando seu tempo com a culinária local e os vinhos abandonando Sophie, e resolvendo sua culpa com isto sempre jogando para ela a responsabilidade da escolha, mas deixando claro que ele gostaria de ir,mas se ela não quiser ele não vai. Sophie acaba sempre concordando com tudo e para ocupar seu tempo sai para passear por Verona, pois se cansa rapidamente das visitas culinárias do noivo.

Num destes passeios ela encontra a Casa de Julieta onde mulheres diariamente deixam cartas na parede embaixo do balcão pedindo conselhos à Julieta em seus casos de amor. Sophie é uma checadora de fatos e quando uma mulher passa recolhendo as cartas ela a segue e conhece então as secretárias de Julieta que respondem a todas as cartas deixadas. Numa ida para recolher as cartas ela acaba deslocando um tijolo da parede e ali surge uma carta muito antiga que tem em torno de 50 anos que foi escrita. Sophie então decide responder esta carta.

Alguns dias depois irrompe na sala das secretárias um jovem impetuoso e bravo, é Charlie (Chris Egan) que quer saber quem escreveu a carta, ele não aceita muito bem que sua vó, Claire (Vanessa Redgrave) esteja ali em Verona tentando fazer o que não fez há 50 anos atrás, e procura por Lorenzo (Franco Nero) seu amor da adolescência.

Sophie embarca junto nesta busca pela Itália e muitas coisas irão acontecendo neste trajeto que poderá mudar a vida de todos eles.

O filme tem paisagens belíssimas que só por isto já valem o filme.

Gary Winick nasceu em 1961 em Manhattan, New York, EUA e faleceu em 2011 na mesma cidade.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FILME: DE ENCONTRO COM O AMOR - 2005


Direção: Brad Mirman - 2005 
Duração: 100 min 
Título Original: The Shadow dancer 

Jeremy (Joshua Jackson) vive em Londres, trabalha numa editora e deseja ser um escritor. Seu chefe o chama, está indignado com o concorrente que está editando um escritor que há tempos não escreve, então ele também precisa fazer algo assim. É quando vem a ideia do escritor Weldon Parish (Harvey Keitel) que há muitos anos não edita nada e está desaparecido na Itália onde se refugiou, para ser mais exato, na Toscana. A missão de Jeremy é encontrá-lo e convencê-lo a voltar a escrever.

Uma deliciosa comédia romântica com belíssimas paisagens.

Jeremy encontrará Weldon, mas não será nada fácil se aproximar dele, ainda mais que ele é protegido pelos moradores locais, principalmente pelo dono da pousada, pelo padre e pelo dono do bar. Aos poucos ele vai conseguir aproximar-se até que Weldon lhe dará valiosos ensinamentos de como ser um bom escritor, mas nada dele mesmo escrever, pois sofre de um bloqueio desde que sua esposa morreu num acidente. Ao mesmo tempo ele conhecerá a filha do escritor, Isabella (Claire Forlani) por quem se apaixonará. A partir daí tudo é possível de acontecer.

Um pássaro que voava muito alto um belo dia é pego por uma ventania e consegue descer, mas quebra a asa. Depois disto ele tem medo de voar até o dia que um vento muito forte o empurra para cima e então ele perde o medo e volta a voar.

Quem será o vento de quem no filme?

Trecho do filme:



Brad Mirman nasceu em 1953 na Califórnia, EUA.

Música - Quien Sera (Sway) - Dean Martin 

FILME: BELEZA ROUBADA - 1996


Direção: Bernardo Bertolucci - 1996 
Duração: 118 min
Título Original: Stealing Beauty 

Lucy (Liv Tyler) é uma bela jovem que viaja para a Itália após a morte de sua mãe para ter seu retrato pintado, reencontrar amigos e principalmente para rever o jovem em quem dera o primeiro beijo quatro anos antes.

O local onde vivem seus amigos, a Toscana, é belíssimo, a casa de pedras típica do local, as parreiras de uvas, as oliveiras. Diana (Sinéad Cusack) é casada com Guillaume (Jean Marais), são os donos da casa e ele é um artista. A casa toda está repleta de obras suas, principalmente na parte externa, esculturas em terracota, cerâmica de mulheres, crianças. Diana é uma alma generosa, mas carrega uma tristeza dentro de si. Ela cuida de Alex (Jeremy Irons) que está doente em estado terminal, mas que ganha um élan com a chegada de Lucy.

