sábado, 8 de fevereiro de 2014

FILME: PIAF - UM HINO AO AMOR - LA MÔME - 2007



Direção: Olivier Dahan - 2007
Duração: 140 min 
Título Original: La Môme 
País: França 

Venceu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz.

Cinebiografia da cantora Piaf de seu nascimento à sua morte.

A vida de Piaf (Marion Cotillard) não foi fácil. Foi abandonada pela mãe e criada pela avó num bordel na Normandie. Ficou cega durante um período na infância e depois seu pai alcoólatra  vai buscá-la para cantar nas ruas. Abandona seu pai e continua cantando nas ruas de Paris junto com sua amiga Mômone (Sylvie Testud)  Descoberta por Louis Leplée (Gérard Depardieu) fica famosa. Seu grande amor o pugilista Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins) morreu num acidente de avião.



Morreu jovem, aos 47 anos. Teve uma vida desregrada, álcool e drogas. Mesmo famosa nunca deixou de ser quem era, amiga fiel, simples e malcriada. Não ligava para os outros, só queria cantar. Era devota de Saint Thérese de Lizieux.


Amava viver e fazer o que desejava. Foi destruída quando seu grande amor morreu, começa sua derrocada, continuou viva enquanto pode cantar, cantar era viver para ela, se não pudesse cantar morreria. E foi assim.

Piaf canta a vida, Paris, seus becos, a miséria humana e o amor. Piaf de pássaro, canta como um pássaro.



Cantava e tricotava, Piaf, maravilhosa!


A última canção


Olivier Dahan nasceu em 1967 em La Ciotat, França.

Trilha Sonora de Christopher Gunning

Christopher Gunning nasceu em 1944 em Cheltenham, Gloucestershire, Inglaterra.

FILME: MEDEIA - 1988


Direção: Lars Von Trier - 1988
Duração: 76 min 
Título original: Medea 
Roteiro: Lars von Trier - Preben Thomsen 
País: Dinamarca 

Baseado na adaptação de Medea de Carl Theodor Dreyer. 

Medea (Kirsten Olesen) , sua história é conhecida, Eurípedes foi seu autor. Uma mulher traída e a que ponto chega sua vingança, seu ódio, sua dor. Ela mata os filhos por ser a única coisa que poderia atingir Jasão (Udo Kier) , lhe tirar algo também.



Lars Von Trier nos apresenta uma Medea terrível, atormentada. Quando Medea puxa a padiola com seus filhos e atravessa um túnel com seres loucos o que Von Trier nos mostra é a loucura, seu interior, toda a dor e ódio que ela carrega junto ali, e ela sofre para puxar a padiola, como pesa, avança com todo este peso da loucura.

Ela é uma mãe carinhosa, amorosa, lambe a ferida do joelho de seu filho, mas a mulher ferida e traída sobrepõe-se à mãe. Ela mata a rival, o pai dela que havia decidido pelo casamento de Jasão e pelo seu exílio com os filhos, e mata seus filhos partindo em seguida.



Terrível, mas não inacreditável. Quantas vezes vemos isto? pai ou mãe que matam seus filhos?

Assustador, mas não estranho nem impossível.  No final do filme ele diz que há coisas que Deus pode fazer e são inacreditáveis, um tremendo soco no estômago.

Lars Von Trier 

FILME: AO ENTARDECER - 2007


Direção: Lajos Koltai - 2007
Duração: 117 min 
Título original: Evening 
País: Hungria

Baseado no livro de Susan Minot 

Ann (Vanessa Redgrave) está em seu leito de morte. Suas filhas estão ali, Constance (Natasha Richardson) e Nina (Toni Collette) e é quando a mãe lhes revela sobre seu único amor Harris (Patrick Burton) o que as deixa desnorteadas e querendo saber mais sobre isto.

Nina está grávida e cheia de dúvidas, tem problemas com o amor. Não sabe o que fazer, qual seria a melhor escolha, mas isto existe?

Fazemos escolhas na vida, nem sempre acertamos, mas tentamos fazer o melhor no momento e temos que aceitar os erros e viver assim mesmo. É impossível não errar na vida.

Ann recorda o casamento de sua melhor amiga Lila (Mamie Gummer) do qual foi madrinha (Claire Danes) e onde conheceu Harris. O reencontro delas é a cena mais bonita do filme, quando Lila (Meryl Streep) a vem visitar.

