Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo.
Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
Direção: Aleksandr Sokurov - 2002 Duração: 99 min Título original: Russian Ark País: Rússia
Um cineasta russo atual acompanhado de um diplomata do séc. XIX no ano de 1700 percorrem o museu Hermitage em São Petersburgo na Rússia. Percorrendo 35 salas do museu sem cortes eles atravessam 300 anos da história russa do séc. XVIII até o séc. XXI.
O cineasta é russo e defende seu povo, sua arte e criação, o europeu procura compreender, por que tantas obras europeias ali. Eles não sabem como foram parar ali, simplesmente caminham pelas salas e através dos acontecimentos da história. Há os grandes personagens como Nicolau I, Pedro o Grande, Catarina II, Alexandra, e as belas obras de arte que o museu possui. Termina com o último baile no palácio de inverno em 1913, depois do que tudo mudará com a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e a Segunda Guerra. É como a arca de Noé que guarda, protege e salva do futuro todo esta passado histórico.
Um grande fantasia, mas que nos permite um vislumbre da história deste país.
O filme foi rodado em um único dia e foram utilizados mais de 3 mil figurantes.
Aleksandr Sokurov nasceu em 1951 em Oblast de Irkutsk, Rússia. Teve uma infância errante mudando para muitas cidades. Formou-se em História.
Música de Sergey Yevtushenko
Sergey Yevtushenko é um compositor russo, maestro e produtor musical.
Direção; Michael Haneke - 2009 Duração: 144 min. Título original: Das Weisse Band Roteiro: Michael Haneke País: Alemanha - França Venceu o Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009 e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.
1913 - uma aldeia no norte da Alemanha um pouco antes da Primeira Guerra Mundial. O filme é em preto e branco. Começam a ocorrer estranhos eventos no local, acidentes que não são explicados e nem se descobre o autor ou autores. O primeiro que sofre uma acidente é o doutor (Rainer Bock) que cai de seu cavalo devido um fio de arame estendido por onde ele passava. Depois temos a horta do barão (Ulrich Tukur) que é destruída durante a comemoração da colheita. Uma mulher morre ao cair num buraco numa sessaria do barão. A próxima vítima é o filho do Barão que é torturado. Um incêndio num celeiro e novamente uma criança com problemas mentais é torturada. Em todos estes episódios temos sempre um grupo de crianças por perto que parecem se preocupar e querer ajudar.
O professor (Christian Friedel) forma um coral com estas crianças. O pastor (Burghart KlaBner) as prepara para a crisma.
Aos poucos vamos tendo a noção de como estas crianças são educadas, e de como se comportam estes pais e mestres. A rigidez, a moral, a disciplina, a frieza. Vemos pouca alegria nas crianças, elas não brincam alegremente, não sorriem, não podem gritar, cantar, correr. Duas cenas são tocantes. A primeira é quando um pequeno menino filho do doutor pergunta à sua irmã sobre a morte e finalmente compreende que sua mãe não foi viajar, mas morreu. A segunda é quando o filho do pastor lhe pede para cuidar de um pequeno pássaro machucado e tem que enfrentar um interrogatório seco sobre a responsabilidade deste ato até que consegue permissão para isto, e depois, como o passarinho de seu pai foi morto pela sua irmã como vingança, ele o oferece ao pai. Há tanta singeleza em seu ato, seu olhar, e o pai apenas o agradece, sem nenhuma demonstração de afeto ou amor.
A sexualidade reprimida. O garoto, filho do pastor que se masturba e tem as mãos atadas a noite para poder controlar seu corpo e não acabar morto como outro pobre garoto que fez isto. As traições e escapadas sexuais dos adultos, o desprezo, a crueldade do doutor ao dizer à parteira que não a quer mais como parceira sexual, dizendo-lhe que ela o enoja. O mesmo doutor que obriga sua filha Ana a relações incestuosas com ele. Enquanto que o professor tem que esperar um ano para poder se casar com Eva, e a timidez dela com ele, até para pegar em sua mão.