Em contraste com todos ali que curtem a vida e o sexo, Lucy busca o amor.Ela é virgem e sonha com sua primeira noite, mas tem que ser com amor e não apenas uma transa. Ao final ela descobrirá um grande segredo de sua mãe a respeito de seu nascimento.

O filme já vale só pelos cenários, as paisagens, mas a amizade de Lucy e Alex é bonita, de confiabilidade e generosa, os diálogos deles são os melhores do filme.

O despertar da sexualidade de uma forma ainda inocente, ainda a busca do amor, coisa que no mundo atual muitos desprezam e querem apenas o sexo.


Bernardo Bertolucci 

domingo, 31 de agosto de 2014

LIVRO: AMOR EM MINÚSCULA - FRANCESC MIRALLES


Miralles, Francesc, Record, 2008.
283 páginas
Tradução: Luís Carlos Cabral
Título original: Amor en minúscula

Um livro singelo sobre a solidão, o amor e a amizade.

Samuel é um professor de literatura alemã que vive sozinho. É ano novo e ele pensa que novamente irão se repetir os mesmos 365 dias sem mudanças em sua vida solitária. Porém terá uma surpresa quando um gatinho aparecer na sua porta. Inicialmente ele pensa em como se livrar do bichano, mas finalmente se renderá e o adotará dando-lhe o nome de Mishima.

A partir deste gesto sua vida irá mudar. Será através de Mishima que ele conhecerá Titus, seu vizinho de cima, com quem nunca trocou uma palavra sequer. Aos poucos irá notando o mundo a sua volta, e perceberá que o acaso não existe, mesmo quando parece um absurdo o que acontece. Cruzará na rua com Gabriela, seu primeiro amor de infância, conhecerá Valdemar num café.

Com Mishima, Titus e Valdemar, Samuel irá reaprender a viver, a acreditar na vida e que tudo é possível, desde que se sai de sua concha protetora e deixe a vida fluir. Ele que não conseguia suportar ir na casa da irmã e do cunhado por serem pessimistas demais aprenderá a agir exatamente ao contrário do que fazia, e terá um dia ótimo com eles. Verá o quanto ele tem medo do amor e o quanto é difícil se deixar amar, afinal é mais fácil se defender. O beijo de borboleta na infância que se transforma no traço que lhe desperta a paixão e que ficou no seu inconsciente despertando assim que viu Gabriela na rua reconhecendo-a de imediato.

Apesar dos clichês, este pequeno livro nos ensina a viver de uma maneira simples, sem levantar murros, e acreditando que cada dia pode ser diferente do outro, desde que estejamos abertos à vida. Nem tudo são flores, mas isto faz parte também do viver.

Francesc Miralles nasceu em 1968 em Barcelona, Espanha

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

FILME: UM CASTELO NA ITÁLIA - 2013


Direção:  Valeria Bruna Tedeschi - 2013 
Duração: 99 min
Título Original: Un Château en Italie 
País: França 

Indicado no Festival de Cannes 2013 para longa-metragem 

Uma família burguesa italiana que possui um castelo na Itália que apesar de precisarem vender não o fazem porque o filho não quer vender.

Louise (Valeria Bruna Tedeschi) é irmã de Ludovic (Filippo Timi), eles tem uma relação bem próxima, e precisam decidir junto com a mãe Marisa (Marisa Borini) se vendem ou não o Castelo, ou o alugam para a Prefeitura, porém Ludovic não permite que se façam visitas ao interior do Castelo.

Louise é uma atriz que abandonou a carreira, mas ela conhece Nathan (Louis Garrel) um jovem ator com quem inicia uma relação um tanto tumultuada. Seu irmão tem uma namorada e está doente, ele tem AIDS. Ela quer viver, ter sua família, ter filhos, mas está sempre envolvida na família e suas questões e mal consegue olhar para o outro. Ela terá que crescer.

O que vemos principalmente é que se trata de pessoas que sempre tiveram tudo mas não são felizes. Porém há um outro lado neste filme, pois trata-se de uma lavagem de alma da diretora em relação a sua vida e família.