Ao entardecer da vida quando nos recordamos de nossa vida, do que fizemos ou deixamos de fazer nos faz pensar nas escolhas que fazemos e que podem mudar uma vida.


Lajos Koltai

Trilha Sonora - Jan A.P. Kaczmarek 

FILME: ENCONTRO COM O PASSADO - 2009



Direção: Marina de Van - 2009
Duração: 111 min 
Título original: Ne te retourne pas 
Roteiro: Marina de Van
País: França 

Jeanne (Sophie Marceau) tenta escrever um livro sobre sua infância, mas não está conseguindo porque não se lembra de nada do que aconteceu antes dos 8 anos de idade. Tem informações fornecidas por sua mãe, fotos, mas não tem memória. Começa a se sentir diferente, enxerga as coisas de outra maneira, começa a ver outros rostos nas pessoas e até o dia que olha no espelho e não se reconhece mais, é outra mulher, com outro rosto ( Monica Bellucci).



O mais angustiante é que ninguém parece perceber nada, e todos acham que ela está assim por causa do livro.

A busca por um esquecimento, algo recalcado, que pode parecer estranho e assusta, mas está ali, está registrado. Como numa psicanálise, que aos poucos o recalcado retorna, aparece em sonhos, em sensações, palavras, atos falhos. Uma identidade negada e quando ela tenta escrever sobre sua infância retorna fazendo com que se perca no labirinto da dupla identidade.

Os outros não percebem porque é algo que se passa dentro dela, vem de dentro dela. Não há nada neste filme que seja sobre espíritos, não é um espírito que retorna, mas sim aquilo que foi esquecido, mas que lhe pertence. Como ela assume a identidade de outra pessoa e passa a viver segundo esta, a primeira Jeanne do filme, a outra, Maria Rosa desaparece, mas está ali. Ela assume uma identidade que não é sua quando esquece seu nome, e passa a se chamar Jeanne.

Aos poucos ela sofre a desindentificação para finalmente poder se reconstituir como Maria Rosa/Jeanne. Ela terá que assumir dentro de si mesma as duas, e somente assim conseguirá escrever seu livro.

Belo filme!

Marina de Van nasceu em 1971 na França, é formada em Filosofia. 

LIVRO: DIA DE FINADOS - CEES NOOTEBOOM


Nooteboom, Cees. Companhia das Letras, 2001
Tradução: José Marcos Macedo
345 páginas

Arthur Daane, um cinegrafista holandês, perdeu sua esposa e filho num acidente aéreo. Sua vida após esta perda trágica passa a ser perambular e ocasionalmente fazer algum trabalho para ganhar algum dinheiro, mas sua principal ocupação é filmar fragmentos, pedaços, tudo aquilo que está ali, mas ninguém vê ou percebe, e faz isto por onde anda Espanha, Holanda, Japão, Estônia e principalmente em Berlim onde se encontra por mais tempo no momento.

É o relato de um solitário, que não supera seu luto, que busca em vão compreender o que é impossível. Berlim é uma cidade onde os mortos também permanecem, estão ali nos escombros, no ar, na culpa que também acompanha os alemães como a ele também. O último instante quando ele registra sua mulher e filho na fila no aeroporto. Ele não estava com eles.

Apesar da solidão tem bons amigos, Erna na Holanda e Victor, Arno e Zenóbia em Berlim, além de outros cinegrafistas com os quais divide apartamentos pelo mundo. Conhece uma mulher, Elik, que também carrega em si um trauma, é uma historiadora, e da mesma forma que Arthur, também uma solitária, só que ao invés de perambular pelo mundo ela se enclausura na história e está fazendo seu doutorado sobre uma rainha da idade média, Urraca.

Temos interrupções no decorrer do livro, são os anjos que tudo vêem, ou o coro, como acontece no teatro grego que nos falam de coisas que cabe a cada um, mas que o outro não pode ver, mas eles vêem tudo ao mesmo tempo. Arthur socorre uma senhora e a deixa no metrô, mas jamais saberá que ela morreu.

