domingo, 14 de dezembro de 2014

FILME: MORTE NO AMOR - 2008



Direção: Boaz Yakin - 2008
Duração: 97 min 

Título original: Death in love 

O Filme tem algumas cenas fortes, e no começo é confuso, porém deve ser visto não como uma sequência, pois trata-se de mostrar a herança psíquica nos filhos de pessoas que passaram pelo horror dos campos de concentração. 

Uma mulher judia (Jacqueline Bisset) que esteve presa num campo de concentração é mãe de dois filhos (Josh Lucas e Lukas Haas), ambos problemáticos e com questões sérias, como o mais mais jovem que não consegue se afastar de casa, é totalmente dependente e se agarra à mãe, tem problemas de alimentação e é autodestrutivo, inclusive fisicamente. O mais velho tem questões sexuais e de amor. 

A Mãe quando jovem foi deixada para trás por seus pais que fugiram. A oportunidade para fugir era apenas para dois, e o pai decide que é a esposa e a filha, mas a esposa se nega a ir sem ele, e então deixam a filha, que acabara presa num campo de concentração. Ela é uma das escolhidas para participar do programa de experiências médicas, e as cenas do filme são chocantes. Ela está aterrorizada enquanto caminha para a sala onde o médico a espera, e quando entra ela sorri para ele que lhe pergunta porque está sorrindo ao que responde que nunca viu um homem tão bonito. 

O médico se envolve com ela e a coloca sob sua proteção. Ela se apaixona por ele, mas aqui temos uma questão que é a do amor ao agressor, a introjeção do mesmo, o que é muito bem mostrado no filme O porteiro da Noite que já postei no blog. Não é um amor, é doença. Mas ela nunca mais o esquecerá. 

Anos depois quando seus filhos estão adultos vemos que ela continua tendo crises sérias, ela ficou marcada e traumatizada, e toda esta herança psíquica passou para seus dois filhos. O filho mais velho gosta do sexo violento, com sadomasoquismo, mas está perdido em sua vida, diz que na verdade não temos nada para dar ao outro, no que ele tem razão, mas não consegue construir nada também. Ele não consegue amar. Nenhum deles consegue amar, a começar pela mãe que se ilude ao pensar que sempre esteve apaixonada por seu agressor. Ela nunca se libertou do horror que viveu, e para sobreviver se entregou a isto sem mesmo se dar conta. O nazista também se envolve, e está atras dela, ambos não conseguem sair desta relação patológica. 

O filme O porteiro da Noite é melhor, mas neste aqui temos algo além, que é o que se passa aos filhos, que ignoram esta parte da história da mãe, mas mesmo assim sofrem as consequências. 

Para muitos o filme pode parecer confuso, chato, com excesso de cenas de sexo, e sem muito sentido. Mas se levarmos em conta o trauma de um campo de concentração e das marcas que ele deixa, e de como isto reflete na vida da pessoa e de seus descendentes, o filme nos surge de outra forma. É preciso levar em conta o inconsciente, e a sexualidade, a pele e o corpo. A mãe passa pelas experiências do médico, mesmo se tornando a "amante" dele, o que ele lhe dá em troca é comida e roupas, mas ela não passa de mais um objeto de experiências dele assim mesmo. Ela também viu o que se passava ali, os gritos, o medo. Ela foi abandonada pelos pais, e depois o médico quando foge na chegada dos russos. Experiências com o corpo e sexo, é isto que ela viveu no campo, e ficou marcada, mesmo que achando que está apaixonada, devido a introjeção do agressor. Não fosse assim, o que seriam as crises que ela tem e que aparecem durante o filme? A marca está no corpo, assim como seu número no campo, onde não tem nome, nem mesmo para o médico que a chama pelo número. 

Ele vai e volta no tempo, muda de cenários e situações, como se fossem as marcas, os traços do inconsciente. 

Boaz Yakin nasceu em 1966 em New York, EUA