quarta-feira, 17 de setembro de 2014

LIVRO: MULHERES NO CAMINHO - LIGIA MARIA KNABBEN BECKER


Becker, Ligia Maria Knabben. Nova Letra, 2010
169 páginas

A Ligia é catarinense, de Brusque e hoje vive em Florianópolis. Este livro é seu relato das três vezes que fez o Caminho de Santiago de Compostela.

Ela fez o percurso aragonês , francês e de Portugal. Uma vez ela foi com amigas, o de Portugal ela foi sozinha e o último com seu marido e outros casais.

Seus relatos são sobre mulheres no caminho, alguns reais outros fictícios, mas baseados no que vivenciou. Ela nos fala das transformações, do autoconhecimento, de tirar máscaras. O caminho revela padrões que temos no nosso dia a dia, retira coisas às quais somos apegadas, mas que para a vida não faz muito sentido. Ela fala dos obstáculos, das dificuldades de se relacionar com o outro e consigo própria.

Seu percurso não foi religioso, mas de uma busca de si mesma. O caminho é feito por cada um de formas diferentes, cada pessoa busca algo, seja religioso, seja de aprendizado, seja de autoconhecimento.

Ligia deu uma entrevista para o programa Vida Inteligente sobre o livro que você pode assistir  no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=oTEizDT-Ipw




Ligia Maria Knabben Becker nasceu em Brusque- SC.É formada em Letras pela UFSC

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

LIVRO: HISTÓRIAS QUE CURAM - Conversas sábias ao pé do fogão - RACHEL NAOMI REMEN



Remen, Rachel Naomi. Ágora, 1998
277 páginas
Tradução: Laura Teixeira Motta
Título original: Kitchen table wisdom.

Rachel é médica, ela trabalha com pacientes com câncer, principalmente os terminais, através de uma terapia que os ajuda a enfrentar este momento. Mas o livro nos proporciona um ensinamento que é sábio sobre a vida, sobre como viver e não apenas sobreviver.

Um dos pontos do livro é a questão do treinamento que os médicos recebem de serem profissionais e não se envolverem emocionalmente com os pacientes. Acontece que o médico é um ser humano e ter que se conter pode levá-lo ao que a autora chama de embotamento, ou seja, ficar insensível a dor, o que não quer dizer que ele não sinta, mas justamente porque sente e tem que reprimir ele acaba assim.

A autora defende o ponto que cada doença é única para aquela pessoa e que a cura também é única. Para a medicina a doença é uma só e tem seus recursos para lidar com ela, mas as coisas são muito mais profundas do que isto, pois a doença já é um sintoma de algo que afetou aquele ser humano.

Cada um que ler o livro encontrará algo que lhe fale. Eu pessoalmente me atentei muito à questão do quanto ficamos presos ao outro e com isto deixamos de ser nós mesmos e fazer o que desejamos. Ela nos lembra que um elogio também é uma forma do outro nos julgar e não apenas a crítica como costumamos ver. E do quanto nos dedicamos a atender aos padrões que nos foram impostos na infância ou pela sociedade e o quanto isto gera infelicidade.

Rachel também nos fala sobre o sagrado, aquele lugar interno ou até mesmo externo que nos traz paz, e do quanto precisamos disto.

A força, a determinação, a integridade das pessoas que estão com câncer é algo que nos comove e nos leva a refletir muito sobre a vida.



domingo, 7 de setembro de 2014

LIVRO: UM ANO DE VIAGENS - Passeios apaixonantes pela Europa, Marrocos e Turquia - FRANCES MAYES


Mayes, Frances. Rocco, 2007.
446 páginas
Tradução: Talita Rodrigues
Título Original: A year in the world: journeys of a passionate traveller.

Mayes é conhecidíssima pelo livro e filme "Sob o sol da Toscana" (postei no blog sobre o filme), quando ela se separou e numa viagem à Itália compra Bramasole em Cortona e passa a viver por lá um tempo onde acaba conhecendo Ed, seu marido que a acompanha neste delicioso livro Um ano de Viagens.

Não se trata de sair viajando por um ano direto, mas das viagens realizadas que ela nos relata com muita sensibilidade, com um olhar estético, amoroso, e guloso, sim, porque a culinária está presente em todo o livro.

Eles irão para vários lugares na costa do Mediterrâneo, Espanha, Portugal, Marrocos, Turquia, Grécia, Escócia, Ilhas Britânicas.