O que o impressiona é aquela sensação de estar num lugar onde tantos já estiveram antes, passaram também por ali, falaram algo, e o lugar fica, mas onde estão todos estes? As vozes ficam? os movimentos? Um lugar onde já houve guerra e muitos morreram, e agora está calmo, mas é o mesmo lugar. Como filmar isto? Uma cidade é feita de edifícios e vozes, mas se retiramos as vozes o que sobra?

Ele busca vestígios, não pode esquecer, e não compreende que as coisas passem, que tudo muda, se transforma, mesmo que o lugar seja o mesmo, a transitoriedade de tudo.

Diante de uma foto do Dia de Finados onde as mulheres se encontram, limpam os túmulos, levam flores, fazem isto todos os anos ele começa a compreender que é preciso lembrar para esquecer.

Cees Nooteboom, pseudônimo de Cornelis Johannes Jacobus Maria, nasceu em 1993 em Haia, Holanda.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

FILME: TOM & VIV - 1994



Direção: Brian Gilbert - 1994 
Duração: 126 min 
País: Reino Unido 

T.S.Eliot (William Dafoe) o poeta americano e sua primeira mulher Vivienne Highwood (Miranda Richardson) uma aristocrata inglesa. O casal foge para poder casar e depois se instalam no sótão de Bertrand Russel.

Viv tem altos e baixos de humor e um sangramento muito forte por ocasião de suas menstruações, o que na época assustava. Era uma mulher exigente, carente e se sentia facilmente rejeitada  se tornando vingativa. Tinha crises histéricas. O que ela desejava era viver, fazer coisas, participar. Seus pais a controlavam e seguravam por causa de suas crises de humor e por falar alto e dizer o que pensa numa sociedade que valorizava o discreto. Ela se iludiu ao achar que Eliot a tiraria deste mundo, mas era o contrário, ele queria entrar para este mundo, americano ele admirava o estilo inglês.



Eliot não falava com ela. Ela perguntava algo e ele a olhava e ia embora. Ela nunca sabia o que ele pensava ou queria. Ajuda-o a escrever, era sua inspiração. Aos poucos, a medida que ele ganha dinheiro e fama, vai se afastando dela. Movida pelo ciúme, despeito e rejeição ela apronta. Chega a ser engraçado, ela é muito inteligente, mas para aquela época era loucura. Hoje também, mas não ao ponto de ser internada.

Ela se joga em cima dele dirigindo, é um ato louco, mas ninguém se machucou. Ela "ataca" Virginia Woolf com uma faca e ri muito depois dizendo que queria que ela fosse embora e conseguiu. Também faz das suas contra a secretária do marido que não a deixa chegar à ele. Mas em momento algum ela chega a realmente ferir alguém.

Por causa destes atos Eliot e o irmão dela convencem a mãe, após a morte do pai, a interná-la e colocar sua herança em uma fundação que será gerida pelos dois homens. Eliot se separa dela.

Para interná-la é necessário que três médicos atestem que ela é louca e para isto eles vão à sua casa e irão lhe fazer três perguntas, se ela errar é louca. Viv era especialista em decifrar enigmas e charadas. Ela acerta a primeira brincando, a segunda após olhar para Eliot ela pensa e erra. Pronto é considerada doente mental. Nem mesmo Eliot sabia as respostas das charadas.

Viv ficará internada por 40 anos até sua morte. Num dado momento se desvenda o que ela tinha e  ao que tudo indica ela foi vítima de seu ex-marido e irmão para que eles pudessem gerir o dinheiro dela. Mas ela não aceita esta versão, fica com a versão anterior e mantém seu sonho de musa do poeta. Talvez fosse melhor mesmo, pois desmoronar com tudo após tantos anos não era algo fácil.

Eliot se casou novamente e nunca foi visitá-la. Seu irmão retorna da África e envergonhado vai visitá-la se sentindo um mau-caráter.

Mais uma mulher que desejou ser livre, viver, poder criar e não pode devido a moral, a cultura e a sociedade. E o mais dramático é quando se descobre o que eram suas alterações de humor, o que deixo para os que assistirem ao filme.


Brian Gilbert nasceu em 1960 na Inglaterra.


