domingo, 29 de dezembro de 2013

LIVRO: UMA MULHER EM BERLIM - Diário dos últimos dias de guerra 20/04/1945 a 22/01/1945 - ANÔNIMA


Editora Record - 2008
Tradução: Renato Zwick
288 páginas
Título original: Eine Frau in Berlin

Condição da mulher na Alemanha pós-guerra.- 20 de abril a 22 de junho de 1945

Final da segunda guerra, os russos estão na Alemanha. O livro é escrito por uma jornalista que prefere ficar anônima, sobre os traumas da guerra, estupros coletivos e a prostituição como forma de sobrevivência. É um relato marcante, triste, trágico da situação das mulheres e de como elas tiveram que agir no final da guerra, entregando as mais jovens para os homens para se protegerem e terem alimentos. Da mesma forma, muitas para poderem comer, dar de comer aos filhos, parentes e amigos também se prostituíram. É um lado da guerra que é pouco comentado, ou até mesmo sabido por quem não estava lá. Apesar do trágico, é um belíssimo livro sobre a realidade cruel da situação da mulher no fim da segunda guerra e tantas outras guerras.

O livro foi adaptado para o Cinema em 2008 com direção de Max Faberbock.

Segundo pesquisas os russos teriam violentado em torno de 100 mil mulheres no final da Segunda Guerra e 10 mil delas se suicidaram pelo temor e humilhação do estupro. É um assunto tabu que começa a vir à tona.

Quando este livro foi publicado na Alemanha em 1954 a reação foi considerar isto um ultraje à mulher alemã. Que isto não ocorreu e que ou ela havia exagerado ou ela sim, provocou os soldados russos. As mulheres queriam esquecer e o silêncio permitia viver mais facilmente. Os homens também não queriam saber disto, pois ao voltarem da guerra tinham muita dificuldade em aceitar o que aconteceu com suas mulheres, mães e irmãs.

A questão sobre a vingança dos russos sobre os alemães pelas atrocidades cometidas com seu povo e suas famílias existe, mas não é apenas isto, há outros fatores que levaram ao estupro, além de ser um butim de guerra. O problema é o silêncio que se fez e os traumas que permaneceram e que passam por herança psíquica aos filhos.

Atualmente atribui-se a Marta Hiller, uma jornalista, a autoria do livro.