O menino deficiente filho da parteira que é desprezado pelas outras crianças, mas porque então quando ele sofre a tortura elas se preocupam com ele? As surras, castigos, os preconceitos, as diferenças sociais. Mas, por baixo de tudo isto os adultos contradizem tudo agindo de outra forma.
A fita branca que é utilizada pelo pastor para lembrar aos seus filhos de não pecar, almejando a pureza. As surras que são consideras uma purificação. O efeito é o oposto, aos poucos as crianças que não podem ser crianças, inocentes, alegres, brincalhonas, que não recebem respostas para suas perguntas, vão se moldando ao que vêem, e se tornam frias e cruéis. Em uma cena o pequeno filho do barão tem uma flauta, o outro tenta fazer uma com um galho de árvore, não consegue, então ele pega a do menino que não quer lhe dar, acaba por empurrá-lo na água do rio, ele não volta à tona, ele não se mexe para ajudar, é preciso que o outro pule na água para pegar o menino. Isto não é nada parecido com brigas comuns entre crianças que desejam o que o outro tem, há maldade, há indiferença, há crueldade. Brigar, empurrar ainda é comum, mas deixar a criança se afogar olhando sem se mover, é outra história.
As crianças julgam seus pais e mestres que os castigam, obrigam a uma obediência e disciplina sádica, perversa, mas se comportam de maneira totalmente diferente. A cena onde o pequeno abre a porta e vê seu pai e sua irmã, o olhar dele....
De um lado a obediência, a honra, a moral, do outro a agressão e repressão. O pai diz que dói mais nele bater nos filhos do que doerá neles. Mas em momento algum este pai demonstra amor, afeto, carinho.
As bases que se criam numa sociedade para que se possa vir um totalitarismo, uma ideologia que leva a atos cruéis, como ocorreu com o fascismo, o nazismo, ou até mesmo as religiões extremistas e fanáticas.
Direção: Ralph Fiennes - 2013 Duração: 111 min Título original: The invisible woman Roteiro: Abi Morgan País: Reino Unido Baseado no livro de Calire Tomalin. Cineobiografia dos últimos anos de Charles Dickens.
1883 - Charles Dickens (Ralph Fiennes) encontra-se no auge de seu sucesso. Casado com Catherine Hogarth com quem teve dez filhos, ele conhece Ellen Ternan (Felicity Jones) a quem chamava por Nelly, por quem se apaixona. Divorcia-se de sua esposa o que foi um ato corajoso numa Inglaterra vitoriana e cheia de convenções, mas nunca assumiu oficialmente seu caso com Ellen a quem mantinha e que o acompanhou até o fim de seus dias.
Num retorno da França sofre um acidente de trem. Como isto tornaria público sua situação com Ellen, ela diz para que ele vá ajudar com os feridos, o que ele fez com muito zelo e esforço, deixando-a aos cuidados de outras pessoas.
O filme retrata este período da vida do grande escritor, além do contexto social da época, a miséria de Londres, a vida das mulheres naquele tempo e o início de tentar romper com certas convenções sociais. Catherine, a esposa, não consegue acompanhar Dickens em seu sucesso, compromissos, e tinha dez filhos para criar. Ela se afasta deste convívio social. Nelly lutava junto com sua família para sobreviver como atrizes de teatro e tem o apoio de sua mãe (Kristin Scott Thomas) para se unir a Dickens nesta relação não oficial que foi o segredo dos dois.
Dickens faleceu em 1870. O filme dá prosseguimento à vida de Nelly que se casa e terá filhos, mas nunca esquecerá o escritor.
Anos depois Nelly ensaia os filhos para apresentar peças teatrais baseadas nos textos de Dickens, todos pensam que ela conheceu o grande escritor quando era criança. O peso deste segredo é difícil de ser carregado, ela anda, anda muito e rápido pela praia, como se pudesse aliviar este peso, até o dia que ela poderá compartilhar seu segredo com um grande admirador da obra de Dickens que não a julga, e isto lhe possibilita finalmente estar presente, assumir sua vida atual e manter o passado em seu lugar.