Trilha sonora de Debbie Wiseman 

Debbie Wiseman nasceu em 1963 em Londres, Inglaterra.É uma compositora

FILME: ONDAS DO DESTINO - 1996


Direção: Lars Von Trier - 1996
Duração: 159 min 
Título original: Breaking the waves 
Roteiro: Lars von Trier - Peter Asmussen - David Pirie
País: Dinamarca 

Ganhou o César de Melhor filme estrangeiro 

Uma comunidade pesqueira num país nórdico (norte da Escócia) , uma plataforma de petróleo com outsiders.

Bess (Emily Watson) cresceu nesta comunidade extremamente religiosa e onde seu avô é um dos anciões que governam as regras no local. Ela vivia dedicada à Igreja, uma igreja sem sinos, após ter sido internada quando seu irmão morreu. Os anciões são os guardadores da moral e dos costumes, tudo passa por eles. As mulheres não podem assistir aos enterros, somente os homens, e o ancião quando julga o morto um pecador manda para o inferno todos que não vivem segundo suas regras.

Bess se apaixona por Jan ( Stellan Skarsgard) um dinamarquês que trabalha na plataforma de petróleo e se casa com ele. A comunidade não gosta, prefere os casamentos entre si, tem medo do diferente e não o aprovam.

O filme é dividido em partes e no início de cada parte toca uma música alegre que destoa até da vila e tem uma paisagem com tons sempre ocres e verde escuro predominando. A sensação que tive é que há algo que incomoda ali, não é natural e então me pareceu que era um mundo pintado, colorido por nós, cores que nós escolhemos para colocar na vida e no mundo onde sempre sobra um pedaço sem cores e um outro muito ilusório.

No dia do casamento uma demora da chegada do  helicóptero que traz o noivo da plataforma desencadeia uma crise histérica de Bess. O médico dirá que ela quer tudo, mas por outro lado ela é totalmente submissa ao Outro, seja Deus, seja o amor na figura de Jan. Ela fica entre a obediência e o sarcasmo.



Na festa do casamento ela leva Jan para o banheiro e quer ser possuída ali mesmo, nada de romantismo, de lua de mel. E temos depois uma cena linda onde ela descobre o corpo do outro.



Bess fala com Deus, mas ela mesma é Deus, que responde engrossando sua própria voz e usando uma voz infantil para ser ela mesma. Neste delírio Deus atende seus desejos e como ela não suporta a ausência de Jan quando está na plataforma trabalhando ela pede a Deus que o traga para casa, mesmo percebendo seu egoísmo ela não consegue agir de outra forma.



E justo aí é que acontece o acidente na plataforma que o traz para casa. Ela fica feliz, o que importa é que está vivo e vai ficar ali, não o estado dele que não pode mais se movimentar. Para aliviar sua culpa pois acredita que foi ela quem causou tudo isto pois desejou que ele ficasse ali, ela passa a acreditar que o salvaria. Deus o salvaria, aquele Deus que era ela mesma. Acreditou que tinha o poder sobre a vida e a morte.



Jan lhe diz que deve arrumar um amante, que ele não pode mais fazer amor, que isto ficaria entre eles, já que não podiam se divorciar pois a comunidade nunca aceitaria isto. Sua virilidade está em jogo. Ele lhe pede para ter relações sexuais com outro e lhe contar, que seria como eles dois. E o mais perverso é que quando ela inventa ele ao invés de aceitar a desmascara.

Ela atende ao desejo dele se prostituindo, acredita que o está salvando. Quando após sofrer uma violência ela ainda não o curou, resta o sacrifício, resta morrer por ele. E eu me pergunto por quem os sinos dobram no filme.

E ele se recupera. Milagre? por causa do sacrifício? Não! iria se recuperar de qualquer maneira. Ela sentia culpa pelo acidente, mas o amigo não, e se este não tivesse feito uma brincadeira estúpida de se fazer de morto naquele momento, o acidente não teria ocorrido. Mas há culpa? os acidentes acontecem, não temos o poder de detê-los, mesmo que sempre haja uma escolha antes.

Um tribunal. Qual foi o crime? quem é o criminoso? Neurótica? psicótica? o médico diz que ela era boa. Ser bonzinho é ser alienado ao desejo do outro?

Recomendo este filme, o meu preferido de Lars Von Trier.

Lars Von Trier nasceu em 1956 em Kongens Lyngby, Dinamarca.

