segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: TREM NOTURNO PARA LISBOA - 2013



Direção: Bille August - 2013 
Duração: 111 min 
Título original: Night train to Lisbon
Roteiro: Ulrich Herrmann e Greg Latter
País: Suíça - Portugal - Alemanha 


Baseado no livro homônimo de Pascal Mercier, pseudônimo de Peter Bieri, escritor e filósofo suíço. 

Um livro difícil de transpor para a tela uma vez que se baseia muito nas leituras que o professor Raimund Gregorius (Jeremy Irons) faz do livro de Amadeu do Prado (Jack Huston), um português que escreve sobre a Revolução dos Cravos em Portugal mas também faz uma introspecção filosófica sobre sua vida.

Raimund é um professor suíço que vive só e dá aulas de grego e latim. Uma manhã chuvosa ao se encaminhar para a escola ele se depara com uma mulher que está para se atirar de uma ponte em Berna. Ele corre e a impede de fazer isto. Ela o acompanha até a escola, assiste um pouco de sua aula e se retira, deixando para trás seu casaco. É o suficiente para Raimund ficar interessado e tentar descobrir algo sobre ela. No bolso do casaco ele encontra um livro em português de Amadeu Prado e um bilhete de trem para este mesmo dia. Ele toma uma decisão e corre até a estação de trem e embarca em direção à Lisboa.



Raimund deixa para trás sua vida monótona, determinada e metódica, o que surpreende a todos que o conhecem. É o início de sua jornada por um mundo diferente daquele que sempre conheceu. No rastro de Amadeu irá conhecer várias pessoas e tentar compreender Amadeu e conhecer a história de Portugal, mas não será apenas isto, o livro irá mudar sua vida.



Um de seus principais encontros é com Adriana (Charlotte Rampling) irmã do escritor e médico Amadeu e o outro é com Jorge (Bruno Ganz) que lhe fala sobre a ditadura. Ele também reencontrara Estefânia (Lena Olin e Mélanie Laurent quando jovem) que foi o grande amor de Amadeu e de Jorge e conhecerá Mariana (Martina Gedeck) que é sobrinha de Jorge e o levará até ele.



Recomendo a leitura do livro, pois o filme, apesar de ser bom, não consegue abarcar todo o conteúdo filosófico e vivencial do livro e acaba deixando a desejar, principalmente para quem leu o livro antes de ver o filme.


Bille August nasceu em 1948 em Brede, Dinamarca. 

Musica de Annette Focks 

Annette Focks nasceu em 1964 em Thuine, Alemanha. É música e compositora

FILME: ANNA KARENINA - 2012



Direção: Joe Wright - 2012 
Duração: 129 min 
País: Reino Unido 

Adaptação do romance homônimo de Leon Tolstoy 

O filme é uma adaptação do romance de Tolstoy e o interessante é que ele é feito em forma de teatro, com os cenários sendo erguidos e os atores circulando para sair e entrar em cena.

A história se passa no século XIX. Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Alexei Karenin (Jude Law). Sua cunhada passa por uma crise no casamento devido a infidelidade do marido e Anna decide ir vê-la para conversarem e tentar acalmá-la. Nesta viagem ela conhece o conde Vronsky (Aaron Johnson) que passa a cortejá-la. Anna inicialmente resiste, mas depois irá se entregar e apaixonada pede o divórcio. Porém seu marido não aceita e a irá impedir de ver o filho, mas Anna não desiste de sua paixão.

O filme traz um pequeno apanhado do que é o grande livro de Tolstoy. Como é encenado como um palco falta muito do campo que está muito presente no livro, e de todo o entorno e história da Rússia e como era sua sociedade naqueles tempos. Mas ainda assim é válido, me recordou o livro, e para os que não o leram é um perfeito apanhado do livro. Mas falta muito para que se possa realmente compreender Anna Karenina e o que a leva ao seu desfecho trágico.




Joe Wright nasceu em 1972 em Londres, Inglaterra.

Trilha Sonora de Dario Marianelli 

FILME: BARBARA - 2012


Direção: Christian Petzold - 2012
Duração: 105 min 
Roteiro: Christian Petzold e Harun Farocki
País: Alemanha

Barbara (Nina Hoss) é uma cirurgiã pediátrica em um hospital a leste de Berlim que em 1980 estava dividida pelo murro, sendo que seu namorado está do lado oeste. Ela é transferida para uma pequena clínica no interior por suspeita pelas autoridades de que está se preparando para fugir e ir ao encontro do namorado. Na clínica conhece André (Ronald Zehrfeld) que é seu chefe e responsável por sua permanência ali. Será que ela pode confiar nele?