Ao final o passado se encerra e há a possibilidade de uma nova vida para Louise.

Valeria é irmã da ex-primeira dama francesa Carla Bruni e ela mesma interpreta Louise no filme, assim como sua mãe faz também o papel de mãe, inclusive com o mesmo nome, Marisa, e Louis Garrel é o companheiro de Valeria.


Valeria Bruna Tedeschi nasceu em 1964 em Turim, Itália. 

LIVRO: UM VINHEDO NA TOSCANA - Una passione italiana - FERENC MÁTÉ



Máté, Ferenc.Seoman, 2010
Tradução: Drago
270 páginas
Título original: A vineyard in Tuscany

Este livro é a história da vida da família Máté na Toscana e sobre a realização de um sonho. Máté nasceu na Hungria, saiu de lá após a Revolução e viveu em vários lugares, é um escritor. Foram viver na Toscana numa bela casa, mas Máté sonhava com vinhedos e em produzir vinho. Procuraram e finalmente encontraram um antigo e abandonado Mosteiro do século XIII.

Vamos acompanhando a família em todo seu percurso na reforma deste Mosteiro, nos cuidados com a propriedade, no aprendizado para serem produtores de vinho. Tem momentos hilários que me fizeram rir muito. Máté escreve bem, com senso de humor, mesmo diante de dificuldades que muitos teriam ligado para a Sociedade de proteção ao suicídio, senão tivessem se matado antes.

A persistência, o desejo, a tenacidade, a dedicação é surpreendente, além do bom humor, do amor que une esta família de três pessoas, Máté, Candace e o filho dos dois, Buster, são uma lição de vida. As descrições dos lugares são bem feitas, chegamos a sentir o aroma, o orvalho, a chuva, o frio, os sabores.

Ser proprietário de um vinhedo e produtor de vinhos requer muita paciência e dedicação. As grandes produções são automatizadas, mas produzir um vinho especial é para aqueles que amam isto e o fazem manualmente, cuidando de cada vinhedo com o carinho de uma mãe com seu filho. Sua vida se transforma no vinho, é preciso amar muito isto. Mas a recompensa ao se sentir e beber um vinho destes é algo insuperável, é o néctar dos deuses.

Muito interessante todas as informações sobre a produção do vinho narradas de uma forma que não nos cansa na leitura, pois apesar de explicar como funciona, não são informações visando a um produtor. Ele nos conta como aprendeu, o que precisou saber, mas tudo de uma maneira gostosa de ler.

E ao final quando seu vinho Syrah é eleito um dos grandes vinhos tintos italianos pela Morrell vibramos com eles.

Ferenc Maté 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FILME: EM BUSCA DE UM CAMINHO - THE WAY - 2010



Direção: Emilio Estevez - 2010
Duração: 116 Min
Título Original: The Way 

O filme é uma homenagem ao avô do diretor. Ele é o filho mais velho de Martin Sheen.

Tom (Martin Sheen) é um oftalmologista que não tem uma boa relação com seu filho que está viajando. Ele recebe um telefonema avisando sobre a morte de Daniel (Emilio Estevez) na França no primeiro dia de sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela num acidente por causa de uma tempestade nos Pirineus. Tom então parte para buscar o corpo de seu filho.

Chegando lá Tom começa a se recordar do filho e de quando o levou para o embarque, sobre ele dizendo que devia viajar mais, ao que seu pai responde que foi a vida que ele escolheu. Daniel então lhe diz: a vida não se escolhe, a vida se vive.

Algum motivo leva Tom a mudar de ideia de levar o corpo e pede para que seja cremado e parte para fazer o caminho interrompido pela morte. Ao longo da caminhada vai deixando punhados de cinzas de seu filho e pensa em deixar o restante aos pés de São Thiago. Durante o trajeto ele vai conhecendo pessoas diferentes e ao fim fazem o percurso em quatro, cada um deles de um lugar com uma história diferente, três homens e uma mulher. Durante o percurso Tom irá vivenciando o outro, cada um com sua questão e sua busca, o que leva cada pessoa a fazer este caminho, um fuga? um reencontro? uma busca de resposta para algo? um bloqueio? , mas também perceberá que a amizade existe e que o outro também pode fazer muito por ele.