Trilha sonora de Joachim Holbek 


Joachim Holbek nasceu em 1957 na Dinamarca. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FILME: A HISTÓRIA DE ADÈLE H - 1975


Direção: François Truffaut  - 1975
Duração: 96 min 
Título original: L'Histoire d'Adele H. 
Roteiro: François Truffaut - Jean Gruault - Suzanne Schiffman
País: França 

Baseado no livro de Frances Vernon Guille e no diário de Adèle Hugo. 

Adèle Hugo (Isabelle Adjani) é a segunda filha do famoso escritor Victor Hugo. A mais velha, Leopoldine, morreu afogada e segundo conta Adèle seu marido ao ver que não poderia salvá-la deixou-se ir também. Uma interpretação pessoal uma vez que ele provavelmente morreu afogado também por não conseguir sair. Adèle tem pesadelos, está afundando, se afogando, ficando sem ar.

Apaixonou-se pelo namorado Tenente Pinson (Bruce Robinson) que a abandona, ele parte para o Canadá e ela vai atrás dele. O filme começa quando ela chega à Halifax.

Pinson já a esqueceu e ela não aceita isto, tem um amor obsessivo que a levará ao delírio e finalmente a loucura. Ele é um sedutor, nunca se apaixonou e deixa várias mulheres sem se afetar.

Adèle mente, inventa histórias e quer destruir Pinson. Persegue-o, vai atrás onde ele for até o momento em que já nem o reconhece de tão fixada que está no que criou em sua mente. No final será internada e viverá no asilo até sua morte, ou seja, por 40 anos.

Hugo, viver a sombra de um pai imenso, ela lhe envia suas músicas, pede notícias e sempre lhe davam desculpas. As cartas que recebia do pai sempre falavam de sua mãe, como se ela estivesse muito preocupada, está doente, você precisa voltar, mas onde está esta mãe? A mãe se separou de Hugo, sempre teve uma vida libertina, com amantes. Ele viveu exilado por muitos anos devido suas posições políticas, a irmã morreu, ela era só e se fixa neste amor que lhe parece ser tudo que deseja.

Um belo filme sobre a vida de Adèle H que se tornou conhecido pois se encontraram seus diários.



Adèle Hugo e Victor Hugo


François Truffaut nasceu em 1932 em Paris e faleceu em 1984 em Neully-sur-Seine, na França. um dos maiores cineastas do século XX. Seus temas principais foram as mulheres, a infância e a paixão.
Foi criado pelos avós maternos, já que foi rejeitado pela mãe e nunca conheceu seu pai.

FILME: A OUTRA - 1988


Direção: Woody Allen - 1988
Duração: 84 min 
Título Original: Another Woman 
País: Estados Unidos

Uma mulher, a crise dos 50 anos. Ela é casada, filosofa, escritora e muito segura de si. Para escrever precisa de silêncio e por isto aluga uma sala que tem por vizinho um psicanalista. Pelo sistema de calefação é possível ouvir tudo que se diz nesta outra sala. Uma das pacientes Hope (Mia Farrow)  fala de sua vida e insatisfação com seu casamento e isto chama a atenção de Marion (Gena Rowlands).

Ao ouvir o relato de Hope, ela passa a repensar sua vida, avalia sua relação com seu marido, ambos em seu segundo casamento. Ela recorda que havia um outro homem apaixonado por ela que acabou rejeitando. Em uma festa um casal comenta que foram surpreendidos pelo zelador do prédio que tem a chave mestra fazendo amor no chão da sala. Ela pensa em sua vida sexual, questiona o marido.

Todos a admiram, sua inteligência, sua postura, mas ela descobre que não é bem assim, que muitos a odeiam e tem mágoas.

Reencontra sua amiga de infância com o marido e vão a um bar, após um tempo o papo entre ela e o marido corre solto, a amiga dá um basta e a acusa de seduzir, não conscientemente talvez, mas ela tem que seduzir e a amiga se sente um lixo, posta de lado. Seu irmão que teve que trabalhar para que ela estudasse. Sua apreciação negativa sobre o livro que ele escreveu, sempre se colocando acima e olhando os outros, avaliando e julgando.