Segredos são fardos, enquanto ela o compartilhou com Dickens e sua família ela o suportou, mas depois foi difícil. Quando o compartilhou ele se tornou novamente um "nosso", tinha com quem falar.
CHARLES DICKENS nasceu em 1812 em Landport, Portsmouth e faleceu em 1870 em Gravesham, Inglaterra. Foi casado com Catherine Thompson Hogarth com quem teve dez filhos. Foi um dos maiores romancistas ingleses da era vitoriana. Entre seus livos os mais conhecidos são: Oliver Twist e David Copperfield e também Um conto de Natal.
Ralph Fiennes nasceu em 1962 em Ipswich, Reino Unido. É um ator, diretor e produtor de cinema.
Roland, Paul. M. Books do Brasil. 2013 Tradução: Marisa Rocha Motta 208 páginas
Roland inicia seu livro nos falando do porque de escrever novamente sobre algo que já foi muito estudado, divulgado através de livros e filmes, mas concordo plenamente com ele, é preciso estar sempre relembrando o que foi todo este horror uma vez que ainda nos dias atuais temos pessoas que acreditam nesta ideologia e inclusive negam o holocausto como se fosse uma mentira dos aliados. E temos os neonazistas que continuam com o antissemitismo e considerando Hitler um herói. Os líderes do nazismo "assumiram um status quase mítico nas mentes daqueles que não passaram pela experiência da guerra ou os horrores dos campos de concentração. Existe um perigo real que nas próximas gerações, eles seja reduzidos a vilões bidimensionais, não mais reais do que as sinistras caricaturas da SS nos filmes de Indiana Jones" escreve Roland.
O livro reconta os julgamentos dos principais líderes que foram apanhados, seu comportamento, sua defesa, as acusações e os veredictos. Dr. Gilbert que foi o psicólogo que atendeu aos prisioneiros fala sobre suas impressões e da atitude e reação dos acusados. Há relatos de testemunhas, e uma das coisas mais chocantes que eu vi até o momento, e já vi muitas fotos e relatos sobre o assunto, mas isto eu ainda não sabia, que é o uso de uma cabeça humana de um assassinado no campo como peso de papel na mesa de Ilse Koch, mulher do primeiro comandante de Buchenwald.
Há também os relatos sobre o trabalho forçado, escravo utilizado na época da Segunda Guerra por grandes empresas, feito por prisioneiros capturados em países sob ocupação e pelos judeus. As condições destes escravos não era melhor do que a dos judeus, exceto que ao invés de ir para uma câmara de gás, morriam de exaustão, fome, doenças.
O livro ainda trás um breve relato dos outros julgamentos, como os dos médicos, juízes e colaboradores menores na hierarquia. Hitler, Goebbels e Himmler se suicidaram, mas Göring foi capturado, julgado e condenado à morte. É inacreditável o que faz uma ideologia levando-os a acreditar piamente que estavam corretos e com isto não sentir culpa ou arrependimento.
A indignação dos líderes condenados a morte foi unicamente pelo fato de ser por enforcamento, o que foi considerado desonroso. Se consideravam mártires.
É realmente preocupante, pois ali foram julgados seres humanos, que também tinham seu lado bom, era bons pais, bons maridos e amavam sua pátria, e mesmo assim, houve toda esta crueldade, bestialidade e frieza nestes mesmos seres que não se incomodavam com a dor e o sofrimento dos que consideravam não humanos, uma raça inferior, desprezíveis. Há depoimentos onde se diz que o que fizeram era necessário, precisavam fazer isto para limpar a Alemanha e a Europa ocupada.
Os julgamentos de Nuremberg começaram em 20 de novembro de 1945 e terminaram em 13 de abril de 1949.
Direção: Philipp Stölzl - 2013 Duração: 150 min Título original: The Physician País: Alemanha Baseado no livro homônimo de Noah Gordon
O livro eu o li há muitos anos atrás e quando vi o filme não pude deixar de assistir.