Tom sempre vê o filho, ele está indo junto, mas isto precisa terminar. E por ocasião do roubo de sua mochila onde estavam as cinzas por um garoto cigano, ele pensa em voltar imediatamente para casa, mas o pai do garoto chega e faz o menino devolver a mochila. Dali segue que este homem lhe dirá que ele deve ir além de Santiago e jogar as cinzas no mar, não por uma questão religiosa, mas para o bem dos dois. E assim Tom fará.

Pode-se pensar em vários motivos para Tom ter tomado esta decisão de levar o filho nesta caminhada, ele pode ter desejado compreender porque seu filho tinha esta sede de conhecer o mundo, ele pode estar querendo homenagear o filho, pode estar atendendo ao desejo de seu filho, mas independente disto, este percurso mudará Tom, que irá ver o que é viver e compreenderá talvez o que o cigano lhe disse: filhos são o nosso pior e o nosso melhor.

Tom está vivenciando o luto pela perda do filho e o faz de uma maneira que o aproxime dele, uma tentativa de recuperar o que se perdeu em vida. O luto é sempre uma separação, é em prol de quem está vivo e continua para poder lidar com isto. O final do filme nos confirma que o que o pai tanto reprovava no filho estava nele mesmo e fazer o caminho de Santiago o levou a descobrir isto.




Além disto podemos acompanhar o caminho com suas paisagens, as pousadas, as igrejas, as trilhas.


Emilio Estevez com seu pai Martin Sheen, nasceu em 1962 em Staten Island, New York , EUA



sábado, 23 de agosto de 2014

FILME: NUNCA TE VI SEMPRE TE AMEI - 1987



Direção: David Hugh Jones - 1987 
Duração: 95 min 
Título Original: 84 Charing Cross Road 

Baseado no livro autobiográfico de Helene Hanff 

Helene Hanff (Anne Bancroft) gosta de livros ingleses, mas com bom preços e não consegue encontrá-los em New Your. Após encontrar um artigo numa revista ela escreve para uma loja em Londres perguntando se eles realmente tem estes livros e se são baratos. Desta forma inicia-se uma correspondência que durará 20 anos com Frank Doel (Anthony Hopkins).

Helene é solitária mas possui um bom humor insuperável, escreve num tom que quem não possui senso de humor não conseguirá captar. Ajuda a todos, cuida do bebê e do cachorro de uma amiga, escreve e lê. Frank é um apaixonado por livros também, casado com Nora (Judi Dench), tem duas filhas. A história se passa nos anos 50 e a Inglaterra passa por uma racionamento. Helene então começará a enviar caixas com mantimentos em épocas festivas o que lhe angariará a amizade de todos na loja, que também começam a lhe escrever.

Mas os anos passam e Helene sempre está protelando sua ida à Inglaterra. Na vez que estava tudo certo ela tem um problema nos dentes que inviabiliza sua ida, e depois disto ela não tenta mais, até o dia em que recebe uma carta da livraria comunicando a morte de Frank. Neste momento ela sente que tem uma dívida, e então finalmente ela vai a Londres.

Durante 20 anos eles trocarão belas cartas, uma grande amizade surge disto e um amor profundo pela vida e pelos livros. Para os apaixonados por livros o filme fala sozinho à suas almas, sentimos o prazer de Helene e Frank em encontrar o livro e receber o livro.

Podemos pensar que nunca devemos deixar de fazer algo antes que seja tarde demais, mas as vezes a vida se descortina de uma forma que nos impossibilita, mas por outro lado, também há de se perguntar o que teria sido se eles tivessem se conhecido pessoalmente? Como diz Helene, ela é um mistério.

Encantei-me com a interpretação de Anne Bancroft, está maravilhosa.

David Hugh Jones nasceu em 1934 em Poole, Dorset e faleceu em 2008


Helene Hanff 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

FILME: SHIRLEY VALENTINE - 1989


Direção: Lewis Gilbert - 1989
Duração: 104 min 

Há muito tempo desejava assistir, então hoje escolhi este filme.