O que mais apreciei é que se trata de dois flaneurs. Eles viajam conforme seu desejo os conduz, param onde algo os atrai, buscam os restaurantes típicos, locais, e não os recomendados para turistas, aliás, eles são tudo, menos turistas. Eles procuram vivenciar o local e as pessoas que ali habitam. Mayes sempre se faz a pergunta: Eu poderia viver aqui?

E isto torna o livro encantador e diferente. Não são descrições de locais turísticos, são detalhes, pinceladas, daquilo que interessou, do que atraiu o olhar, do que encantou, do que é capaz de mudar algo numa pessoa.

Eu me identifiquei muito com ela. Viaja sempre carregada de livros, o que também faço. Gosta de fotografar detalhes, uma porta, um trinco, uma varanda, uma flor, um detalhe da escultura. Não aprecia passeio prontos com tempo determinado, eu também não. Não aprecia muito guias turísticos, principalmente os que parecem recitar algo, mas sempre há exceções e encontramos excelentes guias. Odeia locais cheios onde não se consegue apreciar nada, ver nada, e somos empurrados com os outros. Prefere as ruelas, os becos, caminhar muito, olhar, cheira, provar. Compra livros, objetos para sua casa. Ed compra Cds das músicas locais. A descrição dos lugares com suas cores, as plantas, flores, as pessoas. A conversa com os habitantes.


Um livro maravilhoso sobre viagens, recomendo a leitura.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DOCUMENTÁRIO: A CAVERNA DOS SONHOS ESQUECIDOS - 2010


Direção: Werner Herzog - 2010 
Duração: 90 min
Título Original: Cave of  forgotten dreams

No sul da França foi descoberto em 1994 uma Caverna que estava fechada após um desmoronamento. É a Caverna de Chauvet em Pont D'Arc, com mais de 400 metros de extensão, 32 mil anos de existência e com pinturas rupestres de 424 espécies de animais, além das formações que ocorreram no correr dos anos, pegadas, caveiras de animais, restos de carvão, arranhados de ursos nas paredes, e uma pedra que pode ter sido um altar.

O diretor Werner Herzog conseguiu autorização para filmar na caverna respeitando todas as restrições e cuidados necessários a um patrimônio destes. Este filme talvez seja a única maneira que teremos de ter acesso a este outro mundo que está no nosso mundo.

As pinturas são impressionantes, fiquei observando e com poucos traços atingem uma perfeição da proporção do animal, parece que vejo os músculos. Há vários traços que dão a sensação de movimento, além das sombras projetadas pelo fogo ou pela luz agora. O silêncio da gruta, que infelizmente no documentário dura muito pouco, logo interrompido com sons de coração batendo e música durante a passagem das pinturas. Gostaria de estar lá e ver como é realmente sem nada disto.

De qualquer maneira o filme já nos traz uma sensação estética belíssima,mas vai além, por que não há como não se questionar sobre tudo isto. Por que pintaram? por que estes motivos? Há algum fundamento religioso? seria magia? arte? espiritual? ou nada disto?

Não há como responder a estas questões. Os cientistas podem datar, classificar os materiais, dar nomes, mas responder como era, por que fizeram as pinturas e qual seu significado, nunca poderemos saber.

Na caverna se entra no terreno do imaginário onde o tempo e o espaço não tem mais nenhum sentido.

As categorias podem mudar e a forma como compreendemos hoje um cavalo, uma mulher, um leão podem ser totalmente da forma como eles compreendiam. Pode não haver barreiras entre eles e o mundo espiritual, como nós temos. Não há como nossa mente atual captar o significado das pinturas e do que ocorria ali, captar o que são estas representações, se é que podem ser consideradas representações. Não poderiam ser o real? não pintariam o real, não pensando em representar algo, mas como uma magia que está atuando?

Tendemos a analisar tudo por nossos padrões, e que já há diferenças entre os padrões ocidentais e orientais atualmente, imagine então o que era naqueles tempos? Fiquei observando, porque só animais? e uma única mulher com cabeça de touro? onde estão os rios, árvores, plantas? por que focavam nos animais? Li uma vez que estas pinturas seriam atos mágicos vivenciando o real da caça e que surtiria um efeito simpático na caça logo após e que por isto eram feitas no escuro dentro de cavernas, para que os animais não vissem.  Novamente não há como ter certeza disto.

Mas há algo que a caverna provoca nos que lá estiveram, é a sensação de estar naquele tempo e que estão sendo observados pelos homens pré-históricos.