O filme mostra o outro lado do murro, de como os suspeitos de desejarem fugir são tratados de forma humilhante pelas autoridades. Senti um incomodo forte ao ver as revistas em seu corpo feitas sem o menor escrúpulo para ver se ela escondia algo e a sua sujeição obrigatória a isto. Também há campos de reeducação, e uma das detentas é levada para a clínica e Barbara se afeiçoa à ela.

Ela se arriscará e muito, indo de bicicleta a todos os lugares, e se encontrando clandestinamente com seu namorado até que a fuga esteja planejada e marcada.

Um retrato da paranoia da Alemanha Oriental e comunista. Barbara fica obcecada pelo medo de estar sendo vigiada o que a impede de aceitar a amizade de André, pois desconfia que ele a está vigiando. O filme é seco, cru, sem muitas cores e nos transmite realmente a sensação de mal estar, de estar constantemente sob o olhar do outro.



Christian Petzold nasceu em 1960 em Hilden, Alemanha. 

FILME: COCO ANTES DE CHANEL - 2008



Direção: Anne Fontaine - 2008 
Duração: 110 min 
Título original: Coco avant Chanel 
Roteiro: Anne Fontaine e Camille Fontaine
País: França 

O filme conta a história de Gabrielle "Coco" Chanel de sua infância até a criação do seu império da indústria da moda em Paris na França.

Órfã de mãe Gabrielle (Audrey Tatou)  é deixada junto com a irmã Adrienne (Marie Gillain) em um orfanato pelo pai.Ela passara anos esperando aos domingos a visita de seu pai que nunca foi.  Mais tarde ela passa a costurar durante o dia e a cantar em um cabaré à noite. Étienne Balsan (Benoìt Poelvoorde) se encanta com ela e passa a ser seu protetor.



Coco vai viver na mansão de Étienne e lá conhece a sociedade francesa da época. Mas ela é uma mulher que deseja a independência e a liberdade, e irá colocar isto em suas criações de moda, que até hoje são atuais. Ela observa os movimentos das mulheres com aqueles vestidos longos, espartilhos e não aceita isto. Começa a criar roupas baseadas nas roupas masculinas visando a liberdade de movimentos. Ela irá usar calça comprida para andar a cavalo, o famoso tubo preto para ter mais movimentos para dançar e andar. Emilienne (Emmanuelle Devos) será uma das que apreciará e muito esta liberdade.



Conhecerá Boy - Arthur Capel - (Alessandro Nivola)  por quem se apaixonará, porém ele é comprometido com outra mulher. Assim mesmo viverá uma grande paixão com ele, mas se recusará a se casar. Ele irá morrer em um acidente de carro.



O que mais me cativa em Coco não é a moda, mas a criação de uma roupa que permita a elegância da mulher, sua feminilidade sem lhe tolher a liberdade de movimentos e expressão. Foi assim que ela encontrou sua independência, não apenas financeira, mas também de expressão numa época onde a mulher ainda era submissa e presa a inúmeros grilhões. E também sua determinação em não se deixar arrebatar por um início de vida com tantas tristezas e dor.

O filme trata apenas de uma parte da vida desta grande mulher. Há outro filme que trata da sequência de sua vida, de outro diretor.



Anne Fontaine nasceu em 1959 em Luxemburgo. 

Trilha Sonora - Alexandre Desplat 

Alexandre Desplat nasceu em 1961 em Paris, é um compositor francês

Ouça Audrey Tatou cantando no filme 

FILME: TARA ROAD - APRENDENDO A VIVER - 2005


Direção: Gillies Mackinnon - 2005
Duração: 107 min 
País: Irlanda 

Baseado no livro Tara Road de Maeve Binchy. 

Marilyn (Andie MacDowell) é uma americana que perdeu seu filho e não consegue lidar com esta perda. Ria (Olivia Williams) é uma irlandesa que vê seu casamento acabar de repente ao descobrir que o marido tinha uma amante. Ambas decidem mudar de ares por uns tempos e fazem uma troca de casas.

A perda de um filho é algo extremamente doloroso e difícil e a traição atinge o narcisismo da pessoa de uma forma destruidora além da perda da confiança e da desvalorização que se impõe à pessoa traída. São questões que muitos tem que enfrentar. Mas ambas decidem fazer algo, tentam se dar uma segunda chance para continuar a vida.