Estamos no século XI e o filme relata a origem da Medicina. Rob Cole (Tom Payne) é ainda uma criança na Inglaterra quando sua mãe falece do mal da barriga. Ele ainda chama o barbeiro, mas o padre não permite nem que ele a examine e de qualquer forma ele não sabe como curar isto. Seus dois irmãos menores são entregues a uma família que como premiação levam as ferramentas que havia na casa. Rob fica só. Então ele vai atrás do barbeiro Bader (Stellan Skarsgard) que de início não o deseja com ele, mas acaba aceitando-o.
Rob irá aprender a extrair dentes e fazer remédios com ervas, mas isto não o satisfaz, ele quer a cura do mal da barriga. Então fica sabendo que no Oriente há um sábio que cura qualquer coisa, é Avicena, mas lá não aceitam cristãos. Ele se disfarçará de judeu com o nome Jesse e partirá para lá.
Atravessa o deserto com um caravana onde conhecerá uma mulher, Rebecca (Emma Rigby) por quem se apaixonará, mas ela está prometida em casamento. Após uma tempestade de areia ele pensa que ela morreu. Chega finalmente ao seu destino e será aceito como aluno pelo mestre Ibn Sina (Ben Kingsley) com quem aprenderá muito, mas não o suficiente. Ele compreende que precisa saber como é o corpo humano por dentro, mas isto é proibido pela religião. Acabará tendo a oportunidade com um morto que é zaratrustiano, e que não se importa com o corpo, pedindo que o deixe para ser comido pelas aves, mas terá que fazer isto sem que ninguém o saiba, porém será descoberto.
Acabará salvo pelo Xá que está com o mal da barriga, que na realidade é apendicite. Ele irá realizar a primeira cirurgia junto com seu mestre e um colega.
O filme além de retratar a história da medicina e o contexto histórico da época, também mostra o quanto a intolerância e os preconceitos religiosos podem ser danosos e criar guerras. Eles enfrentaram a peste negra e Rob desejava furar as pústulas negras, mas não podia fazer isto, até que finalmente pela observação ele percebe que a doença era transmitida pelas pulgas através dos ratos. Ele questiona a religião diante da proibição de avanços na ciência que resulta na morte de pessoas.
No final ele retornará à Londres e montará um hospital. Bardes fica sabendo e vai ao seu encontro.
Um filme interessante, que nos dá uma ideia de como se desenvolveu a medicina na idade média e no Oriente.
Philipp Stölzl nasceu em 1967 em Munique, Alemanha
Trilha sonora de Ingo Frenzel
Ingo Frenzel nasceu em 1996. É um compositor alemão.
Direção: João Jardim - 2014 Duração: 100 min Roteiro: João Jardim País: Brasil
Baseado em fatos reais
1954. Getúlio Vargas (Tony Ramos) está no poder pela segunda vez, desta vez eleito democraticamente pelo povo. Seu principal inimigo político é o jornalista Carlos Lacerda (Alexandre Borges). O filme retrata a conspiração política-militar que termina com o suicídio de Vargas.
Lacerda sofre um atentado onde quem morre é o Major Vaz da Aeronáutica. Os políticos se aproveitam para fazer uma campanha forte para que ele renuncie. Tudo leva a crer que ele é o mandante do crime uma vez que foi cometido por pessoas de sua guarda pessoal. Vargas nega ter ordenado isto e está disposto a que tudo seja investigado. Ele não irá reagir como era de se esperar de quem já foi um ditador.
São os últimos 19 dias de Vargas entre o atentado e o suicídio em seu quarto sozinho. Ele já está velho, cansado, mas não quer terminar seu governo de uma forma que considera desonrosa, faz tudo para preservar seu nome. Deixa claro que não irá renunciar. Propõe uma licença enquanto os fatos são apurados o que não é aceito. Ele avisa que só levarão seu cadáver do Palácio do Catete se insistirem na renúncia e cercarem o Palácio, e cumpre sua palavra. Era 24 de Agosto. Sua filha Alzira (Drica Moraes) sempre esteve ao lado do pai em todo este processo.
O suicídio reverteu a opinião pública e gerou grande comoção no país e revolta o que obrigou Lacerda e seu grupo a deixarem o país.