Um documentário muito interessante e que nos traz sensações diferentes. Não pude deixar de pensar numa metáfora com o inconsciente. Aqueles poucos traços que nos fazem ver a imagem por completo é como os traços que temos no inconsciente que adquirimos na infância e que depois regem nossa vida toda, a menos que os decifremos para podermos compreender.

A caverna tem o nome de seu descobridor.





Werner Herzog nasceu em 1942 em Munique, Alemanha

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

DOCUMENTÁRIO: O GRANDE SILÊNCIO - 2005


Direção: Philip Gröning - 2005 
Duração: 169 min 
Título original: Die groBe Stille 

Na verdade não se trata de um documentário, mas de um mergulho na vida e no dia a dia do Mosteiro Grande Chartreuse na França, a casa-mãe da ordem dos monges Cartuxos.

É algo que toca a alma, se deixe levar para dentro do filme, sinta, ouça os pequenos sons das folhas, da chuva, uma serra cortando madeira, uma bacia batendo na pedra. Se deixe levar pelo silêncio, pela meditação, os versos gregorianos, o arrastar dos pés pelos corredores. Se deixe levar pelas mudanças de estações, pelo som dos sinos, pela contemplação. E também pela alegria dos monges quando saem do mosteiro e entram em contato com a natureza e também brincam na neve.


São duas horas e meia que você vive dentro do Mosteiro. Não há comentários, não há explicações, não há nada que nos diga algo sobre o filme, por isto não o considero um documentário, mas uma experiência estética e espiritual.

O tempo é outro, o silêncio e os sons, os monges vivem em suas celas, os que trabalham o fazem sempre sozinhos. Eles tem momentos comunitários, no domingo e em dias festivos eles fazem a refeição juntos. Eles saem do Mosteiro para passeios e é o único momento onde os vemos falar um com os outros.

Durante 2 horas e meia submergimos no mundo contemplativo de uma vida dedicada ao amor à Deus. "E Deus me seduziu e eu me deixei seduzir". O filme é lento como a vida dos monges, um aprendizado de paciência e respeito ao tempo. Sempre dizemos que o tempo voa, mas é o mesmo tempo ali, só que ao focar nos detalhes, vivenciar cada momento, o tempo é mais lento e completo, do contrário, não o percebemos porque não é vivido. Na correria do dia a dia não notamos nada, não vemos os detalhes. Quantas vezes passamos por uma mesma rua e não vemos os detalhes de uma casa, uma bela árvore que está ali há anos?



Moro num local onde as pessoas dizem que é quieto demais, silencioso demais. As pessoas já não conseguem viver sem barulho? o que este barulho vem preencher? Não existe silêncio total na vida, há inúmeros sons, a natureza tem seus sons, nosso corpo tem sons. O silêncio se torna grande quando há falta, uma ausência, como senti durante o luto de minha mãe, mas no dia a dia eu gosto dos pequenos sons. No filme um dos mais belos sons são os sinos. Sinos relembram a minha infância.



Por duas vezes a câmera foca um avião que passa no céu. Que mundo distinto. Mas é para pensar, senão é questão de ser monge, mas que mundo é este que vivemos?  com todo o barulho, poluição visual e sonora, onde não temos um momento de silêncio, de meditação, nenhum refúgio, um jardim secreto. Quando busco um lugar para ficar só e em silêncio vou a um cemitério, e ainda assim... às vezes não é possível pois há uma avenida passando ao lado.



O mosteiro Grande Chartreuse fica em Saint-Pierre-de-Chartreuse, ao norte de Grenoble, nos Alpes. A ordem dos cartuxos foi fundada por São Bruno. Há monges e monjas, e mosteiros em vários lugares do mundo,inclusive no Brasil, em Ivorá - RS - Cartuxa de N. Sra. Medianeira.



Philip Gröning solicitou permissão para filmar dentro do Mosteiro em 1984, os monges responderam que precisavam pensar, que ainda era cedo. Levaram 16 anos para conceder a permissão. Gröning precisou filmar sozinho, sem equipe técnica e sem iluminação. Ele viveu no mosteiro por 6 meses.

Trailer:




Philip Gröning nasceu em 1959 em Düsseldorf, Alemanha. 

FILME: GORDOS - 2009


Direção: Daniel Sánchez Arévalo - 2009
Duração: 110 min
Título Original: Gordos


O filme trata de 05 pessoas com suas histórias diferentes e que são gordas. A questão na terapia que fazem não é emagrecer, mas sim, por que são gordos? o que os leva a comer compulsivamente? e mais, caso se sintam bem estando gordos não há motivos para fazer terapia.