Elas irão se defrontar com as questões da outra, irão ter que aprender a viver em um país diferente com outros costumes, descobrirão que os problemas existem e que todos passam por eles e irão aprender a se conhecer melhor, pois é sempre no outro que podemos encontrar a nós mesmos.


Gillies Mackinnon nasceu em 1948 em Glasgow, Escócia 

FILME: CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO - 2007


Direção: Jean Becker - 2007
Duração: 109 min 
Título Original: Dialogues avec mon jardinier 
Roteiro: Jean Becker - Jean Cosmos - Jacques Monnet 
País: França 

Roteiro baseado no livro de memórias do pintor Henri Cueco. 

Um pintor (Daniel Auteuil) que vivia em Paris e está se separando de sua mulher Hélene (Fanny Conttençon). Resolve então retornar ao vilarejo onde nasceu há 50 anos e morar na casa da infância que se encontra um tanto abandonada. Ele contrata então um jardineiro (Jean-Pierre Darroussin) para cuidar do jardim.



O jardineiro é um velho amigo de infância, estudaram juntos e logo se estabelecerá uma sólida amizade entre os dois que partilharão as experiências de suas vidas, que neste caso, é a vida em Paris e a vida no campo, deixando a mostra as diferenças entre a dita "civilização" e o dito "primitivo".

Ficam evidentes as diferenças entre os dois e justamente aí está a beleza do filme, que demonstra que a amizade não é feita de iguais, mas que saber lidar com a diferença leva a uma relação muito mais enriquecedora e forte. Eles se nomeia de Dupincel - o pintor e Dujardin - o jardineiro. Muito mais do que uma divisão social, uma visão econômica o filme trabalha com o simbólico e o subjetivo, o que a nomeação dos dois já demonstra, para trabalhar com as diferenças das classes sociais, entre a burguesia e o operário e o abismo que normalmente há entre os dois.



É na voz do jardineiro que teremos uma crítica social, para ele a escola existe até quando não temos que trabalhar, depois é ganhar a vida. Ele fará várias observações sobre a atual situação social da França, mas que também encontramos em vários outros lugares. O pintor que sempre teve uma vida boa, sem preocupações financeiras, mas que não enxerga as questões sociais, aos poucos irá abrindo seus olhos para tudo isto, e verá que seu amigo, que tem um passado comum, ou pelo menos próximo, não teve e não tem as mesmas chances e condições que ele, inclusive médicas.

O filme consegue abordar uma situação que geralmente resulta em debates calorosos, críticas ácidas, protestos e revolta de uma forma mais humana, através do diálogo, da troca e do que cada um pode ensinar ao outro.


Jean Becker 

sábado, 26 de abril de 2014

FILME: ADEUS, MINHA RAINHA - 2012



Direção: Benoît Jacquot - 2012 
Duração: 100 min 
Título original: les adieux à la reine. 
Roteiro: Benoît Jacquot e Gilles Taurand
País: França 

Baseado no livro de Chantal Thomas 

No início da Revolução Francesa o dia a dia no palácio de Versailles onde vivem os reis Maria Antonieta (Diane Kruger) e Luis XVI (Xavier Beauvois). Sidonie Laborde (Léa Seydoux) é a leitora da rainha e totalmente devotada à ela, porém não mantém um relacionamento próximo juntos aos outros serviçais do palácio e nunca fala de si mesma. A Bastilha é tomada e muitos começam a fugir e a abandonar o palácio. Sidonie será incumbida pela rainha a ajudar a mulher pela qual se apaixonou, a Duquesa Gabrielle de Pontignac (Virginie Ledoyen) a fugir do país.

Inicialmente a vida não se altera no palácio com a queda da Bastilha, mas será por muito pouco tempo. O filme não mostra o desfecho dos reis que foram guilhotinados, mas foca principalmente na vida do palácio, nas intrigas, amores, desejos, cobiças, invejas, não apenas entre os nobres, mas entre os serviçais também, deixando bem a mostra um estilo de vida palaciano, onde uma rainha não abre sequer uma porta e os que os servem apesar de todas as formalidades como nunca se virar de costa para sua majestade, também são espertos, roubam, se aproveitam da situação.

Nada é secreto, nada é íntimo, não há nada que se faça num palácio assim que outros não vejam ou não saibam, há olhos e ouvidos em todos os lugares.