Vai visitar o pai, sua mãe faleceu faz pouco tempo. Ele se desfaz de tudo que era da morta, não quer lembranças. A enteada de Marion pergunta se ele pensa que pode se apaixonar de novo. Ela fica chocada, diz que não foi de bom tom, imagine, na idade dele.

Finalmente resolve seguir a paciente depois que a encontra por acaso na rua, acabam almoçando juntas, conversam e depois quando retorna a sua sala para escrever ela escuta Hope a descrevendo para seu analista.

Hora de mudar tudo!

O filme revela duas coisas: as máscaras que usamos para não nos ver frente a frente com nossos medos, sentimentos, desejos e o que isto produz nos outros.

Recomendo!

Woody Allen 

FILME: CARRINGTON - DIAS DE PAIXÃO - 1995


Direção: Christopher Hampton - 1995
Duração: 121 min
Roteiro: Christopher Hampton 
País: Reino Unido 

Baseado na biografia do escritor e crítico Lytton Strachey de Michael Holroyd.

Uma cinebiografia sobre Dora Carrington (Emma Thompson) e Lytton Strachey (Jonathan Pryce), ela uma pintora e ele escritor.

1915 - Inglaterra, Dora se apaixona por Lytton, 15 anos mais velho e homossexual. O filme é sobre ela, mas quando duas pessoas são unidas por laços fortes não é possível falar de uma sem incluir a outra, portanto o filme é sobre os dois.

Encantei-me. Mostra o amor de uma mulher por um homossexual e esta relação se torna sublime. É algo que pode parecer estranho e até mesmo pouco aceito, porém perfeitamente possível.

Eles viviam juntos desde que se conheceram, um cuidava do outro. Ela era virgem e isto era polêmico para aquele círculo de Bloomsbury do qual participavam entre outros Virginia Woolf e E.M. Forster. Ela irá se envolver com homens e terá uma vida sexual porém sem prazer o que para ela só seria possível com o desejo, e ela desejava Lytton. O amor dela por ele a leva inclusive a se casar somente para mantê-lo por perto.

Lytton e Dora nunca se relacionaram como um casal, ele mantinha alguns casos, mas estava sempre por perto e em seu leito de morte ele lhe dirá finalmente que sempre a amou, que queria se casar com ela, mas nunca o fez. Esta confissão a destruiu, ela tenta o suicídio pela primeira vez, mas será salva pelo ex-marido, na segunda tentativa ela consegue, se matando com um tiro de espingarda. Ela não conseguiu viver sem ele.

Os dois se amavam, mas sem laços sociais e culturais. Eram livres. E eu a admiro pela sua coragem de viver o que sentia, mesmo que todos possam achar um absurdo. No filme o grupo não acha isto, mas eles eram diferentes e queriam acabar com a moral vitoriana.

Veja uma amostra do trabalho de Dora Carrington



Dora e Lytton 

Retrato de Lytton pintado por Dora

Christopher Hampton nasceu em 1946 na Ilha do Faial, Açores, de pais britânicos.

Trilha sonora de Michael Nyman

Michael Nyman nasceu em 1944 em Stratford, Londres, Inglaterra. É um compositor minimalista, pianista e musicologista britânico. 

FILME: O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD - 2011


Direção: John Madden - 2011 
Duração: 124 min 
Título original: The Best Exotic Marigold Hotel 

Adaptação do livro These foolish things de Deborah Moggach 

Sete idosos britânicos, um casal, uma viúva, duas solteiras, dois solteiros  resolvem ir para um Hotel para aposentados na Índia iludidos pelo anúncio. Claro que o que encontram é bem diferente do que foi oferecido.

O filme nos fala do antes, de como estavam suas vidas na Inglaterra e depois o que irá se passar neste exótico Hotel, nos mostrando o quanto é difícil ser idoso na sociedade que cultua os jovens, mas também o quanto se pode ainda aproveitar a vida.

Evelyn ( Judi Dench) a viúva, está as voltas com o uso da internet e liga para o atendimento se deparando com algo decorado, onde o que não consta no manual de procedimentos não pode ser resolvido. Parece uma gravação. Esta experiência lhe valerá mais tarde como uma aprendizado e resultará em um trabalho na Índia onde irá desrobotizar um call center.