Um belo enfoque sobre a obesidade, pois aqui não se trata de peso, mas do corpo, o corpo que somos nós, se nos sentimos bem ou não neste corpo. E geralmente a questão da obesidade está ligada a questões pessoais, como carências, culpas, tédio, contradições que não conseguimos resolver e então colocamos no lugar comer compulsivamente. O reverso da anorexia, da bulimia onde também são questões psíquicas que levam a pessoa a estas doenças.

O filme me atraiu de imediato, pois eu mesma engordei muito durante uma depressão, mas pela primeira vez estou parando para pensar no que me leva a isto. Claro que para emagrecer é preciso reduzir a comida, fazer exercícios, mas não é esta a questão do filme, que aliás nos mostra um homem magro e que faz uma campanha publicitária sobre um remédio para emagrecer e que depois ele mesmo engorda novamente. Quantos não emagrecem e engordam novamente. Por que?

Sempre me pergunto se realmente seria uma constituição física que daria o prazer de poder comer a uns e a outros não, mas algo em mim dizia: Não! Mesmo famílias obesas há algum problema ali e que não é físico, e que se transmite por herança aos descendentes.

As cinco histórias nos mostram exatamente isto, por que eles comem compulsivamente? por que eles são gordos?

O terapeuta Abel (Roberto Enríquez) conduz as sessões, ele é magro, mas isto não o exime da questão, pois justamente é um terapeuta para gordos por ele próprio ter pavor da obesidade e foi sua forma de lidar com isto. Enrique (Antonio de la Torre) é o garoto propaganda que engorda novamente. Temos o casal Sofia (Leticia Herrero) e Alex (Raúl Arévalo) que fazem parte de uma comunidade religiosa e desejam se casar. Um casal gordo com dois filhos, sendo que ela é gorda e o filho é magro e se diverte atormentando a irmã por ser gorda. E uma mulher que engorda por ser a forma que ela encontra para terminar o seu namoro, mas não assume isto.

O filme vale a pena ser visto não só pelo enfoque da obesidade, mas também para outras questões que transferimos para o corpo.

O que você limita, mas adora?
O que adora, mas reprime?
O que reprime, mas te liberta?
O que te liberta, mas você condena?
O que condena, mas ama?
O que ama, mas rejeita?

Daniel Sánchez Arévalo nasceu em 1970 em Madrid, Espanha

terça-feira, 2 de setembro de 2014

FILME: CARTAS PARA JULIETA - 2010


Direção: Gary Winick - 2010 
Duração: 105 Min 
Título Original: Letters to Juliet 

Sophie (Amanda Seyfried) é noiva de Victor (Gael García Bernal) são noivos e ele está prestes a inaugurar seu restaurante em New York. Decidem então fazer uma pré-lua de mel viajando para Verona na Itália, a cidade de Romeu e Julieta.

Porém Victor está empolgadíssimo com seu restaurante e só pensa nisto dedicando seu tempo com a culinária local e os vinhos abandonando Sophie, e resolvendo sua culpa com isto sempre jogando para ela a responsabilidade da escolha, mas deixando claro que ele gostaria de ir,mas se ela não quiser ele não vai. Sophie acaba sempre concordando com tudo e para ocupar seu tempo sai para passear por Verona, pois se cansa rapidamente das visitas culinárias do noivo.

Num destes passeios ela encontra a Casa de Julieta onde mulheres diariamente deixam cartas na parede embaixo do balcão pedindo conselhos à Julieta em seus casos de amor. Sophie é uma checadora de fatos e quando uma mulher passa recolhendo as cartas ela a segue e conhece então as secretárias de Julieta que respondem a todas as cartas deixadas. Numa ida para recolher as cartas ela acaba deslocando um tijolo da parede e ali surge uma carta muito antiga que tem em torno de 50 anos que foi escrita. Sophie então decide responder esta carta.

Alguns dias depois irrompe na sala das secretárias um jovem impetuoso e bravo, é Charlie (Chris Egan) que quer saber quem escreveu a carta, ele não aceita muito bem que sua vó, Claire (Vanessa Redgrave) esteja ali em Verona tentando fazer o que não fez há 50 anos atrás, e procura por Lorenzo (Franco Nero) seu amor da adolescência.

Sophie embarca junto nesta busca pela Itália e muitas coisas irão acontecendo neste trajeto que poderá mudar a vida de todos eles.

O filme tem paisagens belíssimas que só por isto já valem o filme.