Vargas foi um ditador apesar de ser muito lembrado como "pai dos pobres" principalmente por ter criado o salário mínimo, a carteira de trabalho, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Petrobrás, estabeleceu pela primeira vez o horário verão, disciplinou o ensino superior dando preferência às Universidades, mas foi também um ditador, "rasgando" a Constituição por duas vezes. as torturas, a deportação de Olga Benário, um namoro com o Eixo para depois passar para o lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
O filme trata de seus últimos dias, quando se recusa a tomar medidas extremas para conter a tentativa de golpe que ocorria no país com o apoio de alguns militares e instigada por Carlos Lacerda e outros políticos.
Direção: Mark Rydell - 1994 Duração: 98 min Título original: Intersection País: Estados Unidos
Refilmagem do filme francês Les choses de la vie (1970) de Claude Sautet.
Vincent Eastman (Richard Gere) é um renomado arquiteto que tem um escritório junto com sua esposa Sally (Sharon Stone) onde ele é o que cria e ela comanda o negócio. Mas este casamento já não é satisfatório para Vincent que acaba se envolvendo com Olívia (Lolita Davidovich) uma jornalista encontrando-a sempre que pode até após uma briga com Sally ele confessar que está apaixonado por outra e se mudar para lá.
O clássico triângulo amoroso dentro de um casamento que já não satisfaz. O filme inicia com um carro, uma mercedes, em alta velocidade e que acaba se envolvendo em um acidente. É Vincent que está na direção do carro. Temos então a retrospectiva de sua vida, seu casamento, seu encontro com Olívia, suas dúvidas, seus conflitos, desejos.
Ele fica em dúvida, se deve permanecer com Sally e sua filha ou com Olívia, e justamente quando toma uma decisão e vai ao encontro de uma nova vida acontece o acidente, que causa sua morte no hospital, ficando para sempre sem poder solucionar sua vida.
Filme básico sem grandes novidades ou interpretações que valham a pena.
Mark Rydell nasceu em 1929 em New York, EUA.
Trilha sonora de James Newton Howard
James Newton Howard nasceu em 1951 em Los Angeles, Califórnia, EUA. É um compositor
Direção: Oliver Hirschbiegel - 2004 Duração: 158min. Título original: Der Untergang
Baseado nos livros escritos pelo historiador Joachim Fest, pela secretária pessoal de Hitler - Traudl Junge, e por Gerhardt Boldt, Ernst Günter Schenck e Siegfried Knappe.
A secretária de Hitler (Bruno Ganz), Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) narra como se tornou secretária do führer e os seus últimos dez dias no bunker em Berlim antes da rendição da Alemanha em 1945.
O filme retrata tanto a frieza de Hitler como seu lado esquizofrênico, seus ataques histéricos. Se por um lado é capaz de imensa cortesia, por outro toma decisões que ninguém tem coragem de contestar, mas que demonstram sua loucura.
Ele exige fidelidade cega e máxima de todos, e diz que não irá se render, que irá vencer os soviéticos que a estas alturas já estão a 12km do local. No final irá se suicidar junto com Eva Braun (Juliane Köhler). Seus restos mortais serão queimados conforme suas ordens.
Um das cenas mais difíceis é quando Joseph (Ulrich Matthes) e Magda Goebbels (Corinna Harfouch) envenenam seus seis filhos, e uma delas percebe o que está para ocorrer. Ela quer viver, mas sua mãe não o permitirá. Em seguida os pais também cometerão suicídio.
Olivier Hirschbiegel nasceu em 1957 em Hamburgo, Alemanha. Foi o primeiro cineasta alemão a fazer um filme sobre o nazismo gerando grande polêmica na Alemanha.
Trilha Sonora de Stephan Zacharias
Stephan Zacharias nasceu em 1956 em Hamburgo, Alemanha. É compositor
Direção: Joel Coen e Ethan Coen - 2009 Duração: 105 min Título Original: A serious man Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen País: Estados Unidos
Excelente filme. Larry (Michael Stuhlberg) é um professor de física na Universidade e leva uma vida metódica até que sua esposa, Judith (Sari Lennick) resolve trocá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Paralelamente ele sofre ameaças na Universidade por causa de notas de um aluno, seu irmão mora em sua casa e dorme no sofá, seu filho é problemático e rebelde e sua filha surrupia dinheiro em sua carteira para fazer uma cirurgia plástica. Sem saber o que fazer ele procura a ajuda de três rabinos. Parece Jó com tudo lhe caindo na cabeça, desmoronando, vai perdendo tudo e não faz nada.