Muriel (Maggie Smith) uma das solteiras, precisa fazer uma cirurgia e para furar a fila vai fazê-la na Índia onde também tem um custo menor. Ela é ranzinza, xenófoba e preconceituosa, tem pavor de se contaminar. Leva com ela um estoque de comidas, bolachas e quer um médico branco, o que não encontrará. Uma Indiana cuidará dela no Hotel e então ela quer agradecer indo até sua casa, ocorre que ela é uma Intocável, e fica extremamente reconhecida pelo gesto de Muriel, e lhe serve algo para comer o que esta terá que aceitar. Aos poucos Muriel se transforma, se torna mais afetuosa e acabara contando sua história e usando seus conhecimentos para ajudar o Hotel.

Norman (Ronald Pickup) é um dos solteiros que está triste porque ainda sente desejo pelas mulheres mas nenhuma o quer por ser velho. Madge (Celia Imrie) busca um marido rico. Graham (Tom Wilckinson) é um juiz aposentado e que carrega uma culpa por sua homossexualidade e uma escolha do passado. E o casal Douglas e Jean (Bill Nighy e Penelope Wilton) que estão falidos após emprestar dinheiro à filha e que não se entendem por visões de vida diferentes.

E temos Sonny (Dev Patel) o jovem que sonha em recuperar o Hotel e tem que enfrentar sua mãe.

Aos poucos cada um deles irá adquirindo uma liberdade que não tinham  e podendo realizar coisas que nunca puderam fazer antes, o que nos mostra o quanto a velhice muitas vezes é algo prazeroso e senão isto, pelo menos pode nos trazer uma liberdade que não tínhamos antes. Vemos o preconceito que também tem os mais jovens, os filhos destas pessoas que tomam decisões por eles sem consultá-los, que os exploram seja pelo dinheiro ou para cuidar de filhos, que não levam em conta que apesar de idosos estão vivos e tem desejos.

Além disto  a riqueza da cultura indiana tão distinta da britânica, as comidas, as tradições, o clima, a vida.


John Madden nasceu em 1949 em Portsmouth, Reino Unido.

Trilha sonora de Thomas Newman 

FILME: ALÉM DA VIDA - 2010



Direção: Clint Eastwood - 2010
Duração: 129min 
Título original: Hereafter 
Roteiro: Peter Morgan 
País: Estados Unidos 

Ganhou o prêmio David di Donatello de melhor filme estrangeiro 

O tema é a morte, o que não conhecemos e não temos como conhecer. Os três personagens do filme tentam lidar com ela.

A jornalista Marie (Cécile de France), famosa, rica, inteligente que sempre destrincha e desvenda tudo e todos se vê diante de algo que não se explica. Ela se salva de um tsunami, mas enquanto esteve submersa na água após bater com a cabeça tem "visões". Após esta experiência ela não consegue mais retomar seu lugar na vida, ninguém consegue compreendê-la ou acreditar nela. Deixará tudo para ir em busca de explicações e de pessoas que possam acreditar nela. Acaba escrevendo um livro. Perde sua vida anterior o que também não deixa de ser uma morte. Ela acabara encontrando o vidente que vê nela alguém como ele, que também teve contato com a morte.



O vidente George (Matt Damon) que após uma cirurgia no cérebro passa a ter contato com os mortos, tem visões rápidas ao tocar na pessoa ou em um objeto e os escuta. Faz disto um meio de ganhar dinheiro, mas percebe que isto não é um dom e sim uma maldição, que não pode viver lidando com a morte diariamente. Ele para com isto e tenta levar uma vida comum.

O menino  Marcus (Frankie McLaren/ George McLaren) que perde seu irmão gêmeo e quer reencontrá-lo, não consegue viver sem ele. Ele encontra o vidente que acaba por atendê-lo e ouve do irmão que era ele quem tomava decisões e cuidava dele, mas que agora ele vai embora e ele tem que cuidar de si, que está por conta própria a partir de agora.

A questão aqui não é dizer se estas visões e vozes são reais ou delírios, mas sim o que faz o vivo para lidar com a morte. O filme mostra a exploração por pessoas de má fé deste desejo humano de ter contato com os mortos e da crença em uma outra vida após a morte como consolo pelo o que todos nós sabemos, ou seja que vamos morrer um dia. O medo, o não aceitar a perda.