O filme foi rodado quase que inteiro no Palácio de Versailles. É a visão de Sidonie que aparece no filme, e também é o seu final que conta, quando ela deixa de ser a leitora da rainha e volta a não ser nada, ou seja, ser do povo, daquele povo que passava fome e necessidades, e que estava desprotegido e foi levado pela burguesia a lutar na Revolução Francesa, e depois, como Sidonie, retornou ao seu lugar.


Benoît Jacquot nasceu em 1947 em Paris, França. 

Trilha sonora de Bruno Coulais. 

Bruno Coulais nasceu em 1954 em Paris, França. É um compositor francês. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

LIVRO: A HISTÓRIA DE UMA VIÚVA - JOYCE CAROL OATES



Oates, Joyce Carol. Objetiva, 2013 - Selo Alfaguara
Tradução: Débora Landsberg
453 páginas
Título original: A Widow's Story

Joyce Smith, esposa de Raymond Smith, casados por 47 anos, uma vida, e de repente, ela está viúva, sem esperar por isto apesar de ter havido o que ela supos serem sinais que isto iria ocorrer, mas não era previsível. Ela retorna de uma viagem e Ray está com uma gripe forte, ela o leva para o Hospital de Princeton que é o mais perto, pneumonia, ele fica internado, mas melhora, e já há a previsão para a alta quando ele sucumbe a uma infecção secundária e vem a falecer.

Choque, culpa, vazio, raiva, solidão, perder o sentido de viver, os sintomas do luto, tudo que vivemos nestes momentos de perda Oates irá nos relatar com franqueza neste livro. Toda sua dor, sua desorientação, as noites insones, a falta de energia, os amigos, as burocracias necessárias neste momento. Ela está exaurida, sofrendo, mas tem que continuar a vida.

Para quem passa uma vida ao lado de outra se ver de repente só é algo que desorienta totalmente ao que fica, ele não compreende, não sabe o que fazer, e irá a todo momento pensar: Ray faria isto, Ray faria aquilo, ele diria isto ou aquilo, o fantasma ronda, fica ali. O desejo de morrer junto, do suicídio, que Oates nos relata sob a forma de um basilisco que a persegue, aquele espécie de lagarto que zomba dela. Todo lugar onde se vai há dor e culpa: na última vez que estive aqui Ray estava junto, é estranho estar ali sem ele, ou, nunca estive aqui sem Ray, é horrível pensar que ele nunca conhecerá aquele lugar, pior ainda se ele desejava conhecer e agora não pode mais.

Ouvir condolências, ouvir as pessoas falando dele, dizendo que sentem muito, é horrível, mas se não ouvir também será horrível. Ficar em casa é ruim, mas não estar em casa também. Tudo na casa o recorda, onde compraram um quadro, a música que costumavam ouvir, ele estaria sentado ali, mas não está mais.

Sua culpa, ela se acusa de não ter feito mais, de não ter levado Ray para outro hospital, e pior, de ter sido ela a levá-lo àquele, e vê sua culpa projetada nos gatos que a estranham e se afastam como se eles soubessem que foi por culpa dela que Ray não está mais ali.

Um relato pungente sobre como realmente se sente uma pessoa de luto, o processo de separação daquele que perdemos, a parte que ele leva com ele e que não recuperamos mais, e teremos que construir algo novo no lugar. Até chegar um tempo em que as coisas se ajeitam, a separação ocorre, e a pessoa que perdemos poderá morrer, mas será sempre lembrada e amada.

Me chamou a atenção as questões culturais também, de como nos Estados Unidos após o falecimento de uma pessoa ela recebeu inúmeras cartas de condolências e presentes como flores, cestas de comida, de sucos, e como se desesperava com tudo isto. E depois ter que responder a todas estas cartas. E no caso de Oates a dificuldade que ela tinha de ouvir as pessoas falarem do marido, perguntarem dele ou falarem de sua perda, sendo que muitas vezes as pessoas anseiam por isto, por serem acolhidas, o que mostra que cada um tem sua forma de viver o luto.

Uma bela homenagem ao seu marido e a si mesma, assumindo sua dor e todas as dificuldades e desorientações, culpas e raivas que se sente no hora da perda de alguém que amamos muito, e de como aos poucos ela irá voltar a vida. Sofra por Ray, ele merece. Não só ele merece, ela também, pois é necessário viver o luto, chorar, sofrer, passar por ele para poder continuar depois.