Não sei se fico com raiva dele ou das pessoas que estão em sua volta. Ele não reage, fazem o que querem com ele. Por achar que não consegue ou não pode, ele não age e fica sem saber o que fazer. Os outros parecem tão seguros de si, parecem que sabem tudo e estão certos, mas são egocêntricos, devoradores, aproveitadores, e claro, temos a tampa e a caçarola. Por que os outros só agem assim porque ele o permite, não reage, deseja ser amado, ser correto, e acaba permitindo que os outros façam dele o que querem e assim alimentem também suas neuroses.
Estão sempre a lhe dizer: não aja como criança, seja adulto. Mas quem será que é infantil no filme? serão tão adultos assim? E lhe dizem: desta vez você foi adulto. E ele acaba repetindo o que os outros lhe falam.
Um filme que recomendo, pois quantas vezes nos vemos enrodilhados em tramas assim? Desejando ser aceitos e amados acabamos fazendo o que não desejamos, ou não fazendo nada, se deixando levar e ainda se sentindo péssimo. E vem a pergunta: o que fiz para merecer isto? ou será que é: o que será que não fiz para merecer isto?
Os irmãos Coen. Ethan nasceu em 1957 e Joel em 1954.
Trilha sonora de Carter Burwell
Carter Burwell nasceu em 1954 em New York, EUA. É um compositor.
Direção: David Frankel - 2012 Duração: 100 min Título original: Hope Springs Roteiro: Vanessa Taylor País: Estados Unidos
Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) estão casados há trinta anos. Porém, o casamento já perdeu todo seu romantismo e caiu na rotina, já não há mais erotismo, namoro e Kay faz várias tentativas para estimular e cativar novamente Arnold que não funcionam. Ela compra livros para ver se descobre algo novo até que chega a um terapeuta de casais que parece ter a fórmula mágica.
Ela então compra as passagens e marca a sessão com o terapeuta Dr. Feld ( Steve Carell) e consegue "arrastar" Arnold para lá.
Apesar do cômico do filme ele trata de um assunto sério, pois são muitos os casais nesta situação e a insatisfação se instala, porém conformam-se e passam a viver com este vazio e falta. Não será fácil reavivar a chama da paixão, mas para quem pelo menos tenta, há sempre uma possibilidade.
O importante é não se deixar levar pela rotina e se acomodar, e principalmente não acreditar nos estereótipos de que o desejo acaba com a idade. Ele pode ser mais tranquilo do que a fogosa juventude, porém está ali, e a qualquer momento ele se acende, em qualquer idade. Um filme importante para casais que perderam a magia da união, do erótico, do prazer.
David Frankel nasceu em 1959 em New York, EUA.
Musica do filme: I don't want to be your mother - Rachael Yamagata
Direção: George C. Wolfe - 2008 Duração: 97 min Título original: Nights in Rodanthe Roteiro: John Romano e Ann Peacock País: Estados Unidos Baseado no romance de Nicholas Sparks
Adrienne (Diane Lane) está com sua vida virada do avesso, separada do marido que agora quer voltar e descobriu que a ama, sua filha que se volta contra ela criticando-a e o filho que silencia. Ela então busca refúgio e um pouco de paz em Rodanthe onde se propõe a cuidar da pousada de uma amiga, Jean (Viola Davis) que irá viajar, para poder pensar sobre tudo isto.
Dr. Paul Flanner (Richard Gere) também vive um momento tumultuado. Perfeccionista com sua profissão de médico a qual se dedica totalmente ele acaba de perder uma paciente numa cirurgia. Sua esposa o deixou e o filho foi embora. O marido da paciente o está processando pela morte da esposa. Ele então vai para a Pousada, pois o marido da paciente lhe enviou uma carta pedindo para falar com ele, e mora neste local.