Gary Winick nasceu em 1961 em Manhattan, New York, EUA e faleceu em 2011 na mesma cidade.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FILME: DE ENCONTRO COM O AMOR - 2005


Direção: Brad Mirman - 2005 
Duração: 100 min 
Título Original: The Shadow dancer 

Jeremy (Joshua Jackson) vive em Londres, trabalha numa editora e deseja ser um escritor. Seu chefe o chama, está indignado com o concorrente que está editando um escritor que há tempos não escreve, então ele também precisa fazer algo assim. É quando vem a ideia do escritor Weldon Parish (Harvey Keitel) que há muitos anos não edita nada e está desaparecido na Itália onde se refugiou, para ser mais exato, na Toscana. A missão de Jeremy é encontrá-lo e convencê-lo a voltar a escrever.

Uma deliciosa comédia romântica com belíssimas paisagens.

Jeremy encontrará Weldon, mas não será nada fácil se aproximar dele, ainda mais que ele é protegido pelos moradores locais, principalmente pelo dono da pousada, pelo padre e pelo dono do bar. Aos poucos ele vai conseguir aproximar-se até que Weldon lhe dará valiosos ensinamentos de como ser um bom escritor, mas nada dele mesmo escrever, pois sofre de um bloqueio desde que sua esposa morreu num acidente. Ao mesmo tempo ele conhecerá a filha do escritor, Isabella (Claire Forlani) por quem se apaixonará. A partir daí tudo é possível de acontecer.

Um pássaro que voava muito alto um belo dia é pego por uma ventania e consegue descer, mas quebra a asa. Depois disto ele tem medo de voar até o dia que um vento muito forte o empurra para cima e então ele perde o medo e volta a voar.

Quem será o vento de quem no filme?

Trecho do filme:



Brad Mirman nasceu em 1953 na Califórnia, EUA.

Música - Quien Sera (Sway) - Dean Martin 

FILME: BELEZA ROUBADA - 1996


Direção: Bernardo Bertolucci - 1996 
Duração: 118 min
Título Original: Stealing Beauty 

Lucy (Liv Tyler) é uma bela jovem que viaja para a Itália após a morte de sua mãe para ter seu retrato pintado, reencontrar amigos e principalmente para rever o jovem em quem dera o primeiro beijo quatro anos antes.

O local onde vivem seus amigos, a Toscana, é belíssimo, a casa de pedras típica do local, as parreiras de uvas, as oliveiras. Diana (Sinéad Cusack) é casada com Guillaume (Jean Marais), são os donos da casa e ele é um artista. A casa toda está repleta de obras suas, principalmente na parte externa, esculturas em terracota, cerâmica de mulheres, crianças. Diana é uma alma generosa, mas carrega uma tristeza dentro de si. Ela cuida de Alex (Jeremy Irons) que está doente em estado terminal, mas que ganha um élan com a chegada de Lucy.

Em contraste com todos ali que curtem a vida e o sexo, Lucy busca o amor.Ela é virgem e sonha com sua primeira noite, mas tem que ser com amor e não apenas uma transa. Ao final ela descobrirá um grande segredo de sua mãe a respeito de seu nascimento.

O filme já vale só pelos cenários, as paisagens, mas a amizade de Lucy e Alex é bonita, de confiabilidade e generosa, os diálogos deles são os melhores do filme.

O despertar da sexualidade de uma forma ainda inocente, ainda a busca do amor, coisa que no mundo atual muitos desprezam e querem apenas o sexo.


Bernardo Bertolucci 

domingo, 31 de agosto de 2014

LIVRO: AMOR EM MINÚSCULA - FRANCESC MIRALLES


Miralles, Francesc, Record, 2008.
283 páginas
Tradução: Luís Carlos Cabral
Título original: Amor en minúscula

Um livro singelo sobre a solidão, o amor e a amizade.

Samuel é um professor de literatura alemã que vive sozinho. É ano novo e ele pensa que novamente irão se repetir os mesmos 365 dias sem mudanças em sua vida solitária. Porém terá uma surpresa quando um gatinho aparecer na sua porta. Inicialmente ele pensa em como se livrar do bichano, mas finalmente se renderá e o adotará dando-lhe o nome de Mishima.

A partir deste gesto sua vida irá mudar. Será através de Mishima que ele conhecerá Titus, seu vizinho de cima, com quem nunca trocou uma palavra sequer. Aos poucos irá notando o mundo a sua volta, e perceberá que o acaso não existe, mesmo quando parece um absurdo o que acontece. Cruzará na rua com Gabriela, seu primeiro amor de infância, conhecerá Valdemar num café.