Uma coisa é certa, haja ou não vida após a morte são dois mundos separados e cada um deve ficar e estar no seu, por isto o luto onde tudo que fazemos e sentimos é por nós mesmos, é sobre nós, não sobre os que partiram. É sobre como viver sem eles aqui deste lado onde não estão mais. A aceitação disto, porque a falta nunca se preenche, esta perda não é recuperável, mas é preciso viver e para que isto possa acontecer precisamos viver o luto.

Uma observação sobre o filme: a filmagem do tsunami é incrível, muito bem feita.

Clint Eastwood nasceu em 1930 em São Francisco, Califórnia, EUA. É um ator de cineasta.

Tema do filme. Composição de Clint Eastwood. 

FILME: A FONTE DAS MULHERES - 2011


Direção: Radu Mhaileanu - 2011
Duração: 135 min 
Título original: La source des femmes. 
Roteiro: Radu Mhaileanu - Alain-Michel Blanc- Catherine Ramberg 
País: França - Bélgica - Itália e Marrocos 

Selecionado em Cannes 2011 como longa-metragem. 

As mulheres de uma aldeia situada entre o Norte da África e Oriente médio se rebelam contra os maridos por terem que ir buscar água na fonte enquanto eles passam o dia jogando e bebendo. Tudo tem início quando novamente uma das mulheres grávida cai e perde seu filho ao ir buscar água na fonte. O que elas querem é que a água seja canalizada até a aldeia.



O filme começa com um parto e um aborto. Elas festejam o nascimento, cantam e desprezam a que perdeu o filho e isto revolta Leila (Leila Bekthi) que começa a instigar as mulheres a lutarem por melhores condições e sugere uma greve de sexo que é o único poder que elas tem sobre os homens.



O problema é que as tradições islâmicas são seguidas à risca, e a mulher como procriadora é regra, assim como ser de responsabilidade delas ir buscar a água.

Os homens não aceitam isto, e as mulheres também sofrem, pois por mais que haja regras que para nossa cultura são machistas, as mulheres usufruem do sexo com prazer na aldeia, são eróticas. E a tensão vai aumentar no decorrer do filme.

A mulher do Mulá  é contra, quer manter a tradição e os costumes, mas o que percebo é que no fundo ela tem ciúme e raiva. As mulheres mais velhas já não sobem para buscar água e não podem aceitar que as novas escapem a este destino, que de certa maneira é a sua vingança e satisfação após anos passando pelo mesmo, por também terem caído e perdido filhos. O Mulá pergunta a sua mulher: Por que você sempre defende os homens? nem parece que você é mulher.

A sogra também é contra e ainda diz à Leila que ela lhe roubou seus homens, seu filho e até seu marido que a apoia. Seus falos. Esta sogra que não recriou-se como mulher, mas assumiu um papel social de mulher para tentar ser.

Um aldeia arcaica, elas não tem anticoncepcionais, mas tem celulares. O filho homem é o desejado, a maioria dos bebês morrem. A religião, a tradição e o moderno. Há uma cena hilária, de uma delas em cima de um asno na lida diária falando ao celular e que ao perder o sinal xinga o asno para que ele volte ao local onde tem sinal, ou então quando elas penduram o celular no varal que é o único lugar onde tem sinal.



Mas se a greve é uma forma há outra e muito mais eficaz que é fala, que não se dá pela tecnologia, celular ou TV, mas sim pelas canções que elas cantam. As letras destas canções é o mais importante neste filme, é onde cantam suas dores e alegrias e terminam cantando que a mulher não é a origem da vida, ela é o amor. A terra é fértil como a água, a mulher não é a água, é amor.



A  mulher quer ser amada, precisa amar e ser amada. Só assim floresce e passa a ser respeitada deixando de ser um objeto de uso para o sexo e para o trabalho.



Segundo o diretor Radu Mhaileanu o filme foi inspirado na peça "Lisístrata" de Aristófanes. O filme foi rodado no Marrocos em uma aldeia a 50km de Marrakesh.

Radu Mhaileanu nasceu em 1958 em Bucareste, Romênia. Vive na França .

Trilha sonora de Armand Amar


Armand Amar nasceu em 1953 em Jerusalém, Israel de mãe israelense e pai judeu-marroquino com passaporte francês. Emigrou para o Marrocos.