Porém uma tempestade de aproxima e todos estão alertas no local. Adrienne e Paul irão se conhecendo ali e ao enfrentar a tempestade juntos se aproximam mais ainda. Aos poucos algo irá mudando em cada um deles, levando Paul a compreender que precisa ser menos egocêntrico e olhar para o outro e Adrienne descobre que pode valorizar-se e viver uma vida diferente, onde seus desejos podem se realizar.
Estas mudanças levam Paul a se reconciliar com seu filho e Adrienne a tomar as decisões que precisava.
George C. Wolfe nasceu em 1954 em Frankfort, Kentucky, EUA.
Trilha Sonora de Jeanine Tesori
Jeanine Terosi nasceu em 1961. É uma compositora americana.
Viena, final do século XIX, um momento extremamente rico quando Freud criava a psicanálise, Wittengestein e seu pensamento, as artes com seus pintores e músicos, mas que condenava as mulheres que desejassem ir para a Universidade ou votar. Adele Bloch-Bauer casada com Ferdinand Bloch-Bauer irá ignorar estas convenções e posar para Gustav Klimt que era considerado um sedutor, dizia-se que tinha casos com todas suas modelos.
Com a Segunda Guerra Mundial e a ascensão do nazismo a família de Adele, que era judia, terá que fugir, ir para o exílio, e para isto muitas vezes eram forçados a vender suas obras de arte ou doá-las para pagar a taxa para sair do país. Tudo que ficou para trás foi roubado pelos nazistas ou até mesmo por aqueles que eram antissemitas e colaboracionistas e ficaram no país. Adele já havia falecido, aos 44 anos de uma meningite, antes da guerra, e havia deixado em testamento ao seu marido seu desejo de que as telas fossem doadas ao Belvedere em Viena, um museu de arte. Com sua morte as telas passaram ao marido que com a guerra teve que fugir e perdeu tudo.
O livro nos relata a história de Adele e sua família, a guerra, e o pós-guerra. Maria Altmann filha da irmã de Adele é uma das herdeiras, e irá lutar para recuperar as telas no pós-guerra levando 50 anos para conseguir. Assim que a guerra terminou tudo que foi roubado não foi devolvido e isto foi criando processos de restituição aos seus legítimos donos, uma vez que eles foram forçados a vender ou a doar.
Normalmente numa guerra estes roubos são considerados butim de guerra, mas a questão do nazismo e do extermínio dos judeus, por terem sido forçados a fugir e entregar seus bens, pela apropriação inclusive dos imóveis por pessoas que não eram soldados, o que ocorreu em quase todos os locais onde haviam judeus que foram deportados ou fugiram, os sobreviventes iniciaram processos para recuperar pelo menos uma parte de seus bens. A Áustria se posicionava como vítima do nazismo, porém a situação real não era bem esta, eles festejaram quando foram anexados à Alemanha e receberam com aplausos os nazistas que acreditavam lhes devolveriam o esplendor de antes da Primeira Guerra. O país se negou a devolver as obras alegando que pertenciam a cultura local, e que no caso do quadro de Adele ele fora doado por ela ao museu.
A questão era, Adele o doaria se tivesse vivido o suficiente para ver o que aconteceu? o que houve com sua família? Legalmente o quadro pertencia ao seu marido, e este não o doou. O quadro foi considerado arte degenerada, porém ele exercia um fascínio tão grande que lhe foi roubado a identidade também, passando a ser identificado como A dama dourada, e não mais como um retrato de Adele, que era judia.
Um livro interessante, que além da história da família Bloch-Bauer, de um retrato da segunda guerra na Áustria, no fala principalmente do saque das obras de arte efetuada pelos nazistas para atender ao desejo de Hitler de ter um museu do führer e à ganância de outros.