Com Mishima, Titus e Valdemar, Samuel irá reaprender a viver, a acreditar na vida e que tudo é possível, desde que se sai de sua concha protetora e deixe a vida fluir. Ele que não conseguia suportar ir na casa da irmã e do cunhado por serem pessimistas demais aprenderá a agir exatamente ao contrário do que fazia, e terá um dia ótimo com eles. Verá o quanto ele tem medo do amor e o quanto é difícil se deixar amar, afinal é mais fácil se defender. O beijo de borboleta na infância que se transforma no traço que lhe desperta a paixão e que ficou no seu inconsciente despertando assim que viu Gabriela na rua reconhecendo-a de imediato.

Apesar dos clichês, este pequeno livro nos ensina a viver de uma maneira simples, sem levantar murros, e acreditando que cada dia pode ser diferente do outro, desde que estejamos abertos à vida. Nem tudo são flores, mas isto faz parte também do viver.

Francesc Miralles nasceu em 1968 em Barcelona, Espanha

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

FILME: UM CASTELO NA ITÁLIA - 2013


Direção:  Valeria Bruna Tedeschi - 2013 
Duração: 99 min
Título Original: Un Château en Italie 
País: França 

Indicado no Festival de Cannes 2013 para longa-metragem 

Uma família burguesa italiana que possui um castelo na Itália que apesar de precisarem vender não o fazem porque o filho não quer vender.

Louise (Valeria Bruna Tedeschi) é irmã de Ludovic (Filippo Timi), eles tem uma relação bem próxima, e precisam decidir junto com a mãe Marisa (Marisa Borini) se vendem ou não o Castelo, ou o alugam para a Prefeitura, porém Ludovic não permite que se façam visitas ao interior do Castelo.

Louise é uma atriz que abandonou a carreira, mas ela conhece Nathan (Louis Garrel) um jovem ator com quem inicia uma relação um tanto tumultuada. Seu irmão tem uma namorada e está doente, ele tem AIDS. Ela quer viver, ter sua família, ter filhos, mas está sempre envolvida na família e suas questões e mal consegue olhar para o outro. Ela terá que crescer.

O que vemos principalmente é que se trata de pessoas que sempre tiveram tudo mas não são felizes. Porém há um outro lado neste filme, pois trata-se de uma lavagem de alma da diretora em relação a sua vida e família.

Ao final o passado se encerra e há a possibilidade de uma nova vida para Louise.

Valeria é irmã da ex-primeira dama francesa Carla Bruni e ela mesma interpreta Louise no filme, assim como sua mãe faz também o papel de mãe, inclusive com o mesmo nome, Marisa, e Louis Garrel é o companheiro de Valeria.


Valeria Bruna Tedeschi nasceu em 1964 em Turim, Itália. 

LIVRO: UM VINHEDO NA TOSCANA - Una passione italiana - FERENC MÁTÉ



Máté, Ferenc.Seoman, 2010
Tradução: Drago
270 páginas
Título original: A vineyard in Tuscany

Este livro é a história da vida da família Máté na Toscana e sobre a realização de um sonho. Máté nasceu na Hungria, saiu de lá após a Revolução e viveu em vários lugares, é um escritor. Foram viver na Toscana numa bela casa, mas Máté sonhava com vinhedos e em produzir vinho. Procuraram e finalmente encontraram um antigo e abandonado Mosteiro do século XIII.

Vamos acompanhando a família em todo seu percurso na reforma deste Mosteiro, nos cuidados com a propriedade, no aprendizado para serem produtores de vinho. Tem momentos hilários que me fizeram rir muito. Máté escreve bem, com senso de humor, mesmo diante de dificuldades que muitos teriam ligado para a Sociedade de proteção ao suicídio, senão tivessem se matado antes.

A persistência, o desejo, a tenacidade, a dedicação é surpreendente, além do bom humor, do amor que une esta família de três pessoas, Máté, Candace e o filho dos dois, Buster, são uma lição de vida. As descrições dos lugares são bem feitas, chegamos a sentir o aroma, o orvalho, a chuva, o frio, os sabores.

Ser proprietário de um vinhedo e produtor de vinhos requer muita paciência e dedicação. As grandes produções são automatizadas, mas produzir um vinho especial é para aqueles que amam isto e o fazem manualmente, cuidando de cada vinhedo com o carinho de uma mãe com seu filho. Sua vida se transforma no vinho, é preciso amar muito isto. Mas a recompensa ao se sentir e beber um vinho destes é algo insuperável, é o néctar dos deuses.