Shirley (Pauline Collins) é uma dona de casa que passa seus dias cuidando do lar, vai ao mercado, limpa, cozinha, cuida do cachorro da vizinha, está sempre muito só e conversa com a parede, lembrando os tempos em que era Shirley Valentine e tinha muitos sonhos que foram se perdendo na vida. Seu marido Joe (Bernard Hill) também já não é o mesmo, perdeu toda sua alegria e agora é um chato, que chega em casa e quer tudo pronto, sendo que tem um cardápio definido para cada dia e não aceita mudanças. Ele acha Shirley uma tola que conversa com paredes. Seus filhos estão grandes e saíram de casa.

Um dia ela recebe um convite de sua amiga feminista Jane (Alison Steadman) para acompanha-la à Grécia. Shirley sempre sonhou em viajar, desejava ser aeromoça, o que acredita que sua principal inimiga do colégio se tornou. Inicialmente ela diz que não pode ir, mas Jane a incentiva defendendo seu direito à liberdade. Levando em conta alguns acontecimentos como seu marido lhe empurrando o prato de comida em cima dela por não ser o cardápio do dia, e com a volta de sua filha que a trata como a uma empregada e quando ela lhe conta que vai para a Grécia acho isto um total absurdo, ela vai.

Lá ela conhece Costas (Tom Conti) com quem tem um caso amoroso. Sua amiga Jane havia arrumado um namorado no avião e ficou com ele por uns dias, mas acaba de voltar e acha um absurdo o comportamento de Shirley.

Estamos diante de um quadro bem comum,infelizmente, onde uma mulher se transforma na empregada de todos, não tem desejos, não tem vontade própria, não pode sonhar. Tem que fazer exatamente aquilo que esperam que ela faça e não o que ela quer fazer. Mas Shirley aprende que a vida passa, e se não for para usá-la para aquilo que desejamos, então para que serve viver? Viver não é atender ao desejo do outro.

Até mesmo sua amiga Jane, quando se trata dela, tudo bem, ela vai com o namorado, mas assim que volta não aceita que Shirley também tenha arrumado alguém e que vai deixá-la por sua vez sozinha. Todos esperam que ela esteja a disposição deles. Um egoísmo tremendo. Somente seu filho a compreende. E ela pensa: quem vai sentir minha falta? Sentirão sim, na hora de fazer coisas, mas não da pessoa, do ser humano que também ama, sofre, ri, chora, e principalmente, deseja.

O que Shirley sente e se questiona é algo comum a todos nós, mas a coragem de mudar, de viver, de fazer algo é algo que poucos tem, e ela teve.

Além disto o filme vale pelas belas imagens da Grécia, o por do sol maravilho e o azul do mar, além de suas casa brancas.

Lewis Gilbert nasceu em 1920 em Londres, Inglaterra

LIVRO: PRÓXIMA ESTAÇÃO, PARIS - Uma viagem histórica pelas estações do metrô parisiense - LORÀNT DEUTSCH


Deutsch, Lorànt. Paz e Terra, 2011
343 páginas
Tradução: Alcida Brant
Título Original: Métronome: l'histoire de France au rythme du métro parisien

Um relato fascinante sobre a história da França através das estações de metrô de Paris. São 21 estações e em cada uma delas Lorànt irá em busca da história da França e de Paris. Muitos vestígios foram apagados, principalmente com as reformas efetuadas na cidade pelo barão Haussmann, na segunda metade do século XIX, mas também devido as guerras e confrontos ocorridos na cidade.

Lorànt não desiste facilmente, ele busca os sinais,os vestígios e os encontra em jardins particulares, uma parede aqui, um porão ali, ainda é possível encontrá-los desde que se seja persistente e procure. Ele também nos falará dos prédios, praças e monumentos que ainda estão lá.

Ele inicia sua história quando Paris ainda era Lutécia, dos gauleses aos romanos e irá percorrendo todos os séculos, passando pelas guerras, revoluções, os reis, a República, Napoleão até os dias de hoje. Um belo mergulho na história da França e Paris e também do parisiense que sempre foi um povo meio colérico, insatisfeito e que quando isto acontece não fica quieto e parte para a briga.

A história é repleta de guerras e confrontos movidos pela ganância e conquista de territórios, muitas vezes o rio Sena se tingiu de vermelho. Mas em todas as épocas algo a mais se agregou a esta bela cidade que hoje podemos encontrar em seus museus, palácios, residências e também nos vestígios deixados em suas ruas, praças, casas.