Joyce e Raymond

Joyce Carol nasceu em 1938 em Lockport, New Your, EUA

quinta-feira, 24 de abril de 2014

FILME - JANE EYRE - 2011



Direção: Cary Fukunaga - 2011
Duração: 120 min 
Roteiro: Moira Buffini
País: Estados Unidos - Reino Unido 

Versão mais atual baseado no livro homônimo de Charlotte Brontë. 

Jane Eyre (Mia Wasikowska) é uma jovem órfã que ao procurar sua independência e esquecer os fatos tristes de sua vida consegue um emprego de governanta no castelo de Mr. Rochester (Michael Fassbender), que é um tanto perturbado e primitivo. Irão se apaixonar e ele a pedirá em casamento o que será aceito, porém no dia do casamento Jane irá descobrir que ele já é casado e que sua primeira mulher ainda vive, e no Castelo, enclausurada por estar louca. Ela foge dali, desesperada e sem rumo. Após alguns dias caminhando assim irá encontrar uma casa onde será acolhida por um rapaz e suas irmãs.

Ela recomeça sua vida nesta nova casa até o dia em que recebe a notícia que um tio lhe deixou uma herança tornando-a rica. O rapaz que a acolheu lhe propõe casamento, mas ela deseja antes de aceitar ver mais uma vez o homem que tanto amou, e retorna ao Castelo para encontrá-lo praticamente demolido por um incêndio, mas Rochester está vivo porém cego. Sua primeira esposa ateou fogo e se suicidou pulando pela janela. Ele está livre.

Nos flashbacks de sua vida antes de chegar ao Castelo de Mr. Rochester, Jane (Amélia Clarkson) era uma órfã que vivia coms seu tio materno. Sua tia Sarah (Sally Hawkins) não gosta dela e é muito cruel com a criança, além de seus filhos também o serem. Ela acaba sendo enviada para um colégio de moças. Somente depois é que irá para o Castelo, onde a Sra. Fairfax (Judi Dench) é a governanta.

Destaco Amélia Clarkson que fez Jane quando criança, está brilhante no papel.


Cary Fukunaga nasceu em 1977 em Oakland , Califórnia, EUA.


Trilha sonora de Dario Marianelli

Dario Marianelli nasceu em 1963 em Pisa, Itália. É um compositor 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

FILME: UM SKINHEAD NO DIVÃ - 1992



Direção: Suzanne Osten e Niklas Radström - 1992 
Duração: 83 min
Título original: Tala! Det är sa mörkt // Speak up! it's so dark 
País: Suécia 


O filme é uma reflexão sobre a onda neonazista que assola a Europa nos anos 90.


Jacob (Etienne Glaser) é um psicanalista judeu cuja família morreu em Auchswitz, sendo que ele e a mãe conseguiram sobreviver por fugirem para a Suécia. Sören (Simon Norrthon) é um jovem skinhead que Jacob socorre após uma manifestação. Ele resolve então oferecer sua escuta ao jovem.

As sessões entre os dois se transforma numa reflexão sobre os aspectos políticos e psicológicos do racismo. Aos poucos vai se delineando os aspectos do indivíduo que adere aos grupos, e este aspecto ao meu ver é o brilhante do filme, pois em grupo somos capazes de fazer coisas que jamais faríamos sozinhos, e analisar o grupo é diferente das motivações pessoais.

Vamos descobrindo como era o pai e mãe deste jovem que sente tanto ódio. A mãe é super protetora e se nega a enxergar o óbvio, diz que os cartazes nazistas no quarto do filho são apenas decoração. O pai é ausente e violento, e dentro de seu individualismo diz que os problemas do filho são dele, mas durante a infância deste sempre abusou de sua força com o garoto. O grupo ao qual ele pertence que são mostrados entre as sessões, são todos bêbados, violentos, sem nenhuma razão de ser. Sörer admira o nazismo, afirma que Auschwitz é uma invenção dos judeus e a compara com Hollywood. Ao invés de namorar, ele direciona seu desejo sexual para o ódio e a violência. Sua mãe em nada ajuda para que ele se interesse por mulheres, pois prefere ter o filho com ela, ou deseja que volte a ser assim.

O psicanalista também se confronta com suas questões, ele é um imigrante, que fez da Suécia seu lar, mas é judeu e apesar de possuir a cidadania, não nasceu ali. Ele também sentiu muito medo quando criança, é um sobrevivente. Mas ele não teme o confronto com o jovem, e se propõe a compreender a alguém que age como os que mataram sua família. Para isto além das sessões ele irá também adentrando o universo de Sören.