Uma pequena ressalva, há momentos no livro que se divaga um pouco, trazendo informações muito superficiais sobre Freud, por exemplo, que seriam dispensáveis, uma vez que não fazem muita conexão ao assunto e ficam como que perdidas no relato. É como uma demonstração excessiva de cultura que é desnecessária dentro do relato que por si só já é rico o suficiente e interessante.
ANNE-MARIE O'CONNOR - correspondente de guerra, repórter cultural que se interessa pela criação e destino das obras de arte.
Pontalis, J.-B.; Mango, Edmundo Gómez . Três Estrelas, 2013 Tradução: André Telles 303 páginas Título original: Freud avec les écrivains.
O livro trata do diálogo de Freud com a literatura e os principais escritores que fizeram parte de suas leituras.
Freud reconhece que o poeta conhecia por intuição o que ele precisa de muito tempo para compreender cientificamente, porém defende a primazia na psicanálise em termos científicos. Grande leitor de Shakespeare, Goethe, Schiller, Hoffmann, Heine, Dostoiévski, Thomas Mann entre outros. Além da leitura atenciosa de seus livros com alguns deles Freud manteve correspondência e encontros.
Freud também era um escritor que muitas vezes se utilizou do lado poético para falar do onírico, uma vez que o inconsciente é linguagem e precisa desta forma para se expressar, o que não seria possível com uma linguagem cientifica e objetiva. Muitos liam seus relatos de análises como um romance psicanalítico.
Além disto Freud incorpora alguns personagens à psicanálise como é o caso de Édipo de Sófocles, e Hamlet de Shakespeare.
Os autores colocam neste livro seu desejo de lançar uma luz sobre os laços da psicanálise e a literatura.
Edmundo Mango e Pontalis
Jean-Bertrand Lefebvre Pontalis nasceu em 1924 em Paris e faleceu em 2013 na mesma cidade, psicanalista, filósofo e escritor. Foi aluno de Sartre e fez sua análise com Lacan.
Edmundo Goméz Mango nasceu em 1940 em Montevidéu, Uruguai, psiquiatra, psicanalista e professor de literatura.
Direção: Andy De Emmony - 2008 Duração: 85 min Título Original: God on trial País: Reino Unido
A pergunta que muitos fizeram e se fazem: Por que Deus permite que certas atrocidades ocorram? O filme se passa em Auschwitz, um grupo de judeus que passou pela seleção e sabe que metade dele irá para a morte no dia seguinte para dar lugar a outros que estão chegando.
Como Deus benevolente e todo poderoso pode abandonar seu povo eleito no momento em que ele mais precisa? para tentar dar um sentido a tudo isto eles colocam Deus no banco dos réus e fazem seu julgamento diante do rompimento desta promessa de proteger seu povo, seguindo os moldes de julgamento previsto no livro dos juízes da Bíblia/Torá.
Um filme não aconselhado para os crentes, mas que é de uma racionalidade, lógica porém baseado totalmente no que diz a Torá e acrescido de algumas experiências vividas para questionar a lei de Deus.
A profundidade dos argumentos e dos valores é impressionante.
Uma das cenas que mais me tocou foi sobre o livre arbítrio. Na defesa deste um dos prisioneiros se levanta e diz: não existe o livre arbítrio. Eu viva em uma vila com minha família e meus três filhos e os nazistas chegaram e pegaram meus filhos. Eu implorei que os soltassem, então o responsável disse: você pode escolher um deles. Como eu poderia ter escolha? como eu poderia escolher um deles? Não escolhi nenhum e levaram os três. Nunca mais soube deles.
Sempre ouvimos que podemos escolher, e realmente ele poderia escolher, mas é possível? E ele escolheu não escolher, mas como é difícil suportar esta escolha, ou qualquer outra que ele tivesse feito. E o que devem ter sentido seus filhos?
O interessante é que o julgamento se baseia totalmente no que diz a Torá, portanto não há argumentos ateus, ou agnósticos, ou de outras maneiras. Segue totalmente o que está escrito no livro sagrado e isto mexe, faz com que pensemos. O filme não retrata apenas o lado amoroso e benevolente, ele irá também mostrar que os judeus cometeram atrocidades, e isto levantará a questão sobre o de ser o povo escolhido.