Muito interessante todas as informações sobre a produção do vinho narradas de uma forma que não nos cansa na leitura, pois apesar de explicar como funciona, não são informações visando a um produtor. Ele nos conta como aprendeu, o que precisou saber, mas tudo de uma maneira gostosa de ler.

E ao final quando seu vinho Syrah é eleito um dos grandes vinhos tintos italianos pela Morrell vibramos com eles.

Ferenc Maté 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FILME: EM BUSCA DE UM CAMINHO - THE WAY - 2010



Direção: Emilio Estevez - 2010
Duração: 116 Min
Título Original: The Way 

O filme é uma homenagem ao avô do diretor. Ele é o filho mais velho de Martin Sheen.

Tom (Martin Sheen) é um oftalmologista que não tem uma boa relação com seu filho que está viajando. Ele recebe um telefonema avisando sobre a morte de Daniel (Emilio Estevez) na França no primeiro dia de sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela num acidente por causa de uma tempestade nos Pirineus. Tom então parte para buscar o corpo de seu filho.

Chegando lá Tom começa a se recordar do filho e de quando o levou para o embarque, sobre ele dizendo que devia viajar mais, ao que seu pai responde que foi a vida que ele escolheu. Daniel então lhe diz: a vida não se escolhe, a vida se vive.

Algum motivo leva Tom a mudar de ideia de levar o corpo e pede para que seja cremado e parte para fazer o caminho interrompido pela morte. Ao longo da caminhada vai deixando punhados de cinzas de seu filho e pensa em deixar o restante aos pés de São Thiago. Durante o trajeto ele vai conhecendo pessoas diferentes e ao fim fazem o percurso em quatro, cada um deles de um lugar com uma história diferente, três homens e uma mulher. Durante o percurso Tom irá vivenciando o outro, cada um com sua questão e sua busca, o que leva cada pessoa a fazer este caminho, um fuga? um reencontro? uma busca de resposta para algo? um bloqueio? , mas também perceberá que a amizade existe e que o outro também pode fazer muito por ele.

Tom sempre vê o filho, ele está indo junto, mas isto precisa terminar. E por ocasião do roubo de sua mochila onde estavam as cinzas por um garoto cigano, ele pensa em voltar imediatamente para casa, mas o pai do garoto chega e faz o menino devolver a mochila. Dali segue que este homem lhe dirá que ele deve ir além de Santiago e jogar as cinzas no mar, não por uma questão religiosa, mas para o bem dos dois. E assim Tom fará.

Pode-se pensar em vários motivos para Tom ter tomado esta decisão de levar o filho nesta caminhada, ele pode ter desejado compreender porque seu filho tinha esta sede de conhecer o mundo, ele pode estar querendo homenagear o filho, pode estar atendendo ao desejo de seu filho, mas independente disto, este percurso mudará Tom, que irá ver o que é viver e compreenderá talvez o que o cigano lhe disse: filhos são o nosso pior e o nosso melhor.

Tom está vivenciando o luto pela perda do filho e o faz de uma maneira que o aproxime dele, uma tentativa de recuperar o que se perdeu em vida. O luto é sempre uma separação, é em prol de quem está vivo e continua para poder lidar com isto. O final do filme nos confirma que o que o pai tanto reprovava no filho estava nele mesmo e fazer o caminho de Santiago o levou a descobrir isto.




Além disto podemos acompanhar o caminho com suas paisagens, as pousadas, as igrejas, as trilhas.


Emilio Estevez com seu pai Martin Sheen, nasceu em 1962 em Staten Island, New York , EUA



sábado, 23 de agosto de 2014

FILME: NUNCA TE VI SEMPRE TE AMEI - 1987



Direção: David Hugh Jones - 1987 
Duração: 95 min 
Título Original: 84 Charing Cross Road 

Baseado no livro autobiográfico de Helene Hanff 

Helene Hanff (Anne Bancroft) gosta de livros ingleses, mas com bom preços e não consegue encontrá-los em New Your. Após encontrar um artigo numa revista ela escreve para uma loja em Londres perguntando se eles realmente tem estes livros e se são baratos. Desta forma inicia-se uma correspondência que durará 20 anos com Frank Doel (Anthony Hopkins).