Uma forma interessante de contar a história de um lugar. Irei postar o roteiro de leitura com as fotos e locais percorridos pelo autor.

Lorànt Deutsch nasceu em 1975 em Alençon, Orne, França 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FILME: A VINGANÇA DE MANON - 1986


Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 113 min
Título Original: Manon des sources 

2ª Parte - continuação de Jean de Florette 

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

Os anos se passaram, Ugolin (Daniel Auteuil) agora é o proprietário da fazenda que foi de Jean, pai de Manon e cuida de seus cravos. César (Yves Montand) deseja que ele se case, pois são os únicos dois que sobraram da família Soubeyran, para ter um herdeiro de tudo que acumularam.

Ugolin vê Manon (Emmanuelle Béart) que agora é uma jovem muito bonita e cuida dos cabritos no campo. Sua mãe voltou para a cidade. Ele se apaixona perdidamente por ela e irá fazer de tudo para conquistá-la, mas o que ele não sabe é que Manon quer vingança pela morte de seu pai.

As revelações finais serão surpreendentes, vale assistir aos dois filmes. Limito-me a falar sobre o filme para não tirar o prazer de assisti-lo.

Claude Berri 

FILME: JEAN DE FLORETTE - 1986



Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 120 min

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

1ª Parte

Meados de 1920 na região da Provence. Ugolin (Daniel Auteuil) retorna para suas terras onde vive seu padrinho César (Yves Montand) com o sonho de plantar cravos, mas há um problema, a água para regar esta plantação. Seu vizinho tem uma nascente no terreno, mas não se dá bem com os Saubeyran, mas mesmo assim eles o procuram para fazer uma oferta pelo terreno com a nascente. Brigam e o vizinho morre. 

O herdeiro é Jean de Florette (Gérard Depardieu) que é um coletor de impostos. Os Sabeyran pensam que ele vai vender, mas não, Jean resolve tomar posse da propriedade e chega ao local cheio de ideias sonhando com uma vida no campo. Ele chega com sua esposa (Elisabeth Depardieu) e sua filha pequena Manon. Sabendo disto Ugolin e Cesar resolvem bloquear a saída da fonte para forçá-lo a vender. 

Não é possível falar mais do filme sem tirar o prazer de quem quer vê-lo. É um retrato da vida rural da França na Provence em 1920 e de como são os comportamentos numa pequena vila, onde um não se envolve nos negócios do outro, mesmo diante de algo que está errado. Mas os segredos que envolvem estas famílias só virão a tona na segunda parte do filme: A vingança de Manon. 

Claude Berri nasceu em 1934 em Paris, França e faleceu em 2009 na mesma cidade. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FILME: UM BOM ANO - 2006


Direção: Ridley Scott - 2006 
Duração: 118 min 
Título Original: A good year 

Max Skinner (Freddie Highmore/ Russell Crowe) passava férias  na Provença e foi educado pelo seu Tio Henry (Albert Finney) dono de uma grande propriedade com vinhedos, para conhecer os vinhos, mas também para saber como lidar com a vida diante de seus sucessos e fracassos. Max gosta muito de ganhar, e muitos anos depois vive em Londres e trabalha com ações, o que não lhe deixa tempo para nada, é um mundo extremamente competitivo, não tem fim de semana, não tem férias, apenas ganhar dinheiro e gozar o prazer da vitória quando se supera o outro. Ele não tem sensibilidade, as pessoas o detestam, mas admiram sua frieza com os negócios e o invejam. Até o dia em que recebe a notícia que seu Tio Henry morreu e que ele é o herdeiro da propriedade na Provença.



Pensando que pode ser um negócio bem rentável a venda da propriedade ele se permite um dia para ir até lá e ver de perto como está tudo. Entre muitas trapalhadas e correrias ele chega e encontra o local um tanto abandonado. Lá está o vinheteiro Duflot (Didier Bourdon) e sua esposa Ludivine (Isabelle Candelier) que conhece desde criança, mas agora ele e Duflot não se entendem por que este último não quer que ele venda a propriedade onde viveu a vida toda produzindo vinho para seu Tio.