Jacob diz que por baixo do ódio está a dor, e embaixo desta o medo.

Há um medo que se generaliza, de um lado eles tem medo dos emigrantes, que se apossem de seu país, os consideram culpados por todos os problemas que ocorrem, e estes temem os ataques dos Skinheads. E ao invés de considerá-los uns loucos que precisam ser combatidos o que Jacob se propõe é a compreender o porque disto, e para isto apesar do medo não irá demonstrá-lo e não se deixará intimidar mesmo diante das ameaças do outro. E este ponto é importante, pois como dirá Sören no filme, eles precisam do medo do outro para serem fortes e poderem agir.



Niklas Radstrom nasceu em 1953 em Estocolmo, Suécia. 

Suzanne Osten nasceu em 1944 em Estocolmo, Suécia. 

FILME: A CASA DOS ESPÍRITOS - 1993



Direção: Bille August - 1993
Duração: 145 min 
Título original: The house of the spirits 
Roteiro: Bille August e Isabel Allende 
País: Estados Unidos - Dinamarca 

Baseado no livro homônimo de Isabel Allende. 

O filme nos conta a história da família Trueba no século XX no Chile. Um dos meus filmes preferidos. Esteban Trueba (Jeremy Irons) é um homem rude, que encontra um lugar onde construir sua fazenda. Em sua solidão ele acaba estuprando uma índia do local , Transito (Maria Conchita Alonso) o que lhe trará consequências no futuro. Sua irmã Férula (Glenn Close) sempre se sentiu rejeitada e ressentida por não ter podido se casar e viver sua vida, tendo que cuidar de sua mãe portadora de uma obesidade mórbida. Esteban ao notar que precisa constituir uma família fica noivo de uma linda jovem que tem uma irmã pequena Clara que sabe no momento em que vê Esteban que ele será seu marido.

Clara tem visões, ela consegue prever o futuro e prevê a morte de sua irmã o que a faz sentir-se culpada depois levando-a a fazer um pacto de silêncio e não falar mais o que deixa seus pais (Vanessa Redgrave como a mãe) e  muito preocupados. Esteban então resolve pedir a mão de Clara que já está crescida (Meryl Streep) o que ela aceita de bom grado, uma vez que já havia previsto isto, e a partir deste momento ela volta a falar. Eles terão uma filha - Blanca (Winona Ryder).

Clara simpatiza com a irmã de Esteban e quando a mães deles morre ela a leva para morar com eles o que não irá agradar a seu marido levando-o a expulsar Férula da propriedade. Clara lentamente irá se afastando do marido até morrer.

A segunda parte do filme nos traz a história do Chile e do golpe militar e as perseguições políticas. Blanca tem um namorado (Antonio Banderas) que é perseguido. Esteban apoiou os militares, mas assim que tomaram o poder ele é relegado ao ostracismo, e começa a envelhecer sozinho em sua mansão. É quando Blanca é presa pelos militares e levada à interrogatório feito pelo então filho do estupro que deseja se vingar. Neste momento seu pai terá que fazer de tudo para salvá-la dos porões da ditadura e apesar de sempre ter sido contra a amizade de infância de sua filha com o homem que hoje é seu namorado ele também o irá ajudar a escapar.

Um filme belíssimo que nos conta uma linda história de amor, mas também nos relata a história do Chile, das ditaduras da América-Latina.

Recomendo

Bille August

Trilha Sonora de Hans Zimmer


Hans Zimmer nasceu em 1957 em Frankfurt, Alemanha. É compositor.

FILME: PRINCESA MARIA - Princesse Marie - 2004



Direção: Benoît Jacquot - 2004
Duração: 190 min 
Título original: Princesse Marie 
País: França 

O filme retrata a relação da Princesa Marie Bonaparte com Sigmund Freud e como ela ajudou para que a família de Freud pudesse fugir de Viena durante a Segunda Guerra e durante seu exílio em Londres.

A Princesa Marie (Catherine Deneuve) é sobrinha-neta de Napoleão e casada com o príncipe Jorge da Grécia. Devido a sua frigidez ela se consultou com Freud (Heinz Bennent). Tornam-se amigos e quando é preciso fugir dos nazistas será ela quem ajudará financeiramente, politicamente e acolherá Freud e sua família em Londres. Ela também será uma referência para Anna Freud (Anne Bennent). 

A Princesa Marie foi a primeira psicanalista francesa e uma das poucas analisadas por Freud. Usará sua fortuna para divulgar a psicanálise na França e fez parte do grupo fundador da Associação Psicanalítica na França.