Helene é solitária mas possui um bom humor insuperável, escreve num tom que quem não possui senso de humor não conseguirá captar. Ajuda a todos, cuida do bebê e do cachorro de uma amiga, escreve e lê. Frank é um apaixonado por livros também, casado com Nora (Judi Dench), tem duas filhas. A história se passa nos anos 50 e a Inglaterra passa por uma racionamento. Helene então começará a enviar caixas com mantimentos em épocas festivas o que lhe angariará a amizade de todos na loja, que também começam a lhe escrever.

Mas os anos passam e Helene sempre está protelando sua ida à Inglaterra. Na vez que estava tudo certo ela tem um problema nos dentes que inviabiliza sua ida, e depois disto ela não tenta mais, até o dia em que recebe uma carta da livraria comunicando a morte de Frank. Neste momento ela sente que tem uma dívida, e então finalmente ela vai a Londres.

Durante 20 anos eles trocarão belas cartas, uma grande amizade surge disto e um amor profundo pela vida e pelos livros. Para os apaixonados por livros o filme fala sozinho à suas almas, sentimos o prazer de Helene e Frank em encontrar o livro e receber o livro.

Podemos pensar que nunca devemos deixar de fazer algo antes que seja tarde demais, mas as vezes a vida se descortina de uma forma que nos impossibilita, mas por outro lado, também há de se perguntar o que teria sido se eles tivessem se conhecido pessoalmente? Como diz Helene, ela é um mistério.

Encantei-me com a interpretação de Anne Bancroft, está maravilhosa.

David Hugh Jones nasceu em 1934 em Poole, Dorset e faleceu em 2008


Helene Hanff 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

FILME: SHIRLEY VALENTINE - 1989


Direção: Lewis Gilbert - 1989
Duração: 104 min 

Há muito tempo desejava assistir, então hoje escolhi este filme.

Shirley (Pauline Collins) é uma dona de casa que passa seus dias cuidando do lar, vai ao mercado, limpa, cozinha, cuida do cachorro da vizinha, está sempre muito só e conversa com a parede, lembrando os tempos em que era Shirley Valentine e tinha muitos sonhos que foram se perdendo na vida. Seu marido Joe (Bernard Hill) também já não é o mesmo, perdeu toda sua alegria e agora é um chato, que chega em casa e quer tudo pronto, sendo que tem um cardápio definido para cada dia e não aceita mudanças. Ele acha Shirley uma tola que conversa com paredes. Seus filhos estão grandes e saíram de casa.

Um dia ela recebe um convite de sua amiga feminista Jane (Alison Steadman) para acompanha-la à Grécia. Shirley sempre sonhou em viajar, desejava ser aeromoça, o que acredita que sua principal inimiga do colégio se tornou. Inicialmente ela diz que não pode ir, mas Jane a incentiva defendendo seu direito à liberdade. Levando em conta alguns acontecimentos como seu marido lhe empurrando o prato de comida em cima dela por não ser o cardápio do dia, e com a volta de sua filha que a trata como a uma empregada e quando ela lhe conta que vai para a Grécia acho isto um total absurdo, ela vai.

Lá ela conhece Costas (Tom Conti) com quem tem um caso amoroso. Sua amiga Jane havia arrumado um namorado no avião e ficou com ele por uns dias, mas acaba de voltar e acha um absurdo o comportamento de Shirley.

Estamos diante de um quadro bem comum,infelizmente, onde uma mulher se transforma na empregada de todos, não tem desejos, não tem vontade própria, não pode sonhar. Tem que fazer exatamente aquilo que esperam que ela faça e não o que ela quer fazer. Mas Shirley aprende que a vida passa, e se não for para usá-la para aquilo que desejamos, então para que serve viver? Viver não é atender ao desejo do outro.

Até mesmo sua amiga Jane, quando se trata dela, tudo bem, ela vai com o namorado, mas assim que volta não aceita que Shirley também tenha arrumado alguém e que vai deixá-la por sua vez sozinha. Todos esperam que ela esteja a disposição deles. Um egoísmo tremendo. Somente seu filho a compreende. E ela pensa: quem vai sentir minha falta? Sentirão sim, na hora de fazer coisas, mas não da pessoa, do ser humano que também ama, sofre, ri, chora, e principalmente, deseja.

O que Shirley sente e se questiona é algo comum a todos nós, mas a coragem de mudar, de viver, de fazer algo é algo que poucos tem, e ela teve.

Além disto o filme vale pelas belas imagens da Grécia, o por do sol maravilho e o azul do mar, além de suas casa brancas.

Lewis Gilbert nasceu em 1920 em Londres, Inglaterra