Enquanto isto em Londres o chefe de Max convoca uma reunião à qual Max não consegue chegar devido ocorrências na Provença. Então é colocado em suspensão por uma semana pelo chefe e aproveita para ficar na casa de seu Tio, revivendo lembranças de sua infância e tentando colocar ordem para vendê-la. Uma surpresa o espera, a chegada de Christie (Abbie Cornish) que se diz filha de seu tio e pode querer a herança. Mas ele a acolhe e instruído pela advogada a trata muito bem.


Ele também reencontra uma conhecida de infância (não lembra dela no primeiro momento), Fanny (Marion Cottilard) que quase atropelou na estrada e que o deixa em apuros dentro da piscina onde caiu e da qual não consegue sair. Ele irá atrás dela em seu restaurante.



Aos poucos Max vai sendo reeducado na arte de viver e de ser educado, ético e sensível pelos habitantes da Provença. Ele começa a reencontrar os encantos deste lugar e suas lembranças mexem com ele através de cheiros, sabores e recordações dele com seu tio. Quando retorna à Londres para encontrar Sir Nigel (Kenneth Cranham), o diretor-executivo da empresa onde trabalha, este lhe oferece a sociedade da empresa ou uma boa soma em dinheiro para não ir para a concorrência, pois está ciente da capacidade de Max. Na sala da reunião há um belo quadro de Van Gogh, mas é uma cópia, pois o original está guardado no cofre. Max então lhe pergunta se para apreciá-lo ele entra no cofre à noite, ou ele se contenta em olhar para apenas para a cópia?

Um belo filme sobre o que realmente importa na vida e sobre quais valores são mais importantes. E você dará boas risadas também, além de poder apreciar o local com sua beleza natural.

Ridley Scott nasceu em 1937 em South Shields, no Reino Unido. 


Trilha Sonora de Marc Streitenfeld 

Marc Streitenfeld nasceu em 1974 em Munique, Alemanha

FILME: 50% - 2011


Direção: Jonathan Levine - 2011 
Duração: 100 min
Título Original: 50/50 

Inspirado em fatos reais

Adam (Joseph Gordon-Levitt) tem 27 anos e mantém uma vida saudável, não fuma, não bebe, e corre para manter a forma. Aparentemente tem um certo receio de tudo que ofereça riscos e por isto nunca tirou sua habilitação para dirigir, apesar de possuir um carro, porque o índice de acidentes é muito alto. Tem uma namorada que não parece muito apaixonada, o que seu melhor amigo Kyle (Seth Rogen) já notou.

Como vinha sentindo dores em sua coluna procura um médico e faz uma descoberta terrível, está com um câncer raro que oferece 50% de chances de cura. Ele fica estupefato já que não faz nada que é considerado como fator desencadeante de câncer. Ele não consegue entender por quê?

Para enfrentar tudo isto ele terá o apoio incondicional de seu amigo e também a ajuda de uma analista Katherine (Anna Kendrick), além de Esqueleto, o cachorro que sua namorada lhe deu como forma de ajudá-lo neste momento.

Aos poucos Adam percebe que se morrer ficarão muitas coisas que ele nunca fez como por exemplo dizer que ama uma mulher. Na vida nunca faremos tudo, mas a mensagem é que devemos pelo menos fazer o máximo que pudermos e sem se bloquear ou boicotar em função de crenças que adquirimos.

Ele se confronta com a morte quando um dos que fazem quimioterapia com ele morre e isto o faz pensar muito sobre tudo.

É interessante como o ser humano precisa de situações drásticas para enxergar algo diferente, novas possibilidades, e perceber o quanto se boicota a si mesmo e deixa de viver coisas boas em função dos outros, das crenças ou das aparências. Adam passa a experimentar e viver mais justamente quando tem apenas 50% de chances de viver.

Por outro lado vemos claramente no filme a imensa dificuldade que as pessoas tem de lidar com estas situações. O que dizer ao que está doente? como lidar com isto? O medo de falar sobre a realidade leva as pessoas a usar frases educadas e politicamente corretas como : isto vai passar, você vai se curar, quando não acreditam nisto, e o efeito disto na pessoa é pior do que a verdade. Ele se sente meio otário, sendo consolado como uma criança.

O filme não tem grandes novidades sobre o tema, é mais um filme sobre alguém com câncer e que luta pela sua vida, mas ele não é apenas o trágico, tem uma veia cômica também.

Jonathan Levine nasceu em 1976 em New York, EUA.