Benoît Jacquot nasceu em 1947 em Paris, França.

FILME: O VIOLINISTA QUE VEIO DO MAR - 2004



Direção: Charles Dance - 2004 
Duração: 113 min 
Título original: Ladies in Lavender 
Roteiro: Charles Dance 
País: Reino Unido 

Um filme belo sobre o desejo e o amor. 1936 - em uma pequena vila de Cornwell norte da Inglaterra duas irmãs que vivem juntas Ursula (Judi Dench) e Janet (Maggie Smith) ao passearem pela praia após uma tempestade encontram um jovem desfalecido. Elas o levam para casa e cuidam dele.

Esta relação de cuidado irá despertar coisas adormecidas, o amor e o desejo, e ambas começam a rivalizar para conquistar o amor do jovem Andrea (Daniel Brühl) . Há cenas hilárias como a da torta de sardinhas e os comentários sarcásticos da outra irmã apenas para desfavorecer a outra perante o jovem.

O jovem que inicialmente havia perdido a memória aos poucos se lembra que é um violinista em busca de sucesso. Conhece uma jovem (Natascha McElhone) que passa uma temporada na região e que quer promovê-lo. Ele fica em dúvida se deve permanecer ali ou seguir sua carreira. Acaba optando pela carreira.

Aos poucos as irmãs terão que retomar sua vida rotineira e feliz de antes, mas este episódio ficará em suas lembranças como um doce momento e uma vivência de que o amor e o desejo não tem idade.


Charles Dance nasceu em 1946 em Redditch, Worcestershire, Inglaterra. 



Trilha sonora de Joshua Bell

Joshua Bell nasceu em 1967 em Bloomington, Indiana, EUA. É um violinista. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

LIVRO: MIL DIAS EM VENEZA - MARLENA DE BLASI


De Blasi, Marlena. Sextante, 2010
Tradução: Fernanda Abreu
232 paginas

Marlena mora nos Estados Unidos, é uma chef de cozinha e viaja para escrever artigos sobre culinária em vários locais. Ela sempre resistiu à Veneza sem saber bem porque, mas um dia ela vai e sente a força atrativa da cidade. Sem saber, um homem, Fernando a viu rapidamente de perfil e nunca a esqueceu. Tempos depois os dois irão se conhecer e será o início de uma bela história de amor, daquelas que surgem após experiências que não deram certo e é o momento de encontrar um companheiro.

O livro relata este encontro de Marlena com Veneza e com Fernando, com quem se casará deixando para trás sua vida anterior e recomeçando tudo. Mas para ele também será um recomeço pois até agora ele viveu de acordo com o que esperavam dele e não o que desejava.

É interessante ver como Marlena vai aos poucos assimilando a cultura italiana e as diferenças que surgem na maneira de ser italiano e ser americano, mas ela se entregará ao invés de resistir, e acabará uma italiana. O livro traz dicas sobre locais para se visitar e viver em Veneza e também as receitas das comidas deliciosas que ela prepara.

Ler um livro como este oferece maior percepção do que um guia de turismo sobre Veneza, gosto de leituras assim para conhecer os locais e como as pessoas vivem ali.

Marlena e Fernando 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

LIVRO: INFIEL - a história de uma mulher que desafiou o islã - AYAAN HIRSI ALI


Ali,Ayaan Hirsi. Companhia das Letras, 2007
Tradução: Luiz A. de Araújo
496 páginas
Título original: Infidel - my life

Ayaan escreveu esta autobiografia para falar de sua infância na África num mundo muçulmano e depois sobre sua fuga para o Ocidente onde passa por uma transformação em seu modo de ver a vida, fazendo uma análise lúcida e objetiva do que a religião traz para a vida de uma pessoa quando ela impõe a maneira de viver,pensar e agir como regras a serem seguidas, pois do contrário é o inferno.

Acompanhamos Ayaan por todo seu percurso de vida até seu exílio nos Estados Unidos, após a morte de seu amigo e cineasta Theo Van Gogh, morto na Holanda por um fanático, por ter feito o filme Submissão, sobre as mulheres no Islã, junto com Ayaan, quando deixam um recado em seu peito espetado com uma faca que ela seria a próxima. A comoção gerada na Holanda por este ato e as consequências de um relativismo e tolerância com uma outra cultura em um país livre, levam a cassação da cidadania holandesa dela, porém, com o apoio de seus colegas no parlamento, será revogado, e ela consegue obter o visto americano.

