segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

PERFIL: MULHERES - AUNG SAN SUU KYI



Aung San Suu Kyi nasceu em 19 de junho de 1945 em Rangum, Birmânia/ Mianmar. Seu pai Aung San, herói da independência do país que era uma colônia Britânica, foi assassinado um pouco antes da independência, quando ela tinha dois anos.

Suu Kyi com a foto de seu pai ao fundo

Suu foi para a Inglaterra quando jovem para estudar e conheceu o Prof. Michael Aris em Oxford, especialista sobre os povos do Tibete, Butão e do Himalaia, com quem se casou e teve dois filhos, Alexander e Kim. 

Suu e Michael 

Suu vivia em Oxford até em 1988 receber um telefonema sobre sua mãe que sofreu um AVC. Ela então volta ao seu país de origem que passava justamente por grandes manifestações do estudantes em prol da democracia e que foram massacrados pelo governo militar que assumiu o governo após um golpe. O General Ne Win estava no poder há 26 anos. Suu transforma-se no bastião da independência pois é filha do herói Aung San e ela adere ao movimento falando ao público sobre a democracia e os direitos humanos, mas sempre de forma pacífica. Suu é uma grande admiradora de Gandhi. 


Ne Win renuncia mas isto não diminuiu em nada o massacre, os protestos são brutalmente reprimidos. Uma junta militar assume e é formando um novo partido de oposição o LND - Liga Nacional pela Democracia, que Suu apoia incondicionalmente. Ela percorre o país falando a todos, quando retorna sua mãe acaba de morrer. É quando ela teve que tomar uma decisão, e decide ficar no país. Teve todo o apoio de seu marido e filhos, apesar do sofrimento da separação, uma vez que os militares lhes tiraram os vistos de permanência no país.

O povo exige eleições. Em 1989 Suu é presa pela primeira vez para que não possa participar das eleições, porém seu partido ganha a maior parte das cadeiras e a junta militar se recusa a reconhecer os vencedores que são presos.

Em 1990 o Parlamento Europeu lhe concede o prêmio Sakharov de liberdade de pensamento e em 1991 ganha o Nobel da Paz que foi recebido por seu marido e filhos, uma vez que Suu estava em prisão domiciliar em seu país. Em 1995 lhe concedem liberdade como demonstração de democratização, mas isto durará pouco. Em 1995 concedem o visto para Michael e seus filhos a visitarem, será a última vez que verá seu marido. Em 27 de março de 1999 ele morreu de câncer sem revê-la. Foi uma decisão difícil, os militares acreditavam que ela iria para a Inglaterra ver o marido e não concederam o visto para ele vir, mas ela não recuou, sabia que se fosse nunca mais lhe permitiriam entrar no país.

O regime queria chegar as eleições de 2010 sem entraves. Suu era a resistência pacífica, mas firme. Ela tinha uma força de aço. O mundo todo se movimentava para conseguir sua libertação. Em 19 de junho de 2010 ela completou 65 anos ainda em prisão. Nesta ocasião o presidente americano Barack Obama fez um apelo ao governo para que a libertassem.

Ela foi finalmente libertada em 13 de novembro de 2010. Em 2011 encontrou-se com o presidente Thein Sein que iniciou o processo de abertura do país e libertação dos presos políticos. Em 2012 ela foi eleita para a câmara baixa do parlamento birmanês. Porém a luta pela democracia continua.

Michael Aris em Oxford 


Uma mulher admirável, afetuosa mas firme como o aço, que nunca teve medo.

Referências: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aung_San_Suu_Kyi

Ela escreveu o livro: Viver sem medo e outros ensaios que pretendo ler e postar aqui no Blob. Já postei o filme Além da Liberdade que é sobre ela, e há também o filme Muito além de Rangun de John Boorman, que não é especificamente sobre Suu, mas onde ela aparece e fala de seu país.