Há algum tempo venho me questionando sobre o relativismo. Até que ponto devemos ou não aceitar certos atos em nome da cultura? e do respeito a outro povo? quando estes atos e comportamentos são violentos, causam a morte e a mutilação de outros? Por mais que a extirpação do clitóris seja considerado cultural e praticado por várias culturas, é correto fechar os olhos à isto em nome do respeito à cultura? Não seria o respeito ao ser humano mais importante? A dor, o trauma, a falta de higiene que causa infecções que podem matar estas crianças, e a mutilação não são coisas para serem relativizadas. E sempre procuro me fazer uma pergunta: este ato traz algo de bom para todos? ou alguém está sofrendo ali?

Ayaan é criada e educada num mundo islâmico seguindo todas as suas regras, ou seja, como mulher, passou pela extirpação do clitóris, foi obrigada a casar com um homem que não conhecia, devia total obediência ao pai e depois ao marido, sem liberdade, sem poder pensar, sem escolha. Ela mesma o diz, teve sorte, muita sorte, conseguiu fugir para a Holanda logo após seu casamento enquanto esperava o visto para o Canadá na Alemanha para ir viver com o marido, conseguiu a cidadania holandesa, estudou, se formou, foi deputada, posição que lhe permitiu lutar cada vez mais pelos direitos das mulheres e por sua liberdade.

Ela irá lutar para que as mulheres não sejam mais espancadas, o que é um direito do marido no islã, para que moças e mulheres não sejam mais mortas em caso de desonrar a família, também um direito pelo islã, para que possam escolher seus companheiros, trabalhar, estudar. Não é  fácil, as muçulmanas tem medo, e mais, elas acreditam que está correto, acreditam que se agirem diferente serão punidas e irão para o inferno.

Ao ler este livro mergulhei num mundo diferente do meu de uma forma que um livro didático ou acadêmico não o permitiria, vivi o dia a dia de Ayaan, na Somália, na Etiópia, no Quênia, suas angústias, dores, os espancamentos a que era sujeita pela mãe, e até pelo professor do Alcorão que a surrou ao ponto de lhe causar uma fratura no cérebro. A morte de sua irmã, que não aguentou todos os traumas que trazia em si, e termina doente mentalmente. Aprendi a olhar este mundo e o meu de outra forma.

Acompanhei todo o processo extremamente difícil de passar do aceitar, do fatalismo, do não pensar para uma posição de raciocínio, de acreditar que se pode escolher e mudar sua vida.

"Estava empreendendo a missão psicológica de aceitar viver sem Deus, o que significava aceitar dar sentido próprio à minha vida." (...) Comportar-me bem por temor ao inferno; não ter ética pessoal."

Um livro que vale a pena ler, tanto pela história de vida de Ayaan como para conhecer um pouco mais este mundo diferente do nosso, onde sem radicalismo também há seres humanos e sua maneira de viver e ver a vida, apesar de que concordo com a autora, há coisas que são necessárias mudar. Ela teve a coragem de enfrentar o Islã e por isto foi ameaçada de morte, mas como ela mesma diz, ela nasceu num país onde a ameaça de morte é constante, seja por espancamentos, seja porque a família mata para manter sua honra, seja por doenças, pela pobreza e falta de alimentos e higiene, seja pelas guerras.

É interessante também pelo lado da cultura, da questão dos nomes, dos clãs, hábitos, comidas,  destes países, que apesar de quase tudo estar baseado na religião, ainda assim há os resquícios tribais e as diferenças locais, que infelizmente também acabaram sendo motivos para guerras entre clãs e tribos.

Não posso deixar de observar o quanto é triste ver algumas culturas mutilarem suas mulheres em função do homem e do erótico. No Islã temos a mutilação genital e encobrimento da mulher para não excitar o homem, e garantir a virgindade da moça, já na China havia o enfaixamento dos pés, que era um processo de anos extremamente doloroso, que começava aos dois anos, pois pés enfaixados provocavam um andar que era erótico e atraia os homens, e isto era bom.



Ayaan Hirsi Ali, nascida Magan, nasceu em Mogadíscio em 1969 na Somália, refugiou-se na Holanda em 1992 onde foi eleita deputada em 2003. Ameaçada de morte abandonou a Europa e vive atualmente nos Estados Unidos. Foi nomeada pela revista Times em 2005 uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. É uma das fundadoras da Organização de direitos das Mulheres - AHA Foundation.